NOTíCIA · VIDA PúBLICA

Esposa de Beto Castro também é investigada pelo Gaeco na Operação Benedictio

Raquel Lacerda é apontada como destinatária final de repasses do suposto esquema criminoso. Ela já havia sido alvo da Seccor por suspeita de lavagem de dinheiro em 2023
Um homem e uma mulher posam lado a lado, sorrindo, diante de um painel branco repetido com o brasão e os dizeres Câmara Municipal de São Luís. Ela, à esquerda, de roupa branca, ele à direita, de terno cinza e gravata azul.
Raquel Santos de Lacerda e o marido, o vereador Beto Castro, ambos investigados na Operação Benedictio Reprodução/Instagram @betocastrox
Corrupção e Integridade Pública

A empresária Raquel Santos de Lacerda também é investigada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do MP-MA (Ministério Público do Estado do Maranhão) na Operação Benedictio. Ela é esposa do vereador Beto Castro (Avante), pré-candidato à presidência da CMSL (Câmara Municipal de São Luís), também investigado.

Raquel e o marido tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados e foram alvos de mandados de busca e apreensão no último dia 15, autorizados pela Vecco (Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados), sob suspeita de participação em suposta organização criminosa que teria desviado cerca de R$ 9,6 milhões em verbas de convênios e emendas parlamentares destinadas a projetos sociais na capital maranhense. O esquema, segundo o Gaeco, contava com uma rede de proteção privada formada pela facção criminosa PCM (Primeiro Comando do Maranhão), atualmente controlada pela facção fluminense CV (Comando Vermelho), que domina territórios em diversos estados do país.

O Atual7 não conseguiu contato da esposa de Beto Castro. Ela ainda não tem defesa constituída no processo. O espaço está aberto para manifestação.

Durante as buscas, conduzidas com apoio de policiais militares e da Seic (Superintendência Estadual de Investigações Criminais), unidade da Polícia Civil do Maranhão, o vereador foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, uma pistola Taurus G2C, calibre 9mm, municiada com 11 cartuchos intactos, além de outras 12 munições do mesmo calibre localizadas em veículo relacionado ao parlamentar.

Contudo, atendendo parecer da promotora de Justiça de Investigação Criminal Marinete Ferreira Silva Avelar, a juíza Larissa Rodrigues Tupinambá Castro, da 1ª Central das Garantias e Inquéritos da Comarca da Ilha de São Luís, concedeu liberdade provisória a Beto Castro, mediante o cumprimento de medidas cautelares como comparecimento periódico perante a CIAPIS (Central Integrada de Alternativas Penais e Inclusão Social) e proibição de ausentar-se da capital sem prévia autorização judicial.

Várias caixas de papelão abertas sobre uma superfície clara, cheias de maços de notas de real amarrados com elásticos, algumas com etiquetas coloridas.
Maços de dinheiro em espécie apreendidos pelo Gaeco durante a Operação Benedictio, em São Luís Divulgação/MP-MA

Segundo o Gaeco, Raquel Lacerda seria beneficiária de repasses do núcleo político do suposto esquema criminoso, integrado por Beto Castro e pelo ex-vereador Umbelino Júnior. Esse núcleo, ainda de acordo com a investigação, seria responsável por destinar verbas públicas por meio de emendas parlamentares e encobrir transações ilícitas, utilizando-se de uma operação conhecida pelos investigadores por kickbacks, método em que o agente público destina um valor para determinada empresa, porém, parte desse valor retorna como propina.

As informações constam na petição criminal e na decisão que deferiu as medidas e deflagrou a Operação Benedictio. A documentação foi obtida pelo Atual7.

O Gaeco afirma que, dos mais de R$ 8 milhões que teriam sido sacados em valores fracionados pelos investigados, dois saques teriam a esposa de Beto Castro como destinatária final. Um deles, no valor de R$ 188 mil, teria sido feito de forma direta. Outros R$ 150 mil, aponta a investigação, teriam sido repassados à Rede de Postos Castro Ltda, conhecida como Rede de Postos BC, aberta em julho de 2015, de propriedade de Raquel Lacerda.

A Operação Benedictio mira um suposto esquema montado em torno do Instituto Sê Tu Uma Bênção, entidade localizada no Residencial Maria Aragão, em São Luís, que, segundo o Gaeco, recebeu a verba pública para projetos sociais, por meio de termos de colaboração com a Semsa (Secretaria Municipal de Segurança Alimentar). De acordo com a investigação, o dinheiro era desviado com o uso de empresas de fachada que simulavam cotações de preços entre si e emitiam notas fiscais sem lastro, e a lavagem se dava por saques fracionados em espécie, para escapar do controle do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A apuração mapeia a organização em cinco núcleos, do institucional ao armado, este último ligado à facção PCM.

Em agosto de 2023, mostrou o Atual7, Raquel Lacerda também foi alvo de buscas e teve os sigilos fiscal e bancário quebrados pela Operação CCG, da Seccor (Superintendência Estadual de Combate à Corrupção), unidade especializada da Polícia Civil maranhense voltada para apurar e combater crimes contra a administração pública. A suspeita é de que teria participação em suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a CCG Construções e Terraplanagem, empresa localizada em Pedrinhas, bairro de São Luís, que atua no ramo da construção civil e de aluguel de máquinas e equipamentos comerciais e industriais. O caso tramita na 1ª Central das Garantias e Inquéritos sob segredo de Justiça.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

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