Paulo Curió (União Brasil) completa dois meses preso nesta terça-feira (24), sob acusação de ser líder de organização criminosa suspeita de desviar R$ 56,3 milhões dos cofres de Turilândia, um dos municípios mais pobres do país, localizado na baixada maranhense, interior do estado.
A prisão foi determinada pela desembargadora Graça Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão, no âmbito da segunda fase da Operação Tântalo. A deflagração ocorreu no dia 22 de dezembro de 2025, mesma data em que Curió também foi afastado do cargo, mas o mandado de prisão preventiva foi cumprido apenas dois dias depois, quando ele se entregou à Polícia Civil, em São Luís. Desde então, segue atrás das grades.
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público estadual, entre 2021 e 2025, o prefeito afastado de Turilândia montou e comandou um esquema que utilizava familiares, servidores, aliados políticos, todos os vereadores do município e empresas fantasmas e de fachada para fraudar licitações e desviar recursos públicos.
Até o momento, todos os pedidos da defesa para tirá-lo da cadeia foram rejeitados, tanto na Justiça estadual quanto no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Em 19 de janeiro, o procurador-geral de Justiça Danilo de Castro ofereceu denúncia contra o núcleo político-familiar do esquema que, de acordo com o Gaeco, era liderado por Curió. O grupo é acusado de organização criminosa, peculato, fraude à licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Um dos fundamentos usados pela relatora para manter Curió preso, segundo elementos de prova colhidos pela investigação, é a intenção declarada que ele demonstrava de continuar desviando dinheiro público mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Tântalo, ocorrida em fevereiro do ano passado.
Diálogos interceptados pelo Gaeco com autorização de Justiça mostram, dentre outros indícios dos crimes apurados, que o prefeito e o contador Wandson Barros, apontado como operador financeiro da organização criminosa, planejavam desviar R$ 2,5 milhões por mês no segundo semestre de 2025.
A investigação também revelou que Curió escolhia as empresas que a gestão municipal iria contratar, depois formaliza licitações forjadas com auxílio do contador. As contratadas retinham entre 10% e 18% do valor do contrato e devolviam entre 82% e 90% ao prefeito, segundo o Gaeco. Em muitos casos, sequer havia execução do objeto. A investigação aponta que, quando o esquema operava assim, as empresas simulavam a entrega de bens ou a prestação de serviços, a prefeitura pagava, e o dinheiro ia inteiro para Paulo Curió e demais envolvidos por ele comandado.
Além do prefeito, também tiveram prisão decretada, mas convertida para domiciliar, a vice Tanya Mendes (PRD) e todos os vereadores de Turilândia. Com o vácuo administrativo, por ordem do Tribunal de Justiça, o governador Carlos Brandão (sem partido) decretou intervenção estadual no município por 180 dias. Para o posto foi nomeado e empossado, desde o último dia 12, o defensor público Thiago Josino.