Weverton diz que silêncio adotado em interrogatório da Polícia Civil foi protesto
Política

Weverton diz que silêncio adotado em interrogatório da Polícia Civil foi protesto

Estratégia foi seguida pelo pedetista no inquérito que apontou indícios graves de crimes licitatórios e de peculato na reforma e ampliação do ginásio Costa Rodrigues. Prejuízo aos cofres ultrapassa R$ 5,38 milhões

O senador Weverton Rocha (PDT) enviou na tarde desta terça-feira (20) uma nota ao ATUAL7 na qual alega que o silêncio adotado durante interrogatório da Polícia Civil no bojo das investigações do chamado caso Costa Rodrigues, um dos maiores escândalos de desvio de dinheiro público ocorridos em São Luís, foi uma forma de protesto.

“O interrogatório em questão ocorreu em 2010 e envolveu vários secretários do governo Jackson Lago, que, em decisão coletiva, permaneceram em silêncio, protestando contra a investigação que se tornou uma espécie de tribunal de exceção, conduzido por delegados indicados pelo governo que assumiu logo após a cassação de dr. Jackson”, diz.

Encaminhada ao ATUAL7 como pedido de direito de resposta, a nota tenta confundir a opinião pública com a tese infundada de que a reportagem que revelou o indiciamento e as oitivas do pedetista no inquérito policial faz parecer que se tratava de uma novidade ou constrangimento em relação ao processo. O ATUAL7 negará o direito de resposta.

Uma arte com a logomarca do senador e o texto está sendo compartilhada em grupos de WhatsApp integrados por membros do PDT, aliados e simpatizantes do parlamentar.

Conforme mostrou o ATUAL7 na segunda-feira (19), a ação penal em que Weverton Rocha foi mantido réu por crimes licitatórios e de peculato (desvio de dinheiro público feito por agente público), pelo próprio trâmite processual lógico e justo, foi aberta a partir da aceitação de denúncia pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2017, apresentada pelo Ministério Público exatamente com base nas investigações da Polícia Civil do Maranhão.

O silêncio adotado pelo pedetista durante o interrogatório, revelou o ATUAL7, foi destacado pela juíza Patrícia Marques Barbosa, da 4ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, na decisão em que a magistrada rebateu a tese de que houve cerceamento de defesa do pedetista, e rejeitou filigranas processuais e teorias benevolentes, como a do fruto da árvore envenenada.

“Importante ressaltar que o Réu Weverton Rocha Marques de Sousa foi interrogado na fase inquisitorial, onde fez uso de seu direito de permanecer calado. Ou seja, em que pese a alegada tese de ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa o réu tomou conhecimento o inquérito, sendo ouvido, inclusive na presença de seu advogado”, escreveu.

Weverton foi mantido no banco dos réus por prejuízo aos cofres públicos que ultrapassa R$ 5,38 milhões, e terá nova chance para se manifestar oralmente no próximo dia 21 de outubro, quando ocorrerá a audiência de instrução e julgamento do caso.

Segundo o 1º promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, Marcos Valentim Pinheiro Paixão, ex-integrante do Gaeco e atual responsável pelo caso, o Ministério Público apresentou provas suficientes de que o pedetista cometeu as graves ilegalidades apontadas.

“Vez que a presente ação está instruída com documentos e justificativas que contêm provas suficientes da conduta imputada ao réu na denúncia, requer o Ministério Público pelo regular andamento do feito”, destacou em recente manifestação do órgão ministerial no bojo da ação penal.

Valentim é conhecido como linha-dura contra a corrupção e crimes de colarinho branco.

A reportagem do ATUAL7 procurou o senador do PDT para que se manifestasse sobre a manutenção da aceitação da denúncia. Como já vem repetindo em notas anteriores, ele negou que tenha cometido qualquer ilícito e se disse perseguido politicamente.

“A investigação era política e se baseava em um relatório produzido com tantos erros que foi invalidado pela Justiça. Diante disso, o silêncio foi a resposta que adotamos”, respondeu o senador, misturando e omitindo informações supostamente com o objetivo de comprometer a realidade dos fatos e desinformar.

Isto porque, enquanto o interrogatório em que ficou em silêncio ocorreu em 2010, o mandado de segurança que anulou um relatório de auditoria especial produzido pela Corregedoria-Geral do Estado, órgão atualmente vinculado à STC (Secretaria de Estado de Transparência e Controle), foi concedido pela desembargadora Maria das Graças Duarte, do Tribunal de Justiça do Maranhão, somente cinco anos depois, em 2015.



Comentários 2

  1. Carlos Rodolfo Alencar

    Apenas um retrato do Brasil. Não surpreendem tais alegações, fruto da velha política.

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