Há três décadas na prefeitura, PDT tenta mais quatro anos com Braide
Política

Há três décadas na prefeitura, PDT tenta mais quatro anos com Braide

Partido de Weverton Rocha está enraizado no Palácio de La Ravardière, no comando do poder ou como aliado, desde 1989

A história de mais de três décadas do Partido Democrático Trabalhista na prefeitura de São Luís pode sofrer uma interrupção definitiva ou continuar por pelo menos mais quatro anos, no próximo domingo 29, data do segundo turno das eleições municipais de 2020. Depois de tentar permanecer no poder com Neto Evangelista (DEM), com a indicação de Luzimar Lopes Correa na vaga de vice, mas ser derrotado pela população ludovicense nas urnas, o PDT se agarra agora a Eduardo Braide.

Diferentemente de 2016, quando se apresentou ao eleitorado como um outsider criterioso e que evitava acordos políticos para não lotear o Palácio de La Ravardière, nas eleições de 2020, o candidato do Podemos abriu a porteira para toda espécie de político, até mesmo para aqueles a quem criticava e se opunha na eleição passada e durante todo o primeiro turno deste pleito.

No primeiro turno, por exemplo, Neto Evangelista foi classificado por Braide como alguém que não gosta de trabalhar, devido à considerável quantidade de faltas às sessões da Assembleia Legislativa do Maranhão. Neto, por sua vez, por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), foi o responsável por desmontar a informação enganosa que vem sendo disseminada por Eduardo Braide desde o pleito passado, de que ele não é investigado em inquérito sigiloso da Polícia Federal e Ministério Público Federal que apura desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade, sobre fatos relacionados à famigerada Máfia de Anajatuba.

Apesar de, publicamente, não haver informações sobre quais pastas o senador Weverton Rocha possa ter negociado com Braide para o PDT aderir à sua campanha, dificilmente um partido que está enraizado nos cofres públicos municipais há tantos anos apoiaria um candidato, principalmente a quem até outro dia era adversário, sem acertar algo em troca.

Conforme a história, o domínio do partido de Weverton na prefeitura de São Luís teve início com Jackson Lago (já falecido), na gestão de 1989 a 1992, depois continuou com Conceição Andrade (1993 a 1996), Jackson Lago novamente (1997–2000; 2001-2002) e Tadeu Palácio (2002 a 2008). Essa hegemonia foi quase interrompida com a gestão do PSDB de João Castelo (já falecido), de 2009 a 2012. Entretanto, o tucano —que divide com Neto Evangelista a promessa eleitoreira do VLT— contou com o apoio de Jackson Lago no segundo turno das eleições daquele ano. Assim como tenta o partido em 2020 com Eduardo Braide, a movimentação eleitoral garantiu ao PDT, dentre outros acordos, a permanência de dezenas de milhares de comissionados que até hoje incham a administração municipal.

O atual prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (2013–2016; 2017- 2020), foi eleito pela primeira com o apoio do PDT e reeleito filiado ao partido. No pleito deste ano, até o momento, contrariando o principal responsável pela sua eleição e reeleição, o governador Flávio Dino (PCdoB), e mesmo sob o risco de concluir o mandato com a pecha de traidor, publicamente, ele permanece neutro, o que favorece Braide.

Para continuar enraizado na prefeitura, outra movimentação eleitoreira do PDT foi se aliar à ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que até há pouco mais de uma semana era considerada adversária história, mas que agora também integra o consórcio de aliados de Braide.



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