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Esgoto a céu aberto toma rua no Vicente Fialho

Famílias relatam prejuízos à mobilidade, risco à saúde e falta de respostas definitivas para problema que afeta a Rua Deputado Luís Rocha
Trecho da Rua Deputado Luís Rocha, no bairro Vicente Fialho, em São Luís.
Rua Deputado Luís Rocha, no Vicente Fialho, permanece com acúmulo de água misturada a esgoto há cerca de sete meses, segundo moradores Rayane Castro/Atual7
Saneamento

Moradores da Rua Deputado Luís Rocha, no bairro Vicente Fialho, em São Luís, convivem diariamente com esgoto a céu aberto, mau cheiro e alagamentos. Segundo a comunidade, o problema existe há cerca de sete meses. A situação levou a população a realizar um protesto entre a tarde e noite desta segunda-feira (8) com queima de pneus e fechamento da rua com entulhos.  

O problema afeta diretamente a rotina de quem vive na rua. Crianças que seguem diariamente para a escola precisam atravessar o trecho tomado pelo esgoto, enquanto moradores relatam dificuldades de locomoção e riscos à saúde.

Morador do bairro há 15 anos, Paulo César, de 32 anos, afirma que o problema persiste sem que nenhuma medida definitiva tenha sido adotada. “Tenho uma criança que vai para o colégio e o caminho é por aqui. Todo dia ela vai e volta a pé. Os carros passam e respingam na gente. Não está prejudicando só uma família. Tem várias crianças e vários pais de família que moram nessa rua. As crianças são o principal”, relata.

Segundo ele, equipes da Caema (Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão) chegaram a atuar na área em algumas ocasiões, mas as intervenções não resolveram a origem do problema. “A Caema vem, faz uma limpeza na rua, mas não resolve nada. A rua continua tomada pelo esgoto e a gente não consegue trafegar normalmente”, afirma.

Adulto e crianças atravessam de bicicleta um trecho alagado da Rua Deputado Luís Rocha, no Vicente Fialho, enquanto veículos passam ao lado.
Moradores cruzam o trecho alagado da Rua Deputado Luís Rocha, no Vicente Fialho, um dia depois do protesto Rayane Castro/Atual7

A sensação de desgaste também é compartilhada por Joab Lobato, de 42 anos, morador da região há quatro décadas. Para ele, o protesto realizado nesta segunda é resultado de uma longa sequência de tentativas frustradas de obter uma resposta. “A situação ficou insustentável. Já procuramos os órgãos públicos. A gente aguarda um posicionamento de alguém que possa nos ajudar e resolver essa situação”, disse.

Durante o período chuvoso, ainda de acordo com os moradores, os impactos se tornam ainda maiores, pois a rua funcionaria como uma área de passagem para as águas provenientes de regiões mais altas do bairro, alastrando ainda mais os resíduos. Segundo os relatos, em períodos de chuva mais intensa, a mistura de água pluvial e esgoto chega a invadir residências e estabelecimentos localizados próximos à área afetada.

Procurada pelo Atual7, a Caema afirmou que “o dano verificado na rede coletora de esgoto do bairro Vicente Fialho decorreu de intervenção não autorizada por terceiros”. Ainda segundo a companhia, o caso está judicializado. Questionada sobre quem seriam os responsáveis pelos danos, a Caema não retornou. 

Segundo os moradores, a origem do problema vem de um terreno atualmente abandonado localizado na rua. O esgoto seria proveniente de ações da empresa Dimensão Engenharia e Construção e estaria sendo direcionado para essa área. “Esse esgoto vem lá dos prédios do outro lado da rua, eles fizeram a encanamento por dentro do terreno, aí jogaram pra cá pra rua”, explica o morador Paulo César.

Relato semelhante foi apresentado por Robson Carvalho, síndico do condomínio Village das Palmeiras IV, que fica na rua onde ocorreu o protesto. Segundo ele, o terreno acumula problemas antigos, incluindo queimadas, descarte irregular de resíduos e acúmulo de água contaminada.

De acordo com Carvalho, uma obra dentro do terreno provocou o fluxo da água acumulada proveniente de outro condomínio, o Ferrazzi, localizado na Rua Aririzal. Segundo ele, o empreendimento enfrenta problemas relacionados ao sistema de esgotamento sanitário. Para o síndico, essa intervenção teria contribuído para direcionar o fluxo em direção à Rua Deputado Luís Rocha. “O esgoto continua jorrando. Para amenizar a situação, foi aberta uma vala dentro do terreno para escoar essa água. O problema é que isso acabou gerando impactos para outras áreas”, aponta.

O Atual7 tentou contato com a Dimensão Engenharia para obter esclarecimentos sobre os relatos que apontam o terreno como parte do grupo empresarial e relacionam a área ao despejo do esgoto que atinge a Rua Deputado Luís Rocha. Contudo, o número de telefone da sede da empreiteira informado no site do Grupo Dimensão (98 3252-1139) não completou as cinco tentativas de ligação durante a tarde desta terça-feira (9). O espaço permanece aberto para manifestação.

A Prefeitura de São Luís também foi procurada, por e-mail, por volta das 10h desta terça, com reforço às 18h, para se posicionar sobre a situação na Rua Deputado Luís Rocha e detalhar as medidas adotadas pela gestão municipal para solucionar o problema. Não houve retorno.

Jornalista focada na investigação de questões urbanas e serviços públicos que impactam diretamente a vida dos maranhenses. Dedica-se à cobertura da prestação de serviços essenciais, políticas públicas de infraestrutura urbana e questões relacionadas aos direitos de populações vulneráveis.

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