Sem nenhuma condenação nos diversos processos que ainda responde ou respondeu por fraude a licitação com empresas de fachada e sócios laranjas, uso de documento falso, corrupção, falsificação de documento público, agiotagem, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e de promoção, constituição, financiamento e integração de organização criminosa, o empresário maranhense Eduardo José Barros Costa, o Eduardo DP ou Imperador, voltou a ganhar licitações de obras públicas e articula entrar na política — e em família.
Em julho de 2022, ele reativou, após mais de dez anos de inatividade, a Imperador Empreendimentos e Construções, antiga empreiteira que passou a ser oficialmente chamada de EDP Infraestrutura e Pavimentação.
Registrada atualmente em Amapá do Maranhão, município de pouco mais de 7 mil habitantes localizado no Oeste do estado, a empresa é uma das poucas vinculadas ao CPF que a Justiça considerou verdadeiro entre os três que Eduardo DP possuía e teria utilizado em diversos contratos públicos e empréstimos junto a instituições bancárias ao longo dos anos.
Em fevereiro, ao ser questionado pelo Atual7 sobre a reativação da antiga empreiteira e os processos em que ainda é alvo ou foram arquivados por prescrição, ele minimizou as acusações e sustentou que não há nada que o desabone judicialmente: “Não tenho nenhuma condenação. Tudo que disseram contra mim foi ou está sendo encerrado pela própria Justiça”, declarou.
Desde 2023, a EDP assinou contratos de pavimentação que somam mais de meio bilhão de reais com governos de estados e municípios do Maranhão, Tocantins, Rondônia, Goiás e São Paulo, incluindo recursos oriundos de verba federal.
Em meio à retorno fácil ao mercado, o empresário lançou em dezembro do ano passado a pré-candidatura da esposa Larissa da Silva Torres da Costa, agora conhecida como Larrisa DP, para a Câmara dos Deputados. Ela deve concorrer nas eleições de 2026 pelo MDB, partido do ex-presidente José Sarney.
Para impulsionar o projeto eleitoral, Eduardo DP tem investido alto na política do pão e circo em cidades do interior do Maranhão onde tem ou já fez negócios. Nos últimos meses, patrocinou blocos de Carnaval, entregou peixes durante a Semana Santa, participou de cultos religiosos, custeou sorteio de produtos eletrônicos e eletrodomésticos no Dia das Mães, promoveu festas juninas, doou cestas básicas, distribuiu dinheiro e financiou vaquejadas, feiras e outros eventos do setor agronegócio.

A investida tem ocorrido principalmente em Codó, município a cerca de 300 km da capital São Luís, onde está sediada a Construservice, da qual seria sócio oculto, segundo investigações tanto no âmbito estadual quanto federal que, mesmo que temporariamente, já o levaram seis vezes à prisão.
Em todas as vezes em que foi levado para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas em operações deflagradas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate às Organizações Criminosa) do Ministério Público do Maranhão ou pela Polícia Federal, a Construservice, ainda de acordo com as apurações criminais, teve participação central nos supostos esquemas.
Mais do que consolidar uma base comercial, a escolha por Codó, onde fica a sede da empresa, atende a um objetivo mais ambicioso: embora negue publicamente, segundo políticos da região, o empresário busca fincar tentáculos político-eleitorais e se tornar popular na cidade para tentar disputar, em 2028, a prefeitura do município.
DP não aparece nos registros da Construservice na Receita Federal. Mas, além de ser reconhecido como sócio de fato da construtora em uma ação trabalhista no Maranhão, foi delatado pelos sócios formais como verdadeiro controlador da empresa, e atuou como representante da empreiteira na assinatura diversos contratos.
Ao Atual7, ele confirmou a ligação com a Construservice, mas negou qualquer ilegalidade nas relações. “O Casanova é amigo antigo e de muita confiança, daí as parcerias com a Construservice para execução de obras. Não tem nada de errado nisso”, defendeu-se, sem entrar em detalhes, fazendo referência ao engenheiro Rodrigo Gomes Casanova Júnior, sócio formal da empreiteira.
O outro sócio é o motorista Adilton da Silva Costa, que desde os anos 80 trabalhava para a família de Eduardo DP e recebia um salário mínimo, sem carteira assinada, para fazer ainda serviços gerais.
Sobre as eleições de 2028, ele desconversou sobre estar se articulando, mas afirmou que essa questão será decidida próxima do pleito, quando opositores do empresário Francisco Carlos de Oliveira, o Chiquinho FC (PT), atual prefeito de Codó, “se alinharem para a escolha do nome do grupo”.
“Aliados e até quem apoia outros nomes têm me incentivado a entrar, mesmo eu não tendo decidido nada. Eu não penso nisso agora. Meu foco é executar minhas obras e a [pré-candidatura da esposa] Larrisa. Mas, se ocorrer, nada mais natural, já que tenho ligações com lideranças locais e parceria com a Construservice, que há anos emprega centenas de moradores de Codó”, defendeu.
Eduardo DP é filho de Alfredo Falcão Costa (já falecido) e Maria Arlene Barros Costa. Ambos já comandaram a prefeitura de Dom Pedro, município localizado no Centro Maranhense e de onde o empresário herdou os apelidos DP e Imperador após, segundo investigadores, dominar licitações e contratos públicos, principalmente, no período em que a matriarca chefiou a prefeitura, entre 2009 e 2012.