NOTíCIA · VIDA PúBLICA

Professores da rede municipal de São Luís paralisam contra mudança imposta pela prefeitura na jornada de trabalho

Categoria cobra audiência com Esmênia Miranda para discutir medida imposta pela Semed. Nova prefeita da capital é professora e já comandou a Educação
Pessoa vista de costas com o braço direito erguido e o dedo indicador apontado para cima, em frente a um prédio de fachada branca com estrutura metálica azul. Ao fundo, grupo de pessoas segura cartazes vermelhos.
Professores e professoras da rede pública São Luís se concentraram em frente à Semed para cobrar o fim da exigência de cumprimento integral da Hora Atividade dentro das escolas Jailson Budu
Educação Trabalho e Renda

Preparar a aula do dia seguinte, corrigir provas, planejar atividades, fazer formação continuada. Esse é o trabalho que os professores e professoras fazem fora da sala de aula e que, desde 2008, a lei federal que criou o Piso Salarial Nacional do magistério garante como parte da jornada de trabalho. Em São Luís, porém, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) passou a exigir que esse tempo seja cumprido dentro das escolas pelos docentes da rede pública municipal. A categoria não aceita a imposição e paralisa as atividades nesta quarta-feira (8), em ato em frente à Semed, no bairro do São Francisco.

O protesto foi decidido no último dia 25 de março, em assembleia no Sindeducação, sindicato que representa a categoria. No encontro, os docentes relataram pressão de diretores e coordenadores para que cumprissem a nova exigência, situações que o sindicato classifica como assédio.

A lei que reserva um terço da carga horária dos docentes para esse tipo de atividade fora da sala de aula, o que ficou conhecido como Hora Atividade, foi sancionada no primeiro mandato do presidente Lula (PT).

Na prática, parte desse período sempre foi cumprida em casa ou em outros espaços, já que se trata de tarefas individuais que não dependem da estrutura da escola.

O cronograma que obriga os professores da rede municipal de São Luís a permanecer nas unidades durante todo esse tempo foi imposto ainda sob a gestão Eduardo Braide (PSD), que renunciou a prefeitura em 31 de março para disputar o Palácio dos Leões nas eleições de outubro.

Com a saída de Braide, a prefeitura passou ao comando da professora Esmênia Miranda (PSD), empossada no mesmo dia da saída do agora pré-candidato ao governo do Estado.

Apesar da mudança no comando da gestão municipal, a Semed segue sob Caroline Marques Salgado. A pasta também já teve como titular a própria Esmênia, no início do primeiro mandato de Braide na prefeitura.

O Sindeducação cobra que Esmênia Miranda receba a categoria para debater a Hora Atividade, além de outras pautas da Campanha de Valorização do Magistério.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

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