Duarte Júnior
MP Eleitoral pede busca e apreensão de material promocional de Duarte Júnior
Política

Segundo promotora, há falta de transparência e propaganda irregular no material. Parlamentar é pré-candidato a prefeito de São Luís

O MPE (Ministério Público Eleitoral) no Maranhão pediu busca e apreensão de material promocional (ainda não distribuído) do deputado estadual e pré-candidato a prefeito de São Luís em 2020, Duarte Júnior (Republicanos), em representação ajuizada nessa segunda-feira 30, por suposta prática eleitoral irregular.

Segundo a procuradora eleitoral Moema Figueiredo, que assina a representação, a distribuição de revistas do parlamentar às residências de eleitores, por meio do serviço dos Correios, caracteriza desobediência à legislação eleitoral.

Também foi requerida a imediata suspensão da distribuição do material, com a notificação do gerente comercial da agência central de Correios, em São Luís, para que pare de enviar a peça publicitária; e a condenação de Duarte Júnior ao pagamento de multa.

De acordo com a assessoria do MP Eleitoral, contrariando a legislação eleitoral, não constam na revista informação sobre a tiragem e o número de inscrição no CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) ou no CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) dos responsáveis pela confecção e contratação do material.

Além disso, ainda segundo a assessoria do MPE, a publicação traz ações de Duarte Júnior quando ainda era presidente do Procon (Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor) do Maranhão, o que revelaria que a propaganda não se restringe à atuação parlamentar.

Na representação, a Moema Figueiredo destacou que, embora apenas um único exemplar seja suficiente para comprovar a irregularidade, foi expedido ofício à agência central dos Correios de São Luís, objetivando saber exatamente a quantidade de revistas distribuídas, os locais de distribuição e o valor do serviço contratado.

“A pretexto de prestar contas de sua atuação enquanto parlamentar, o representado, na verdade, promove a sua pré-candidatura”, enfatizou a promotora eleitoral.

Outro lado

Por meio de nota emitida por sua assessoria, Duarte Júnior se defendeu, e disse que agiu com base na lei. Argumentou que o material produzido trata-se de prestação de contas de seu mandato, sem qualquer viés eleitoral.

“A contratação do material foi feita bem antes da decretação da pandemia do coronavírus. Em face da crise provocada pelo enfrentamento da Covid-19, o deputado, por bom senso, já havia solicitado aos Correios a imediata suspensão das entregas, mas uma parte do material já havia sido enviada aos destinatários”, alegou.

Por 2022, Brandão abre diálogo com adversários de Duarte em 2020
Política

Questionado, vice-governador silenciou sobre possibilidade de negar legenda ao deputado do Republicanos em troca de apoio dos demais parlamentares em 2022

Possível pré-candidato ao Palácio dos Leões, na condição de sucessor natural do governador Flávio Dino (PCdoB), o vice-governador Carlos Brandão deu mostras de que pode repensar o apadrinhamento à pré-candidatura do deputado estadual Duarte Júnior a prefeito de São Luís pelo Republicanos.

Em meio à crise enfrentada pelo afilhado-correligionário, suspeito de comandar supostas milícia virtual e rede de perfis fakes nas redes sociais, Brandão abriu diálogos com pelo menos dois adversários de Duarte Júnior na disputa eleitoral deste ano: os também deputados estaduais e pré-candidatos a prefeito da capital, Wellington do Curso (PSDB) e Adriano Sarney (PV).

No encontro, embora genericamente e sem fechamento de acordos, segundo confirmou o próprio Brandão ao ATUAL7, foi tratado sobre o futuro político do Maranhão, incluindo o fato de que cenários referentes às eleições de 2022 passam pelas articulações de 2020.

Também participaram o deputado estadual César Pires (PV) e o secretário-chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares.

Questionado pelo ATUAL7 se, em troca de eventual apoio dos parlamentares em 2022, poderia negar legenda a Duarte Júnior na corrida pelo Palácio de La Ravardière deste ano, Carlos Brandão silenciou.

Na semana passada, ataques de Duarte Júnior ao seu próprio grupo político, com o objetivo de se fazer parecer político anti-sistema, passaram a ameaçar as pretensões eleitorais de Brandão. Um petardo disparado possivelmente contra o secretário Rubens Pereira Júnior (Cidades e Desenvolvimento Urbano), que é pré-candidato a prefeito de São Luís pela PCdoB, chegou a provocar a reação negativa de diversos deputados governistas na Assembleia Legislativa.

Duarte Júnior tenta agenda positiva para abafar crise; PF deve intimá-lo
Política

Parlamentar busca atenuar desgaste após dados fornecidos pelo Facebook ligarem assessor de seu gabinete a ataques virtuais

O deputado estadual Duarte Júnior abandonou o perfil agressivo em suas redes sociais e tenta emplacar uma agenda eleitoral positiva para abafar a crise que atinge seu mandato e pré-candidatura a prefeito de São Luís, após mensagens atribuídas a ele e dados fornecidos pelo Facebook à Justiça Eleitoral o apontarem como suposto chefe de uma milícia virtual e rede de perfis fakes criados para ataques a adversários políticos e à imprensa.

Sem conseguir comprovar se houve manipulação ou fraude nos áudios e textos que teriam sido vazados do Telegram—com conteúdos que sugerem ainda homofobia, gordofobia e assédio moral—, e acossado pela revelação de que um inquérito na Polícia Federal apura a ligação de um assessor de seu gabinete na Assembleia Legislativa —que o acompanha desde a presidência no Procon— a um perfil criado no Instagram para ataques virtuais ao deputado Wellington do Curso (PSDB), Duarte Júnior busca atenuar o desgaste com publicações sobre o crescimento do Republicanos, seu novo partido, na capital e no Maranhão.

A ideia é fazer parecer que não há preocupação alguma com seu futuro político, e se impor para contornar o desgaste —que começa a respingar no vice-governador Carlos Brandão (Republicanos).

Alheia à estratégia, a PF se prepará para intimá-lo a depor na investigação, assim como seu assessor, para confrontar versões e tentar confirmar descobertas já feitas no bojo do inquérito.

Revelada pelo ATUAL7, a apuração avançou após depoimento de Welligton do Curso, há cerca de uma semana, na sede da Polícia Federal em São Luís.

Documentos fornecidos pelo parlamentar, que teriam sido obtidos por meio de dados abertos levantados por sua assessoria, estreitam ainda mais a suspeita de ligação do próprio Duarte Júnior com a conta no Instagram de achincalhes e desinformações contra o tucano, além da suposta chefia sobre milícia virtual e rede de fakes que seriam integradas por servidores do Procon.

Ataque de Duarte a Rubens Júnior ameaça apoio do PCdoB a Brandão em 2022
Política

Pré-candidato do Republicanos passou a mirar em comunista para fazer parecer que é anti-sistema. Traição conta com silêncio do vice-governador

A série de ataques do deputado estadual e pré-candidato a prefeito Duarte Júnior (Republicanos) ao seu próprio grupo político, com o objetivo de se fazer parecer anti-sistema e surfar na onda do oposicionista e líder absoluto nas pesquisas Eduardo Braide (Podemos), passou a ameaçar as articulações eleitorais entre o PCdoB e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), sucessor natural de Flávio Dino em 2022.

Na última segunda-feira 9, pressionado em entrevista à TV Difusora pelo vazamento de mensagens de grupos de Telegram atribuídas a ele —com conteúdos que apontam para liderança sobre supostas milícia virtual e rede de fakes, homofobia, gordofobia, assédio moral e censura à imprensa—, Duarte Júnior perdeu o controle e alfinetou o deputado federal licenciado e secretário estadual Rubens Pereira Júnior (Cidades e Desenvolvimento Urbano), pré-candidato do PCdoB ao comando da capital. Dias antes, também em possível referência a Rubens Júnior, e embora filho político adotivo do governador Flávio Dino (PCdoB), já havia criticado o filhotismo político.

“Eu sou ficha limpa. Eu não sou candidato porque meu pai é ficha suja e eu sou plano B”, disse o pré-candidato do Republicanos.

Embora não seja ficha suja, de fato, Rubens Júnior entrou na política em 2006 após o seu pai, o ex-deputado estadual Rubens Pereira, o Rubão, tornar-se inelegível por condenação no TCU (Tribunal de Contas da União).

Ao atacar o comunista, porém, além trair seu antigo partido, Duarte Júnior começa a criar obstáculos para Brandão nas negociações eleitorais com o PCdoB, o que favorece o senador Weverton Rocha (PDT), também aliado de Dino e principal adversário do vice-governador na sucessão do Palácio dos Leões.

A avaliação é de integrantes do próprio PCdoB, ouvidos pelo ATUAL7 sob condição de anonimato.

Segundo eles, como não freia o destempero e ataques de Duarte Júnior, principalmente os agora concentrados em Rubens Júnior, há um clima de incerteza no partido em relação a Carlos Brandão.

A ameaça a Brandão como resposta ao estilo desagregador de seu correligionário chegou também à Assembleia Legislativa. Na última quarta-feira 11, a maioria esmagadora da Casa mostrou-se avessa a Duarte Júnior, em apartes em massa a um discurso do deputado Wellington do Curso (PSDB), que faz oposição ao governo de Dino.

Indignados com a traição de Duarte Júnior a Rubens Júnior, todos os parlamentares governistas presentes na sessão legislativa —Hélio Soares (PL), Rigo Teles (PV), Yglésio Moyses (Pros), Cleide Coutinho (PDT), Roberto Costa (MDB), Antônio Pereira (DEM), Helena Duailibe (SD) e Rildo Amaral (SD)— criticaram o pré-candidato a prefeito pelo Republicanos.

“Rubens enfrentou Temer, defendeu o povo do Maranhão. Lamento que Duarte Júnior, que sempre pode contar com os aconselhamentos de Rubens Pereira, tenha atacado de maneira vil e por conta de uma eleição, uma pessoa a quem ele sempre pediu apoio. Para mim, trata-se de comportamento de gente sem caráter e covarde mesmo”, declarou Yglésio, também pré-candidato a prefeito de São Luís.

Fiel a Flávio Dino, apesar da avalanche criada por seu afilhado, até o momento, Carlos Brandão parece pouco se importar com os ataques de Duarte Júnior ao seu próprio grupo político. Silêncio que, se perdurar, pode passar a ser entendido como aval.

Com provas, Wellington cobra explicação sobre ataques de milícia virtual; Duarte foge
Política

Pressionado por apresentação de documentos do Facebook e questionamentos pelo tucano, deputado do Republicanos deixou sessão legislativa

O deputado Wellington do Curso (PSDB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa, nessa segunda-feira 9, para cobrar explicações do deputado Duarte Júnior (Republicanos) sobre diversos ataques sofridos por ele durante a campanha eleitoral de 2018.

Logo que subiu à tribuna, Wellington pediu a Duarte que permanecesse em plenário, para que pudesse se posicionar sobre documentos fornecidos pelo Facebook, por determinação da Justiça Eleitoral, que, conforme revelou o ATUAL7 na última sexta-feira 6, ligam um servidor do gabinete do deputado do Republicanos na Alema, Thiago Rios, a um perfil no Instagram utilizado exclusivamente para publicações com achincalhes e desinformações contra o tucano.

Supostos prints de conversas no Telegram, em que Duarte Júnior e demais integrantes de um grupo aparecem combinando ataques a Wellington nas redes sociais e em blogs locais, também foram mostrados pelo parlamentar.

Apesar da insistência do tucano, Duarte Júnior fugiu da cobrança por explicações a respeito da suposta milícia virtual, deixando o plenário durante o discurso de Wellington, supostamente devido um telefonema. Porém, não retornou para a sessão, nem foi para seu gabinete, onde foi procurado pelo ATUAL7 para se posicionar sobre o assunto, mas não foi encontrado.

Em contato anterior, o parlamentar garantiu ao ATUAL7 que sequer tinha conhecimento da existência do perfil na rede social, e que jamais atacaria o hoje colega de parlamento. A mesma alegação, de desconhecimento da conta no Instagram, foi utilizada por seu assessor, que o acompanha desde sua passagem pelo Procon (Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor) do Maranhão.

A ligação entre Thiago Rios e o perfil no Instagram está sob investigação na Polícia Federal.

Na semana passada, Wellington esteve na sede da PF em São Luís, onde prestou depoimento. A expectativa agora é que o assessor de Duarte Júnior, e possivelmente o próprio parlamentar, sejam ouvidos no bojo do inquérito.

Dentre outras provas, os investigadores já sabem o e-mail utilizado para registrar a conta, um número e o proprietário de um celular da Claro, IPs dos computadores utilizados e os endereços onde houve acesso ao perfil na rede social.

A amoralidade como método e a Justiça Eleitoral
Artigo

Por Abdon Marinho*

DURANTE a abertura dos trabalhos da Justiça Eleitoral deste ano, ainda em janeiro, o presidente daquela corte fez um breve histórico do quanto evoluímos nesta área. Por ser o advogado mais antigo naquela sessão, sua excelência, “confirmava” comigo as histórias sobre as fraudes que ocorria na antiga cédula de papel e urna de lona; as impugnações voto a voto; as tentativas de “adivinhar” o desejo do eleitor quando a “letra” não ajudava, as apurações madrugada a dentro, os mapas de votação, etc., diversas coisas que ficaram para a história.

Apesar de todos os avanços, sua excelência fazia uma ressalva: o abuso de poder político e econômico por parte dos candidatos, burlando a vontade do eleitor e distorcendo a democracia ainda é uma chaga que precisa ser melhor enfrentada.

Este é o tema que abordaremos no presente texto.

Nos últimos dias tenho acompanhado a divulgação de áudios e textos atribuídos a um deputado estadual – e pré-candidato a prefeito da capital –, e ao seu estafe de campanha de 2018. São fatos graves.

Muito além dos palavrões, assédios, menosprezo aos cidadãos pagadores de impostos – e na maior parte dos envolvidos –, dos seus salários, chamou minha atenção a naturalidade com que aquelas pessoas (candidato, assessores, colaboradores), todos jovens e instruídos, cometem toda a sorte de impropérios – e crimes –, na intenção de alcançar os seus objetivos: a eleição do candidato.

Em nenhum momento dos diálogos (áudios ou textos) vi alguém demonstrando qualquer preocupação com a ética, muito pelo contrário, a única, pôde-se dizer “recomendação” foi para que se cometessem os “delitos” fazendo o uso de perfis falsos, os chamados “fakes”. Ou, uma outra, para que lembrassem que eram servidores públicos, ou seja, que tomassem cuidado para não serem apanhados.

Caso seja verdade o que vem sendo divulgado pela mídia – e as provas apontam em tal sentido –, antes e durante o período eleitoral de 2018, tivemos dois órgãos públicos, com atuação direta em todo estado, “trabalhando” a campanha de um candidato.

Trata-se de algo que vai muito além das preocupações do TRE com os abusos cometidos por candidatos de forma isolada.

A pergunta inicial que se faz é se isso se deu com o conhecimento e consentimento do governador do estado ou se à sua revelia? E, caso tenha tido conhecimento, por que nada foi feito para impedir?

A resposta a essa pergunta talvez seja apenas uma: a amoralidade como método para alcançar o poder – e nele manter-se –, é algo “normal” na “nova” política maranhense.

Veja que em sua defesa o “novo” deputado aponta como responsáveis pela divulgação dos áudios e vídeos – segundo ele, adulterados e manipulados –, outros deputados estaduais, que assim procedem não por apreço à justiça ou a ética na política, mas por que têm interesse na “destruição” moral do colega para se promoverem.

Noutras palavras, o que a população assiste é uma guerra de quadrilhas.

Como podemos perceber, em sendo verdade tudo isso, repito, é que a política maranhense caminha célere rumo à sarjeta moral como nunca tivemos precedentes.

Não que os políticos de outrora fossem “Santos”, longe disso, mas, se comparados aos de agora, sobretudo a estes jovens políticos que pontuam na política estadual, possuíam limites éticos que estes, nem de longe alcançam.

Estes “jovens anciãos” da nova política estadual, pelo que se tem revelado atualmente, não conhecem quaisquer limites. Pelo poder são capazes de tudo. Tudo, no sentido mais amplo da palavra.

São estas pessoas, desprovidas de qualquer senso ético, absolutamente amorais, que volta e meia falam em “nova” política, “novas” práticas, etc.

Os que se enganaram – como eu –, pensando que alternância no poder iniciada nas eleições de 2014 traria efetivamente novas práticas para a política local, diante destes fatos, e de tantos outros, já percebemos que vivemos o nosso pior pesadelo.

A constatação – e temor –, de que a Justiça Eleitoral, juntamente com o Ministério Público Eleitoral e os vários movimentos de combate à corrupção eleitoral não têm sido eficazes em banir essas práticas nefastas do cenário estadual estão aí materializadas.

Estas mesmas pessoas que cometeram toda sorte de abusos nas eleições estaduais, agora se apresentam para as eleições municipais. Querem ser prefeitos, mandar nos recursos públicos como gestores dos municípios.

A eles se somam outras centenas de pré-candidatos à prefeitos e vereadores que, praticamente, desde o encerramento das eleições de 2016, estão nas ruas cometendo seus abusos.

Em alguns municípios muitos dos que se apresentam como pré-candidatos, com recursos próprios – ou fruto de crimes –, estão “comprando” apoios de políticos ou atendendo as mais variadas demandas dos cidadãos para se promoverem.

São shows, churrascos, festas diversas, entrega de brindes, abertura de ruas, distribuição de material de construção, etc.

Isso tudo sem contar com teia de crimes digitais para autopromoção e “desconstrução” dos possíveis adversários.

Tais práticas não ocorrem apenas em rincões longínquos. Vem ocorrendo também na capital e em toda região metropolitana.

À vista de todos, temos pré-candidatos, distribuindo bens e financiando toda sorte de eventos. Já em pleno ano eleitoral, em diversos municípios, incluindo os da região metropolitana, tivemos pré-candidatos “bancando” blocos carnavalescos, inclusive com a distribuição de milhares de abadás, bebidas e até “bandecos”.

Ora, a legislação vigente proíbe que candidatos dêem quaisquer brindes aos eleitores.

Diante disso é de se perguntar o que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público farão para impedir ou para cassar registro destes hoje anunciados como pré-candidatos que há muito tempo estão cometendo abusos.

Vai permitir que estes “abusadores” participem do processo eleitoral sem qualquer embaraço? Pessoas que compram apoios com dinheiro vivo, que distribuem bens, irão participar do pleito como os demais que não cometeram qualquer delito?

Existem exemplos de cassação de mandatos porque os então candidatos deram uma ou duas passagens de ônibus a eleitores.

Como achar razoável atualmente que pré-candidatos promovam shows artísticos caríssimos com distribuição de brindes? Que distribuam cestas básicas? Que distribuam milhares de camisetas no carnaval, além de promover blocos? Que saiam pela cidade comprando apoios? Que abram ruas? Que construam pontes? Que façam “supostas” ações sociais interessados na autopromoção?

As provas dos abusos estão aí. Basta uma ligeira pesquisa. Basta consultar, por município, quem são os pré-candidatos e o que andaram fazendo nos anos e meses que antecederam as eleições.

Noutra quadra, caso nada seja feito para impedir ou banir estas pessoas da vida pública, a política estadual, muito além do que já vem acontecendo hoje, se tornará uma “terra de ninguém” com os postulantes “comprando” mandatos eletivos nas barbas de todos e contando com a leniência da Justiça Eleitoral.

Ao meu sentir, se quisermos eleições limpas, os cidadãos de bem, o Ministério Público contando com a altivez da Justiça Eleitoral, devem impedir que estes pré-candidatos que estão aí cometendo abusos disputem as eleições municipais.

Só uma resposta à altura dos abusos será capaz de impedir que no futuro venhamos a ser confrontados com fatos como estes que estão vindo a público envolvendo a eleição de determinado deputado estadual – e que deve ter sido tônica de muitas outras.

Se não formos capazes de impedir que o mal floresça, ele, certamente, tomará conta de tudo.

*Abdon Marinho é advogado.

Dados do Facebook ligam assessor de Duarte Júnior a ataques virtuais; PF investiga
Política

Perfil no Instagram foi usado para publicações com achincalhes e desinformações contra o deputado Wellington do Curso

Dados fornecidos pelo Facebook em um inquérito da Polícia Federal que tramita sob sigilo revelam a ligação entre um assessor do gabinete do deputado Duarte Júnior (Republicanos) e um perfil no Instagram criado e usado, exclusivamente, para atacar o também deputado estadual Wellington do Curso (PSDB), um dos principais oposicionistas ao governo de Flávio Dino (PCdoB).

Chamado Wellington Discurso, o perfil foi tirado do ar pouco antes do final das eleições 2018, por determinação do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão, a pedido do tucano. Apesar do perfil haver sido tirado do ar, com base nos dados enviados à Justiça Eleitoral pela empresa mantenedora do Instagram, a investigação na PF avançou, e chegou ao e-mail utilizado para registrar a conta, além de um número de celular da Claro e IPs dos computadores utilizados, bem como endereços destes, para as publicações com achincalhes e desinformações contra Wellington.

O documento enviado pelo Facebook, obtido com exclusividade pelo ATUAL7, mostra que a conta foi registrada pelo e-mail [email protected], da Viva Criações Inteligentes, empresa especializada em marketing digital, pertencente à Christianne Pereira Portelada, esposa de Thiago Rios de Souza, que toma de conta do negócio. Ele é lotado no gabinete de Duarte Júnior como técnico parlamentar especial, com salário bruto de R$ 17 mil —segundo dados do Portal da Transparência da Assembleia Legislativa do Maranhão referente a novembro de 2019. Do exercício de 2020, até o momento, não há qualquer atualização.

Entre os diversos ataques a Wellington do Curso, memes dizem que o deputado “só fala merda” e que o “negócio [dele] é reclamar”. Há uma montagem do que seria o parlamentar sentado em uma privada, com a chamada “despachando a próxima proposição”. Na própria bio, trecho onde se descreve o perfil, foi colocado: “um cara Safadinho que só sabe reclamar de tudo”, com um emoji de palhaço.

Na última terça 3, o tucano esteve na sede da PF em São Luís, onde prestou depoimento sobre o caso. Segundo divulgado por sua assessoria, espera o resultado concreto das investigações, a fim de encontrar quem patrocinou o perfil. “Trabalhamos diariamente para termos o respeito dos maranhenses, mas criaram fakes tentando manchar a nossa imagem, divulgando mentiras e tentando diminuir nossa atuação como deputado estadual. É lamentável que usem dinheiro público com um fim tão medíocre, que é o de difamar as pessoas”, disse.

Recentemente, prints e áudios atribuídos ao deputado Duarte Júnior, compartilhados em grupos de WhatsApp, apontam para o possível poder do parlamentar sobre supostas milícia virtual e rede de fakes, também durante as eleições de 2018. Segundo as mensagens, publicações que desagradassem Duarte Júnior, então pré-candidato a deputado estadual pelo PCdoB, deveriam ser rebatidas pelos participantes dos supostos grupos de Telegram, todos com servidores do Procon (Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor) do Maranhão entre os participantes.

Em um desses áudios atribuídos a Duarte Júnior, há uma mensagem de assédio moral em que o nome Thiago é citado, numa reclamação de um trabalho que teria desagrado o ex-presidente do Procon. “Eu mandei faz mil anos tirar a porra da cena que eu tô na unidade [do Procon], cumprimentando servidor. Agora tu, Thiago, fica leso aí e não presta atenção no que eu falo. Eu ia postar essa bosta agora. Altera essa cocota aí cacete. Por favor. Porra!”, teria dito.

Sobre as mensagens, que sugerem também homofobia e gordofobia, Duarte Júnior publicou nota nas redes sociais negando a veracidade de conteúdos.

Antes do cargo no gabinete do deputado do Republicanos, Thiago Rios trabalhou no Procon, durante a gestão de Duarte Júnior, no cargo de encarregado do Serviço de Suporte em Tecnologia da Informação, entre 2015 e 2017, com salário bruto de R$ 6,9 mil; e assessor técnico, em 2018, com salário de R$ 5,9 mil.

A própria esposa dele, Christianne Portelada, também tinha cargo na autarquia à época em que o hoje deputado estadual quem a comandava, permanecendo até a gestão de Karen Barros, noiva de Duarte Júnior. Primeiro ocupou o cargo de assessor sênio, em 2017, com salário bruto de R$ 6,8 mil. Em 2018, passou a ser chefe da Assessoria de Comunicação, recebendo em junho daquele ano o salário bruto de R$ 22,9 mil, depois reduzido para R$ 7,6 mil. Em 2019, com o Procon sob Karen Barros, passou a ser diretora de Orientação ao Cidadão dos Vivas, ainda com o salário bruto de R$ 7,6 mil. Desde o mês passado, foi lotada na Secap (Secretaria de Estado da Comunicação e Assuntos Políticos), no cargo de assessor sênior, com salário bruto de R$ 6,3 mil.

Procurado, Thiago Rios garantiu que, embora seja ele quem cuida da Viva Criações e responsável pela criação de e-mails na empresa, não criou a conta utilizada no perfil Wellington Discurso. Também que não tinha conhecimento da conta e que trabalha com mídias sociais, mas nada neste sentido.

Questionado pelo ATUAL7 sobre a ligação entre seu assessor e o perfil usado para atacar o parlamentar do PSDB, Duarte Júnior se disse surpreso, e que sequer tinha conhecimento a respeito do perfil no Instagram. “Eu admiro muito o Wellington, como um grande deputado. Atuo no mesmo seguimento que ele, de direitos humanos, em defesa da população e dos animais. Jamais faria ou compactuaria com uma coisa dessas, pode ter certeza!”, declarou.

A reportagem não conseguiu contato com Christianne Portelada.

PTC, de Holandão, fecha apoio a Duarte Júnior em São Luís
Política

Anúncio oficial será feito no próximo dia 10

O PTC, que tem entre seus filiados o deputado estadual Edivaldo Holanda, o Holandão, pai do prefeito do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), fechou apoio à pré-candidatura de Duarte Júnior (Republicanos) a prefeito de São Luís em 2020.

O anúncio oficial será feito no próximo dia 10, segundo material divulgado pela assessoria de Duarte, em evento no Pátio Jardins.

A princípio, apurou o ATUAL7, apenas o partido, com cerca de 40 pré-candidatos a vereador, está firmando aliança com o pré-candidato a prefeito do Republicanos.

Atualmente, o PTC é presidido no Maranhão pelo ex-deputado estadual Júnior Verde, irmão do deputado federal e presidente estadual do Republicanos, Cléber Verde. Foi pelo partido que Edivaldo Júnior se elegeu pela primeira vez, como vereador, em 2004, e pelo qual se consagrou prefeito da capital na eleição de 2012.

Duarte pode ter cometido quebra de decoro em acusação a deputados de vazamentos
Política

Sanções para deputado que infringir Código de Ética Parlamentar vai de censura à perda do mandato

O deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos) pode ter cometido quebra de decoro, e ser alvo de representação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Maranhão, caso seja confirmado que ele acusou os deputados Neto Evangelista (DEM) e Glalbert Cutrim (PDT) de encabeçarem suposto vazamento de mensagens de áudios e textos no aplicativo Telegram atribuídos a ele. Os diálogos, mostrou o ATUAL7 mais cedo, apontam suposto poder do ex-presidente do Procon sobre uma possível milícia virtual e rede de fakes —que seriam integrada por diversos servidores da autarquia—, além de envolvimento dele em diálogos com teor gordofóbico, homofóbico e de assédio moral.

Pressionado pela repercussão negativa do caso nas redes sociais, em resposta a um seguidor no Instagram, que o questionou sobre o conteúdo das mensagens, o parlamentar compartilhou imagens de um servidor da Alema, lotado no gabinete do deputado Edivaldo Holanda (PTC), mas que aparece na foto acompanhado de Evangelista; e do contracheque de outro, lotado no gabinete de Cutrim, sugerindo que ambos teriam ligação com colegas de plenário na trama.

“Vou te mostrar quem tá por trás de tudo”, teria escrito Duarte Júnior antes de compartilhar as imagens, segundo prints compartilhado pelo internauta.

De acordo com o artigo 12, I do Código de Ética da Assembleia Legislativa, abusar das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros da Casa constitui ato incompatível com a Ética e o Decoro Parlamentar.

Em caso de eventuais representação e confirmação de infração, o parlamentar pode sofrer censura, verbal ou escrita; suspensão temporária do exercício do mandato, por até trinta dias; ou perda do mandato.

O processo disciplinar pode ser instaurado mediante iniciativa do presidente da Assembleia, atualmente o deputado Othelino Neto (PCdoB), da Mesa Diretora, de partido político, de comissão ou de qualquer deputado, bem como de eleitor no exercício dos seus direitos políticos, mediante requerimento por escrito, com especificação dos fatos e respectivas provas, à Comissão de Ética Parlamentar.

O ATUAL7 questionou os deputados Neto Evangelista e Glalbert Cutrim, além de Othelino Neto, ainda no período da manhã de hoje, sobre essa troca de mensagens entre Duarte Júnior e o internauta. Até o momento, não houve posicionamento de nenhum deles. O espaço segue aberto para manifestação.

Mensagens mostram suposto poder de Duarte sobre milícia virtual e rede de fakes
Política

Diálogos sugerem também assédio moral, homofobia e gordofobia. Parlamentar nega veracidade de conteúdos

Áudios atribuídos ao deputado estadual e pré-candidato a prefeito de São Luís Duarte Júnior (Republicanos), além de supostos prints de grupos no aplicativo Telegram, mostram o parlamentar exercendo poder sobre possível milícia virtual que seria integrada por diversos servidores do Procon (Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor) do Maranhão, autarquia que comandou por quase todo o primeiro governo de Flávio Dino (PCdoB).

Compartilhados em grupos de WhatsApp, os diálogos apontam que esses servidores, sob comando de Duarte Júnior, teriam criado uma rede de perfis fakes nas redes sociais para atacar quem ousasse criticar o ex-chefe, à época pré-candidato ao Parlamento estadual.

Procurado pelo ATUAL7 ao longo da semana passada por e-mail, telefone e em seu gabinete na Assembleia Legislativa, o deputado não retornou a nenhuma das várias tentativas de contato. Na noite desse domingo 1º, após ampla repercussão negativa nas redes sociais sobre os diálogos, ele se posicionou. Segundo argumentou, após um longo apelo populista, os “conteúdos são completamente manipulados e falsos”. Questionado, no Twitter, sobre as alegadas manipulação e falsidade das mensagens, atacou o signatário deste texto, fugindo do assunto e falando sobre remuneração por publicações. Prontamente respondido, silenciou novamente.

Nos áudios atribuídos a Duarte Júnior, em grande parte, há ordem para uso de perfil pessoal e outros perfis —possivelmente fakes— nas redes sociais, uma possível milícia virtual. Publicações que desagradassem ao então pré-candidato a deputado estadual deveriam ser rebatidas por todos os participantes dos supostos grupos de Telegram, todos com servidores do Procon entre os participantes.

“Pessoal, já fazem duas horas que saiu essa postagem aí no Imirante. Eu peço que todos vocês, absolutamente todos vocês, comentem com aquele discurso lá que a gente combinou: que é perseguição... [Comentem] com as redes de vocês, com outras contas que por ventura vocês tenham. Comentem, assim que olharem essa mensagem, falando que é uma perseguição; que não adianta bat... perseguir; que o Duarte Júnior e o governador Flávio Dino que vão ganhar a eleições; que tá comigo; tô com Duarte, hashtag tô com Duarte! Bate nessas hashtags tô com Duarte… Que isso é perseguição dos Sarney; e não sei o que, e tudo mais... Aquele mesmo discurso que eu falei”, teria ordenado.

Em possível resposta à fala do então pré-candidato à Assembleia, suposta participante do grupo no Telegram orienta: “Pessoal, só tomem cuidado quando forem responder. Lembrem que vocês são servidores públicos, no caso de usarem suas contas, certo? Se vocês quiserem ser mais incisivos, vocês podem usar os fakes de vocês”, recomenda.

Em outros áudios atribuídos a Duarte Júnior, aparentando desequilíbrio emocional, há uma série de humilhações a possíveis servidores e prestadores de serviços do Procon. Sobre essa situação, embora o parlamentar negue a veracidade, em caso de perícia nos áudios, se confirmada a voz como do próprio Duarte Júnior, as declarações podem caracterizar assédio moral.

“Eu mandei faz mil anos tirar a porra da cena que eu tô na unidade [do Procon], cumprimentando servidor. Agora tu, Thiago, fica leso aí e não presta atenção no que eu falo. Eu ia postar essa bosta agora. Altera essa cocota aí cacete. Por favor. Porra!”, teria dito.

“Rapaz isso aí só pode ser hidrocefalia ou falta de massa cinzenta na cabeça, rapaz. Um negócio desse é loucura. Isso não existe! A pessoa tá de licença, tá morta ou tá de férias, muda o sistema, pelo amor de Deus. Caíssa, pega o telefone, liga agora para Desla, passa um sabão nessa mulher antes que eu me irrite bem aqui, porque eu tô trabalhando, eu tenho que tá com quarenta coisas ao mesmo tempo. Isso não existe, isso é loucura! Porque essa mulher não me mudou esse sistema rapaz!?”, teria dito, em outro áudio.

Possivelmente sobre essa mesma situação, em outro áudio que lhe é atribuído, com raiva, Duarte Júnior ameaça querer o aparelho telefônico.

“Rapaz, a mulher não consegue enxergar que o problema tá no fato do atendimento no momento, no dia, na semana, não estar funcionando até as 19 horas. Se não está funcionando até as 19 horas, o agendamento na droga do aplicativo do site não pode tá liberado para esse horário. Isso é loucura rapaz! Alguém resolve isso aí. Caíssa resolve isso, aí antes que eu quebre esse celular bem aqui”, teria ameaçado.

Um dos áudios revela, também, possível homofobia por parte do ex-presidente do Procon. Nele, ao comentar sobre resposta dada a um usuário do Twitter que, insistentemente, apontava descaso da Caema em Imperatriz e cobrava por uma ação da autarquia, Duarte Júnior, segundo a gravação, fala em tom de insulto e desprezo sobre suposta oriental sexual do consumidor que buscava pela garantia de seus direitos.

“Mandei uma resposta finalmente para esse Josué Carneiro que fica, ‘não sei o que Caema, não sei o que Caema, não sei o que Caema’: ‘meu amigo, seria interessante você falar diretamente com o presidente da Caema’, Porra, seu viado safado!”, teria declarado.

Nos diálogos há, também, diversos prints de supostos grupos no aplicativo Telegram.

Em um deles, há comentários atribuídos ao próprio Duarte Júnior, ordenando expressamente o uso de perfis fakes para atacar quem fazia críticas a ele nas redes sociais —reforçando a existência de uma militância virtual que seria comandada pelo ex-presidente do Procon.

Em outros, a ordem, segundo os prints, vem de Karen Barros, para que os supostos servidores do Procon atacassem o blogueiro Wallace Braga, por ter ele feito uma publicação consumerista no Instagram, em que marcou e fez cobranças por atuação de Duarte Júnior no caso. Graves, os supostos comentários podem ser enquadrados como gordofobia, pois há uma combinação entre os participantes do suposto grupo para atacar o blogueiro de forma preconceituosa.

Procurada, insistentemente, pelo ATUAL7, por meio de e-mails enviados à comunicação da Seduc (Secretaria de Estado da Educação), onde atua como secretária-adjunta de Projetos Especiais desde que perdeu o comando do Procon, Karen Barros seguiu o silêncio do noivo e não retornou as tentativas de contato.

O próprio Procon também não respondeu a nenhum dos questionamentos feitos por e-mail, ao longo da semana passada, sobre o suposto envolvimento de seus servidores.

A criação e uso de perfis falsos na internet para caluniar e intimidar ou causar dano a outrem, além de falsidade ideológica, é crime. Embora ainda não exista uma lei que trata de gordofobia, como a recém-criada sobre homofobia, em tese, injúria contra pessoas por serem gordas pode ser enquadrado como crime contra a honra, caso a pessoa se sinta ofendida.

Em todos esses casos, a pena é de prisão.

Sem citar nomes, Duarte faz críticas que atingem Rubens Júnior e Neto Evangelista
Política

Alegando estar sendo alvo de ataques, pré-candidato a prefeito de São Luís tem usado redes sociais para publicações contra o filhotismo na política

O deputado estadual e pré-candidato a prefeito de São Luís, Duarte Júnior (Republicanos), desde a semana passada, tem usado as redes sociais para, sem citar nomes, fazer críticas ao chamado filhotismo, política patrimonialista culturalmente instalada no Maranhão, onde filhos e demais parentes herdam mandatos como coisas de família.

Segundo publicou no último dia 21, sob a alegação de que estaria sendo alvo de ataques, “os filhotes do poder estão desesperados”, pois eventual vitória dele nas urnas em outubro “representa o fim desse sistema corrupto e ineficiente”. Quatro dias depois, na terça-feira 25, questionou seus seguidores: “Vocês já observaram como na história da nossa cidade a ampla maioria dos políticos possuem uma linhagem política? Geralmente são filhos, netos, sobrinhos…”, diz a publicação.

Procurado pelo ATUAL7, por e-mail enviado ao seu contato pessoal e de sua assessoria, Duarte Júnior não retornou informando quem seriam os tais “filhotes do poder” e nem quem são os políticos que “possuem uma linhagem política”.

Embora as críticas alcancem o deputado federal Eduardo Braide (Pode), um dos pré-candidatos da oposição e líder de todas pesquisas de intenções de votos, as declarações de Duarte Júnior atingem também, em cheio, pelo menos dois nomes da base de Flávio Dino (PCdoB) na disputa: o deputado federal licenciado e secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano, Rubens Pereira Júnior (PCdoB), e o deputado estadual Neto Evangelista (DEM).

Os três postulantes ao Palácio de La Ravardière chegaram ao poder por força e articulação de seus respectivos genitores.

Braide, no caso, é filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Carlos Braide, que também já o presenteou com a presidência da Caema (Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão) e com o comando da Semop (Secretaria Municipal Extraordinária de Orçamento Participativo) na gestão de João Castelo na capital. Já Rubens Júnior é filho do ex-deputado estadual Rubens Pereira, o Rubão; e Neto Evangelista é filho do também ex-presidente da Alema, João Evangelista, já falecido.

Também procurados, para se posicionarem sobre as críticas ao filhotismo, e se acreditavam que Duarte Júnior se referia de forma velada a eles, Rubens Júnior e Eduardo Braide não retornam o contato. Apenas Neto Evangelista respondeu: “Sugiro perguntar a ele”, disse.

Apesar das fortes críticas feitas nas redes sociais, e de não ter entrado na política por influência do pai biológico, Hildélis Duarte, o pré-candidato a prefeito de São Luís pelo Republicanos possui o pedigree do apadrinhamento, tão tradicional quanto o filhotismo. Atualmente, é afilhado político de quem manda e desmanda no Palácio dos Leões e entorno daquele Poder: o governador Flávio Dino e o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos).

Juraci Guimarães quer apuração sobre possível abuso de poder de Duarte Júnior
Política

Também deve ser investigado se houve propaganda eleitoral antecipada. Parlamentar é pré-candidato a prefeito de São Luís

O procurador regional Eleitoral no Maranhão, Juraci Guimarães Júnior, apresentou pedido aos promotores Eleitorais de São Luís para que apurem possível propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político e/ou econômico em benefício do deputado estadual Duarte Júnior pré-candidato a prefeito da capital pelo Republicanos.

“Foram constatadas várias situações de propaganda eleitoral antecipada a merecer uma forte atuação do Ministério Público Eleitoral. A possibilidade do parlamentar divulgar os atos praticados na sua atividade não fazem com que possa utilizar publicidade cara e ostensiva como outdoor, busdoor, inserções de propaganda em televisão, sob pena de divulgação antecipada vedada, gastos eleitorais indevidos e desequilíbrio em face de outros pré-candidatos que não são parlamentares”, afirma o chefe da PRE-MA.

Pela Lei 9.504/97, a chamada Lei das Eleições, a propaganda apenas poderá ocorrer após 15 de agosto, sendo mesmo depois desse período proibida por meio de outdoor e em ônibus de transporte público.

Para além da apuração da propaganda eleitoral proibida, que pode levar ao pagamento de multa pelo deputado, foi apresentado pedido de investigação de possível abuso de poder econômico e político pela quantidade de propaganda, que pode levar a cassação do registro e perda do mandato.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) considera que o abuso de poder econômico ocorre quando determinada candidatura é impulsionada pelos meios econômicos de forma a comprometer a igualdade da disputa eleitoral e a legitimidade do processo.

O Ministério Público Eleitoral já havia expedido, no dia último dia 10 de fevereiro, uma instrução destinada às Promotorias Eleitorais do Maranhão referente ao período eleitoral do ano de 2020, sobre a proibição de meios de publicidade na pré-campanha eleitoral já vedados na campanha eleitoral regular.

Duarte Júnior pede diárias à Alema por viagem à Brasília para filiação ao Republicanos
Política

Reembolso vai custar R$ 1,6 mil aos cofres públicos. Em Abril do ano passado, ele consumiu R$ 4 mil em diárias para participar de uma conferência em Boston, EUA

O deputado estadual Duarte Júnior solicitou R$ 1,6 mil em diárias à Assembleia Legislativa do Maranhão para viagem à Brasília (DF), entre os dias 11 e 12 deste mês, sob a alegação de que trataria de assuntos de interesses daquele Poder.

Segundo publicações nas redes sociais do parlamentar, porém, a única atividade realizada na capital federal durante o período não teve qualquer relação com o Parlamento estadual, mas partidária. Ele esteve na Câmara dos Deputados para filiar-se ao Republicanos (antigo PRB), por onde pretende disputar a Prefeitura de São Luís em 2020.

Solicitado desde o último dia 6, mostra dados levantados pelo ATUAL7 no Portal da Transparência, o valor das diárias já foi empenhado e liquidado, restando agora apenas cair na conta do parlamentar.

Não é a primeira vez que o pré-candidato a prefeito da capital utiliza recursos públicos nos cofres da Alema para bancar viagens que, em tese, tem caráter apenas pessoal.

Em abril do ano passado, revelou o ATUAL7, Duarte Júnior pediu e recebeu R$ 4 mil em diárias para participar do 5ª Brazil Conference at Harvard & MIT, em Boston (EUA). Questionado à época sobre a viagem às custas do erário, até hoje não retornou qualquer explicação.

Sobre o pedido de diárias para a viagem à Brasília, desta vez, mais de 1 hora após a publicação desta matéria, Duarte Júnior retornou o contato ao ATUAL7, garantindo que esteve em atividade parlamentar, tratando sobre o chamado PL Anticorte, projeto que tramita no Congresso e que ele tenta também aprovar na Alema.

Abaixo, a manifestação de Duarte Júnior:

“Estive em Brasília a trabalho, exercendo atividade parlamentar. No Congresso Nacional, tratei sobre o PL Anticorte, que atualmente foi aprovado no Senado e tramita na Câmara Federal. Projeto que visa impedir o corte de água e energia elétrica (serviços essenciais) às sextas, fins de semana e vésperas de feriado.

Já tenho outra agenda marcada para o início de março com o ministro Gilmar Mendes, sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade - ADI 5961, que garante a constitucionalidade do PL Anticorte no âmbito estadual. Como sabemos, este projeto já é realidade em 8 estados da federação.

Minha filiação ao partido Republicanos aconteceu na terça-feira (11), às 20h30, após todos os compromissos agendados para este dia.

Reitero meu compromisso com a verdade, a justiça e tenho mantido uma postura aberta, de diálogo franco e honesto com todos na busca por soluções que garantam aos ludovicenses o acesso ampliado a seus direitos — com ética e respeito às pessoas e às nossas instituições”.

Aposta de Dino e Brandão para São Luís, Duarte Júnior filia-se ao Republicanos
Política

Vitória do deputado para Prefeitura de São Luís dificultaria candidatura de Weverton Rocha ao Palácio dos Leões em 2022

O deputado estadual Duarte Júnior teve abonada, na noite desta terça-feira 11, sua filiação ao Republicanos (antigo PRB). O objetivo é disputar a Prefeitura de São Luís em 2020 como candidato do coração do governador Flávio Dino (PCdoB) e oficial do vice-governador Carlos Brandão, principal estrela na legenda no estado.

Até a semana passada, ele ainda aguardava entrar na corrida pelo PCdoB, que o colocou na Assembleia Legislativa do Maranhão nas eleições de 2018. Compromisso antigo entre o ex-deputado estadual Rubão e o deputado federal Márcio Jerry, ex-ISO do gabinete do hoje secretário Rubens Pereira Júnior (Cidades e Desenvolvimento Urbano), no entanto, atrapalharam os planos.

Com Duarte, Dino e Brandão pretendem tomar a prefeitura da capital das mãos do senador Weverton Rocha (PDT), que sem nome com musculatura mínima no próprio partido, tem apoiado a pré-candidatura deputado Neto Evangelista (DEM).

Agora empresário do ramo da Comunicação, aliançado com diversos prefeitos e ex-prefeitos maranhenses e padrinho do presidente da Famem (Federação dos Municípios do Estado do Maranhão), Rocha é hoje forte pré-candidato ao Palácio dos Leões em 2022, e tem como adversário o vice-governador Carlos Brandão, sucessor natural de Dino.

Contudo, sem o controle do Palácio de La Ravardière, entendem Flávio Dino e Brandão, o pedetista perderia força e dificilmente se aventuraria no pleito.

MP é a favor de depoimento de proprietária da Deluxe em ação contra Duarte Júnior
Política

Deputado é acusado de uso da estrutura do Procon e do Viva para promoção pessoal em matéria publicada na revista

O Ministério Público do Maranhão opinou, no último dia 27, a favor da tomada de depoimento da empresária Guga Fernandes na ação popular que tramita na Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, desde 2018, contra o deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB).

Segundo a ação, então presidente do Procon (Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão) e coordenador do Viva, ele teria utilizado a estrutura dos órgãos para promoção pessoal.

O pedido para ouvir Guga Fernandes partiu do próprio parlamentar, em razão da empresária ser proprietária da Deluxe. Em matéria publicada em dezembro de 2017, assinada pela assessora do comunista, Emilly Castelo Branco, a revista traz exaltação à figura de Duarte Júnior, como exemplo de gestor público eficiente.

Por meio do depoimento da empresária, Duarte Júnior pretende esclarecer uma das suspeitas levantadas na ação popular, de que houve pagamento pela publicação.

Wellington e Duarte permanecem em agenda intensa e ignoram dificuldades no PSDB e PCdoB
Política

Com boa colocação em todas as pesquisas eleitorais divulgadas, deputados estudam deixar legendas para disputar a Prefeitura de São Luís

Vitaminados pela boa colocação em todas as pesquisas de intenção de votos divulgadas no ano passado, sempre empatados na segunda posição, os deputados estaduais Wellington do Curso e Duarte Júnior têm permanecido numa intensa agenda corpo a corpo com a população ludovicense, ignorando as dificuldades enfrentadas em seus respectivos partidos, PSDB e PCdoB.

A estratégia é conservar o padrão político-eleitoral para o caso de terem de entrar em outras legendas com o objetivo de disputar a Prefeitura de São Luís neste ano. Ambos estudam esta possibilidade.

No PSDB, embora pré-candidato único, Wellington enfrenta resistência do presidente do tucanato no Maranhão, senador Roberto Rocha, que declarou publicamente há poucos dias que, em nome de um projeto político que mira também as eleições de 2022, pode levar o partido para compor com Eduardo Braide (Podemos) ainda no primeiro turno.

Já no PCdoB, a dificuldade de Duarte Júnior está em vencer internamente o secretário Rubens Pereira Júnior (Cidades e Desenvolvimento Urbano), praticamente já fechado com Flávio Dino e o entorno do Palácio dos Leões como nome do partido e do governo para o pleito.

Diante da tarefa de manterem o mesmo patamar nas pesquisas, os parlamentares pré-candidatos têm participado de diversas reuniões, principalmente em comunidades carentes de ação do poder público. Na semana passada, eles chegaram a realizar reuniões no mesmo bairro, o da Liberdade, quase no mesmo dia.

Atividades oficiais do mandato também têm recebido prioridade, mesmo durante o recesso.

Para deixarem o PSDB e o PCdoB, Wellington do Curso e Duarte Júnior precisam também vencer a barreira da Carta de Anuência, declaração oficial de seus partidos dando autorização para que se filiem em outras legendas. Para ter validade, e evitarem que suplentes lhe tomem os mandatos, o documento tem de ser homologado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão, com votação do Pleno.

O tempo hábil para que todas estas etapas estejam concluídas termina no dia 4 de abril, seis meses antes do pleito –prazo para filiação partidária de candidatos.

Baixa intenção de votos impacta pré-candidatura de Rubens Júnior
Política

Há 13 anos na política, comunista chegou no máximo a 1% em pesquisas eleitorais ao longo de 2019, ano pré-eleitoral

O deputado federal licenciado e secretário estadual de Cidades e Desenvolvimento Urbano, Ruben Pereira Júnior (PCdoB), termina 2019, ano pré-eleitoral, sem conseguir decolar nas pesquisas de intenção de votos, se consolidando como o picolé de chuchu na disputa pela prefeitura de São Luís.

Segundo todos os levantamentos realizados ao longo deste ano, o comunista apresenta, no máximo, 1% da intenção de votos do eleitorado ludovicense, mesmo com o apoio aberto do governador Flávio Dino (PCdoB), que há seis meses o presenteou com uma agenda de R$ 140 milhões para um programa gerenciado por sua pasta.

Apesar de tentar minimizar a situação, a baixa intenção de votos traz complicações para a pré-candidatura de Rubens Júnior.

Ao contrário do que argumenta, embora não tenha ainda se declarado pré-candidato, Rubens Júnior não é novato na política, onde entrou desde 2006. Logo, deveria ser conhecido pela população. Se não cresce nas pesquisas, é pelo baixo carisma ou por falta de trabalho relevante e digno de reconhecimento durante esses 13 anos. Ou mesmo os dois.

Como o nome de Rubens Júnior não deslancha, o deputado federal e presidente do PCdoB no Maranhão, Márcio Jerry, tem declarado que o nome do partido para a prefeitura de São Luís em 2020 pode ser o do deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB), melhor colocado da legenda e do grupo governista em todas as pesquisas eleitorais divulgadas até aqui, aparecendo sempre entre a segunda ou terceira posição.

Até mesmo o próprio Flávio Dino, diante da baixa intenção de votos do secretário de Cidades, também tem deixado publicamente aberta a possibilidade de urgir Duarte Júnior para a disputa.

Em entrevista recente, o governador do Maranhão declarou que até março definirá entre os dois —esticando o tempo inicial, que era até dezembro de 2019. Será o último prazo para Rubens Júnior tentar mudar a própria realidade.