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Conheça os candidatos ao Governo do Maranhão e quais dificuldades têm de superar

São oito candidatos ao Palácio dos Leões, entre herdeiros de sobrenomes políticos, estreantes na urna e nomes sem estrutura e tempo de propaganda
Mosaico com os oito candidatos ao governo do Maranhão em 2026, em fotos de rosto em preto e branco sobre fundo azul-claro, dispostas em duas fileiras de quatro. Na fileira de cima, da esquerda para a direita: André Luís (Missão), Dimas Cassimiro (PCO), Eduardo Braide (PSD) e Felipe Camarão (PT). Na fileira de baixo: Orleans Brandão (MDB), Reginaldo Lima (PCB), Roberto Rocha (PRTB) e Saulo Arcangeli (PSTU).
Da esquerda para a direita, na fileira de cima: André Luís (Missão), Dimas Cassimiro (PCO), Eduardo Braide (PSD) e Felipe Camarão (PT). Na fileira de baixo: Orleans Brandão (MDB), Reginaldo Lima (PCB), Roberto Rocha (PRTB) e Saulo Arcangeli (PSTU). DivulgaCandContas/TSE
Eleições e Processo Eleitoral Poder

A eleição para o Governo do Maranhão em 2026 tem o segundo maior número de candidatos desde a disputa de 1994, início da série histórica disponível no sistema de estatísticas de candidaturas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). São oito candidatos registrados, ao todo. No pleito de 2022, o maior número da série, foram nove.

Entre os candidatos que concorrem ao Executivo estadual neste ano, dois disputam cargo eletivo pela primeira vez, cinco ficaram fora dos blocos fixos da propaganda gratuita no rádio e na televisão e ficarão restritos às inserções diárias, e um chega à eleição com parte do próprio campo político apoiando adversários por fora da estrutura partidária. Os registros da maioria ainda estão sob análise do TRE-MA (Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão), que tem até 14 de setembro para julgá-los. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato alcance a maioria dos votos válidos.

O Atual7 listou os principais obstáculos dos candidatos que disputam o Palácio dos Leões. Confira:

André Luis (Missão)

Lançado candidato pelo Missão, partido identificado com a extrema direita e derivado do MBL (Movimento Brasil Livre), André Luís Caetano dos Santos, de 41 anos, é natural de São Paulo (SP). Empresário da construção civil, disputa a primeira eleição. Concorre sem coligação e fora dos blocos fixos de propaganda, com o psicólogo Prof. Cadu como candidato a vice-governador.

O principal desafio dele é, de fato, existir eleitoralmente para depois disputar o voto, o que passa por conhecimento do seu nome e capacidade de fazer o eleitor maranhense entender por que uma candidatura nova e de direita radical merece ser considerada. O modo extremista como ele se apresenta, porém, já delimita até onde a candidatura pode chegar.

No primeiro debate da disputa, promovido pela Band Maranhão em 9 de agosto, defendeu na segurança pública a política que chamou de prendeu-matou, projeto nacional do partido que prevê a execução de suspeitos que não se entregarem à polícia, prática vedada pela Constituição, e se posicionou contra a criação da reserva extrativista de Tauá-Mirim, em favor da implantação de um novo porto na região, criticando órgãos ambientais e ONGs (Organizações Não Governamentais). São posições que consolidam um público restrito e fecham a candidatura justamente para o eleitorado que ela precisaria conquistar para deixar de ser uma candidatura de nicho ideológico.

Dimas Cassimiro (PCO)

Dimas Cassimiro do Nascimento tem 66 anos, é professor de ensino superior e já disputou eleições anteriores no Maranhão, para deputado estadual em 2018 e deputado federal em 2022. Concorre com a professora Charlieth Viana como candidata a vice-governadora.

Natural de Teresina, no Piauí, tem como principal desafio romper a barreira eleitoral imposta pela identidade e estrutura ideológica extremamente limitada do PCO. O Partido da Causa Operária não tem representação na Câmara dos Deputados, o que deixou a chapa fora dos blocos fixos de propaganda, formada apenas por filiados da própria legenda.

Sem estrutura, sem tempo e sem alianças, está na disputa apenas para ocupar espaço de comunicação política do partido. No primeiro debate da campanha, ele sequer foi mencionado.

Eduardo Braide (PSD)

O ex-prefeito de São Luís Eduardo Salim Braide, de 50 anos, natural da capital maranhense e que se identifica profissionalmente como advogado, é filho do ex-deputado estadual Carlos Braide, que somou cinco mandatos e chegou à presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão. Aos 27 anos, com o pai no exercício do mandato na Assembleia, foi indicado para presidir a Caema (Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão), no governo José Reinaldo Tavares. Entre 2009 e 2010 foi secretário municipal de Orçamento Participativo na gestão de João Castelo na capital, e em 2010 se elegeu deputado estadual com apoio político do pai, sendo reeleito em 2014. Foi derrotado nas urnas em 2016 pelo então prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Júnior, eleito deputado federal em 2018 e prefeito da capital em 2020, com reeleição em 2024, após contar com o apoio de políticos que antes eram seus adversários, como os deputados estaduais Wellington do Curso (PSD), Neto Evangelista (MDB) e Yglésio Moysés (PRD).

Seu maior desafio é transformar e consolidar a força eleitoral de São Luís, conquistada principalmente via redes sociais, em uma maioria estadual.

O problema é que a eleição para governador exige uma escala territorial completamente diferente da eleição para prefeito. Braide tem uma marca eleitoral forte na capital, mas precisa mostrar que consegue ser competitivo no interior e, principalmente, apresentar uma proposta de governo estadual que não seja simplesmente uma extensão de sua passagem pelo Palácio de La Ravardière, onde fez como vitrine obras de asfaltamento e deu pouca atenção a políticas sociais.

Além disso, apesar dos cargos que já ocupou e da distribuição de emendas ao interior do estado quando exerceu mandatos como parlamentar, a construção do nome dele fora da Grande Ilha tem dependido exclusivamente de lideranças municipais que ele passou a última década evitando associar à própria imagem. A vice escolhida mostra o tamanho da dificuldade. Elaine Carneiro (PSD) é empresária do setor de pneus, radicada há anos na Região Tocantina e sem disputa eleitoral anterior, anunciada depois que outros nomes da região não avançaram. Embora se apresente sob discurso de antipolítica, é um dos representantes do filhotismo político no pleito, conseguindo, inclusive, manter o espólio deixado pelo patriarca e fazer o irmão Fernando Braide (PSD) deputado estadual em 2022 e agora buscar para o familiar o mandato de deputado federal em 2026, sob sua sombra.

Outro desafio é manter-se competitivo na disputa pelo Palácio dos Leões sem se comprometer com nenhum dos candidatos ao Planalto. Embora esteja situado à direita no espectro político, Eduardo Braide evita declarar apoio a nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), numa estratégia para também preservar o eleitorado de Lula (PT). Em um estado onde o petista mantém votação historicamente alta e adversários de Braide disputam o eleitorado de direita, manter distância da corrida presidencial pode ser justamente o que permite ao ex-prefeito transitar entre os dois campos. Com presidente e governador votados na mesma urna, porém, essa estratégia de neutralidade será testada ao longo da campanha.

Felipe Camarão (PT)

De todos os candidatos, Felipe Costa Camarão, de 44 anos, é o que tem a situação eleitoral mais complicada. Natural do Rio de Janeiro (RJ) e filho do médico maranhense Phil Camarão, entrou na administração estadual em 2005, aos 23 anos, à frente do Procon no governo José Reinaldo Tavares, órgão que voltou a comandar em 2011, sob Roseana Sarney (MDB), ambas as vezes por articulação de seu pai, amigo íntimo do antigo clã maranhense. Procurador federal de carreira, foi secretário estadual de Gestão, de Cultura, de Governo e de Educação antes de chegar a vice-governador. Se autointitula herdeiro político do ex-governador do Maranhão Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e formalmente fora da política eleitoral-partidária. Tem como candidato a vice o presidente da Câmara Municipal de Caxias, Ricardo Rodrigues (PT).

Mesmo sendo o candidato oficial do PT e contando com o apoio declarado do presidente Lula, Camarão tem como principal desafio sobreviver politicamente à divisão do campo que deveria sustentá-lo. O petismo maranhense está dividido entre ele, Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide, e a própria base que dava sustentação ao governo Dino não o reconhece como líder e busca se aproximar dos outros lados. Ele próprio, inicialmente, buscava compor novamente com o governador Carlos Brandão (MDB) ou iniciar parceria com Braide. Ignorado nas tentativas de articulação, foi obrigado a se colocar na disputa pelo Palácio dos Leões em nome do que restou do grupo que integra.

A vitrine que ele leva para a disputa também tem falhas documentadas, por isso também representa obstáculo. O Escola Digna, principal credencial da gestão dele na Seduc (Secretaria de Estado da Educação), por exemplo, já foi alvo de determinação da pasta do próprio governo que cuida da transparência pública, para que fornecesse ao Atual7 dados completos sobre os gastos com obras do programa. Sob a gestão dele, a Seduc também manteve cerca de 120 indígenas Guajajara assistindo aula sentados no chão na Terra Indígena Araribóia, situação enfrentada apenas depois de liminar conseguida pelo MPF (Ministério Público Federal). A falta de estrutura na educação indígena, que recebeu e entregou sem avanço, se repete em outros territórios indígenas pelo estado. O método atingiu também quem precisou de abrigo na Casa dos Estudantes Secundários do Maranhão, onde estudantes de baixa renda moram sob risco de desabamento apontado pelo Ministério Público.

Orleans Brandão (MDB)

Ex-secretário estadual de Assuntos Municipalistas, Carlos Orleans Braide Brandão, primo de segundo grau de Eduardo Braide, tem 31 anos, é natural de São Luís, graduado em Administração e disputa a primeira eleição. É sobrinho do governador Carlos Brandão e representa a continuidade da família que hoje controla o Palácio dos Leões e mantém braços políticos em outros poderes via parentes e agregados. O novo clã maranhense conta com apoio público do ex-presidente José Sarney (MDB), que dominou o estado por quase todas as últimas cinco décadas. O candidato a vice-governador na chapa é Edivaldo de Holanda Junior (Republicanos), ex-prefeito de São Luís.

Pelo material divulgado pela própria campanha, a trajetória profissional de Orleans se resume a um vínculo de 23 dias como auxiliar de vendedor em uma loja de material de construção em São Luís, a atividades não definidas em empresas da família e ao cargo de secretário estadual, criado por decreto em março de 2023, para o qual foi nomeado pelo tio no mesmo mês.

Um dos desafios é deixar de ser percebido como candidato oligarca e provar identidade própria, e o entrave nesse ponto é o próprio pai, Marcus Brandão, irmão e sócio de longa data do governador do Estado, que, autointitulado líder político, segue como quem fecha acordos políticos e financeiros, negocia apoios eleitorais e fala publicamente pelo projeto político-eleitoral do filho.

O obstáculo maior, porém, escapa ao controle da campanha. A estrutura familiar que sustenta a candidatura é a mesma que a Polícia Federal investiga em inquérito que tramita no Supremo, sob relatoria do ministro Flávio Dino, sobre suspeitas de corrupção, desvio de emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução de Justiça. Nos autos, a PF descreve a estrutura como um ecossistema empresarial criminoso, aponta o governador Carlos Brandão, tio de Orleans, como provável líder de organização criminosa e associa o primo do candidato, Daniel Brandão, presidente do TCE-MA (Tribunal de Contas do Estado do Maranhão), a suposto esquema de propina e à reunião que antecedeu o homicídio do empresário João Bosco, em 2022, em São Luís.

O governador e o conselheiro, afastado do cargo por 180 dias por determinação de Dino, negam as suspeitas apontadas pela PF. Orleans Brandão não é investigado.

Reginaldo Lima (PCB)

Natural de Imperatriz, Reginaldo Lima Brauno tem 43 anos, é radialista e já disputou eleição municipal, em 2024, como candidato a vice-prefeito da cidade natal. Concorre com o trabalhador rural Gato Felix como candidato a vice-governador, escolhido em 27 de agosto para substituir Bartolomeu Moreira, que renunciou à candidatura.

O desafio dele é de escala, e as condições da disputa limitam o candidato desde a largada. O Partido Comunista Brasileiro não tem representação na Câmara dos Deputados, ficou fora dos blocos fixos de propaganda e concorre sem coligação, com chapa formada apenas por filiados. O reconhecimento que a candidatura tem está concentrado em Imperatriz e em círculos de militância, e o que ela precisa é chegar a um eleitorado estadual de 5,19 milhões de pessoas sem estrutura para percorrer 217 municípios.

Roberto Rocha (PRTB)

Filho de Luiz Rocha, deputado federal entre 1975 e 1983 e governador do Maranhão de 1983 a 1987, Roberto Coelho Rocha, de 61 anos, natural de São Luís, já foi deputado estadual, deputado federal, vice-prefeito de São Luís e senador. Já disputou o governo do Estado, em 2018, pelo PSDB, em eleição vencida por Flávio Dino no primeiro turno. Na eleição de 2022, perdeu outra vez nas urnas, na disputa pelo Senado, vencida por Dino. Em 2026, tenta novamente voltar ao jogo pelo PRTB, autointitulando-se como único nome da extrema direita bolsonarista. Ele apoia abertamente Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Sem coligação e fora dos blocos fixos de propaganda, tem como vice o militar reformado Pastor Josias.

Ele possui algo que os outros candidatos menores não têm, que é memória política e reconhecimento de nome. Contudo, isso também cria uma cobrança maior, daí o principal desafio, que é se ainda existe uma razão política para votar nele, e a votação de 2018 mostra que reconhecimento não se converteu em voto na última vez que tentou o cargo de governador. A posição que ele reivindica também não é pacífica. Anotações feitas por Flávio Bolsonaro em reunião da cúpula do PL em 24 de fevereiro listavam dois nomes para o governo do Maranhão, o dele e o de Eduardo Braide.

Saulo Arcangeli (PSTU)

Natural de São Luís, Saulo Costa Arcangeli tem 54 anos, é doutor em políticas públicas, militante sindical e servidor público. Disputa o governo pela terceira vez, depois de concorrer em 2010, pelo PSOL, e em 2014, já pelo PSTU. Também foi candidato a senador em 2018 e 2022, a prefeito de São Luís em 2024 e a vereador da capital em 2012, 2016 e 2020, sem se eleger em nenhuma disputa. Concorre com a artesã Preta Lu como candidata a vice-governadora, sem coligação e fora dos blocos fixos de propaganda.

Isso garante ao candidato do PSTU uma vantagem em relação a candidatos estreantes, que é já ter identidade política, construída em greves, campanhas sindicais e mobilizações urbanas e rurais. Contudo, essa presença não se traduziu em voto ao longo de dezesseis anos de disputas.

O principal desafio de Arcangeli é ampliar uma candidatura historicamente ligada à militância de esquerda para além do eleitorado ideológico.

Fundador-Editor do Atual7. Especializado em jornalismo investigativo e de dados, utiliza a LAI para expor corrupção, abusos e violações no setor público e privado, fortalecendo o direito da sociedade à informação e a responsabilização de quem atenta contra o interesse público.

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