A Polícia Civil do Maranhão tem se debruçado sobre os dados das quebras de sigilo bancário e fiscal de alvos da investigação que apura a origem de mais de R$ 1 milhão encontrado no porta-malas de um carro abandonado há exatamente um ano no bairro do Renascença, em São Luís.
Segundo fontes do Atual7 com acesso à apuração, o material já analisado pelos investigadores indica que ainda há pistas a seguir no quebra-cabeça dos eventos que resultaram na deflagração de ao menos duas operações de busca e apreensão para descobrir a origem do montante e se há relação com crimes.
Ainda de acordo com essas fontes, a Polícia Civil já sabe de quais contas bancárias o dinheiro foi sacado. Os elementos de prova reunidos a partir das quebras de sigilo, liberados recentemente para análise do setor de inteligência financeira da corporação, devem responder outras grandes e fundamentais perguntas pendentes no caso: Quem mandou sacar e qual destino seria dado ao dinheiro?
Com isso, novas operações devem ser deflagradas.
O veículo com os mais de R$ 1 milhão foi encontrado por policiais militares no dia 30 de julho do ano passado, após denúncia anônima sobre o abandono de um carro da Renault, modelo Clio de cor vermelha, em frente à empresa de serviços hospitalares “Café e Cia”, que pertence a Clarice Sereno Loiola Braide, esposa do médico Antonio Carlos Braide, irmão do prefeito Eduardo Braide e do deputado estadual Fernando Braide, ambos do PSD.
Um dos alvos da Polícia Civil é o próprio Antonio Braide. Em agosto de 2024, ele foi preso em flagrante após os agentes encontrarem o carregador da arma de fogo durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na investigação sobre o dinheiro encontrado no Clio vermelho.
Como pagou fiança, foi colocado em liberdade. Posteriormente, teve o inquérito que apurava a posse desse acessório arquivado.
Segundo entendimento do Ministério Público do Maranhão, aceito pela juíza Lidiane Melo de Souza, da 2ª Vara Criminal de São Luís, apesar das evidências sobre materialidade e autoria do crime, não ficou comprovado que a posse do carregador de uma pistola da marca Taurus, calibre 380, sem munição, representaria dano ou perigo social.

Além do irmão de Eduardo Braide, também foram alvo de busca e apreensão pela Polícia Civil um assessor da gestão municipal de São Luís, identificado como Carlos Augusto Diniz da Costa, e um assessor de deputado Fernando Braide, identificado como Guilherme Ferreira Teixeira.
Um dos endereços visitados pelos agentes durante as buscas contra Teixeira já pertenceu ao ex-deputado estadual Carlos Braide, pai do prefeito da capital maranhense. Além disso, um Honda Fit preto utilizado para dar carona ao então assessor parlamentar, após ele ter estacionado e abandonado o Clio vermelho com o dinheiro no porta-malas, está registrado em nome da mãe de Eduardo Braide, morta em 2010.
Após a repercussão do escândalo, a dupla de assessores foi exonerada.
À época, o prefeito de São Luís divulgou vídeo nas redes sociais declarando não ter qualquer relação com o caso e responsabilizando o irmão, Antônio Braide, pelo uso do Honda Fit.
Questionado pelo Atual7 se foi aberta alguma sindicância para apurar as circunstâncias suspeitas envolvendo o servidor de sua gestão, Eduardo Braide não respondeu. Em tese, eventual inércia pode caracterizar prevaricação e improbidade.
Ao todo, o valor apreendido chegou a R$ 1.109.350,00. A contagem da quantia foi realizada pela Polícia Civil utilizando uma máquina contadora de cédulas. O dinheiro está depositado em uma conta judicial vinculada ao inquérito sigiloso e o Clio vermelho segue apreendido.