O vereador Beto Castro (Avante), pré-candidato à presidência da CMSL (Câmara Municipal de São Luís), foi denunciado pelo Gaeco do Ministério Público do Maranhão sob a acusação de integrar uma organização criminosa e ter cometido os crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
A denúncia, que tramita sob sigilo na Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados e cujo teor foi obtido pelo Atual7, é desdobramento da Operação Benedictio, deflagrada em 15 de junho para desarticular suposto esquema que teria desviado R$ 9,6 milhões de convênios e emendas parlamentares destinados a projetos sociais em São Luís, por meio do Instituto Sê Tu Uma Bênção.
No documento, o Gaeco aponta ainda indícios de associação do esquema com a facção criminosa PCM (Primeiro Comando do Maranhão), hoje ligada à facção fluminense CV (Comando Vermelho), que tem expandido sua atuação pelo Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, e foi classificada em maio como organização terrorista pelo governo dos EUA.
Também foram denunciadas outras nove pessoas. Segundo o Gaeco, elas se dividiam em quatro núcleos com funções distintas dentro do esquema.
No centro estaria o núcleo institucional, comandado por Lucivânia Silva Alves Siqueira, presidente do Instituto Sê Tu Uma Bênção, apontada como quem captava os recursos públicos e dava as ordens do desvio. Em torno dela operava um núcleo empresarial e contábil, formado por Robson de Oliveira Siqueira, José Roberto Santos Cunha, Cristiana Serra Duarte Cunha e Evânia Maria Sousa Nicácio, responsável, segundo a denúncia, por mover o dinheiro desviado através de empresas de fachada, notas fiscais frias e uma contabilidade montada para esconder a origem dos valores.
A ligação com o poder público estaria no núcleo político, que, conforme mostrou o Atual7, reuniria Beto Castro, o ex-vereador Umbelino Júnior e a empresária Raquel Lacerda, esposa de Beto Castro. Pela denúncia, os parlamentares direcionavam emendas e recebiam de volta parte do dinheiro, enquanto Raquel funcionava como laranja para receber e ocultar os repasses. O rastreamento financeiro do Gaeco identificou repasses de R$ 197 mil a Umbelino Júnior e de R$ 188 mil diretamente a Raquel Lacerda, além de R$ 150 mil à Rede de Postos Castro, conhecida como Rede de Postos BC, da qual ela é proprietária.
Sustentando tudo, diz o Gaeco na denúncia, haveria um núcleo armado, ligado à facção PCM, formado por Josué Santos da Silva, o Gaspar, apontado como chefe da facção na área, e por Evano Hícaro dos Santos Soares, encarregado de intimidar testemunhas e dar proteção ao esquema. Parte do dinheiro desviado, de acordo com a investigação, bancava essa estrutura armada, usada para impor silêncio aos moradores das comunidades onde o instituto atuava.
Procurado, o vereador respondeu por mensagem que vai “provar a inocência perante todos os fatos”. O Atual7 não conseguiu o contato dos demais denunciados. Como o processo está sob sigilo, não foi possível saber se eles já têm defesa constituída. O espaço está aberto para manifestações.