Eleições 2020
Dino anuncia ‘revisão de alianças’ após debandada provocar derrota em São Luís
Política

Devem perder espaços no governo o PDT, DEM e PTB. Othelino Neto e Edivaldo Holanda Júnior também podem ser, pessoalmente, afetados

O governador Flávio Dino (PCdoB) anunciou, na manhã desta segunda-feira 30, no Twitter, uma “revisão de alianças estaduais” com vistas às eleições gerais de 2022, quando estará em disputa a própria sucessão no Palácio dos Leões.

Qualificando o processo como “normal e democrático”, o comunista explicou que a análise sobre quem é ou não seu aliado —e, consequentemente, quem deve continuar ou perder espaços no governo— ocorre em razão da debandada em prol de Eduardo Braide (Podemos), eleito prefeito de São Luís neste domingo 29, sob um consórcio que já agregava o senador Roberto Rocha (PSDB) e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), adversários de Dino.

“Formamos uma grande aliança estadual em 2018, quando da minha reeleição. Em 2020, me empenhei ao máximo para manter tal campo unido, tanto quanto possível. Agora entramos em um processo de revisão, visando à eleição de 2022. Processo que qualifico como normal e democrático”, iniciou o governador, numa série de tuítes.

“Nossa aliança estadual está tensionada por conta da disputa pela vaga de governador, já que não posso ser reeleito. Algumas eleições municipais se decidiram por essa tensão interna, inclusive a de São Luís, onde houve divisão no 2º turno entre os aliados do governo”, continuou.

“Esse processo de revisão das alianças estaduais exige diálogo, serenidade e prudência. Espero que os partidos políticos se dediquem a isso. Minha dedicação às tarefas administrativas continua integral, com a seriedade que a difícil situação do país exige”, concluiu Flávio Dino.

Com a revisão, além do PCdoB, devem ganhar mais espaço no governo estadual parte do PT, PSB de Bira do Pindaré, PP de André Fufuca, Cidadania de Eliziane Gama, Republicanos de Carlos Brandão e, principalmente, o PL de Josimar Maranhãozinho, que acompanharam Dino no apoio a Duarte Júnior (Republicanos). Essa reorganização será possível com a retirada de indicados ao governo estadual pelo PDT de Weverton Rocha, DEM de Juscelino Filho e o PTB de Pedro Lucas.

Pessoalmente, pela alegada neutralidade no pleito municipal, podem ser afetados na reacomodação do Palácio dos Leões o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), e, principalmente, o ainda prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PDT).

O segundo turno em São Luís foi uma briga de ‘condomínio’
Artigo

Por Rafael Silva*

O desmonte de São Luís teve mais um capitulo nessas eleições. O dinista Edivaldo Holanda (que reaparecerá na entrega da faixa) será sucedido pelo candidato apoiado por seu Vice-Prefeito em 2012, Roberto Rocha. Rocha foi eleito Senador em 2014, apoiado por Dino. Hoje é seu rival. Braide foi o líder do Governo Dino na Assembleia Legislativa e contou na eleição municipal com o largo apoio do PDT de Weverton Rocha, presidente estadual do partido e Senador eleito por Dino em 2018. Weverton fez um “silêncio sorridente” de real apoio à Braide, já pensando em 2022.

Neto Evangelista, ex-Secretário de Desenvolvimento Social do Governo Dino, apoiou abertamente Braide no segundo turno.

Othelino Neto, presidente da Assembleia Legislativa e filiado ao PCdoB, foi votar no segundo turno ao lado de Weverton Rocha, tendo postado uma foto em redes sociais em que ambos aparecem vestidos em camisas com uma inscrição sintomática: “Deserte-se”…

Duarte Jr fez seu pronunciamento pós-derrota ao lado de um entusiasmado Josimar de Maranhãozinho, que cobrará no Procon, em 2022, o apoio de agora.

O segundo turno foi uma briga de condomínio. Os atuais integrantes do “condomínio” dinista foram vencidos por seus ex-integrantes: Braide, Roberto Rocha, Neto Evangelista e “os que desertaram-se” Weverton Rocha e Othelino Neto.

Não se sabia no início do segundo turno quem venceria a eleição majoritária na capital maranhense, mas os perdedores já estavam anunciados: os ludovicenses, por conta de sucessivos Prefeitos que transformaram a cidade de São Luís num mero trampolim eleitoral.

*Rafael Silva, advogado popular.

Mesmo derrotado, Duarte Júnior sai fortalecido em São Luís
Política

Diferença alcançada por Eduardo Braide foi de pouco mais de 50 mil votos. Sem articulação do PDT, resultado das urnas poderia ter sido outro

Apesar da derrota nas urnas, a votação conquistada por Duarte Júnior na disputa pela prefeitura de São Luís deve ser motivo de comemoração para o deputado, que sai fortalecido na capital e consolidado como nova liderança política no Maranhão.

Foram 216.665 pessoas que saíram de suas casas para votar no candidato do Republicanos, que não tem familiares na política, entrou na vida pública eleitoral há apenas dois anos e que enfrentou três grandes caciques da política estadual: Roberto Rocha (PSDB), Roseana Sarney (MDB) e Weverton Rocha (PDT), que se uniram em torno de Eduardo Braide (Podemos), eleito prefeito de São Luís com 270.557 votos.

O número expressivo de votos conquistado por Duarte Júnior também desmontou o estigma de que sua força eleitoral nas urnas resultava unicamente de suposto uso político do Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor (Procon) do Maranhão. Confirmou-se, na verdade, reconhecimento ao trabalho desenvolvido na autarquia, e como parlamentar.

Além disso, a diferença alcançada por Eduardo Braide, de pouco mais de 50 mil votos, sugere que a vitória do adversário de Duarte Júnior só foi possível devido à logística e operacionalização do PDT, enraizado há três décadas no Palácio de La Ravardière e, com isso, especialista em obter votos de eleitores vacilantes sobre o futuro de São Luís.

Sem a articulação do partido de Weverton, fatura que será cobrada pelos próximos quatro anos, o resultado das urnas poderia ter sido outro.

Aposta de Roberto Rocha, Eduardo Braide é eleito prefeito de São Luís
Política

Roseana Sarney e Weverton Rocha também pretendem usar a vitória em São Luís para catapultar eventual eleição ao Palácio dos Leões em 2022

Trampolim do senador Roberto Rocha (PSDB) para galgar o Palácio dos Leões em 2022, o deputado federal Eduardo Braide (Podemos) foi eleito prefeito de São Luís, neste domingo 29. A vice-prefeita eleita é Esmênia Miranda (PSD).

Com 100% das seções eleitorais totalizadas às 18h40, Braide teve 55,53% (270.557 votos), contra 44,47% (216.665 votos) do deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), candidato do governador Flávio Dino (PCdoB). Segundo o resultado divulgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 2,34% (12.179 eleitores) votaram em branco e 3,79% (19.649 eleitores) votaram nulo.

Além de garantir musculatura para Roberto Rocha, a vitória de Eduardo Braide nas urnas representa a permanência do PDT na prefeitura da capital. Comandado no Maranhão pelo senador Weverton Rocha, o partido está enraizado no Palácio de La Ravardière há mais de três décadas, e fechou apoio a Braide no segundo turno.

Weverton e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), madrinha de Braide nos bastidores e que deixou para declarar o voto aberto apenas hoje, também pretendem usar a vitória em São Luís para catapultar eventual eleição ao Palácio dos Leões em 2022.

Eduardo Braide iniciou a disputa pela prefeitura como favorito e tendo como aliados apenas Roberto Rocha e os deputados federais Aluísio Mendes (PSC) e Edilázio Júnior (PSD). No segundo turno, porém, na eminência de repetir a derrota sofrida em 2016, abandonou mais ainda o perfil independente que havia construído nos últimos anos e montou um mega consórcio, incluindo bolsonaristas, com quem agora deve administrar a cidade.

Daqui a duas semanas, ele terá julgado pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região embargos relacionados a um inquérito sigiloso da Polícia Federal, relacionado a fatos apurados na investigação que desbaratou a chamada Máfia de Anajatuba, que apura suposta prática de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade. Na análise, de que se há ou não prerrogativa de foro, será decidido se o caso deve ser remetido ao STF (Superior Tribunal Federal) ou ao Tribunal de Justiça do Maranhão.

Apesar de haver constituído defesa nos autos desde o ano passado, durante toda a campanha eleitoral, Eduardo Braide sempre deu declarações enganosas de que não é nem nunca foi investigado.

Em São Luís, 699.954 eleitores decidem hoje entre Duarte Júnior e Eduardo Braide
Política

Independente de quem for eleito, resultado deve refletir na corrida de 2022, quando estará em jogo o comando do Palácio dos Leões

Segundo dados da Justiça Eleitoral referentes ao mês passado, 699.954 eleitores ludovicenses estão aptos a irem às urnas, neste domingo 29, para a decisão do pleito municipal de 2020 pela prefeitura de São Luís. A capital é o maior colégio eleitoral do Maranhão.

A disputa é entre os candidatos Duarte Júnior (Republicanos) e Eduardo Braide (Podemos). Independente de quem for eleito, o resultado deve refletir na corrida de 2022, quando estará em jogo o comando do Palácio dos Leões.

Para chegar ao segundo turno, Duarte contou com o apoio de diversas forças, tendo como principais o governador Flávio Dino (PCdoB), o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) e o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL), todos do mesmo campo político.

Já Braide reuniu diversas correntes ideológicas num mesmo consórcio, destacando o senador Roberto Rocha (PSDB), a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e o senador Weverton Rocha (PDT).

Duarte e Braide trocam acusações no último debate do segundo turno em São Luís
Política

Candidato do Republicanos chamou adversário de “migueloso” ao indagar sobre inquérito sigiloso da PF; candidato do Podemos lembrou que MP Eleitoral pediu a cassação do diploma de deputado do concorrente

No último debate do segundo turno das eleições municipais de 2020 em São Luís, realizado pela TV Mirante na noite dessa sexta-feira 27, os candidatos Duarte Júnior (Republicanos) e Eduardo Braide (Podemos) trocaram ataques ligados a procedimentos investigatórios envolvendo cada um.

Duarte alertou o eleitor, por diversas vezes, que Braide é alvo de inquérito sigiloso da Polícia Federal, que será julgado daqui a duas semanas, por fatos relacionados à chamada Máfia de Anajatuba, organização criminosa que assaltou os cofres públicos do município maranhense dinheiro destinado para a compra da merenda escolar.

Chamando Braide de “migueloso”, também questionou o adversário sobre ter recebido 18 salários como deputado na Assembleia Legislativa, além de outras regalias bancadas pelo erário, mesmo tendo residência em São Luís.

Confrontando Duarte, Braide negou que seja investigado e lembrou que o adversário é quem enfrenta uma ação de investigação judicial eleitoral, proposta pelo Ministério Público Eleitoral, e que pede a cassação de seu diploma de deputado estadual.

Duarte Júnior, porém, não negou a existência da investigação, e disse que o caso já foi julgado improcedente pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão.

Braide tem 50%, e Duarte, 42% no segundo turno em São Luís, diz Ibope
Política

Considerando os votos válidos, candidato do Podemos aparece com 54%, e candidato do Republicanos tem 46%

Eduardo Braide (Podemos) aparece com 50% das intenções de voto na pesquisa Ibope para o segundo turno da disputa pela prefeitura de São Luís em 2020.

Duarte Júnior (Republicanos) tem a preferência de 42% do eleitorado ludovicense. 5% afirmam votar em branco ou nulo, e 2% não souberam ou preferem não opinar.

O levantamento foi divulgado na noite desta sexta-feira 27, pela TV Mirante, e registrado no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão com o número MA-05555/2020.

O Ibope ouviu 805 eleitores em São Luís entre 25 e 27 de novembro. A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra. O nível de confiança utilizado é de 95%.

Considerando-se os votos válidos, conta que exclui brancos nulos e indecisos, Eduardo Braide tem 54%, enquanto Duarte Júnior 46%.

Braide abandona perfil de 2016 e vai às urnas em 2020 carregado pelo PDT, Roseana Sarney, bolsonaristas e ex-aliados de Dino
Política

Há quatro anos, candidato era crítico aberto de alianças que pudessem macular sua eventual gestão municipal e que o obrigassem a lotear a prefeitura

O Eduardo Braide (Podemos) que vai às urnas neste domingo 29, data no segundo turno das eleições municipais de 2020, é um político com perfil integralmente destoante do que disputou e quase conquistou o comando do Palácio de La Ravardière em 2016 por meio do voto livre e consciente, sob o mote de que São Luís tinha jeito.

Há quatro anos, Braide era crítico aberto e ferrenho de alianças eleitorais que pudessem macular sua eventual gestão no município e que o obrigassem a lotear a prefeitura. No pleito deste ano, porém, para chegar ao segundo turno, além de deixar um partido pequeno e independente para se filiar em um que lhe garantisse tempo e estrutura para gastos de campanha, juntou toda espécie da fauna política em um mega consórcio, mais inchado nos últimos dias.

No primeiro turno, a coligação e comando da campanha eleitoral do novo Braide era formada pelo ex-secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes (PSC); o deputado e genro da desembargador Nelma Sarney, Edilázio Júnior (PSD), que se colocou contra a circulação de pessoas pobres no bairro nobre da Península; e o ex-vice-prefeito de São Luís e senador Roberto Rocha (PSDB), ex-aliado do governador Flávio Dino (PCdoB) e com quem Braide firmou compromisso público para 2022.

Para garantir musculatura e evitar nota derrota, foram agregados, com poder de articulação, o PDT do senador Weverton Rocha, que há mais de 30 anos está enraizado na prefeitura de São Luís e que em 2016 foi combatido pelo antigo Eduardo Braide; a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que com a movimentação busca sobrevivência política e brecha para retorno ao poder nas eleições de 2022; e diversos outros hoje adversários de Dino na disputa municipal, entre estes os deputado estaduais Neto Evangelista (DEM), Zé Inácio (PT) e Yglésio Moysés (PROS), que no primeiro turno o acusaram, por diversas vezes, de envolvimento em casos relacionados à suposta corrupção nos municípios de Anajatuba e Icatu. O DEM de Juscelino Filho e o PTB de Pedro Lucas Fernandes também entraram no mesmo pacote.

Por afinidade, Bolsonaristas também carregam o novo Braide para as urnas em 2020, capitaneados pelo autoproclamado apóstolo e candidato derrotado a prefeitura, Silvio Antônio. Como naturalmente ocorre na troca de apoio político e eleitoral, ele precisou primeiro garantir algo: o comprometimento com as bandeiras da direita, já desde a campanha.

Ignorando o perfil que o transformou em fenômeno eleitoral na eleição passada e orgulhando-se do peso da bagagem que passou a carregar neste pleito, nas últimas semanas, o novo Eduardo Braide tem tentado emplacar junto ao eleitorado ludovicense que, se desta vez for eleito, a esperança vencerá o medo.

O adversário do novo Braide na disputa é o deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), apoiado pelo governador Flávio Dino e aliados do comunista.

Decisivo, último debate entre Duarte e Braide deve ser marcado por comparação de gestões
Política

Candidato do Republicanos foi presidente do Procon; candidato do Podemos presidiu a Caema

No último debate do segundo turno das eleições municipais de 2020 em São Luís, o confronto entre Duarte Júnior (Republicanos) e Eduardo Braide (Podemos) deve ser marcado por comparação de gestões, vitrine ou vidraça. Organizado pela TV Mirante, o embate está marcado para acontecer por volta das 22h30 desta sexta-feira 27, após a novela “A Força do Querer”.

Durante o primeiro mandato de Flávio Dino (PCdoB) à frente do Palácio dos Leões, Duarte ocupou a presidência do Procon/Viva, e vem explorando em toda a campanha eleitoral o trabalho realizado no período. Já Braide, por um ano e dois meses do governo de José Reinaldo Tavares (PSDB), ocupou a presidência da Caema. Como a maioria das ações que diz ter realizado são enganosas ou foram descontextualizadas, ele tem pouco falado a respeito da passagem pelo comando da companhia.

Comparação sobre quem mais se beneficiou com regalias pagas pela Assembleia Legislativa do Maranhão também devem ganhar destaque. Contra Duarte Júnior, pesa uso de cota parlamentar para despesas com divulgação de ações do mandato. Já contra Braide pesa o recebimento de 18 salários mínimos e auxílio-moradia, mesmo tendo residência em São Luís.

No debate deve haver, também, troca de acusações.

A vidraça de Duarte é uma ação eleitoral já julgada improcedente pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão e que aguarda análise do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), por suposto abuso de poder político e de autoridade para se eleger deputado estadual. O candidato do Republicanos nega que tenha cometido ilícitos e diz tratar-se de perseguição por ele não ser filho de político.

Já Braide é alvo de um inquérito sigiloso na Polícia Federal que apura suposta prática de lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e crime de responsabilidade, com fatos relacionados à chamada Máfia de Anajatuba. O candidato do Podemos tem faltado com a verdade e, mesmo já tendo constituído defesa nos autos do processo que será julgado no próximo mês pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, diz que não é nem nunca foi investigado.

Se o candidatos concentrarem esforços em discutir propostas do plano de governo, devem ganhar destaque assuntos relacionados à saúde, assistência social, mobilidade urbana e geração de empresa e renda.

Voto nulo: Pureza política de setores míopes da esquerda fortalece bozo-sarneysmo de Braide
Artigo

Por Fernando Abreu*

Artigo, originalmente, publicado no blog do Garrone.

Na melhor das hipóteses, a falta de clareza em relação ao que está em jogo explica a opção pelo voto nulo nas eleições municipais de São Luís. Uma miopia que geralmente se apresenta, aos olhos do próprio míope, como heroísmo. O heroísmo de quem não abre mão de seus princípios haja o que houver. Já que nenhum dos dois lados se apresenta como o ideal diante de seus olhos, o míope se vê como alguém inflexível. Não consegue ver que ser flexível é condição do jogo democrático. Se consola no auto-engano de uma omissão que não existe. O míope dorme com o inimigo, de olhos semi-abertos.

Além de heroica, a pregação do voto nulo aparenta uma falsa sofisticação intelectual. O míope se sente acima do eleitor que está no mesmo campo dele, democrático e progressista, mas decidiu não se omitir. Com a visão turvada agora pelo orgulho, ele vê a si mesmo como o único que tem não apenas clareza mental, mas pureza para não se misturar com quem não está à altura de seu voto.

É a tal pureza de certos esquerdistas de que fala o filósofo basco Daniel Inennarity no livro “A política em tempos de Indignação” (Leya, 2017). Um dos grandes pensadores políticos do ocidente na atualidade, o catedrático em filosofia política e social aponta a exigência de que a política esteja sempre à altura de nossos mais puros ideais como um dos principais riscos para a democracia. A tese é ousada, mas simples de entender.

Poderia ser resumida grosseiramente da seguinte forma: ao rejeitar os arranjos e compromissos democráticos em determinada conjuntura por não estarem à altura de seus ideais e princípios mais “puros”, a esquerda termina por enfraquecer a democracia, abrindo espaço para o arrivismo fascista, sempre muito esperto em se aproveitar da frustração política inerente ao jogo democrático.

Só que para o filósofo, o campo progressista deveria abrir os olhos para o óbvio. Ou seja, para o fato de que a democracia está destinada a ser sempre uma experiência frustrante, porque é sempre algo em construção, feita por seres humanos imperfeitos ao sabor de conjunturas igualmente imperfeitas. Aceitar opções políticas imperfeitas, para ele, é essencial ao jogo democrático, no limite, para evitar um mal maior, a instalação do populismo de teor fascista.

Não é difícil imaginar o filósofo de cabeleira em pé diante da postura inflexível de parte do eleitorado progressista de São Luís nestas eleições, que prefere reforçar pela via da omissão o fascismo em nível nacional. Ou o que se poderia chamar de bozo-sarneysmo. porque, além do mais nefasto expoente do bolsonarismo no Maranhão, o senador Roberto Rocha, a candidatura de Eduardo Braide acolhe ainda os órfãos da oligarquia Sarney.

Mais construtivo em termos democráticos seria abraçar uma candidatura que pode até não se encaixar em um vago ideal de pureza política, mas da qual é possível concretamente obter, pelas lideranças que agrega neste segundo turno, compromissos sintonizados com as pautas do campo democrático.

*Fernando Abreu
Poeta e jornalista

Mestre em Direito Tributário, Samuel Melo elabora manual de transição para novos prefeitos do MA
Política

Orientações sobre Lei Orgânica e Regimento Interno das câmaras municipais também estão sendo ministradas a novos vereadores

Mestre em Direito Tributário, o presidente do Instituto de Direito Municipal, Samuel Melo, elaborou manual técnico jurídico e está promovendo orientações para as comissões de transição de prefeitos de início de mandato e treinamento para novos vereadores eleitos no pleito de 2020 em municípios do Maranhão.

Os temas são: Lei Orgânica e Regimento Interno das câmaras municipais.

Professor aposentado da Ufma (Universidade Federal do Maranhão) e do Uniceuma, Samuel Melo tem trajetória invejável no serviço público. Foi secretário de Fazenda de São Luís, superintendente da Anatel (Anatel) e, atualmente, compõe o quadro da Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal de São Luís.

O instituto que Melo preside se notabiliza por meio de palestras, seminários e congressos voltados para prefeituras e câmaras de vereadores do interior do Maranhão, além de outros estados, sobre questões tributárias e também na elaboração de concursos públicos.

TRF-1 marca julgamento de inquérito que investiga Braide para dezembro
Política

Investigação da Polícia Federal e MPF apura suposta prática de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região marcou para o próximo mês —portanto, apenas após o término do segundo turno das eleições municipais de 2020—, o julgamento do inquérito policial 0058214-57.2016.4.01.0000, que tem entre os investigados o deputado federal Eduardo Braide (Podemos). O relator é o desembargador federal Olindo Menezes.

Segundo a movimentação processual, o procedimento foi incluído na pauta de julgamento do dia 9 de dezembro deste ano, quando será decidido se os autos devem ser remetidos ao STF (Supremo Tribunal Federal) ou para o Tribunal de Justiça do Maranhão. A discussão gira em torno de haver ou não prerrogativa de foro privilegiado do parlamentar, que é candidato a prefeito de São Luís neste pleito.

Conforme mostrou ponto a ponto o ATUAL7, Braide e quatro empresas maranhenses, a maioria de fachada, são alvo da Polícia Federal e do MPF por suspeita de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade.

A investigação teve início a partir de movimentação financeira atípica do parlamentar e demais investigados, em 2014, capturas pelo antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) —rebatizado de UIF (Unidade de Inteligência Financeira) no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). À época, ele disputava a reeleição para a Assembleia Legislativa do Maranhão.

Na campanha eleitoral de 2020, assim como fez em 2016, Eduardo Braide tentou censurar a imprensa e vem afirmando, insistentemente, que não é nem nunca foi investigado. Contudo, em setembro do ano passado, ele constituiu defesa e outorgou poderes ao escritório Cavalcante de Alencar Advogados Associados para atuar em sua defesa do processo.

Além de Eduardo Braide, também são alvo da investigação as empresas Vieira e Bezerra Ltda - ME, A.J.F Júnior Batista Vieira - ME, Escutec - Pesquisas de Mercado e de Opinião Pública Ltda e A4 Serviços e Entretenimento Ltda. O inquérito 0058214-57.2016.4.01.0000, como vem mostrando o ATUAL7, tem relação com fatos apurados em outra investigação da PF, que desbaratou a chamada Máfia de Anajatuba, e cujo investigados são essas mesmas empresas e o pai do parlamentar, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Carlos Braide.

É enganoso afirmar que entrega de cestas básicas pela Seduc tem relação com as eleições em São Luís
Política

Distribuição de alimentos adquiridos com recursos do PNAE ocorre em todo o Maranhão por conta das suspensão das aulas na rede pública por causa da pandemia do novo coronavírus

São enganosas publicações em redes sociais afirmando que entregas de cestas básicas pela Seduc (Secretaria de Estado da Educação) na capital têm relação com as eleições de 2020.

Com prints distintos de conversas por um aplicativo de mensagens e diálogos tirados de contexto, é afirmado que o governador Flávio Dino (PCdoB) estaria promovendo a entregas das cestas básicas na véspera do segundo turno das eleições municipais de 2020 em São Luís, por conta do apoio ao candidato Duarte Júnior (Republicanos).

Diferentemente do que as publicações enganosas afirmam, a rede pública estadual mantém, desde o início da pandemia do novo coronavírus, em todo o Maranhão, a rotina de entrega dos chamados “kits de alimentação escolar”, montados a partir do valor referente a per capta por aluno, com base na Lei nº 13.987, de 7 de abril deste ano, que altera a Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009.

O texto autoriza, em caráter excepcional, durante o período de suspensão das aulas, em razão da situação de emergência ou calamidade pública, a distribuição de gêneros alimentícios adquiridos com recursos do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) aos pais ou responsáveis dos estudantes das escolas públicas de educação básica.

O recurso é repassado ao Estado pelo Governo Federal, por meio do PNAE, do MEC (Ministério da Educação), sem qualquer relação com o período eleitoral, conforme publicação no site oficial do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Em nota, a Seduc informa ainda as transferências são mensais, no total de 10 repasses anuais, para o atendimento de 200 dias letivos. Os recursos destinados a compra exclusiva de gêneros alimentícios são transferidos aos Caixas Escolares, sendo o valor total de R$ 2.453.593,56, oriundos FNDE, e Tesouro Estadual, o equivalente a R$1.136.688,20.

Braide assume proximidade com Bolsonaro em debate e sugere que Duarte é inimigo do presidente
Política

Candidato do Podemos já havia assumido compromisso público com bandeiras bolsonaristas

O candidato do Podemos à prefeitura de São Luís, Eduardo Braide, assumiu, durante o debate da TV Band Maranhão, exibido na noite dessa quarta-feira 26, que realmente possui proximidade com o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). Além de assumir a relação, ele ainda sugeriu que o seu adversário na disputa do segundo turno, Duarte Júnior (Republicanos), é inimigo do presidente.

“Eu não sou inimigo do governo federal como ele é”, reconheceu Braide, ao ser confrontado sobre a própria atuação pró-Bolsonaro e de seu partido na Câmara dos Deputados.

Embora a coligação de Braide seja integralmente formada por legendas e caciques políticos aliados de Bolsonaro (PSDB, Roberto Rocha; PSD, Edilázio Júnior; e PSC, Aluísio Mendes), o candidato vinha tentando negar essa proximidade durante todo o pleito municipal de 2020.

Nesta reta final da campanha eleitoral, porém, resolveu assumir a posição.

Antes de se colocar como amigo do governo Bolsonaro, Braide já havia assumido compromisso com bandeiras bolsonaristas da direita e anticomunista. Essa identificação pública ocorreu logo após ele receber o apoio do apóstolo Silvio Antônio, candidato derrotado a prefeito da capital pelo PRTB, partido do vice-presidente Hamilton Mourão.

Comparação entre gestões de Duarte no Procon e Braide na Caema deve dominar debate na TV Band
Política

Áudios atribuídos ao candidato do Republicanos e investigação da PF contra candidato do Podemos também podem ter destaque

No primeiro debate do segundo turno das eleições municipais de 2020 em São Luís, organizado pela TV Band Maranhão para as 22h45 desta quarta-feira 25, a comparação entre as gestões de Duarte Júnior (Republicanos) no Procon e de Eduardo Braide (Podemos) na Caema deve dominar o confronto.

No embate, áudios atribuídos ao primeiro que apontam suposto assédio contra servidores, mas até hoje não confirmados se manipulados por falta de perícia, e um inquérito sigiloso da Polícia Federal que mira o segundo em investigação sobre corrupção, já comprovado ser verdadeiro pelo MPF (Ministério Público Federal), também podem ter destaque.

Apresentação de propostas relacionadas à saúde, mobilidade urbana e assistência social devem receber maior foco, caso eles discutam a cidade.

O debate da TV Band Maranhão deveria ter sido o segundo realizado esta semana relativo ao pleito municipal, mas acabou sendo o primeiro por conta do cancelamento do confronto marcado pela TV Guará, para a noite de ontem, por ausência de Braide. O candidato suspendeu a agenda de campanha após a vice em sua chapa, Esmênia Miranda (PSD), ser diagnosticada com Covid-19 após diversas aglomerações em meio à pandemia.

Após aglomerar com Braide e Neto, candidata a vice-prefeita de São Luís é diagnosticada com Covid-19
Política

Candidato do Podemos suspendeu toda a agenda de campanha. Debate da TV Guará, marcado para hoje, foi cancelado

A candidata a vice-prefeita pela coligação “Pra Frente, São Luís”, Esmênia Miranda (PSD), foi diagnosticada com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A informação foi divulgada pelo cabeça de chapa, Eduardo Braide (Podemos), na tarde desta terça-feira 24.

Nos últimos dias, Esmênia e Braide aglomeraram por diversas vezes em diversos pontos da capital, quase sempre acompanhados do candidato derrotado ao Palácio de La Ravardière, Neto Evangelista (DEM).

Nas redes sociais, Braide anunciou que, por conta do contato constante com a candidata a vice, toda a sua agenda de campanha está suspensa até o resultado de exame para detecção para Covid-19 a que se submeteu. Por esta razão, o debate da TV Guará, que estava marcado para as 22h de hoje, foi cancelado pela emissora.

Sobre as dezenas de militantes que acompanharam Braide e Esmênia durante as caminhadas e carreatas realizadas nos últimos dias, porém, até o momento, não foi dada qualquer informação de eventual afastamento das ruas, isolamento social ou realização de exame para Covid-19 por estas pessoas.

Também não há informações a respeito de quais medidas sanitárias e de segurança serão tomadas, ou que já possam ter sido, por Neto Evangelista.

Em Tuntum, Fernando Pessoa desbanca uma das mais tradicionais oligarquias do Maranhão
Política

Município estava sob controle de uma única família, de Cleomar Tema, desde sua criação

Com um misto de juventude, carisma, coragem e visão, o deputado estadual Fernando Pessoa (SD) mudou o curso da história política de Tuntum, município localizado a 365 km de São Luís, no último dia 15, ao desbancar uma das mais tradicionais oligarquias do Maranhão e derrotar nas urnas o seu opositor, o empresário Dida do Tio Luís (PSB), primo do prefeito Cleomar Tema (PSB), até então a mais prestigiada liderança política da cidade, cuja história de sua família se confunde com a própria história de Tuntum.

Fernando Pessoa foi eleito com 11.676 votos, contra 9.499 votos de Dida do Tio Luís. A campanha foi a mais ferrenha registrada até então, com insultos de partidários e até registros de boletins de ocorrências de ameaças de morte de ambos os lados.

Tuntum foi desmembrado de Presidente Dutra e tornado município pela Lei Estadual nº 1362, de 12 de novembro de 1955.

O primeiro prefeito foi Ariston Arruda Leda, que havia sido gestor de presidente Dutra. Na mesma época começou a epopeia da família de Cleomar Tema em Tuntum. O pai dele, o empresário Seabra de Carvalho, que era o presidente da Câmara Municipal, assumiu o comando da cidade com o afastamento do prefeito.

Nos anos seguintes, ele teve os tios Luiz Gonzaga Cunha e Luiz Coelho Batista como prefeito, seguindo-se uma sucessão de gestores, todos aliados, até que, em 1992, o próprio Tema se elegeu e assumiu, com rédeas curtas, o controle político do município. Atualmente, ele exerce o mandato de prefeito pela quinta vez.

O homem que não conhecia derrotas

Cleomar Tema foi, também, por três vezes, presidente da poderosa Famem (Federação dos Municípios do Estado do Maranhão). Em 2008 a Revista DEMOCRACIA, uma dessas publicações que se notabilizam por registrar feitos positivos de políticos, publicou uma matéria de capa, destacando Tema como um dos maiores líderes políticos do Maranhão, com o titulo; “O homem que não conhece derrotas”. Segundo a revista, Tema era um político dinâmico que nunca havia perdido uma eleição.

A matéria inicia enfatizando a vitória do candidato do Tema a deputado estadual em 1990, o saudoso Humberto Coutinho. Fala sobre a grande vitória em 1992 do próprio Tema para prefeito, passa pelas eleições de governos estaduais por ele apoiado em 1994, 1998, 2002 e 2006 e foca num dos momentos históricos da política maranhense, quando Tema deixa o grupo Sarney e se alia a Jackson Lago, que vence Roseana Sarney, iniciando o fim do sarneysmo no Maranhão.

Além da derrota de sua oligarquia nas urnas, a gestão que se encerra no próximo 31 de dezembro é de muitos dissabores para Tema, por conta de retomada de investigações da Polícia Federal, denúncias de nepotismo e malversação de recursos públicos, medidas antipáticas e constantes atrasos de pagamento do funcionalismo.

A vitória de Fernando Pessoa em Tuntum foi apertada, mas os novos ares da política varreram uma liderança difícil de se combater, que finalmente se curvou à juventude, às novas ideias e à plataforma de um político de início de carreira. Tema, finalmente, conheceu a sua primeira derrota.