O procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo de Castro, teve acolhido na tarde da última segunda-feira (11) parecer em que pedia a substituição da prisão preventiva do prefeito afastado de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil), por recolhimento domiciliar integral com tornozeleira eletrônica.
A decisão concordando com o parecer pró-Curió, segundo o registro do processo judicial, foi assinada eletronicamente às 17h43 pela desembargadora Graça Amorim, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, relatora da ação penal que trata da Operação Tântalo II, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em dezembro do ano passado. A investigação aponta Curió como líder de suposta organização criminosa suspeita de desviar R$ 56,3 milhões dos cofres do município, um dos mais pobres do país, localizado na baixada maranhense, interior do estado.
Cerca de duas horas antes da decisão da magistrada, às 15h32, o Ministério Público estadual havia divulgado o resultado da eleição interna que formou a lista tríplice para o comando da instituição no biênio 2026-2028, com Castro na primeira posição, com 201 dos 307 votos válidos. Mantendo a tradição de optar pelo vencedor da disputa interna, exatamente dez minutos depois da assinatura da desembargadora Graça Amorim, às 17h53, o governador Carlos Brandão (sem partido) anunciou na rede social X que nomearia Castro como chefe do MP-MA pelos próximos dois anos, por ter sido o mais votado.

Além de Paulo Curió, também tiveram a prisão preventiva substituída por recolhimento domiciliar integral com tornozeleira eletrônica outros 14 alvos da Operação Tântalo II: o empresário Hyan Mendonça, marido da vice-prefeita Tanya Mendes (PRD); o contador Wandson Barros, apontado pelo Gaeco como operador financeiro do esquema; a ex-vice-prefeita Janaína Lima e o marido dela, o empresário Marlon Serrão; a chefe do Setor de Compras da prefeitura, Gerusa Lopes; o médico Eustáquio Campos; e os vereadores Mizael Soares (União Brasil), Ribinha Sampaio (União Brasil), Nadianne (PRD), Sávio Araújo (PRD), Gilmar Carlos (União Brasil), Josias Fróes (Solidariedade), Carla Regina (PRD) e Inailce Nogueira (União Brasil).
Todos respondem agora em recolhimento domiciliar integral com tornozeleira eletrônica e estão proibidos de manter contato entre si por qualquer meio (exceto cônjuges), de acessar repartições públicas do município, de contratar com o poder público em qualquer esfera e de manifestação político-partidária, inclusive em redes sociais.
O afastamento de Paulo Curió do cargo e a suspensão das atividades legislativas dos oito vereadores na Câmara Municipal foram mantidos. Já estavam em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica antes da decisão desta semana, por razões humanitárias, a primeira-dama Eva Curió, a vice-prefeita Tanya Mendes e a pregoeira Clementina Oliveira. Os outros três vereadores de Turilândia — Daniel Barbosa (União Brasil), Pelego (União Brasil), e Valdemar Barbosa (Solidariedade) — cumprem desde dezembro a domiciliar com monitoramento eletrônico determinada na deflagração da operação, sem alteração. Todos negam as acusações.
Curió estava preso preventivamente desde 24 de dezembro de 2025, quando se entregou à Polícia Civil em São Luís. Os oito vereadores, desde 11 de fevereiro de 2026, quando a prisão domiciliar concedida em dezembro foi convertida em preventiva por suposto descumprimento da proibição de contato entre investigados.
Antes do parecer acolhido pela desembargadora Graça Amorim, a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça), órgão máximo do Ministério Público estadual, já havia se manifestado, em janeiro deste ano, pela substituição da prisão preventiva de Curió e do núcleo político-familiar investigado pela Operação Tântalo II por cautelares menos gravosas.

O primeiro parecer, mostrou o Atual7, indeferido pela relatora, foi emitido pelo subprocurador Orfileno Bezerra Neto, na condição de PGJ em exercício, um dia depois dele próprio haver assinado portaria que suspendia as férias de Danilo de Castro. No dia seguinte a esse parecer, os dez promotores que integravam o Gaeco apresentaram pedido coletivo de exoneração das funções no grupo. À época, em memorando endereçado ao PGJ agora reeleito, afirmaram que a manifestação “revelou-se dissonante do entendimento técnico-jurídico dos integrantes do Gaeco” e “enfraquece a atuação institucional do Ministério Público no combate ao crime organizado”.
Turilândia está sob intervenção estadual desde 10 de fevereiro, quando Brandão nomeou o defensor público Thiago Josino como interventor por 180 dias, prorrogáveis. A medida cumpriu determinação do TJ-MA proferida em 23 de janeiro, a pedido da própria PGJ, e foi um dos fundamentos centrais do parecer acolhido pela desembargadora Graça Amorim para substituir as prisões preventivas.
Para Danilo de Castro e para a relatora da Operação Tântalo, como a estrutura administrativa do município está agora sob comando externo, o risco de reiteração delitiva de Paulo Curió e da suposta organização criminosa que seria liderada por ele, por meio da máquina pública, estaria afastado. A intervenção, porém, limita-se à chefia do Poder Executivo, não alcançando a Câmara Municipal.