NOTíCIA · VIDA PúBLICA

Paulo Curió completa 2 meses preso e afastado da prefeitura de Turilândia

Prefeito teve todos os pedidos de liberdade negados pela Justiça estadual e pelo STJ. Investigação aponta que ele planejava desviar R$ 2,5 milhões por mês mesmo após primeira fase da Operação Tântalo
Homem de barba, cabelo curto escuro, vestindo blazer azul-marinho e camisa branca, segura microfone atrás de um púlpito. Ao fundo, painel com tons de vermelho e laranja.
Paulo Curió é acusado pelo Gaeco de liderar organização criminosa que fraudava licitações, retinha entre 82% e 90% dos valores contratados e usava empresas fantasmas para lavar o dinheiro desviado dos cofres públicos do município @paulocurio14/Facebook
Corrupção e Integridade Pública

Paulo Curió (União Brasil) completa dois meses preso nesta terça-feira (24), sob acusação de ser líder de organização criminosa suspeita de desviar R$ 56,3 milhões dos cofres de Turilândia, um dos municípios mais pobres do país, localizado na baixada maranhense, interior do estado.

A prisão foi determinada pela desembargadora Graça Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão, no âmbito da segunda fase da Operação Tântalo. A deflagração ocorreu no dia 22 de dezembro de 2025, mesma data em que Curió também foi afastado do cargo, mas o mandado de prisão preventiva foi cumprido apenas dois dias depois, quando ele se entregou à Polícia Civil, em São Luís. Desde então, segue atrás das grades.

Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público estadual, entre 2021 e 2025, o prefeito afastado de Turilândia montou e comandou um esquema que utilizava familiares, servidores, aliados políticos, todos os vereadores do município e empresas fantasmas e de fachada para fraudar licitações e desviar recursos públicos.

Até o momento, todos os pedidos da defesa para tirá-lo da cadeia foram rejeitados, tanto na Justiça estadual quanto no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Em 19 de janeiro, o procurador-geral de Justiça Danilo de Castro ofereceu denúncia contra o núcleo político-familiar do esquema que, de acordo com o Gaeco, era liderado por Curió. O grupo é acusado de organização criminosa, peculato, fraude à licitação, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Quatro pessoas aplaudem lado a lado em evento político, com bolo de celebração à frente.
Domingos, Paulo Curió, Marcel e Ritalice Dantas, quatro dos dez denunciados por integrar o “círculo de confiança” do esquema em Turilândia @paulocurio14/Facebook

Um dos fundamentos usados pela relatora para manter Curió preso, segundo elementos de prova colhidos pela investigação, é a intenção declarada que ele demonstrava de continuar desviando dinheiro público mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Tântalo, ocorrida em fevereiro do ano passado.

Diálogos interceptados pelo Gaeco com autorização de Justiça mostram, dentre outros indícios dos crimes apurados, que o prefeito e o contador Wandson Barros, apontado como operador financeiro da organização criminosa, planejavam desviar R$ 2,5 milhões por mês no segundo semestre de 2025.

A investigação também revelou que Curió escolhia as empresas que a gestão municipal iria contratar, depois formaliza licitações forjadas com auxílio do contador. As contratadas retinham entre 10% e 18% do valor do contrato e devolviam entre 82% e 90% ao prefeito, segundo o Gaeco. Em muitos casos, sequer havia execução do objeto. A investigação aponta que, quando o esquema operava assim, as empresas simulavam a entrega de bens ou a prestação de serviços, a prefeitura pagava, e o dinheiro ia inteiro para Paulo Curió e demais envolvidos por ele comandado.

Além do prefeito, também tiveram prisão decretada, mas convertida para domiciliar, a vice Tanya Mendes (PRD) e todos os vereadores de Turilândia. Com o vácuo administrativo, por ordem do Tribunal de Justiça, o governador Carlos Brandão (sem partido) decretou intervenção estadual no município por 180 dias. Para o posto foi nomeado e empossado, desde o último dia 12, o defensor público Thiago Josino.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

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