Dino diz que Sarney pode ‘ajudar a proteger a Constituição e a democracia’
Política

Dino diz que Sarney pode ‘ajudar a proteger a Constituição e a democracia’

Em entrevista, governador do Maranhão afirmou que o agora ex-adversário tem ‘larga experiência política’ e admitiu que pode voltar a visitá-lo

Antes quase que diariamente definido como oligarca, coronel, amante da ditadura, representante do atraso, corrupto e outros termos negativos, o ex-presidente José Sarney (MDB-MA) passou agora a ser considerado político de larga experiência e até mesmo protetor da Constituição e da democracia.

A mudança de opinião é do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), até outro dia desafeto ferrenho do emedebista, a quem culpava pelos péssimos índices sociais e tudo o mais de ruim que aconteceu e ainda acontece no Maranhão, inclusive em sua própria gestão.

Numa longa entrevista à Agência Pública – em que atacou o presidente Jair Bolsonaro (PSL); o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro; e a Operação Lava Jato –, em resposta a um dos questionamentos, o comunista voltou a deixar claro que não viu qualquer incoerência de sua parte em procurar Sarney, na residência do ex-presidente, em Brasília (DF), para tratar sobre política. Afirma que a aliança entre eles se dá apenas no campo nacional, sem qualquer interferência política no estado.

“Na verdade, a política do Maranhão passa por uma espécie de transição geracional na política. Não há nenhum propósito nem meu nem do ex-presidente Sarney de fazermos um pacto regional”, disse, completando: “O que me motivou e com certeza motivou a ele, e isso ficou claro na conversa, foi essa leitura do quadro nacional. E ao mesmo tempo, da minha parte, um reconhecimento de que as disputas políticas no Maranhão não acontecerão mais do mesmo modo”, destacou.

Ainda na entrevista, em vez dos termos até então sempre utilizados por ele para se referir a Sarney, Flávio Dino demonstrou respeito e zelo pela imagem pública do ex-presidente. O comunista ainda deixou aberto que outros encontros com o agora ex-adversário – apenas no campo nacional, segundo ele, repisa-se – poderão acontecer.

“A visita que fiz ao ex-presidente José Sarney, e farei outras se for necessário, foi no sentido de ouvir um político de outro campo ideológico que não é o meu, que tem uma larga experiência política desde os anos 50 do século 20, portanto são quase 70 anos de atuação política, e que nessa configuração da política nacional pode nos ajudar a proteger a Constituição e a democracia”, finalizou.



Comentários 5

    1. lopes

      Interessante mesmo, pois agora sao amiguinhos, só besta acreditar em políticos,farinha do mesmo saco.

    2. Jose Alex

      É o que nós podemos chamar de metamorfose dos tempos "mudernos", assim mesmo. O bom é que o riso está garantido.

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