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Saiba quem é Edivaldo Holanda Júnior, pré-candidato a vice de Orleans Brandão

Fora das urnas desde 2022, ex-prefeito de São Luís volta à disputa para um eleitorado maranhense em que mais de 232,5 mil jovens não tinham idade de votar na última vez que foi candidato
Edivaldo Holanda Júnior, homem branco de cabelo castanho, fala ao microfone com uma das mãos e ergue a bandeira do Maranhão com a outra, o braço esticado para cima. Ele veste camisa social azul e está em um palco de comício, com luzes de show e apoiadores ao redor.
Edivaldo Holanda Júnior durante a campanha ao governo do Maranhão, em 2022, quando disputou o Palácio dos Leões pela primeira vez Reprodução/Facebook @EdivaldoHolandaJunior
Eleições e Processo Eleitoral

O pré-candidato ao governo do Maranhão, Orleans Brandão (MDB), anunciou nesta quarta-feira (1º) o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Júnior (Republicanos) como pré-candidato a vice-governador em sua chapa para as eleições de 2026. O anúncio foi feito por vídeo nas redes sociais, e a composição ainda depende de homologação em convenção partidária.

A aposta do Palácio dos Leões, hoje comandado pelo tio de Orleans, Carlos Brandão (MDB), tem endereço claro. São Luís é o maior colégio eleitoral do Maranhão e o terreno mais forte do principal adversário, o também ex-prefeito da capital, Eduardo Braide (PSD), que renunciou ao mandato em março e se lança usando a gestão municipal como credencial diante do eleitorado maranhense. Ao chamar Edivaldo, Orleans traz para a disputa a experiência administrativa do único político que já derrotou Braide dentro de São Luís, no segundo turno das eleições de 2016.

A leitura do grupo de Orleans é que Edivaldo pode corroer a vantagem de Braide justamente onde, hoje, ela é maior. Para isso, terá de reativar a memória de quem já votou nele e se apresentar à parcela do eleitorado que não o conhece das urnas.

O ex-prefeito de São Luís não disputa uma eleição desde 2022, quando concorreu justamente ao governo estadual, como cabeça de chapa, e ficou em quarto lugar, com 2,51% dos votos. O escolhido pelo eleitorado naquele pleito foi Carlos Brandão, reeleito com 51,29%, sob forte estrutura da máquina administrativa. O segundo colocado foi Lahesio Bonfim (à época PSC), com 24,87% dos votos, seguido por Weverton Rocha (PDT), 20,71%.

Como prefeito, diferentemente de Braide, Edivaldo cumpriu a promessa de concluir o mandato, e deixou o cargo apenas em 2020, no término do prazo. Desde a última campanha vitoriosa dele na capital até a disputa deste ano, o eleitorado maranhense cresceu. Eram 4,6 milhões em 2016, e são 5,19 milhões em 2026, segundo cadastro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrado até 1º de julho, ainda em validação. São quase 580 mil eleitores a mais.

Ainda de acordo com os dados da Justiça Eleitoral até 1º de julho, tratados e tabulados pelo Atual7, na comparação com a corrida de 2022, entre os eleitores que hoje têm de 16 a 18 anos, mais de 232,5 mil não tinham sequer idade para votar quando ele disputou o governo, há quatro anos. Isso porque eram crianças quando ele administrava São Luís, e votarão pela primeira vez agora, em outubro.

Edivaldo tem 48 anos e é advogado, mas a política veio antes da beca. Entrou pelo movimento estudantil em 2002, na juventude do PSDB, e dois anos depois se elegeu vereador pelo PTC, aos 26. O nome dele colou na Câmara Municipal e cresceu em São Luís após ser o único vereador a peitar a taxa de lixo, defendendo que ela não fosse cobrada da população. Reelegeu-se em 2008 mais que triplicando a votação, de 3.376 para 10.670 votos.

Em 2010 deu um salto nacional. Elegeu-se deputado federal como o mais votado em São Luís, com mais de 70 mil dos seus 104.015 votos, e em Brasília assumiu a liderança do PTC na Câmara e uma cadeira no Conselho Político da então presidente Dilma Rousseff (PT), a quem havia apoiado nas urnas. Ele renunciou ao mandato no fim de 2012 para assumir a Prefeitura de São Luís, que conquistara pela coligação Muda São Luís, formada por PCdoB, PSB, PDT e PTC, com apoio de Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Na época, derrotou no segundo turno João Castelo, do PSDB, que tentava a reeleição, e virou o mais jovem a chegar ao cargo.

Edivaldo administrou a capital por dois mandatos consecutivos, entre 2013 e 2020. Assim como Braide, apesar de deixar a prefeitura sem cumprir diversas promessas de campanha, construiu forte vitrine solidificada em obras de praças e asfaltamento. Foi na gestão dele que São Luís fez a primeira licitação do sistema de ônibus em décadas, em 2016, depois questionada por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Municipal — hoje principal vidraça de Braide, por fazer, ano a ano, críticas nas redes sociais ao empresariado do transporte, mas jamais tomar a iniciativa de declarar a caducidade da concessão dos consórcios.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

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