Karen Barros
Dino e Tavares burlam lei para favorecer Karen Barros
Política

Presidente do Procon-MA se ausentou do país sem autorização legal. Publicação no DOE foi feita após revelação do ATUAL7, e cinco dias após a Brazil Conference já haver sido encerrada

O governador Flávio Dino (PCdoB) e o secretário-chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares, burlaram a Lei nº 6.107, de 27 de julho de 1994, que dispõe sobre o estatuto dos servidores públicos civis do Estado, para favorecer a presidente do Procon no Maranhão, Karen Barros.

Segundo o artigo 162 da norma, o afastamento de servidores públicos do Estado para realizar missão ou estudo em outro ponto do território nacional ou no exterior necessita de autorização prévia dos chefes dos Poderes, concedida por meio de ato publicado no Diário Oficial do Estado (DOE).

A exigência, porém, como revelou o ATUAL7 no último dia 6, não foi cumprida na ausência da chefe da autarquia, quando deixou o país para participar da Brazil Conference at Harvard & MIT 2019, realizado em Boston (EUA) – ao lado do bancado pelos cofres públicos, deputado Duarte Júnior (PCdoB), e do próprio Dino.

Somente na sexta-feira 12, cinco dias após o evento já haver sido encerrado, é que o DOE trouxe publicação com a autorização que dar ar de legalidade para o afastamento de Karen Barros, pelo período de 3 a 7 último, com o objetivo de estar do evento. O documento, assinado por Dino e por Tavares, garante que a autorização havia sido dada desde o dia 2, em atendimento a pedido feita pela presidente do Procon-MA no dia 1º.

Quando da publicação da viagem ilegal de Karen Barros para os EUA, o ATUAL7 entrou em contato com o Procon-MA, com a própria presidente da autarquia, assessoria do Governo do Maranhão e com Marcelo Tavares.

Em nota, o Procon maranhense disse apenas que não houve custos ao erário com a viagem de Karen Barros, mas silenciou, sobre a autorização que daria legalidade ao ato. A própria Karen Barros e o Procon-MA foram procurados outra vez para se posicionarem sobre o assunto, mas continuaram em silêncio.

Já Tavares, alcançado por telefone ainda no dia 6, disse inicialmente que não lembrava de haver assinado qualquer autorização para o afastamento de Karen Barros do Procon-MA para viagem a outro país.

Ouvido novamente nesta terça-feira 16, alegou agora que a “autorização foi dada pelo governador em tempo correto”, mas não soube responder quando confrontado a respeito da declaração anterior sobre não lembrar de haver sido assinada a autorização, e apresentou desconhecimento sobre o estatuto do servidor determinar que a autorização prévia deve ser sucedida de imediata publicação no DOE, o que torna o ato legal.

Também não soube responder, informando estar num evento e que iria se inteirar melhor sobre o caso para somente então responder, quando questionado do porquê da publicação no DOE somente no dia 12, se teria sido dada a autorização à Karen Barros desde o dia 2.

O espaço segue aberto para as novas manifestações.

Alema bancou viagem de Duarte Júnior para a Brazil Conference
Política

Flávio Dino também recorreu a diária para viajar para Boston (EUA). Presidente do Procon-MA condenou uso da regalia bancada pelos cofres públicos

A viagem do deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB) para Boston (EUA), com o objetivo de participar da 5ª Brazil Conference at Harvard & MIT, foi bancada pelos cofres públicos.

Segundo dados do Portal da Transparência do Governo do Maranhão, o parlamentar pediu à Assembleia Legislativa o reembolso de cinco diárias. O valor, no total de R$ 4 mil, foi empenhado no último dia 3, e pago integralmente dois dias depois.

Uma semana antes do levantamento, o ATUAL7 questionou o próprio comunista, por e-mail, sobre a origem dos recursos de sua ida para a conferência, mas até o momento, mesmo sendo o dinheiro público, ele não retornou o contato.

Além de Duarte Júnior, quem também recorreu a diária para participar do evento foi o governador Flávio Dino (PCdoB).

De acordo com o Portal da Transparência, ele, porém, solicitou apenas metade do benefício, para se deslocar para São Paulo e, de lá, para os EUA, onde participaria, na condição de palestrante, da Brazil Conference 2019. O reembolso foi de R$ 462, curiosamente já pago desde o dia 26 do mês passado, uma semana antes do evento começar.

Presidente do Procon-MA condenou uso da regalia

Embora garantido por lei, o uso institucional de diária para participação no evento foi condenado pela presidente do Procon no Maranhão, Karen Barros. Ela também participou da Brazil Conference, porém, como mostrou o ATUAL7, sem autorização legal para se afastar do cargo e deixar o país.

Confrontada com a revelação da ilegalidade, ela evitou comentar sobre o assunto, preferindo usar o perfil pessoal no Instagram para atacar a utilização da regalia. “Muito feliz por participar da Brazil Conference at Harvard and MIT, momento único para discutir políticas públicas em nosso país. Ah, e aos desavisados de má-fé, está é mais uma capacitação sem qualquer custo aos cofres públicos”, evidenciou.

Ação contra Duarte Júnior e Karen Barros é distribuída para Juraci Guimarães
Política

PRE substituto é casado com Lilian Guimarães, que comanda a STC no governo de Flávio Dino. Procuradoria diz que não há hipótese de impedimento ou suspeição

Foi distribuída para o procurador Regional Eleitoral substituto Juraci Guimarães Júnior, no último dia 5, a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) movida pela própria PRE no Maranhão contra o deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB) e a presidente do Procon-MA, Karen Barros.

Segundo o chefe da PRE-MA, Pedro Henrique Castelo Branco, autor da Aije, ambos teriam atuado em abuso de poder político e de autoridade, ao utilizar a autarquia para divulgação demasiada da publicidade institucional do Procon-MA com o objetivo de promoção à imagem pessoal do agora parlamentar.

No documento, o Parquet Eleitoral requer que seja decretada a inelegibilidade de Duarte e Karen, pelo período de oito anos subsequentes ao pleito de 2018, conforme previsto na Lei da Ficha Limpa. Também é pedida a cassação do registro de candidatura e do diploma de eleito do comunista.

Juraci Guimarães, como mostrou o ATUAL7 no ano passado, é casado com Lilian Guimarães, atual secretária estadual de Transparência e Controle no governo de Flávio Dino (PCdoB). No mandado anterior, ela comandava a Secretaria de Estado da Gestão, Patrimônio e Assistência dos Servidores (Segep).

Apesar da ligação direta da esposa do PRE substituto do Maranhão com a gestão da qual Karen Barros e Duarte Júnior fazem parte, procurada pelo ATUAL7, a Procuradoria da República no Maranhão defendeu que não há problemas na atuação de Juraci Guimarães no caso. Ele é conhecido no meio político como linha dura e tolerância zero contra a corrupção e improbidade.

“A situação não se enquadra em nenhuma hipótese de impedimento ou suspeição. Os únicos casos em que o procurador tem se declarado suspeito são aqueles em que Flávio Dino figura como autor ou réu no processo eleitoral”, respondeu.

A Aije contra Duarte Júnior e Karen Barros tem como relator o desembargador Cleones Cunha, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão. Na movimentação processual pública mais recente, do mês passado, há um despacho de citação para que o casal apresente o rol de até seis testemunhas a serem ouvidas na ação eleitoral.

Procurados pelo ATUAL7 desde dezembro do ano passado, quando a Aije foi protocolada, Duarte Júnior e Karen Barros não retornaram o contato com posicionamento sobre as acusações. O deputado do PCdoB, porém, manifestou-se pelo Facebook. “Sou ficha limpa, tive as contas aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e não compactuo com atos de corrupção”, disse.

DOE não traz autorização de afastamento para Karen Barros viajar aos EUA
Política

Presidente do Procon-MA aparece em fotos na Brazil Conference at Harvard & MIT. Publicação de autorização é obrigatória por lei

Nenhuma edição do Diário Oficial do Estado (DOE) traz autorização para o afastamento da presidente do Procon, Karen Barros, para viajar aos Estados Unidos da América (EUA).

Segundo fotos compartilhadas nas redes sociais, ela aparece dentre os Lemann Fellows e Talentos (da Fundação Lemann) participantes da Brazil Conference at Harvard & MIT, que está sendo realizado em Boston (EUA), desde esta sexta-feira 5 e até o domingo 7.

Nas imagens em que Karen Barros aparece não é possível identificar qual atividade ela está realizando na conferência, já que não há qualquer crachá de identificação sobre – como há, por exemplo, do deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB), de Attendee (Participante, em português).

Conforme o artigo 162 da Lei nº 6.107/1994, o afastamento de servidores públicos do Estado para realizar missão ou estudo em outro ponto do território nacional ou no exterior necessita de autorização prévia dos chefes dos Poderes, concedida por meio de ato publicado no DOE.

No DOE, segundo consulta feita pelo ATUAL7, consta autorização para afastamento afim de participar da conferência, pelo período de 3 a 7 deste mês, apenas de Murilo Andrade, titular da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap); e de Lorena Nascimento Lima Ribeiro, assessora especial da Secretaria de Estado da Comunicação Social e Assuntos Políticos (Secap).

A autorização foi dada no último dia 25 pelo governador Flávio Dino (PCdoB), que também está em Boston (EUA) e participa da Brazil Conference at Harvard & MIT, na condição de Speaker (Palestrante); e do secretário-chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares.

Outro lado

Em nota ao ATUAL7, enviada logo após a publicação desta matéria, o Procon-MA alegou que Karen Barros foi convidada a participar da conferência em Boston (EUA), sem prejuízo ao erário, mas próprio. A autarquia, porém, nada disse sobre a falta de autorização legal para o afastamento dela do cargo. Um novo posicionamento foi solicitado.

Abaixo, o posicionamento do Procon-MA:

O Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon-MA) informa que a presidente do órgão, Karen Barros, é advogada e mestre em Políticas Públicas, e por esta razão, foi convidada a participar da Brazil Conference. A gestora também já participou de outros cursos na área de políticas públicas realizados pela Fundação Lemann e RAPS, em 2017 e 2018. O seu afastamento foi realizado com prejuízo à própria remuneração e sem custeio de viagem, ou seja, não gerou custos ao erário público.

Assessoria de Comunicação Procon/MA

Aije contra Duarte Júnior por abuso de poder e de autoridade conclusa para decisão
Política

MPE diz que publicidade institucional do Procon foi utilizada para promoção pessoal do comunista. Também figura como ré a presidente do órgão, Karen Barros

Está conclusa para decisão, desde essa quarta-feira 27, a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) no Maranhão contra o deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB) e a presidente do Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor (Procon), Karen Barros.

De acordo com o procurador Regional Eleitoral, Pedro Henrique Castelo Branco, autor da Aije, houve abuso de poder político e de autoridade em benefício da candidatura do comunista à Assembleia Legislativa, por meio de divulgação demasiada da publicidade institucional do Procon-MA para promover a imagem pessoal do agora parlamentar.

Ainda segundo ele, um levantamento realizado pelo Parquet Eleitoral maranhense, entre outubro de 2017 e abril de 2018 – quando Duarte Júnior já era, notoriamente, um pré-candidato a deputado – apontou a publicação de 99 fotos e vídeos do então presidente do Procon-MA nas páginas oficiais do órgão e do Governo do Maranhão na rede social Instagram.

Foram identificadas, ainda, no mesmo período, 138 publicações em sites oficiais.

“A exposição massiva da imagem de autoridades/servidores de modo a desvirtuar o caráter educativo, informativo e de orientação social da publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos, convertendo-os em meios de promoção pessoal, como claramente ocorre no caso trazido à apreciação judicial, caracteriza abuso de autoridade”, destaca Castelo Branco.

A atual presidente do órgão, Karen Barros, que substituiu Duarte Júnior no cargo, também é acusada de abuso de poder político e de autoridade em benefício do então candidato.

Para Pedro Castelo Branco, Duarte Júnior lançou mão de uma “estratégia ilícita”, com o auxílio de Karen Barros, para obter dividendos eleitorais à custa da publicidade institucional do Procon.

No documento, o MP Eleitoral requer que seja decretada a inelegibilidade do casal, pelo período de oito anos subsequentes ao pleito de 2018, conforme previsto na Lei da Ficha Limpa. Também é pedida a cassação do registro de candidatura e do diploma de eleito de Duarte Júnior.

O relator é o corregedor do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão, desembargador Cleones Cunha.

Outro lado

Procurados pelo ATUAL7 desde dezembro do ano passado, quando a Aije foi movida, Duarte Júnior e Karen Barros não retornaram o contato com posicionamento sobre as acusações. Por meio da redes sociais, apenas o deputado manifestou-se. “Sou ficha limpa, tive as contas aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e não compactuo com atos de corrupção”, disse.

MPE pede a cassação de Duarte Júnior por suposto abuso de autoridade e de poder
Política

Também foi requerida a inelegibilidade dele e da atual presidente do Procon, Karen Barros. Publicidade institucional do órgão teria sido utilizada para promoção pessoal do deputado eleito

O Ministério Público Eleitoral (MPE) no Maranhão ingressou com uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije), nessa segunda-feira 17, por suposto abuso de poder político e de autoridade do deputado estadual eleito, Duarte Júnior (PCdoB); e da presidente do Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor (Procon) do Maranhão, Karen Barros.

De acordo com o MPE, houve a utilização demasiada da publicidade institucional do órgão para promover a imagem pessoal do comunista, com objetivo eleitoral de sua candidatura à Assembleia Legislativa no pleito de outubro último. O documento é assinado pelo procurador Regional Eleitoral, Pedro Henrique Castelo Branco.

No documento, o Parquet eleitoral diz que levantamento no bojo de um procedimento preparatório eleitoral identificou que, apenas durante o curto período de 1º de outubro de 2017 a 2 de abril de 2018, a imagem de Duarte Júnior foi publicada em 99 fotografias e vídeos nas redes sociais institucionais do Procon do Maranhão e do próprio governo estadual; além de 138 publicações fazendo referência à imagem e/ou nome do deputado estadual eleito nos sites institucionais do órgão e do governo.

“A exposição massiva da imagem de autoridade/servidores de modo a desvirtuar o caráter educativo, informativo e de orientação social da publicidade de atos, programas, obras, serviços e campanhas de órgãos públicos, convertendo-os em meios de promoção pessoal, como claramente ocorre no caso trazido à apreciação judicial, carateriza abuso de autoridade”, destaca o MPE.

Sobre o envolvimento de Karen Barros nos supostos abusos, Pedro Henrique Castelo Branco aponta que, durante expedição de recomendação para que ela promovesse a remoção das publicações que faziam promoção pessoal a Duarte Júnior, ficou comprovado que a presidente do Procon detém o poder de determinar o teor da propaganda institucional do órgão. Segundo publicações recentes do blog Marrapá, inclusive, ela seria namorada do deputado eleito.

“(...) houve inequívoca exposição massiva e desvirtuada da imagem do requerido em veículos de publicidade institucional do Procon/MA e do Governo do Estado do Maranhão, durante a gestão de ambos os requeridos, com fins de promoção pessoal do candidato; tais práticas, assumem ainda o contorno de abuso de poder político, já que consistem na atuação deliberada de agentes públicos que se valem de sua condição funcional, em manifesto desvio de finalidade, para influir na igualdade da disputa eleitoral gerando benefício a candidatura determinada”, ressalta trecho da Aije.

O MPE destaca, ainda, que houve o ajuizamento de uma ação popular contra Duarte Júnior, por parte do advogado Thiago Brhanner, na Vara de Interesse Difusos e Coletivos de São Luís, pelas mesmas supostas práticas apontadas na Aije. O caso está sendo processado e julgado pela juíza Alessandra Costa Arcangeli, designada para presidir os autos após o juiz Douglas de Melo Martins, titular da Vara, haver se declarado suspeito para julgar a ação popular contra o ex-presidente do Procon maranhense.

Dentre os pedidos, o Ministério Público Eleitoral requer que a imediata distribuição da Aije; a notificação de Duarte Júnior e Karen Barros para, querendo, apresentarem defesa no prazo de cinco dias; a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive com a utilização, como prova emprestada, daquelas produzidas no bojo no bojo da ação popular que tramita na Vara de Interesses Difusos e Coletivos; e a oitiva de Thiago Brhanner, na condição de testemunha de acusação. O MPE pede, ainda, a cassação do registro de candidatura e do diploma de eleito de Duarte Júnior, bem como a decretação de inelegibilidade dele e de Karen Barros, pelo período de oito anos, conforme previsto na Lei da Ficha Limpa.

Outro lado

O ATUAL7 solicitou do Governo do Maranhão, Duarte Júnior e Karen Barros um posicionamento sobre o assunto e aguarda retorno.