José Sarney
Dino diz que Sarney pode ‘ajudar a proteger a Constituição e a democracia’
Política

Em entrevista, governador do Maranhão afirmou que o agora ex-adversário tem ‘larga experiência política’ e admitiu que pode voltar a visitá-lo

Antes quase que diariamente definido como oligarca, coronel, amante da ditadura, representante do atraso, corrupto e outros termos negativos, o ex-presidente José Sarney (MDB-MA) passou agora a ser considerado político de larga experiência e até mesmo protetor da Constituição e da democracia.

A mudança de opinião é do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), até outro dia desafeto ferrenho do emedebista, a quem culpava pelos péssimos índices sociais e tudo o mais de ruim que aconteceu e ainda acontece no Maranhão, inclusive em sua própria gestão.

Numa longa entrevista à Agência Pública – em que atacou o presidente Jair Bolsonaro (PSL); o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro; e a Operação Lava Jato –, em resposta a um dos questionamentos, o comunista voltou a deixar claro que não viu qualquer incoerência de sua parte em procurar Sarney, na residência do ex-presidente, em Brasília (DF), para tratar sobre política. Afirma que a aliança entre eles se dá apenas no campo nacional, sem qualquer interferência política no estado.

“Na verdade, a política do Maranhão passa por uma espécie de transição geracional na política. Não há nenhum propósito nem meu nem do ex-presidente Sarney de fazermos um pacto regional”, disse, completando: “O que me motivou e com certeza motivou a ele, e isso ficou claro na conversa, foi essa leitura do quadro nacional. E ao mesmo tempo, da minha parte, um reconhecimento de que as disputas políticas no Maranhão não acontecerão mais do mesmo modo”, destacou.

Ainda na entrevista, em vez dos termos até então sempre utilizados por ele para se referir a Sarney, Flávio Dino demonstrou respeito e zelo pela imagem pública do ex-presidente. O comunista ainda deixou aberto que outros encontros com o agora ex-adversário – apenas no campo nacional, segundo ele, repisa-se – poderão acontecer.

“A visita que fiz ao ex-presidente José Sarney, e farei outras se for necessário, foi no sentido de ouvir um político de outro campo ideológico que não é o meu, que tem uma larga experiência política desde os anos 50 do século 20, portanto são quase 70 anos de atuação política, e que nessa configuração da política nacional pode nos ajudar a proteger a Constituição e a democracia”, finalizou.

Sarney & Dino e o acordo que não ousa dizer o nome
Artigo

Abdon Marinho*

CONTINUA repercutindo – até mais do que devido –, a tertúlia do ex-presidente Sarney com o governador Flávio Dino.

Após alardear o “feito” em suas redes sociais, o governador, talvez, diante da “baixa audiência” do fato e das cobranças por coerência, já no final de semana que se seguiu tratou de dizer que não ocorreu qualquer acordo relacionado à política local.

Disse que só tratou da política nacional, do “risco” que corre a democracia brasileira e, no mais, trataram de assuntos relacionados à cultura, autores maranhenses e outras coisas triviais.

Benedito Buzar, respeitado intelectual do nosso estado e que priva da amizade do ex-presidente, em sua coluna semanal em “O Estado Maranhão”, datada de 07 de julho, disse ter confirmado, em linhas gerais, o teor da conversa entre o governador e o ex-presidente, sendo que este último ao iniciar a conversa teria deixado claro à visita que não trataria de qualquer assunto relacionado à política local, alegando para isso a idade avançada e o fato de ter passado tal “missão” aos filhos Roseana e José Sarney Filho e ao neto Adriano.

Da coluna de Buzar extrai-se, também, a informação que a conversa entre os líderes ocorreu em ambiente reservado, sem a presença de mais ninguém: nem do filho Zequinha Sarney, que o ajudou na recepção da visita, nem do deputado Orlando Silva, que acompanhava o governador.
O que, para a patuleia, será sempre a palavra de um contra o outro (em caso de discordância) ou a palavra de ambos no mesmo sentido (o que revelaria a comunhão de vontades).

Se assim o foi, sua excelência acabou por reeditar um clássico do cinema mundial: “Uma Linda Mulher”, no qual a atriz Júlia Roberts interpretou uma garota de programa que, a despeito de transar com o clientes, não os beijava.

Ou, também dos anos noventa, reeditou a famosa frase de Bill Clinton que indagado se já fumara maconha saiu-se com essa: — fumei mais não traguei.

Quem somos nós para questionar a palavra de sua excelência ou a informação prestada por Buzar, após ouvir Sarney?

Quem duvidou mesmo foi o neto do morubixaba, deputado Adriano, que, em discurso na assembleia legislativa, disse que teria ocorrido, sim, um “acordo” entre os dois políticos.

Mas se sua excelência e o escritor e político Sarney dizem que trataram de assuntos literários e não políticos. Pela verve da literatura, se algum “acordo” ocorreu naquela tertúlia solitária entre ambos, na tarde brasiliense, talvez o tenha sido nos moldes do dissera o autor irlandês Oscar Wilder (1854 - 1900), que do cárcere para onde foi mandado, escreveu sobre um “certo amor que não ousa dizer o nome”.

Festejado por muitos dos aliados do governador, porém, causando constrangimentos em alguns – chamados a dizerem sobre os “cinquenta anos de atraso” –, o suposto “acordo” tem esse quê de vergonha, de “amor que não ousa dizer o nome”. Mas, registre-se, menos por pudor e mais pelo pragmatismo do “perde-ganha” político.

O governador do Maranhão, que bem recentemente, deixou em aberto três opções para o seu futuro político em 2022, tem consciência da fragilidade do seu projeto político presidencial.

O estado que dirige não é modelo para nada, faz uma administração acanhada – não apenas pela falta de recursos, mas pela falta de aptidão administrativa –, com piora de todos os índices econômicos e sociais, sem uma obra de infraestrutura para chamar de sua, sem nada para mostrar ao Brasil além de dizer que se opõe ao governo Bolsonaro e ao ministro Sérgio Moro – sua segunda obsessão.

Não bastasse tudo isso, sabe da imensa dificuldade de se “vender” como um candidato de “esquerda” filiado a um partido “comunista”. Tudo entre aspas mesmo.

Assim, nada mais óbvio para o governador que “sonha” em ser o novo Sarney, copiar o Sarney com o próprio Sarney.

Ficou confuso? Eu tentarei explicar.

Quando Sarney tentou fazer de Roseana a presidente da República para suceder FHC uma das estratégias foi tentar unir o estado em torno do projeto acenando para a oposição: Jackson Lago seria apoiado para prefeito em 2000, na chapa com Tadeu Palácio, e depois seria o candidato a governador da “união” em 2002.

Este era o plano de Sarney – se combinado ou não com Jackson Lago, não sei –, que não deu certo por conta da chamada “Operação Lunus”, que levou ao naufrágio os planos presidenciais de Sarney, através da filha, e o conduziu aos braços do petismo, a ponto de virar o “melhor” amigo de Lula, como este mesmo fez questão de dizer mais de uma vez.

O que custaria a Dino repetir a estratégia, agora com o sinal trocado? Uma candidatura de “esquerda” e “comunista” precisaria de um “tempero” mais à direita do espectro político.

Quem melhor representaria isso que José Sarney, o último dos coronéis do Brasil?

Se trataram de algum acordo político ou não, por enquanto, não saberemos. Mas a intenção do senhor Dino, parece-me bastante clara: na hora dos candidatos “esquerdistas” mostrarem suas cartas para se viabilizarem, ele apresentaria o Sarney como seu principal trunfo, seu ás na manga, o melhor amigo do Lula.

E ainda faria isso “pacificando” toda a província do Maranhão. Todos unidos em torno de sua excelência rumo ao Planalto.

Devolveriam o estado aos Sarney depois dizer que eles foram a maior desgraça do estado, do atraso, e de todos os males? Não tenham dúvidas.

Não representaria qualquer dificuldade para ele ou para o seu partido.

Lembro que uma vez, lá pelos idos de 1986/87, fui convidado para uma reunião da juventude do Partido dos Trabalhadores - PT. Eu era do movimento estudantil, envolvido com a criação de grêmios, etc. Naquela reunião, ocorrida no sitio Pirapora, sua excelência, já na universidade, era um dos palestrantes/organizador e, já naquele momento, com todas as críticas que se fazia a Sarney por sua ligação com a ditadura e tudo mais, ele defendia que para chegar/conquistar o poder não tinha nada demais em fazer uma aliança com o então presidente. Aliás, para nos impressionar – até porque pela idade dele (14/15 anos) não sabemos ser possível –, disse que estivera com Sarney por conta das Diretas.

Quanto ao seu partido, o PCdoB, já em 1994, entendia não haver nada demais em se “juntar” ao Sarney. Naquele ano, quando tivemos, pela primeira vez a chance de derrotar o grupo Sarney na política estadual, PCdoB, já no primeiro turno, recebia apoio de Roseana para suas campanhas. No segundo turno, fechou de vez o apoio e só saiu do grupo quando este não os quis mais.

Logo, não há qualquer dificuldade em se costurar uma aliança “pragmática” em torno de interesses comuns, ainda que seja para negar tudo que se disse até aqui e passarem a dizer que o melhor para o Maranhão é o retorno de um Sarney ao comando do estado.
Quando sua excelência, recusou ou não quis o apoio dos Sarney para os seus projetos políticos?

Sobre isso existem dois episódios, que se confundem em um só.

O primeiro, em meados de 2007, o processo de cassação de Jackson Lago, caminhava acelerado e, por alguma razão de cunho pessoal, seu advogado originário não poderia comparecer a uma determinada audiência. Eis que alguém sugeriu o nome do então deputado federal, para fazer às vezes de advogado do governador. Com o prestígio do cargo de deputado e de ex-juiz, seria de grande valia.

Concluído o ato processual, acho que foram em palácio “prestar contas” ao cliente.

Um amigo me disse que ainda hoje lembra quando sua excelência bateu em suas costas e disse: — agora quero saber o que vocês vão fazer por mim, pois me “queimei” com o outro lado.

O segundo episódio é um pouco menos edificante e só acreditei porque quem me disse testemunhou com os próprios olhos.

Disse ele que no dia em que o TSE, em abril de 2009, sacramentou a cassação de Jackson Lago, o seu advogado, o deputado federal e ex-juiz, ao invés de ir “consolar” o cliente que acabara de ser derrotado, foi a casa de Sarney felicitar a vencedora pela vitória.

O amigo, testemunha ocular de tal fato, confidenciou-me: — Abdon, nunca tinha visto algo semelhante até então.

Tudo bem, talvez tenha sido só um gesto de solidariedade pelo apoio “informal” que recebera do grupo na eleição para prefeito da capital em 2008.

Mas me parece que tenha sido apenas o velho pragmatismo que tenha se feito presente mais uma vez, como o foi antes e depois, quem não lembra do episódio Waldir Maranhão?

Quem ainda se surpreende com tal pragmatismo, talvez devesse olhar para o ex-governador José Reinaldo Tavares.

Quem poderia imaginar que depois de tudo que fez pelo projeto político de sua excelência, o ex-governador seria simplesmente “rifado”, como foi, do seu sonho de ser senador da República?

Todos tinham por certo que seria o seu primeiro candidato, que não tivera mais força no governo por visões distintas de governo, mas seria o senador garantido. Não foi. Sua excelência preferiu como primeiro senador, o senhor Weverton Rocha e para segundo, a senhora Eliziane Gama. Apesar de José Reinaldo, ter dito que só sairia do grupo se não o quisessem, foi simplesmente ignorado e lançado ao ostracismo político apesar de tudo que fez – e do quando, ainda, poderia contribuir com o Maranhão e o Brasil.

É assim mesmo, na nova política não há espaço para amizades sinceras, respeito ou gratidão, mas, sim, para os “acordos” que não ousam dizer o nome.

*Abdon Marinho é advogado.

César Pires decide não opinar sobre aliança entre Flávio Dino e José Sarney
Política

Deputado divulgou, por meio de sua assessoria, que encontro entre o governador e o ex-presidente não modifica sua posição na Alema

O deputado César Pires optou por não emitir qualquer opinião pública sobre a aliança firmada entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o ex-presidente José Sarney (MDB) em recente reunião na casa do emedebista, em Brasília (DF), por articulação e iniciativa única do comunista.

Segundo divulgado pelo parlamentar, por meio de sua assessoria, a união entre os dois políticos maranhenses, até então desafetos, em nada modifica sua posição política na Assembleia Legislativa, de oposição ao atual chefe do Palácio dos Leões.

Para o parlamentar, cabe somente a eles trazerem a público ou não o assunto que trataram.

Sobre um encontro mantido com Sarney nesta semana, em São Luís, César Pires destacou apenas sobre a admiração que sente pelo ex-presidente que, segundo ele, mantém a postura de grandeza que marcou sua trajetória, sobretudo a sabedoria de perdoar, apesar de todas as agressões sofridas de seus adversários políticos.

Duarte Júnior sobre aliança entre Flávio Dino e José Sarney: ‘Fantástica’
Política

Deputado do PCdoB criticou Wellington do Curso por definir como incoerente ato do governador em procurar aproximação com o ex-presidente

O deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB), eleito para a Assembleia Legislativa do Maranhão em 2018 sob o discurso de representante da nova política, definiu como “fantástica” a aliança fechada entre o governador Flávio Dino (PCdoB) e o ex-presidente da República José Sarney (MDB-MA).

Em entrevista na semana passada ao Cidade Operária da Depressão, um perfil do Instagram sobre memes e notícias relacionadas ao bairro de São Luís, o parlamentar defendeu a união entre os dois políticos maranhenses, até então desafetos, principalmente em razão do governador comunista, após rompimento da aliança do PCdoB com o clã e Roseana, passar a declarar que Sarney representava o câncer da política brasileira e principal responsável pelo atraso e miséria no Maranhão.

“Fiquei feliz em ter saído na Mirante [conglomerado de comunicação pertencente aos Sarney], para que as pessoas pudessem saber também que a união, a reunião do governador Flávio Dino, que tem uma ideologia política diferente do ex-presidente José Sarney, foi fantástica. É importante que as pessoas se unam, não pensando em si, mas em prol das pessoas”, declarou.

Ainda segundo Duarte Júnior, que também era crítico político de Sarney antes da reunião entre o emedebista e o governador do Maranhão, “quem está em casa não quer saber de briga de Sarney com comunismo, de direita e esquerda”.

Questionado pelo responsável pelo perfil Cidade Operação da Depressão sobre a incoerência do novo discurso em relação a José Sarney, o deputado do PCdoB voltou a defender a união entre e Flávio Dino e o ex-presidente como algo “fundamental”.

“Num determinado momento, o governador Flávio Dino se elegeu fazendo a crítica ao modelo de gestão do grupo Sarney que há mais de quatro décadas ocupava o governo aqui no Estado do Maranhão. Então, naquele momento houve aquela crítica. Agora, depois de reeleito governador, a preocupação é com o cenário nacional em prol da democracia”, disse.

Também sobre a incoerência entre os discursos sobre José Sarney, no início dos questionamentos a respeito do assunto, Duarte Júnior criticou o posicionamento adotado pelo deputado estadual Wellington do Curso (PSDB), que manifestou-se contrário à aproximação entre o governador do Maranhão e o ex-presidente da República. “Sozinhos nós não vamos conseguir nada”, defendeu.

Adriano diz que houve um acordo entre Flávio Dino e José Sarney
Política

Líder da oposição ao governo na Alema criticou o histórico recente do comunista que demoniza adversários e depois pede apoio

O deputado estadual Adriano Sarney (PV), líder da oposição ao governo de Flávio Dino (PCdoB) na Assembleia Legislativa do Maranhão, manifestou-se, terça-feira 2, sobre o encontro entre o comunista e o ex-presidente José Sarney (MDB-MA), na semana passada, em Brasília (DF).

Adriano afirmou que houve um acordo entre Flávio Dino e José Sarney, mas não entrou em detalhes sobre o conteúdo. Apenas destacou que não faz parte do alegado acordo, e que permanecerá na oposição ao Palácio dos Leões. “Esse acordo certamente não me envolverá jamais. Porque neste mandato o titular sou eu, e eu vou até o final independente de acordos políticos”, ressaltou.

Sobre a ida de Dino à casa de Sarney, Adriano criticou o histórico recente do comunista que, segundo destacou, demoniza adversários e depois pede apoio a eles. “Ele fez isso com o João Castelo, com o Aécio Neves, com o Jackson e com vários outros. A história política de Flávio Dino é direcionada pelo oportunismo político”, disse.

E ressaltou, ainda, que não cabe a ele expor os detalhes do acordo entre os políticos maranhenses. “Não sou eu quem devo apresentar as particularidades do que foi conversado entre José Sarney e Flávio Dino. Mas houve, sim, acordo e o povo do Maranhão vai presenciar esses detalhes futuramente”, reiterou.

Ex-sarneysta, Braide apoia aliança entre Dino e Sarney: ‘Política é a arte do diálogo’
Política

Para deputado, troca de críticas entre os políticos serviu apenas para colocar o Maranhão em atraso

Fora do núcleo sarneysta desde a chegada de Flávio Dino (PCdoB) ao Governo do Maranhão em 2014, quando ocupou a função de líder do blocão do Palácio dos Leões pelo período de um ano, o deputado federal Eduardo Braide (PMN-MA) declarou apoio à aliança entre o comunista e o ex-presidente da República José Sarney (MDB-MA), divulgada pelo próprio governador, segundo ele em prol da democracia brasileira.

Em entrevista a rádio Mirante AM, Braide se juntou ao coro de ex-sarneystas e defendeu que “política é a arte do diálogo”, e que a troca de crítica entre Dino e Sarney serviu apenas para colocar o Maranhão em atraso.

“Primeiro eu quero dizer que esse debate de um grupo A contra o grupo B, sempre foi desculpa de quem não quer trabalhar. Política é a arte do diálogo. Eu quero acreditar que isso sirva de marco para que acabe essa crítica de um lado e do outro que na minha opinião só serviu para atrasar o estado”, declarou.

Apesar de agora defender a aliança entre o comunista e emedebista, nas eleições de 2016, quando terminou em segundo colocado na disputa pela Prefeitura de São Luís, publicamente, Braide se declarava contrário à qualquer aliança com os Sarney - buscando aproximação, segundo revelou à época o deputado Adriano (PV), nos bastidores.

Com a mudança pública de posicionamento, é provável que o deputado federal firme aliança pública com o clã em eventual nova tentativa de ser eleito prefeito da capital, nas eleições de 2020.

Adesão a Sarney marca 6 meses do segundo governo Dino
Editorial

Comunista buscou oligarca, a quem culpava como responsável pelo atraso do Maranhão, alegando diálogo sobre a democracia do Brasil

Confirmado em 2014 e reconfirmado em 2018 como novo Capo di tutti capi (ou Capo dei capi) – expressão utilizada para designar “o chefe de todos os chefes” – do Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) sempre teve em sua base aliada na Assembleia Legislativa e Congresso Nacional todos os sarneystas que nasceram e cresceram politicamente sob as hostes da chamada oligarquia cinquentenária, mas nada se comparava a um dia estar ao lado e virar aliado do ex-chefão do clã: o próprio José Sarney (MDB-MA).

Em seis meses de seu segundo mandato à frente do Palácio dos Leões, não falta mais.

Segundo postou o próprio Dino no Twitter, ele deixou o discurso de lado e buscou e conseguiu encontro com Sarney com o objetivo de dialogar com o oligarca – o comunista, frisa-se, na publicação, não se referiu ao emedebista com esse adjetivo – sobre o quadro político nacional e o risco que corre a democracia do Brasil.

Novamente: Flávio Dino não foi falar sobre, segundo ele acusava até dia desses, a responsabilidade de Sarney sobre o atraso do Maranhão, nem sobre os desvios de dinheiro público pelos governos sarneystas, muito menos sobre a participação de Sarney na ditadura militar. O diálogo foi sobre como podem trabalhar juntos pela democracia brasileira.

Ou seja, de câncer da política, José Sarney passou a ser inspiração e aliado. Tudo pelo bem do povo, quer fazer crer Flávio Dino.

Para ex-sarneystas, agora batizados como dinistas, o encontro representa um marco na história política do Maranhão e o amadurecimento político de seu novo chefe maior, em apenas seis meses de seu segundo mandato no comando do Executivo estadual. Para o deputado estadual Wellington do Curso (PSDB), porém, único independente e a destoar de todos os outros agentes políticos do estado, a adesão de Dino a quem jurava ser maior desafeto, sob a alegação de luta pelo bem da democracia, representa o principal ato de incoerência da história política do governador do Maranhão.

Colocando na balança, tem razão apenas Wellington: que políticos não tem inimigos, mas adversários, tudo bem, é justificável. Mas nada custa o político ter vergonha na cara.

Wellington critica Dino por encontro com Sarney: ‘Falta coerência política’
Política

Deputado lembrou que comunista apontava ex-presidente como responsável pela atraso no Maranhão e se referia a ele como aliado da ditadura militar

O deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) criticou o governador Flávio Dino (PCdoB), em discurso na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira 27, pelo encontro com o ex-presidente e ex-senador da República José Sarney (MDB-MA), até então seu maior desafeto político no Maranhão e fora do estado.

Para o tucano, Dino agiu com incoerência ao se reunir com Sarney, segundo divulgou o próprio comunista, para tratar sobre o quadro nacional e possíveis riscos à democracia brasileira – numa indireta ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

“O discurso de Flávio Dino era a tônica que o Sarney destruiu o Maranhão durante 40 anos, que o Sarney era a praga do Maranhão, era o atraso do Maranhão. E ele agora vai se aconselhar com Sarney?! Falta coerência política. Eu, sinceramente, não compreendi ainda. Como que Sarney era o atraso para o Maranhão e o atraso para o Brasil, que o Sarney fazia parte da ditadura, que Sarney era um atentado à democracia, e agora ele vai tomar bênção para Sarney?”, questionou.

Ainda segundo Wellington, a motivação para a abertura de diálogo entre Flávio Dino e José Sarney ainda não está esclarecida.

“O que está por trás dessa conversa? É defesa das pessoas mais pobres, é a dos desempregados? Tem maracutaia, aí tem alguma coisa errada”, disse.

“Não foi Sarney que foi atrás de Flávio Dino. Flávio Dino é que foi atrás de Sarney. Eu não consigo compreender como que Flávio Dino dizia que Sarney era o atraso do Maranhão e agora foi em busca do atraso do Maranhão. O que mudou? Ele quer trazer o atraso de volta de Maranhão? Ou ele reconhece que não era atraso e ele tinha uma única sede, um único desejo, uma única fome, que é a fome pelo poder?”, completou.

Em meio a ataques à Lava Jato, Flávio Dino abre diálogo com José Sarney
Política

Conversa entre governador do Maranhão e ex-presidente teria ocorrido a pedido de Lula

Em meio a ataques a Lava Jato, maior operação de prevenção e combate a corrupção da história do Brasil, e ao ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), o governador Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, abriu diálogo com o ex-presidente da República e ex-senador José Sarney (MDB), até então seu desafeto político.

A conversa entre os políticos maranhenses foi tornada pública pelo próprio comunista, nesta quarta-feira 26, pelo Twitter.

"Hoje conversei com o ex-presidente José Sarney sobre o quadro nacional. Apresentei a ele a minha avaliação de que a democracia brasileira corre perigo, em face dos graves fatos que estamos assistindo. Já estive com os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso, com a mesma preocupação", escreveu.

Desde as últimas duas semanas, já se especulava nos bastidores que Dino articulava um encontro com Sarney, a pedido de Lula - que teria sido feito em maio último, durante a visita do comunista ao petista na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde está preso pela Lava Jato.

O encontro, inclusive, tinha como objetivo transformar o governador do Maranhão numa espécie de garoto de recado de Lula a Sarney. O conteúdo do suposto recado, porém, ainda é desconhecido.

O entorno do Palácio dos Leões, quando da especulação, negava a informação de possibilidade de eventual encontro entre Flávio Dino e José Sarney, agora confirmada pelo próprio comunista.

Denúncia contra Sarney na Lava Jato é arquivada por prescrição
Política

Ex-presidente foi acusado dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro

O ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente José Sarney (MDB-MA), por prescrição.

A própria PGR, depois de Rodrigo Janot fazer a denúncia, entendeu que as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro contra Sarney já tinham prescrito, em razão do tempo decorrido das acusações e da idade dele, sendo que não pode mais haver punição. O ex-presidente foi acusado com os ex-senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Valdir Raupp (MDB-RO) por suspeitas de desvio de dinheiro da Transpetro, subsidiária da Petrobras.

Também por prescrição, Fachin arquivou, no mesmo inquérito, a denúncia contra o ex-senador Garibaldi Alves (MDB-RN). Tanto Sarney como Garibaldi já têm mais de 70 anos, idade na qual o prazo para os crimes prescreverem se reduz pela metade.

As acusações, no caso, prescreveram no ano passado.

A parte da investigação dos outros integrantes da cúpula do MDB, que não têm mais foro privilegiado, será enviada para a Justiça Federal do Rio de Janeiro. Possivelmente, poderá ser distribuído ao juiz Marcelo Bretas.

No mesmo inquérito, também foi denunciado o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Reeleito, a denúncia contra ele permanece no STF.

Braide diz desconhecer articulação de Sarney pela aliança do PR com PMN
Política

Deputado garante que não houve conversa entre ele e o ex-presidente da República. Rumor foi criado por Josimar de Maranhãozinho no início desta semana

O deputado Eduardo Braide garantiu ao ATUAL7, em nota encaminhada pela sua assessoria, nesta sexta-feira 13, que desconhece a suposta articulação que ex-presidente da República José Sarney (MDB-MA) estaria engendrando em Brasília, com a intenção de tê-lo na disputa pelo Palácio dos Leões nas eleições de outubro deste ano.

“O deputado não tem conhecimento dessa informação e estranha que uma articulação envolvendo seu nome possa ter acontecido sem o seu consentimento”, disse.

O rumor sobre a retomada de aliança entre os Sarney e Braide ganhou corpo no início deste semana, após o deputado estadual Josimar de Maranhãozinho declarar, em entrevista ao programa Ponto e Vírgula, da Difusora FM, que José Sarney e o presidente nacional do PR, Valdemar da Costa Neto, estariam conversando sobre uma possível aliança da legenda com o PMN de Braide [ou mesmo com o MDB de Roseana Sarney].

“Estou muito preocupado com esta situação [de iminente rompimento com Flávio Dino]. Tenho ótima relação com a Executiva Nacional e o meu desejo pessoal é de que o PR continue no arco de alianças do governador. Porém, o Valdemar mostrou-se animado com os acordos propostos e, na quinta-feira, desembarcarei em Brasília para tratar com ele pessoalmente”, revelou.

Sobre o cenário dele vir a ser o plano B de Sarney ou uma espécie de laranja na disputa, apenas para forçar um eventual segundo turno, Braide garantiu por meio de sua assessoria que não teve qualquer conversa com o pai da ex-governadora do Maranhão neste período de pré-campanha.

“Não houve conversa do deputado com o ex-presidente da República. Nesse período de pré-campanha, o deputado Eduardo Braide pessoalmente conversou com alguns presidentes de partidos que entendem que é preciso um novo projeto para o Maranhão, sem a necessidade de grupos políticos que já estiveram ou estejam no poder”, ressaltou.

Apesar de não ter declarado que concorrerá ao governo, Braide aparece sempre bem posicionado em todas as pesquisas de intenção de voto, continuamente como possível postulante da chamada terceira via.

Por afagos e contratos com os Leões, clã Sarney abandona Roseana
Política

Fernando Sarney, Lobão, Edinho, Zequinha e João Alberto incentivam entrada da ex-governadora na disputa, mas criaram relação com o governo Flávio Dino e evitam fazer legítima oposição ao comunista

De todos os motivos que têm levado a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) a fazer corpo mole sobre sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões, destaca-se o abandono do próprio clã Sarney ao nome dela na disputa. Apesar do ex-senador José Sarney (MDB) ter mudado o domicílio eleitoral para o Maranhão, e ter montado um escritório político no estado para reuniões em prol da filha, os principais caciques do grupo, sobre a complacência do próprio Sarney, têm pouco se importado com a real possibilidade do governador Flávio Dino (PCdoB), conforme mostrou o Data Ilha, ser reeleito logo no primeiro turno.

Capitaneado pelo empresário Fernando Sarney, o abandono a Roseana tem começado de dentro da própria família. Em troca de gordurosos contratos com o Palácio dos Leões, o dono do poderoso conglomerado Sistema Mirante de Comunicação tem sido um dos principais divulgadores da propaganda comunista no estado, principalmente na televisão e internet.

Nesta semana, por exemplo, fotos de bastidores, mostrando Fernando e Márcio Jerry Barroso na intimidade de troca de abraços e largos sorrisos, confirmaram que os ataques a Mirante pelo entorno do governo é apenas de fachada. Fora do que se imaginava, o irmão de Roseana pouco se importa com o eventual retorno da emedebista ao comando dos cofres públicos estaduais ou se ela vai ou não parar na cadeia em razão de pilhada por auditorias da Secretaria da Transparência e Controle do Maranhão. Sendo Roseana governadora ou não, para Fernando Sarney, o que importa é que a Mirante permanecerá sendo agraciada com contratos pelos Leões. Fernando, afinal, é empresário, e não político. E Dino é político, por isso aprova esse posicionamento.

No mesmo caminho financeiro de pensar primeiro em seu próprio bolso está o suplente de senador Edison Lobão Filho, o Edinho (MDB).

Dono do também poderoso Sistema Difusora, Edinho priorizou seu lado empresarial e fechou contrato de arrendamento da TV e Rádio Difusora FM com um grupo de empresários que, segundo comenta-se nos bastidores, teria ligação com o deputado federal e pré-candidato ao Senado Weverton Rocha (PDT), aliado de primeira hora de Flávio Dino. Desde então, o sistema tem sido utilizado para desfavorecer desafetos do comunista e elevar a gestão do governador.

Mesmo tendo saído em caravana com Roseana por algumas cidades do Maranhão, o filho do senador Edison Lobão (MDB) tem demonstrado que pensa igual Fernando Sarney: para que precisa fazer oposição ferrenha a Dino se, com o comunista no poder, o Sistema Difusora continua governista e bem rentável!?

Além de Fernando e Edison Lobão, outro que sinalizou publicamente que pouco se importa com o futuro político e eventualmente prisional de Roseana é o outro irmão da ex-governadora, o ex-ministro do Meio Ambiente e deputado federal, Sarney Filho (PV).

Buscando ser eleito para o Senado, Zequinha, como é mais conhecido, sempre portou-se como alguém de íntima proximidade com Flávio Dino, trocando sorrisos, piadas e conversas ao pé de ouvido com o comunista em todo evento em que participam juntos. Ele, inclusive, para chegar até a sonhada Câmara Alta, já aceita até dividir palanque com Weverton Rocha (PDT) — jogando para escanteio, por tabela e sem se importar, seu companheiro de chapa Edison Lobão, que também ignora a existência da nova Difusora.

Até mesmo o senador João Alberto Souza (MDB), conhecido pela cara sempre de mau, fechada e pelo apelido de Carcará, esconde o rosto e fecha o bico em relação a Dino e a gestão do PCdoB no Estado.

Embora tenha demonstrado irritação com o governador — a única vez, em três anos e meio de governo — no evento de inauguração de trecho da BR-135, João Alberto tem pouco se importado com a postura de seu obediente afilhado na Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Roberto Costa (MDB), que, em troca de afagos leoninos, além de não fazer oposição a Flávio Dino, ainda sobe a tribuna para exaltar o comunista e criticar quem se levanta contra o chefe do Executivo. Nem mesmo durante votações polêmicas, como o aumento de impostos, Costa tem deixado Dino na mão. Cumpre sempre fielmente o status de legítimo emedebista vermelho.

Há ainda os sarneystas na Câmara dos Deputados que, com exceção de Hildo Rocha (MDB), estão prestes a concluir o mandato sem nunca sequer ter utilizado a tribuna da Casa para denunciar ou mesmo criticar o governo dinista.

É esse o grupo que, dizendo-se ainda conhecido como clã Sarney, quer a confirmação de Roseana na corrida eleitoral de 2018. Para derrotar o novo Capo di tutti capi — o chefe de todos os chefes, numa tradução livre — ou se valorizar junto aos Leões na disputa?

Sarney opera para Eduardo Braide disputar os Leões pelo PSD
Política

Articulação visa tornar o parlamentar linha auxiliar do clã na disputa pelo governo e provocar eventual segundo turno. Comando atual do partido no Maranhão é de Cláudio Trinchão

O ex-presidente da República, José Sarney (MDB), opera, há algumas semanas, para a entrada do deputado estadual Eduardo Braide (PMN) no Partido Social Democrático.

Segundo apurou o ATUAL7, a estratégia visa dar o comando da legenda a Braide no estado, tornando o parlamentar uma espécie de via auxilar do clã na disputa pelo Palácio dos Leões, além de fortalecer eventual segundo turno contra o governador Flávio Dino (PCdoB), que vai tentar a reeleição.

De acordo com fonte próxima a Sarney, nesta terça-feira 3, houve uma nova reunião com o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab, para voltar a tratar do assunto e fechar a questão.

Atualmente, o PSD é comandado no Maranhão pelo assessor especial de Kassab no MCTIC, Cláudio Trinchão, pré-candidato a deputado federal pelo partido. Ele foi secretário de Estado da Fazenda durante a gestão de Roseana Sarney, filha e via principal de Sarney para a disputa pelos Leões em 2018.

O ATUAL7 entrou em contato com Trinchão, e questionou se, com a eventual entrada de Braide, ele permanecerá no partido, mesmo sob o comando do possível novo filiado. O espaço está aberto para manifestação.

Não há ainda informações se o deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo PSDB, José Reinaldo Tavares, tenha alguma relação com essa articulação em prol do neo afilhado político.

Sarney opera para entregar PP no MA para Hildo Rocha
Política

Partido é comandado atualmente por André Fufuca e controla a Secretaria de Esporte e Lazer

O ex-senador José Sarney convenceu o presidente Michel Temer, ambos do MDB, a incluir a mudança de comando do PP no Maranhão no alerta que o Palácio do Planalto fará a legenda sobre a manutenção do atual espaço dos progressistas no governo federal. Atualmente, o partido manda nos ministérios da Saúde; das Cidades; e da Agricultura; além da Caixa Econômica Federal (CEF).

Para continuar no controle das pastas, o PP terá de apoiar a reeleição de Temer e a eleição da também emedebista Roseana Sarney ao Palácio dos Leões. José Sarney, inclusive, já indicou o nome que substituirá o presidente do PP no Maranhão, André Fufuca: o também deputado federal Hildo Rocha, principal desafeto do governador Flávio Dino (PCdoB) no Congresso Nacional e atualmente do MDB.

A operação foi articulada por Sarney no último sábado 24, no Palácio do Jaburu, um dia após publicação de entrevista de Temer à revista Istoé, na qual o presidente admitiu pela primeira vez publicamente que tentará reeleição neste ano. A estratégia é filiar Hildo no PP nos últimos dias da janela partidária, que vai até o dia 7 de abril.

“O PP ficará com Roseana, por articulação de Sarney. Hildo Rocha vai se filiar e comandar. Imposição pra continuar no governo Temer”, disse ao ATUAL7 uma fonte próxima da pré-candidata do MDB aos Leões.

Sob o comando de André Fufuca, que é segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, o PP no Maranhão tem o controle da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Sedel).

Procurado pelo ATUAL7, se pretende continuar no partido caso Hildo seja confirmado na presidência estadual, Fufuca tratou a articulação como boato. “Isso não existe. É fuxicada de corredor”, garantiu.

Hildo Rocha também foi procurado, mas ainda não se manifestou a respeito.

Sarney transfere título de eleitor para o MA e assume coordenação de Roseana
Política

Mudança de domicílio eleitoral foi efetivada nessa segunda-feira 19. Será a primeira vez que ele votará nos filhos e no neto

O ex-presidente e ex-senador da República, José Sarney (MDB), oficializou, na 3ª Zona Eleitoral de São Luís, na tarde dessa segunda-feira 19, a transferência do seu título de eleitor, do Amapá para o Maranhão.

A confirmação da informação é do Blog do Marco D’Eça – mas já havia sido antecipada pelo blogueiro Robert Lobato.

Com a mudança de domicílio eleitoral, Sarney encerra as discussões sobre ser novamente candidato a senador pelo Amapá.

Além de voltar a ser eleitor maranhense, será a primeira vez que ele votará nos filhos e no neto. Nas eleições de 2018, Roseana Sarney (MDB) disputará o Palácio dos Leões, Sarney Filho (PV) o Senado e Adriano Sarney (PV) a reeleição na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Já no campo político, o retorno de Sarney ao Maranhão como eleitor tem caráter estratégico, com ele passando a pessoalmente coordenar a campanha de Roseana Sarney e a estar mais próximo de lideranças que já o procuravam em Brasília em busca de auxílio do governo federal — inclusive muitas que o governador Flávio Dino (PCdoB) presume estar fechado com ele.

Ainda no ano passado, o deputado federal e pré-candidato ao Senado, José Reinaldo Tavares (sem partido), já havia alertado para essa questão, de que Dino não enfrentaria Roseana em outubro próximo, mas o próprio José Sarney.

Interferência de Sarney no Planalto segue gerando transtornos a Temer
Política

Crise teve início desde a aceitação do veto a Pedro Fernandes para o Ministério do Trabalho e a indicação de Fernando Segóvia para a chefia da PF

A interferência do ex-senador José Sarney (MDB-AP) no dia-dia do Palácio do Planalto, vetando e indicando ministros e ocupantes de outros cargos estratégicos, respectivamente, como os nomes do deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA) para o comando do Ministério do Trabalho e do delegado Fernando Segóvia para a diretoria-geral da Polícia Federal, continua gerando transtornos ao presidente Michel Temer.

Desde que seguiu os conselhos de Sarney para as tomadas de decisão em relação aos dois casos, o presidente da República vem perdendo a oportunidade de ter como única dor de cabeça a batalha pela aprovação da Reforma da Previdência pela Câmara. Não é certo afirmar, mas se tivesse dito não ao mandonismo de Sarney, provavelmente, Temer não estaria em franco desgaste e crise interna.

Somente durante o feriadão de Carnaval e Quarta-feira de Cinzas, por exemplo, o Palácio do Planalto amargou duas derrotas seguidas.

A primeira provocada por Fernando Segóvia haver falado demais e indicado, em entrevista à agência de notícias Reuters, que o inquérito contra o presidente Michel Temer — aberto para apurar denúncias de irregularidades na edição do Decreto dos Portos — seria arquivado. A segunda, mais recente, pela decisão da ministra Cármen Lúcia, que reiterou que cabe ao STF (Supremo Tribunal Federal), não ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), a palavra final sobre a moralidade da nomeação da deputada Cristiane Brasil, dona de folha corrida com condenações trabalhistas e que substituiu Pedro Fernandes na indicação do PTB, para o Ministério do Trabalho.

Embora o ex-senador negue ingerência tanto no veto ao comando do ministério, quanto na indicação para a chefia-geral da PF, políticos de seu entorno garantem que partiu dele a degola a Fernandes e o apadrinhamento a Segóvia.

Se o erro da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi o de não ter pedido conselhos a José Sarney, segundo apontou ele próprio em entrevista ao UOL, o erro de Michel Temer pode ter sido mais grave: ele ouviu e obedeceu Sarney.

Gastão Vieira diz que trocou Sarney por Flávio Dino por eleitor
Política

Ex-ministro do Turismo deixou o grupo onde se criou e agora é beato do governador. Ele postula retorno à Câmara dos Deputados

Fora da vida pública desde 2014, quando acabou derrotado na disputa pelo Senado por Roberto Rocha (PSDB), o ex-ministro do Turismo e ex-deputado federal Gastão Vieira (PROS) apontou o eleitor como responsável pela sua mudança radical de posicionamento e grupo político.

“Mudei minha posição política porque achei que será melhor para o meu eleitor”, garantiu, durante solenidade do Governo do Maranhão em Vargem Grande, nesta semana.

Antes aliado fiel de Sarney, em busca de mandato, Gastão agora é devoto de Flávio Dino (PCdoB).

Do comunista, além de passeio no helicóptero do CTA (Centro Tático Aéreo) da Polícia Militar do Maranhão para fazer política eleitoral, em troca do salto, o neo camarada ganhou também a garantia de que será eleito para a Câmara Federal.