A desembargadora Graça Amorim, do Tribunal de Justiça do Maranhão, rejeitou pedido apresentado pela defesa do médico neurocirurgião Eustáquio Diego Fabiano Campos e manteve em curso sem interrupções a ação penal relacionada à Operação Tântalo. A decisão é do último dia 6 de abril.
A defesa alegava que a magistrada havia ignorado, em decisão anterior, recurso em que dizia que Eustáquio, no ato de sua citação na Penitenciária Regional de São Luis, em Pedrinhas, não havia recebido a denúncia, com aproximadamente 350 páginas, no formato físico; e que o processo estaria tramitando sob sigilo, impedindo o acesso ao sistema eletrônico do TJ-MA.
Ao rejeitar o recurso, Graça Amorim afirmou que já havia retirado o sigilo do processo e disponibilizado integralmente toda a documentação da Operação Tântalo no formato digital, o que dispensaria a entrega física da documentação.
Com a rejeição, ficou mantida a restituição do prazo de 15 dias para que a defesa do médico e dos demais acusados apresentem suas respostas à acusação, contados a partir do momento em que os advogados foram comunicados da regularização do acesso aos autos.
Preso preventivamente desde dezembro de 2025, Eustáquio Campos é apontado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do MP maranhense como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa desbaratada pela Operação Tântalo.
Segundo a denúncia, ele teria atuado como agiota do prefeito afastado Paulo Curió (União Brasil), financiando o prefeito com empréstimos a juros antes do início dos desvios em larga escala, e depois como laranja na ocultação de patrimônio, incluindo a aquisição de um imóvel de R$ 3,7 milhões no Calhau, em São Luís.
O Atual7 detalhou o papel do médico no esquema criminoso em março, quando a desembargadora autorizou o envio de seu celular ao Ministério Público do Pará para quebra de criptografia. O aparelho permanece em análise.
A Operação Tântalo investiga um esquema que, segundo a acusação, desviou R$ 56,3 milhões dos cofres do município de Turilândia por meio de fraudes em licitações, peculato, corrupção e lavagem de capitais.
A organização criminosa, segundo o Gaeco, era liderada por Curió e se estruturava em núcleos político, financeiro, operacional e empresarial, envolvendo familiares do prefeito, servidores municipais, empresários e a totalidade dos vereadores da Câmara Municipal.
Desde 10 de fevereiro, a prefeitura de Turilândia está sob o comando do defensor público Thiago Josino, nomeado pelo governador Carlos Brandão (sem partido) interventor estadual no município em cumprimento a decisão do TJ-MA.