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Justiça nega recurso e mantém ação penal contra agiota de Paulo Curió

Neurocirurgião está preso desde a deflagração da Operação Tântalo II, em dezembro de 2025. Ele é apontado pelo Gaeco como financiador e laranja do prefeito afastado de Turilândia
Homem de barba, cabelo castanho penteado para trás, vestindo blazer bege claro sobre camisa rosa, sorrindo diante de uma janela de vidro com vegetação ao fundo.
Ministério Público diz que médico integrava o núcleo financeiro da organização criminosa acusada de ter desviado R$ 56,3 milhões dos cofres do município Reprodução/Redes sociais
Corrupção e Integridade Pública

A desembargadora Graça Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão, rejeitou pedido apresentado pela defesa do médico neurocirurgião Eustáquio Diego Fabiano Campos e manteve em curso sem interrupções a ação penal relacionada à Operação Tântalo. A decisão é do último dia 6 de abril.

A defesa alegava que a magistrada havia ignorado, em decisão anterior, recurso em que dizia que Eustáquio, no ato de sua citação na Penitenciária Regional de São Luis, em Pedrinhas, não havia recebido a denúncia, com aproximadamente 350 páginas, no formato físico; e que o processo estaria tramitando sob sigilo, impedindo o acesso ao sistema eletrônico do TJ-MA.

Ao rejeitar o recurso, Graça Amorim afirmou que já havia retirado o sigilo do processo e disponibilizado integralmente toda a documentação da Operação Tântalo no formato digital, o que dispensaria a entrega física da documentação.

Com a rejeição, ficou mantida a restituição do prazo de 15 dias para que a defesa do médico e dos demais acusados apresentem suas respostas à acusação, contados a partir do momento em que os advogados foram comunicados da regularização do acesso aos autos.

Preso preventivamente desde dezembro de 2025, Eustáquio Campos é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do MP maranhense como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa desbaratada pela Operação Tântalo.

Segundo a denúncia, ele teria atuado como agiota do prefeito afastado Paulo Curió (União Brasil), financiando o prefeito com empréstimos a juros antes do início dos desvios em larga escala, e depois como laranja na ocultação de patrimônio, incluindo a aquisição de um imóvel de R$ 3,7 milhões no Calhau, em São Luís.

O Atual7 detalhou o papel do médico no esquema criminoso em março, quando a desembargadora autorizou o envio de seu celular ao Ministério Público do Pará para quebra de criptografia. O aparelho permanece em análise.

A Operação Tântalo investiga um esquema que, segundo a acusação, desviou R$ 56,3 milhões dos cofres do município de Turilândia por meio de fraudes em licitações, peculato, corrupção e lavagem de capitais.

A organização criminosa, segundo o Gaeco, era liderada por Curió e se estruturava em núcleos político, financeiro, operacional e empresarial, envolvendo familiares do prefeito, servidores municipais, empresários e a totalidade dos vereadores da Câmara Municipal.

Desde 10 de fevereiro, a prefeitura de Turilândia está sob o comando do defensor público Thiago Josino, nomeado pelo governador Carlos Brandão (sem partido) interventor estadual no município em cumprimento a decisão do TJ-MA.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

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