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Carlos Brandão lança pré-candidatura do sobrinho ao Palácio dos Leões com 11 partidos, sem PT

Descartado como sucessor natural, Felipe Camarão cobra realiança, mas tenta também ser aceito por Eduardo Braide ao Senado
Orleans Brandão e Carlos Brandão sentados lado a lado em um evento noturno, sorrindo e olhando para frente, com luzes desfocadas ao fundo.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (à direita), ao lado do sobrinho, Orleans Brandão, escolhido como sucessor do tio para o Palácio dos Leões Reprodução/Redes sociais
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Sob a pregação de “união, trabalho e evolução”, o governador Carlos Brandão (sem partido) lança neste sábado (14) a pré-candidatura do sobrinho Orleans Brandão (MDB) ao Palácio dos Leões. O evento acontece a partir das 17h no Multicenter Sebrae, em São Luís.

“Será um momento para falar de futuro, apresentar projetos e destacar os resultados de um trabalho que chega aos 217 municípios, levando mais oportunidades e melhorias para todos”, promete o tio-governador em publicação nas redes sociais.

É a primeira vez que o chefe do Executivo estadual maranhense confirma publicamente presença em um evento de pré-campanha do sobrinho, embora já viesse costurando o ato nos bastidores desde o ano passado.

A decisão encerra as expectativas do vice-governador Felipe Camarão (PT), que se via como o sucessor natural do grupo.

Dois homens cumprimentam-se com aperto de mãos em ambiente interno amplo. O homem à esquerda veste terno azul e camisa branca, enquanto o da direita veste camisa polo azul marinho. Ambos sorriem para a câmera. Ao fundo, estrutura metálica de teto com iluminação artificial e cadeiras brancas empilhadas.
Deterioração da relação entre Carlos Brandão e Felipe Camarão afetou também a proximidade entre o vice e o sobrinho do governador, nome do grupo para disputar o Palácio dos Leões em 2026. Divulgação/Governo do MA

Descartado, Camarão tem adotado posições contraditórias diariamente, ao cobrar uma realiança com Brandão ao mesmo tempo em que o chama de “neo-oligarca” em redes sociais e eventos no interior. As cobranças por realinhamento com Brandão, inclusive, vem sempre acompanhadas por citações diretas à força política de Flávio Dino, hoje ministro do STF, impedido pela Constituição de atuar partidariamente.

Paralelamente, o vice-governador tem intensificado a tentativa de aproximação com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), também pré-candidato ao governo estadual e primo de segundo grau de Orleans, mas sem compromisso com a reeleição do presidente Lula (PT) ao Palácio do Planalto. Com Braide, Camarão busca compor como candidato ao Senado, em dobradinha com a senadora Eliziane Gama (PSD), que disputará a reeleição. Se confirmado, o movimento o obrigará a deixar o PT, já que o partido não pode estar em duas chapas simultaneamente.

Nos bastidores, aliados relatam que Camarão pode migrar para o PSB, partido pelo qual Dino se elegeu ao Senado depois que governou o Maranhão pelo PCdoB por quase oito anos, com Carlos Brandão como vice. Atualmente, o PSB tem entre seus filiados o próprio irmão de Eduardo Braide, o deputado estadual Fernando Braide.

A cúpula nacional do PT ainda não definiu sua posição em relação à candidatura de Orleans. A indefinição, porém, não reflete ruptura dos petistas e de Lula com o governador maranhense. Brandão controla a maior máquina política do estado, fundamental tanto para eleger Orleans e os senadores da chapa quanto para garantir a reeleição de Lula no Maranhão em 2026, o que coloca o presidente numa posição delicada: não pode ignorar Camarão publicamente, mas também não pode se indispor com o governador. Por isso, a presença de lideranças petistas no evento não está descartada e a composição definitiva da coligação segue em aberto.

A vice de Orleans Brandão, embora ainda não confirmada, será a presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale, do MDB, com convite do PT nacional para retornar ao partido de Lula. A tendência, conforme antecipou o Atual7 ainda em junho de 2025, é que as vagas ao Senado fiquem com o já senador Weverton Rocha (PDT-MA), que concorrerá à reeleição, e o deputado federal André Fufuca (PP), ministro do Esporte do governo Lula.

Com 31 anos, Orleans é secretário extraordinário de Assuntos Municipais do governo estadual e assumiu a presidência do MDB maranhense após suceder o pai, Marcus Brandão, no comando do diretório. Graduado em Administração pela Uninter em 2020, filho do irmão mais novo do governador, construiu sua trajetória profissional ao lado do pai, nas empresas e na administração pública, e do tio Carlos Brandão, sob cuja gestão foi nomeado secretário em 2023. Ele disputará uma eleição pela primeira vez.

Além do MDB, o lançamento contará com a participação de representantes e lideranças do PDT, PRD, União Brasil, Republicanos, PP, Cidadania, Avante, Podemos, PV e Solidariedade, partidos que já sinalizaram composição na coligação do sobrinho do governador do Maranhão.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

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