NOTíCIA · VIDA PúBLICA

Defensoria Pública do Maranhão voltará a ser comandada por uma mulher após dez anos

Aclamada em chapa única, Cristiane Marques assumirá o biênio 2026/2028. Com a posse, tempo de lideranças femininas à frente da instituição se igualará ao das gestões masculinas
Defensora pública Cristiane Marques Mendes sorri enquanto segura, com as duas mãos, o diploma de Título de Cidadã de São Luís. Ela veste um vestido amarelo e está em um ambiente institucional.
Idealizadora de projetos voltados ao público feminino, a defensora Cristiane Marques levará o modelo de assistência maranhense para debates fora do país ainda este ano @dpema/Facebook
Gênero e Sexualidade Justiça e Sistema Judicial Poder

A DPE-MA (Defensoria Pública do Estado do Maranhão) terá novamente uma mulher em seu comando após uma década. A defensora pública Cristiane Marques Mendes foi aclamada, na última sexta-feira (6), para o cargo de defensora pública-geral do Estado no biênio 2026/2028. Em chapa única, ela obteve 178 votos válidos e passará a ocupar o mais alto posto da instituição. Após a homologação do pleito, o resultado será encaminhado ao governador Carlos Brandão (sem partido), responsável pela nomeação oficial. A posse está prevista para ocorrer em junho.

Logo após o resultado, ela anunciou os nomes que integrarão sua equipe de gestão. A defensora pública Elainne Barros foi indicada para o cargo de 1ª subdefensora-geral e o defensor público Diego Oliveira para 2º subdefensor-geral.

A votação foi realizada por meio de sistema eletrônico desenvolvido pela própria instituição, garantindo a participação dos membros da Defensoria em todo o Maranhão. A DPE-MA conta atualmente com mais de 250 defensores públicos em atividade, distribuídos pela capital e pelo interior do estado.

Cristiane Marques será a quarta mulher a comandar a Defensoria Pública estadual desde sua criação, em 1994. Ana Maria Dias Vieira foi a primeira defensora pública-geral (1994-2002), seguida pelas defensoras de carreira Ana Flávia Melo e Vidigal Sampaio (2006-2010) e Mariana Albano de Almeida (2014-2016). Com a gestão de Cristiane Marques (2026-2028), mulheres terão comandado a DPE-MA por 16 dos 34 anos de existência da instituição, igualando-se pela primeira vez com o tempo de gestões masculinas. A última gestão feminina terminou em 2016, com Mariana Albano.

A Defensoria Pública é a instituição responsável por garantir acesso à Justiça para pessoas que não têm condições de pagar advogado particular. No Maranhão, podem ser atendidos cidadãos com renda de até três salários mínimos. A instituição atua em áreas como direitos da mulher, da criança e do adolescente, da pessoa idosa, da pessoa com deficiência, questões criminais, cíveis, de família e fundiárias.

Natural de Teresina, no Piauí, Cristiane Marques mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde se formou em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Em 2012, tomou posse como defensora pública do Maranhão, integrando a primeira turma de defensores após a reestruturação da instituição. Ao longo de mais de uma década de carreira, atuou em diversas comarcas do interior do estado e no Núcleo de Moradia e Defesa Fundiária, com trabalho voltado à redução de conflitos sociais e à construção de políticas públicas para populações vulnerabilizadas.

Atual 1ª subdefensora-geral e titular do Núcleo de Defesa da Mulher, Cristiane Marques tem atuado no enfrentamento da violência de gênero e na promoção dos direitos das mulheres. À frente do núcleo, acompanha casos de violência doméstica, fortalece a articulação com a rede de proteção e contribui para a formulação de políticas públicas voltadas à garantia de acesso à Justiça para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Cristiane Marques fala para uma plateia de mulheres sentadas em cadeiras escolares em uma sala na Cidade Olímpica. Ao fundo, uma projeção na parede e enfeites coloridos pendurados no teto.
À frente do “Te Alui, Mulher”, Cristiane Marques coordena diálogo com moradoras da Cidade Olímpica em projeto de combate à violência doméstica Divulgação/Ascom/DEP-MA

Em novembro do ano passado, a defensora venceu o Prêmio de Inovação J.Ex 2025 na categoria Liderança Exponencial, subcategoria Defensorias Públicas. O prêmio, que está em sua sexta edição, é uma das principais premiações de inovação do ecossistema de Justiça no país e reconhece iniciativas que promovem eficiência, tecnologia, impacto social e fortalecimento da gestão pública.

Entre as iniciativas que consolidaram sua atuação à frente do Núcleo de Defesa da Mulher está o lançamento, em dezembro de 2024, do Sistema Defensoria Protetiva, plataforma digital que permite a mulheres vítimas de violência doméstica solicitar medidas protetivas de urgência de forma remota, por meio de celular, tablet ou computador. O sistema foi expandido para as comarcas onde há presença da DPE-MA, alcançando quase todos os 217 municípios maranhenses.

Em março de 2024, Cristiane Marques idealizou o projeto Te Alui, Mulher, iniciativa da Defensoria Pública do Maranhão que conecta mulheres a redes de proteção por meio de orientação jurídica gratuita, serviços de saúde, assistência social e capacitação profissional. O projeto já atendeu mais de 300 mulheres em situação de vulnerabilidade e foi selecionado entre centenas de iniciativas para ser apresentado na Brazil Conference 2026, evento realizado por brasileiros nas sedes da Universidade de Harvard e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos.

Em outubro do ano passado, a defensora recebeu o título de Cidadã Ludovicense, concedido pela Câmara Municipal de São Luís. A honraria reconheceu sua atuação à frente do Núcleo de Defesa da Mulher, especialmente no atendimento e acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

Advogada e estudante de Jornalismo, atua na cobertura de direitos das mulheres, cultura e temas ligados à cidadania. Está em formação em jornalismo de dados, área que pretende integrar à apuração para aprofundar investigações e mapear políticas públicas, especialmente nas áreas de diversidade, inclusão e produção cultural.

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