O vereador Edson Gaguinho (PP) agrediu o blogueiro Francisco de Assis Gama, conhecido como Rafael da Juventude, no estacionamento da Câmara Municipal de São Luís. A agressão ocorreu na quinta-feira (5), um dia após Rafael publicar em seu blog uma matéria questionando a evolução patrimonial do parlamentar, que teria, segundo o blogueiro, passado de camelô a dono de um patrimônio estimado em R$ 15 milhões.
Em contato por telefone com o Atual7, Gaguinho admitiu ter agredido o blogueiro. “Ninguém tem sangue de barata. Quando tu não deve, não teme. Ele estava atingindo a minha honra”, afirmou. Questionado se foi atingido fisicamente por Rafael, o vereador disse que não.
A versão contradiz a nota de esclarecimento que o próprio Gaguinho publicou nas redes sociais, na qual afirma que o blogueiro o teria insultado e agredido ao reencontrá-lo na Câmara, e que ele “apenas se defendeu para preservar sua integridade física”.
Em relato ao Atual7, Rafael contou que estava no corredor da Câmara conversando com o vereador Douglas Pinto (PSD) quando Gaguinho chegou, estacionou o carro e caminhou em sua direção. “Eu pensei que ele ia passar por trás, ia pra algum lugar. Quando eu me espantei, foi só um soco, e ele veio pra cima de mim me agredindo, me dando vários socos”, disse. Segundo o blogueiro, ele caiu no chão e seguranças da Câmara intervieram para separar os dois.
Rafael publicou nas redes sociais um vídeo mostrando lesões no rosto e registrou boletim de ocorrência no 6º Distrito de Polícia Civil da Cohab Anil, sob o nº 00041168/2026. O documento tipifica o caso como lesão corporal dolosa, crime previsto no Código Penal que se configura quando a agressão física é intencional.
Na véspera do episódio, em 4 de fevereiro, Rafael havia publicado uma matéria com o título “Vereador Edson Gaguinho acumula patrimônio de 15 milhões e levanta questionamentos“, na qual aponta que o parlamentar seria proprietário de casas no Jardim Eldorado e na Vila Janaína, além de um posto de combustível, e cobra a atuação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público do Maranhão.
A nota pública do vereador, porém, não menciona a publicação. Em vez disso, atribui o conflito a uma retaliação por ter se recusado, segundo Gaguinho, a atender “pedidos de dinheiro” feitos por Rafael.
Na entrevista ao Atual7, o vereador disse que em novembro do ano passado Rafael teria pedido R$ 2 mil “para comprar whisky para o aniversário dele”, em uma conversa no gabinete. Perguntado se poderia comprovar o suposto pedido, com mensagens ou qualquer outro registro, disse que não, pois teria sido uma conversa presencial. Questionado se os dois tinham proximidade que justificasse esse tipo de pedido, também negou, afirmando que “recebeu ele normal, como recebe todo mundo”.
Gaguinho informou ainda ao Atual7 que esteve na delegacia acompanhado de seguranças da Câmara Municipal e de um procurador da Casa, cujo nome não quis revelar. Disse inicialmente que estavam ali como testemunhas. Quando questionado se o procurador estaria na delegacia para defendê-lo, recuou e afirmou que o procurador estava lá “por ser um membro da Casa agredido”. O vereador disse que não pretende fazer exame de corpo de delito e que não conversou com o presidente da Câmara, Paulo Victor (PSB), sobre o episódio.
Na mesma entrevista, Gaguinho afirmou ser empresário e dono de três lojas, e garantiu ter declarado todos os seus bens à Justiça Eleitoral. Os dados do sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral, no entanto, mostram que nenhuma loja consta nas declarações de bens apresentadas pelo parlamentar em quatro disputas eleitorais consecutivas.
Em 2012, quando terminou como suplente pelo PHS, Gaguinho declarou não possuir bens. Em 2016, já eleito pelo mesmo partido, declarou R$ 135 mil em patrimônio, incluindo um terreno não averbado no bairro Santa Clara e um Toyota Corolla 2013. Em 2020, pelo DEM, o patrimônio declarado saltou para R$ 895 mil e incluía um depósito bancário, uma Toyota Hilux, um Corolla, um imóvel residencial na Vila Riod e um apartamento no Condomínio Vitória, na Forquilha. Na última eleição, em 2024, pelo PP, os bens declarados recuaram para R$ 690 mil, com apenas uma Hilux e uma casa. Três dos cinco bens listados em 2020 deixaram de constar na declaração, entre eles o apartamento na Forquilha, o Corolla e o depósito bancário.

O presidente Paulo Victor foi procurado por telefone para comentar a ocorrência da agressão nas dependências da Casa, mas rejeitou a ligação e não respondeu a mensagem deixada em sua caixa-postal. O Atual7 buscou também contato com Douglas Pinto, por mensagem e ligação, por ele ter sido citado por Rafael da Juventude como testemunha do episódio, mas o vereador não retornou nem atendeu nenhuma das tentativas. O espaço está aberto para manifestações.