O pré-candidato ao governo do Maranhão, Orleans Brandão (MDB), anunciou nesta quarta-feira (1º) o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Júnior (Republicanos) como pré-candidato a vice-governador em sua chapa para as eleições de 2026. O anúncio foi feito por vídeo nas redes sociais, e a composição ainda depende de homologação em convenção partidária.
A aposta do Palácio dos Leões, hoje comandado pelo tio de Orleans, Carlos Brandão (MDB), tem endereço claro. São Luís é o maior colégio eleitoral do Maranhão e o terreno mais forte do principal adversário, o também ex-prefeito da capital, Eduardo Braide (PSD), que renunciou ao mandato em março e se lança usando a gestão municipal como credencial diante do eleitorado maranhense. Ao chamar Edivaldo, Orleans traz para a disputa a experiência administrativa do único político que já derrotou Braide dentro de São Luís, no segundo turno das eleições de 2016.
A leitura do grupo de Orleans é que Edivaldo pode corroer a vantagem de Braide justamente onde, hoje, ela é maior. Para isso, terá de reativar a memória de quem já votou nele e se apresentar à parcela do eleitorado que não o conhece das urnas.
O ex-prefeito de São Luís não disputa uma eleição desde 2022, quando concorreu justamente ao governo estadual, como cabeça de chapa, e ficou em quarto lugar, com 2,51% dos votos. O escolhido pelo eleitorado naquele pleito foi Carlos Brandão, reeleito com 51,29%, sob forte estrutura da máquina administrativa. O segundo colocado foi Lahesio Bonfim (à época PSC), com 24,87% dos votos, seguido por Weverton Rocha (PDT), 20,71%.
Como prefeito, diferentemente de Braide, Edivaldo cumpriu a promessa de concluir o mandato, e deixou o cargo apenas em 2020, no término do prazo. Desde a última campanha vitoriosa dele na capital até a disputa deste ano, o eleitorado maranhense cresceu. Eram 4,6 milhões em 2016, e são 5,19 milhões em 2026, segundo cadastro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrado até 1º de julho, ainda em validação. São quase 580 mil eleitores a mais.
Ainda de acordo com os dados da Justiça Eleitoral até 1º de julho, tratados e tabulados pelo Atual7, na comparação com a corrida de 2022, entre os eleitores que hoje têm de 16 a 18 anos, mais de 232,5 mil não tinham sequer idade para votar quando ele disputou o governo, há quatro anos. Isso porque eram crianças quando ele administrava São Luís, e votarão pela primeira vez agora, em outubro.
Edivaldo tem 48 anos e é advogado, mas a política veio antes da beca. Entrou pelo movimento estudantil em 2002, na juventude do PSDB, e dois anos depois se elegeu vereador pelo PTC, aos 26. O nome dele colou na Câmara Municipal e cresceu em São Luís após ser o único vereador a peitar a taxa de lixo, defendendo que ela não fosse cobrada da população. Reelegeu-se em 2008 mais que triplicando a votação, de 3.376 para 10.670 votos.
Em 2010 deu um salto nacional. Elegeu-se deputado federal como o mais votado em São Luís, com mais de 70 mil dos seus 104.015 votos, e em Brasília assumiu a liderança do PTC na Câmara e uma cadeira no Conselho Político da então presidente Dilma Rousseff (PT), a quem havia apoiado nas urnas. Ele renunciou ao mandato no fim de 2012 para assumir a Prefeitura de São Luís, que conquistara pela coligação Muda São Luís, formada por PCdoB, PSB, PDT e PTC, com apoio de Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Na época, derrotou no segundo turno João Castelo, do PSDB, que tentava a reeleição, e virou o mais jovem a chegar ao cargo.
Edivaldo administrou a capital por dois mandatos consecutivos, entre 2013 e 2020. Assim como Braide, apesar de deixar a prefeitura sem cumprir diversas promessas de campanha, construiu forte vitrine solidificada em obras de praças e asfaltamento. Foi na gestão dele que São Luís fez a primeira licitação do sistema de ônibus em décadas, em 2016, depois questionada por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Municipal — hoje principal vidraça de Braide, por fazer, ano a ano, críticas nas redes sociais ao empresariado do transporte, mas jamais tomar a iniciativa de declarar a caducidade da concessão dos consórcios.