NOTíCIA · VIDA PúBLICA

Polícia investiga suspeita de fraude em contrato de quase R$ 1,9 milhão para mobiliar Complexo Trapiche

Compra foi feita sem licitação própria, por carona em uma ata de um consórcio de Minas Gerais. Contrato foi fechado na gestão Eduardo Braide, mas ex-prefeito não aparece como investigado
Praça pavimentada diante dos galpões restaurados do Complexo Trapiche Santo Ângelo, com duas chaminés de tijolo ao fundo sob céu azul.
O Complexo Trapiche Santo Ângelo, antigo conjunto fabril reaberto em novembro de 2025 como sede de secretarias municipais e espaço cultural, no Centro Histórico de São Luís Divulgação/Prefeitura de São Luís
Corrupção e Integridade Pública

A Polícia Civil do Maranhão investiga se um contrato de quase R$ 1,9 milhão para aquisição de móveis para os galpões e o espaço multiuso do Complexo Trapiche Santo Ângelo, na orla histórica de São Luís, foi fraudado pela gestão municipal.

O inquérito, que tramita na 1ª Central das Garantias e Inquéritos da Comarca da Ilha de São Luís e ao qual o Atual7 teve acesso, foi instaurado em setembro de 2025 pelo 1º Deccor (Departamento de Combate à Corrupção), ligado à Seccor (Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção). O caso foi aberto a partir do envio de informação pela Polícia Federal, que recebeu uma denúncia anônima, concluiu não haver competência federal e encaminhou o material à Polícia Civil.

Os investigadores já levantaram que a compra do mobiliário foi feita sem licitação própria pela prefeitura, via Semad (Secretaria Municipal de Administração), que optou por adesão a uma ata de registro de preços do Convales (Consórcio de Saúde e Desenvolvimento dos Vales do Noroeste de Minas), com sede em Arinos (MG).

A suspeita apurada é de que a carona, como é chamada essa forma de contratação, tenha favorecido a empresa Flexibase Indústria e Comércio de Móveis, Importação e Exportação, sediada em Aparecida de Goiânia (GO). A contratação por carona, permitida pela Lei de Licitações, exige que o poder público comprove a vantagem do procedimento e a compatibilidade dos preços com o mercado antes de aderir. É sobre esse ponto que recai parte da investigação.

À época da assinatura do contrato, a prefeitura, hoje sob Esmênia Miranda (PSD), era comandada por Eduardo Braide (PSD), que renunciou ao mandato em março deste ano para concorrer ao governo estadual. Contudo, até o momento, ele não é investigado no inquérito, que busca confirmar ou afastar a existência de crime, além de identificar os responsáveis pela contratação.

Procurados por e-mail desde o dia 19 de junho para se posicionarem sobre a aquisição da mobília por carona e a investigação, Esmênia e Braide não responderam. O Atual7 também buscou contato por e-mail, desde a mesma data, com a Semad, a Flexibase e o Convales, questionando a respeito do inquérito, mas não obteve retorno até o momento.

Em maio, o promotor de Justiça Paulo José Miranda Goulart, do Ministério Público do Maranhão, se manifestou pela prorrogação da investigação por mais 90 dias, para que a Polícia Civil ouça o representante da empresa, junte laudo pericial contábil e elabore o relatório final do inquérito.

Construído entre o fim do século XIX e início do XX, o Trapiche Santo Ângelo foi um entreposto comercial e industrial da capital. Após requalificação, o espaço foi reinaugurado em novembro do ano passado, como sede de secretarias municipais e espaço cultural. Segundo dados da gestão municipal, o complexo contou com investimentos de R$ 60 milhões, oriundos de recursos próprios da Prefeitura de São Luís, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Vale, por meio da Lei Rouanet.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

1 comentário

  1. Helena

    Licitações “normais” não são confiáveis quanto a lisura, imagina via carona.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.