Sob a pregação de “união, trabalho e evolução”, o governador Carlos Brandão (sem partido) lança neste sábado (14) a pré-candidatura do sobrinho Orleans Brandão (MDB) ao Palácio dos Leões. O evento acontece a partir das 17h no Multicenter Sebrae, em São Luís.
“Será um momento para falar de futuro, apresentar projetos e destacar os resultados de um trabalho que chega aos 217 municípios, levando mais oportunidades e melhorias para todos”, promete o tio-governador em publicação nas redes sociais.
É a primeira vez que o chefe do Executivo estadual maranhense confirma publicamente presença em um evento de pré-campanha do sobrinho, embora já viesse costurando o ato nos bastidores desde o ano passado.
A decisão encerra as expectativas do vice-governador Felipe Camarão (PT), que se via como o sucessor natural do grupo.

Descartado, Camarão tem adotado posições contraditórias diariamente, ao cobrar uma realiança com Brandão ao mesmo tempo em que o chama de “neo-oligarca” em redes sociais e eventos no interior. As cobranças por realinhamento com Brandão, inclusive, vem sempre acompanhadas por citações diretas à força política de Flávio Dino, hoje ministro do STF, impedido pela Constituição de atuar partidariamente.
Paralelamente, o vice-governador tem intensificado a tentativa de aproximação com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), também pré-candidato ao governo estadual e primo de segundo grau de Orleans, mas sem compromisso com a reeleição do presidente Lula (PT) ao Palácio do Planalto. Com Braide, Camarão busca compor como candidato ao Senado, em dobradinha com a senadora Eliziane Gama (PSD), que disputará a reeleição. Se confirmado, o movimento o obrigará a deixar o PT, já que o partido não pode estar em duas chapas simultaneamente.
Nos bastidores, aliados relatam que Camarão pode migrar para o PSB, partido pelo qual Dino se elegeu ao Senado depois que governou o Maranhão pelo PCdoB por quase oito anos, com Carlos Brandão como vice. Atualmente, o PSB tem entre seus filiados o próprio irmão de Eduardo Braide, o deputado estadual Fernando Braide.
A cúpula nacional do PT ainda não definiu sua posição em relação à candidatura de Orleans. A indefinição, porém, não reflete ruptura dos petistas e de Lula com o governador maranhense. Brandão controla a maior máquina política do estado, fundamental tanto para eleger Orleans e os senadores da chapa quanto para garantir a reeleição de Lula no Maranhão em 2026, o que coloca o presidente numa posição delicada: não pode ignorar Camarão publicamente, mas também não pode se indispor com o governador. Por isso, a presença de lideranças petistas no evento não está descartada e a composição definitiva da coligação segue em aberto.
A vice de Orleans Brandão, embora ainda não confirmada, será a presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale, do MDB, com convite do PT nacional para retornar ao partido de Lula. A tendência, conforme antecipou o Atual7 ainda em junho de 2025, é que as vagas ao Senado fiquem com o já senador Weverton Rocha (PDT-MA), que concorrerá à reeleição, e o deputado federal André Fufuca (PP), ministro do Esporte do governo Lula.
Com 31 anos, Orleans é secretário extraordinário de Assuntos Municipais do governo estadual e assumiu a presidência do MDB maranhense após suceder o pai, Marcus Brandão, no comando do diretório. Graduado em Administração pela Uninter em 2020, filho do irmão mais novo do governador, construiu sua trajetória profissional ao lado do pai, nas empresas e na administração pública, e do tio Carlos Brandão, sob cuja gestão foi nomeado secretário em 2023. Ele disputará uma eleição pela primeira vez.
Além do MDB, o lançamento contará com a participação de representantes e lideranças do PDT, PRD, União Brasil, Republicanos, PP, Cidadania, Avante, Podemos, PV e Solidariedade, partidos que já sinalizaram composição na coligação do sobrinho do governador do Maranhão.