Flávia Berthier, vereador de São Luís

Flávia Berthier sinaliza que não votará em Paulo Victor

Antes dela, o vereador eleito Douglas Pinto também declarou ser contrário à permanência do atual presidente da Casa no comando do Legislativo ludovicense

A vereadora eleita Flávia Berthier (PL) sinalizou que não deve votar em Paulo Victor (PSB) na eleição para a presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Luís. Em resposta ao Atual7, ao ser questionada a respeito do assunto, ela destacou a importância da harmonia institucional na Casa, mas que isso não se traduz em apoio à permanência de Paulo Victor no comando do Poder.

Único candidato com chapa registrada até o momento, o atual presidente da Câmara conta com o voto declarado da maioria dos vereadores eleitos e reeleitos.

“Todo posicionamento político do meu mandato sempre levará em conta os desejos e aspirações dos 4.857 eleitores que me confiaram seus votos de maneira espontânea e convicta na luta que temos travado contra o sistema esquerdista”, afirmou Berthier .

“Tenho um lado e represento um espectro político bem definido, sou cristã evangélica, de direita, bolsonarista, isso não me impede de manter um bom relacionamento institucional com todos os meus pares”, seguiu a vereadora. Embora tenha destacado a importância do diálogo e da harmonia na Câmara, ela foi categórica ao responder que não pretende seguir os colegas de Parlamento no apoio a Paulo Victor. “Acho que toda unanimidade costuma ser prejudicial, pois interrompe a diversidade de opiniões, algo importantíssimo no debate político”, acrescentou.

“Apoiarei todos os projetos que beneficiem o nosso povo ludovicense. Da mesma forma, combaterei firmemente qualquer iniciativa que vá contra as bandeiras pelas quais sempre lutei. Jamais irei contra meus princípios e valores e costumes cristãos, contra as minhas convicções nem contra os anseios daqueles que se sentem representados por mim. Não combato pessoas, combato ideias, e esse será o norte que guiará o mandato que me foi confiado. Sempre falo isso, posso dialogar com todos, [mas] não vou concordar com tudo. Temos um mandato da direita para fazermos a diferença na Câmara de Vereadores! Não sou perfeita, mas sou convicta para o que fui chamada”, completou.

Antes de Flávia Berthier, o vereador eleito Douglas Pinto (PSD) também declarou que não votará em Paulo Victor. Além de criticar as limitações impostas pelo regimento interno da Câmara, que não prevê candidaturas avulsas e exige votação aberta ao invés de secreta, Douglas classificou como “extremamente constrangedor” eleger alguém réu por corrupção passiva e investigado pelo Ministério Público.

“Pelo bem da Casa, acredito que ninguém nessa situação devia sequer se candidatar, imagina ser eleito presidente da Câmara. Mas por unanimidade não vai ser, porque não tem o meu voto”, disse.

Conforme revelou o Atual7 em novembro, Paulo Victor teve denúncia da PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) aceita pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Maranhão. Por unanimidade, o colegiado entendeu que o atual presidente da Câmara empregou nas dependências da Casa pessoas indicadas pelo promotor de Justiça Zanony Passos, em troca da promessa de encerramento de investigações sobre suposto desvio de emendas parlamentares.

Em outro processo, trancado por decisão da Primeira Câmara Criminal do TJ-MA, o Gaeco do Ministério Público do Maranhão aponta o chefe do Legislativo ludovicense como líder de suposta organização criminosa especializada em cooptar entidades sem fins lucrativos e simular a aplicação de recursos provenientes desse esquema.

O caso está no STJ (Superior Tribunal de Justiça), e aguarda recurso para retomada da investigação, incluindo o cumprimento de mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo telemático e sequestro de bens e valores, autorizados pela Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados, mas barrados pelo Judiciário maranhense.

A eleição para a Mesa Diretora da Câmara está prevista exatamente para acontecer no dia 1º de janeiro de 2025. Pelo rito, os vereados eleitos e reeleitos tomarão posse do mandato e, em seguida, realizarão a eleição para o comando da Casa.

Também serão escolhidos os 1º, 2º e 3º vice-presidentes, além dos 1º, 2º, 3º, 4º e 5º secretários. Os eleitos têm mandato de dois anos, sendo permitida uma reeleição consecutiva para o mesmo cargo, independentemente da legislatura.

O presidente da Câmara tem o poder de definir a pauta de votações de cada Casa e é o segundo na linha sucessória do prefeito Eduardo Braide (PSD).


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