Flávio Dino
Ações contra chapa Dino-Brandão no TSE também podem tornar Portela e Noleto inelegíveis para 2022
Política

Titulares da SSP e SINFRA são acusados de supostos abusos de poder em 2018, na chamada “Farra dos Capelães” e no Mais Asfalto

Além do governador Flávio Dino (PSB) e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), também estão sob ameaça de inelegibilidade os secretários estaduais Jefferson Portela (Segurança Pública) e Clayton Noleto (Infraestrutura) por supostos abusos de poder nas eleições de 2018.

Filiados, respectivamente, ao PSB e PCdoB, os titulares da SSP e SINFRA pretendem disputar a Câmara Federal nas eleições do ano que vem.

Portela é um dos réus na AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) que acabou conhecida como “Farra dos Capelães, suposto aparelhamento do serviço de capelania do Estado do Maranhão, com indicação de dezenas de lideranças religiosas possivelmente alinhadas ao governo, sem concurso público, com suposto objetivo de angariar apoio político naquela eleição.

Já Noleto é réu na AIJE que trata sobre suposta utilização do programa estadual Mais Asfalto para angariar apoio eleitoral para o grupo político no mesmo pleito.

Todos negam que tenham cometido qualquer trapaça eleitoral.

O relator no TSE é o ministro Carlos Horbach, que já encaminhou os autos para manifestação do MPE (Ministério Público Eleitoral).

Clã Cutrim na torcida pela cassação de chapa Dino-Brandão
Política

Possível ascensão de Othelino Neto para o Governo do Estado abriria espaço para Glalbert Cutrim assumir o comando do Palácio Manuel Beckman

Embora não demonstre publicamente, nos bastidores, o clã Cutrim, de São José de Ribamar, é um dos principais entusiastas da possível cassação da chapa Dino-Brandão pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com inelegibilidade da dupla, por supostos abusos de poder nas eleições de 2018.

Conforme mostrou o ATUAL7, caso haja a cassação, o Palácio dos Leões passará para as mãos do presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Othelino Neto (PCdoB), que deve tentar a eleição suplementar ou indireta –além de reeleição para governador.

Na eventual vacância do cargo, se cumprido compromisso interno de eleições anteriores para a Mesa Diretora da Alema, quem assumiria o comando do Palácio Manuel Beckman seria o atual vice-presidente da Casa, Glalbert Cutrim (PDT), com brecha para continuar no controle se reeleito deputado estadual em 2022.

Colocar o rebento no comando do Poder Legislativo é um sonho antigo de Edmar Cutrim, conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão prestes a deixar o cargo e perder o prestígio que ainda lhe resta na função.

Ameaça de cassação da chapa Dino-Brandão pelo TSE abre discussão sobre Othelino no Palácio dos Leões
Política

Presidente da Alema é quem assumiria o Governo do Estado, em caso de cassação da dupla. Ele poderia disputar mandato-tampão e reeleição em 2022, com potencial real de vitória

A chapa Dino-Brandão é alvo de pelo menos duas ações de investigação judicial eleitoral cujo recursos, se acolhidos pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), podem cassar o mandato da dupla por supostos abusos de poder nas eleições de 2018 –além de declarar a inelegibilidade de ambos.

Em caso de cassação, não assumiria o Palácio dos Leões a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), segunda colocada em votos no pleito daquele ano. O Poder Executivo seria assumido interinamente pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), até eleição suplementar ou indireta, em que poderia concorrer ele próprio ao cargo, praticamente imbatível, para mandato-tampão.

Atualmente pré-candidato à reeleição em 2022, mas já com fortes articulações para disputar a majoritária no ano que vem, em eventual ascensão ao comando definitivo do Governo do Estado, Othelino poderia concorrer à reeleição, com potencial real de vitória.

Flávio Dino e Carlos Brandão são acusados pela coligação de Roseana Sarney de aparelhamento do serviço de capelania do Estado, devido indicação de dezenas de lideranças religiosas alinhadas ao governo, sem concurso público, com suposto objetivo de angariar apoio político naquele eleição. O caso é conhecido como “Farra dos capelães”.

O governador do Maranhão e o vice também são acusados de utilizarem um programa estadual de asfaltamento de rodovias e vias urbanas para angariar apoio eleitoral no mesmo pleito.

O relator no TSE é o ministro Carlos Horbach, que já encaminhou os autos para manifestação do MPE (Ministério Público Eleitoral).

Flávio Dino recebe Zé Dirceu fora da agenda para diálogo sobre 2022
Política

Governador e ex-ministro terão conversa informal sobre cenários para derrotar Jair Bolsonaro e apoio a Carlos Brandão, mesmo diálogo mantido com Lula recentemente

O governador Flávio Dino (PSB) recebe nesta sexta-feira (23) no Palácio dos Leões o ex-ministro lulista José Dirceu (PT) em reunião fora da agenda. Antes Zé Dirceu conversa com a direção estadual e lideranças maranhenses da legenda.

A passeio pelo Maranhão, o petista vai dialogar informalmente com Dino sobre as eleições de 2022, precisamente sobre a defesa da democracia, cenários para derrotar Jair Bolsonaro (sem partido) na corrida pelo Palácio do Planalto e eleger Lula (PT) e, como esperado, sobre o pleito local.

Devido a racha na base aliada provocada pelo senador Weverton Rocha (PDT), Dino tem trabalhado pelo consenso do grupo, por isso tem prometido para o final do ano a declaração pública de decisão já confirmada ao núcleo central do governo e aos aliados mais próximos: ele apoia a permanência de seu sucessor, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), no comando do Poder Executivo do Estado.

Flávio Dino é pré-candidato ao Senado, mas ainda não descartou o sonho de ser vice de Lula na disputa presidencial no ano que vem. Ambos tiveram o mesmo diálogo que ocorrerá agora com Zé Dirceu, em recente encontro em São Paulo.

Conforme mostrou o ATUAL7, apesar de articulações para que a vaga de vice de Brandão seja ocupada pelo Partido dos Trabalhadores, segundo a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT, a cúpula nacional e estadual do partido ainda não fechou a questão.

Sônia Guajajara diz que governo do MA precisa parar de empurrar responsabilidades em segurança pública e proteção ambiental
Política

Sempre sem citar Flávio Dino, líder indígena disse que fiscalização à exploração ilegal de madeira pela gestão estadual é totalmente ineficiente

A líder indígena Sônia Guajajara cobrou do Governo do Maranhão, sob Flávio Dino (PSB) desde 2015, que pare de empurrar ao governo federal responsabilidades que deveria assumir nas áreas de segurança pública e proteção ambiental. A cobrança foi feita em entrevista ao site Maranhão Independente, publicada nesta quinta-feira (22), em que também faz diversas críticas ao governo federal e diretamente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Guajajara é da terra indígena de Arariboia, no Maranhão, e atual coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Ela foi candidata à vice-presidente da República em chapa puro-sangue do PSOL em 2018, ao lado de Guilherme Boulos.

“O Governo do Estado tem que assumir a responsabilidade de segurança pública e proteção ambiental, e não só empurrar pro Governo Federal, como sempre se fez. Se vê indígena como responsabilidade federal e se isenta do seu papel de proteger os direitos humanos. O Governo do Estado tem total responsabilidade de reduzir a violência, de garantir segurança nos territórios, como uma questão de política pública”, respondeu ao ser questionada sobre grilagem de terras e execução de camponeses e indígenas em terras maranhenses –mas sempre sem citar nominalmente Dino, de quem é aliada.

“A Secretaria Estadual do Meio Ambiente precisa ter um controle, uma fiscalização mais eficiente em relação à exploração ilegal de madeira. Os madeireiros circulam livremente pela cidade e, sabendo que é uma prática ilegal, não deveria ser permitido. Eles andam sem preocupação porque não tem nenhum órgão que aja para coibir essa atividade”, completou, arrematando que a fiscalização no Maranhão é “totalmente ineficiente”.

Segundo a CPT (Comissão Pastoral da Terra), o Maranhão lidera o ranking nacional de conflitos por terra. Dados de 2019 mostram que o estado teve 173 conflitos naquele ano, seguido pelo Pará (143) e Bahia (130).

Dentre os casos que mais chamam a atenção pela ausência da gestão estadual em assumir suas responsabilidades, há o das comunidades quilombolas no entorno do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara) –cujo acordo de salvaguardas tecnológicas assinado por Brasil e Estados Unidos para permitir o uso comercial da base contou com forte apoio da base do governo Dino na Câmara dos Deputados.

Há ainda outros casos de situações de conflitos que confirmam o descaso do governo maranhense, como da comunidade do Cajueiro, em que famílias inteiras foram coagidas e expulsas de suas terras sob uso de força bruta do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Flávio Dino, e em que houve mortes de indígenas Guajajara por pistoleiros.

Foto: Brunno Carvalho

Pressionado, Lupi baixa tom em reunião fora da agenda com Dino
Política

Weverton Rocha também adotou tônica amena após haver atacado o sistema de educacional do Maranhão

A postura do presidente do PDT, Carlos Lupi, em reunião fora da agenda com o governador Flávio Dino (PSB) no Palácio dos Leões nessa terça-feira (20), destoou da que apresentou em entrevista à TV Meio Norte, há pouco mais de um mês.

Pressionado com a proximidade da data escolhida por Dino para tornar pública a decisão já confirmada nos bastidores de apoiar o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) na corrida pela sucessão estadual em 2022, Lupi mostrou-se afável durante o encontro.

Nas redes sociais, limitou-se a publicar fotos com Flávio Dino, Weverton Rocha (PDT) e Márcio Jerry (PCdoB), declarando que discutiram “o futuro do Maranhão e do Brasil”.

O Carlos Lupi frente a frente com Flávio Dino mostrou-se completamente diferente do Carlos Lupi que, a 656 de quilômetros distância, no Piauí, asseverou que Weverton seria candidato ao Governo do Estado com ou sem apoio de Dino.

Estagnado diante dúvida entre aceitar a escolha de Dino ou trair o governador, o próprio Weverton Rocha também baixou o tom, e tentou reverter o ataque que fez na semana passada ao sistema educacional do Maranhão, comandado por Felipe Camarão.

“Muitas coisas unem a atuação de Flávio ao PDT, uma delas é a importância dada à educação”, escreveu nas redes.

Aliados ouvidos reservadamente pelo ATUAL7 dizem temer essa a tônica, pois rememora os arroubos de 2014, quando o presidente nacional do PDT ameaçava romper com Dino caso o PDT ficasse de fora da chapa majoritária daquele pleito.

O temor, dizem, é que a história se repita, e Lupi, o PDT e Weverton terminem novamente sendo levados pelo beiço e ainda fazendo coraçãozinho com as mãos para Brandão.

Chefe de Fiscalização do TCE-MA quer aprofundar investigação sobre respiradores fantasmas pagos pelo governo Dino
Política

Fábio Alex Melo também recomendou rejeição de pedido de suspeição contra auditora levantado por Carlos Lula. Aparelhos quitados antecipadamente e de forma oculta nunca foram entregues

O chefe da Secretaria de Fiscalização do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão, Fábio Alex Melo, reforçou à corte a recomendação para que seja instaurada uma tomada de contas especial, tipo de processo que busca quantificar danos ao erário e identificar seus responsáveis, para apurar a gravidade das irregularidades apontadas pela área técnica do tribunal na compra suspeita de 70 respiradores pelo governo Flávio Dino (PSB) para uso no tratamento de pacientes com Covid-19.

Pagos antecipadamente sob dispensa de licitação e de forma oculta pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) via Consórcio Nordeste, os aparelhos nunca foram entregues.

Em razão da ocultação da negociação com dinheiro público, comprovadamente não informada no Portal da Transparência nem no sistema de acompanhamento de contratações públicas do TCE maranhense, também foi sugerida a aplicação de multas a Carlos Lula, que comanda a pasta.

As informações constam em relatório de instrução assinado pelo Melo, que é auditor de Controle Externo do TCE-MA, no dia 6 de julho. O relator do caso é o conselheiro-substituto Antônio Blecaute.

No documento, o chefe da SEFIS recomenda ainda a rejeição completa do pedido de suspeição levantado por Carlos Lula contra a também auditora estadual de Controle Externo Aline Vieira Garreto. Segundo a defesa do titular da SES, ao apontar irregularidades na aquisição dos aparelhos, inclusive superfaturamento, ela teria o objetivo político de “retirar a esquerda da situação política brasileira”, e que, nessa intenção, “não mediria esforços para punir o Estado governado por um representante de partido de esquerda”.

Postagens nas redes sociais feitas por Garreto em 2013, em que critica casos de corrupção descobertos no escândalo do mensalão e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), foram usadas pelos advogados de Lula no pedido de suspeição. Ignorando o fato de que o acompanhamento de contratações pelo poder público não é sigiloso e pode ser supervisionado por qualquer cidadão, os advogados de Lula também alegaram que houve vazamento de informações sobre o processo.

Para Fábio Alex, a argumentação utilizada pela defesa de Carlos Lula “é de um descalabro sem tamanho, que não merece nenhuma consideração”.

“Fundamentar uma suspeição com fulcro em compartilhamentos realizados pela nobre auditora, em 2013, no seu perfil privado do Facebook, é pueril, sem justa causa e inapropriado, uma vez que não maculam a instrução processual. Ademais, publicações em rede sociais não são capazes de imputar parcialidade a atos de instrução, até porque esses não tinham por conteúdo mensagens dirigidas ao gestor público aqui fiscalizado”, destacou.

Segundo relatório de instrução da auditora Aline Garreto, pesquisa de preços feita pela CGU (Controladoria-Geral da União) em abril do ano passado, em compras efetuadas por estados e municípios, constatou que o preço médio pago por respirador mecânico foi de R$ 87 mil. Já o Maranhão, nas compras via Consórcio Nordeste em contratos de rateio, pagou quase R$ 200 mil, em média, por unidade.

No primeiro negócio envolvendo os respiradores fantasmas, de R$ 4,9 milhões por 30 aparelhos, o dinheiro foi integralmente pago à HempCare Pharma Representações Ltda, e nunca devolvido aos cofres públicos. Já na segunda operação, de R$ 4,3 milhões por 40 aparelhos, houve devolução de parte do recurso desembolsado, mas com prejuízo de quase R$ 494 mil aos cofres do Maranhão, decorrente de variação cambial, já que a compra junto à empresa Pulsar Development Internacional Ltda foi efetivada em Euro.

Edivaldo acerta filiação ao PSD e vai disputar Palácio dos Leões contra candidato de Dino
Política

Entrada do ex-prefeito de São Luís no partido de Edilázio Júnior é o maior ato de independência de um ex-apadrinhado do governador do Maranhão

O ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, acertou sua filiação ao PSD, partido presidido por Gilberto Kassab nacionalmente e, no Maranhão, controlado pelo deputado federal Edilázio Júnior.

A ideia do partido é que Edivaldo dispute o Palácio dos Leões na corrida eleitoral do ano que vem pela oposição, contra Carlos Brandão (PSDB), atual vice-governador e nome de Flávio Dino (PSB) para o pleito.

Embora Edivaldo Júnior, sem qualquer motivo explicável, venha tentando manter em segredo, a confirmação de sua entrada na disputa majoritária de 2022 tem sido feita por Edilázio Júnior nas redes sociais.

O ato de filiação está marcado para acontecer no dia 4 de agosto.

A entrada de Edivaldo no partido de Edilázio Júnior, para disputar a sucessão estadual contra o candidato de Dino, é o maior ato de independência de alguém que já foi apadrinhado pelo governador do Maranhão.

Até então, o ato mais longe estava sendo o do senador Weverton Rocha (PDT), que tem arrancado apoios e provocado racha na base dinista. Contudo, o pedetista tem reiterado que Flávio Dino é quem o lidera e já disse publicamente que, se não confirmar o apoio do governador e de seu grupo, vai retirar a pré-candidatura ao governo estadual.

Procuradoria abre investigação para apurar suspeita de crimes eleitorais por Rubens Júnior
Política

Procedimento foi aberto a partir de provocação feita pelo ATUAL7 sobre suposto abuso de poder político e de autoridade em benefício da candidatura de Flávio Dino ao Senado

O MPF (Ministério Público Federal) determinou a instauração de uma notícia de fato para apurar as suspeitas de crimes eleitorais supostamente cometidos pelo secretário de Estado de Articulação Política, o deputado federal licenciado Rubens Pereira Júnior (PCdoB).

O procedimento foi aberto pela Procuradoria Regional Eleitoral no Maranhão, a partir de provocação feita pelo ATUAL7 ao órgão para que se manifestasse sobre fatos noticiados pelo blog do Gilberto Léda.

A publicação mostra vídeo em que Rubens Júnior orienta abertamente os 32 superintendentes regionais da SECAP a monitorarem quais prefeitos maranhenses estão “do lado” do governo Flávio Dino (PSB) e quais não estão; “quem é o deputado estadual” e “quem é o deputado federal” que “está forte” em cada região do Maranhão; e “onde o Bolsonaro tá mais forte e onde o Flávio [Dino] tá mais fraco”.

O encontro institucional em que os supostos crimes eleitorais foram cometidos foi realizado no início de julho no auditório do Edifício João Goulart, em São Luís, utilizado como sede administrativa de diversas secretarias e órgãos do Governo do Maranhão.

Em outro trecho do discurso, evidenciando as orientações eleitorais em um evento oficial do Estado, Rubens Júnior diz que “quanto mais forte estiver o Flávio Dino, maior é a chance de a gente ganhar a eleição no ano que vem, o Flávio ser senador”.

Em tese, houve extrapolação do limite institucional no ato, indicando prática de abuso de poder político e de autoridade pelo titular da SECAP para favorecer Dino. Ambos podem ser alvo de ação de investigação judicial com pedido inelegibilidade, o que pode tirá-los da disputa eleitoral de 2022.

Diante da suspeita de que tenha também havido improbidade administrativa, o Ministério Público do Maranhão foi procurado pelo ATUAL7 no último dia 2, por e-mail –inclusive enviado ao próprio procurador-geral de Justiça Eduardo Nicolau e ao Caop (Centro de Apoio Operacional) de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa. Contudo, até o momento, não houve manifestação a respeito do caso.

No âmbito do MPF do Maranhão, a notícia de fato, que consiste no levantamento preliminar de informações, é instaurada por determinação do procurador-regional eleitoral substituto, Hilton Araújo de Melo, que deve ser o responsável pelo comando do órgão pelo biênio 2021/2023, em substituição ao procurador Juraci Guimarães Júnior, que está de férias e próximo de deixar o cargo.

Em reunião, lideranças aceitam lançar apenas um candidato ao Palácio dos Leões com apoio de Dino
Política

Decidido por Carlos Brandão, governador não quer repetir o mesmo erro cometido nas eleições de 2020 em São Luís, quando seu grupo saiu derrotado na disputa

Lideranças partidárias reunidas com o governador Flávio Dino (PSB) entre o final da tarde e início da noite desta segunda-feira (5) concordaram com todas as diretrizes colocadas pelo chefe do Poder Executivo estadual para a própria sucessão em 2022.

Uma carta pública com o acerto está sendo produzida para ser divulgada, e deve constar a assinatura de todos os presentes.

No documento, os destaques serão para a não repetição do erro cometido nas eleições municipais de 2020 em São Luís, quando o grupo dinista rachou e foi derrotado pela aposta do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), Eduardo Braide (Podemos); o compromisso de continuidade do trabalho iniciado por Dino no Maranhão; e o ponto principal: será lançado apenas um candidato ao Palácio dos Leões pelo grupo e com o apoio de Dino.

Presente na reunião, segundo fontes ouvidas pelo ATUAL7, o senador Weverton Rocha (PDT) chegou a surpreender a todos, quando pediu a palavra e declarou que vai se submeter a todas diretrizes apresentadas pelo governador.

Até o último sábado (3), antes de um encontro reservado com vice-governador Carlos Brandão e Flávio Dino, Weverton encabeçava um levante contra a liderança do governador do Maranhão em seu próprio grupo político. A postura do pedetista, porém, mostrou o ATUAL7 mais cedo, mudou após ser oferecida a ele a vaga de vice na chapa de Brandão para governador e Dino ao Senado.

Embora, em respeito aos demais postulantes presentes, Dino não tenha declarado na reunião sobre a decisão já tomada por Brandão, nem tenha sido perguntado a respeito por nenhum dos participantes, durante toda a reunião com as lideranças partidárias, o governador evidenciou sua escolha.

Dino quer lançar carta pública após reunião com lideranças no Palácio dos Leões
Política

Objetivo é confirmar que grupo está unido para as eleições de 2022

O governador Flávio Dino (PSB) pretende elaborar e divulgar uma carta pública após encontro com lideranças políticas na sala de reuniões do Palácio dos Leões, marcada para acontecer no final da tarde desta segunda-feira (5).

No documento deverá constar a assinatura de todos os presentes no encontro, e tem como objetivo confirmar a união do grupo para as eleições de 2022, desfazendo o até então racha formado na base.

Dino deixa o comando do governo do Maranhão no próximo ano, quando vai de desincompatibilizar do cargo para concorrer ao Senado Federal. Sucessor natural, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), quando assumir a função, vai disputar a reeleição.

Tanto o senador Weverton Rocha (PDT) quanto o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL), postulantes à sucessão do neosocialista, já foram advertidos por Flávio Dino que ele quer Brandão como candidato único do grupo.

Quando avisado, Josimar ignorou e tornou público que mantém a candidatura, mesmo que fora do grupo da situação. Já Weverton, a quem foi oferecida a vaga de vice na chapa majoritária de 2022, ficou de pensar no assunto.

Dino conversa com lideranças após advertir Weverton que o candidato é Brandão
Política

Vaga de vice foi oferecida ao pedetista

O governador Flávio Dino (PSB) vai se reunir com lideranças políticas no Palácio dos Leões, nesta segunda-feira (5), para tratar sobre a própria sucessão e, consequentemente, pré-candidatura ao Senado Federal.

O encontro, que chegou a ser adiado por duas vezes, ocorre após Dino ter se reunido fora da agenda com o senador Weverton Rocha (PDT), no sábado (3), quando advertiu o pedetista sobre a decisão em apoiar o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) como candidato único de seu grupo político ao governo do Estado.

Segundo fontes ouvidas reservadamente pelo ATUAL7, Dino ressaltou que Brandão vai ser governador do Maranhão a partir de abril de 2022, o que faz dele candidato natural com direito à reeleição.

A Weverton, para reparar o racha na base, foi oferecida a indicação da vaga de vice, que pode ser preenchida até por ele próprio –o que o faria automaticamente governador em 2026, quando Brandão é quem se desincompatibilizaria.

Ainda de acordo com fontes, Weverton prometeu analisar a proposta.

A resposta pode ser dada na reunião de hoje.

Sem citar Weverton, Dino diz que ‘há quem queira’ chave do governo apenas para aumentar patrimônio pessoal
Política

Governador do Maranhão definiu que probidade, honestidade e capacidade de unir o grupo como critérios para escolha de seu sucessor ao Palácio dos Leões

O governador Flávio Dino (PSB) alertou nesta terça-feira (29) que na política há pessoas que querem chegar ao comando do Poder Executivo apenas para enriquecer ilicitamente às custas do dinheiro público.

“São Pedro, no sistema de crenças cristãs, é aquele santo que tem a chave do céu. Eu acho, decorridos seis anos e pouco de governo, que governo é, um pouco, ter a chave nas mãos. A questão fundamental é: o que fazer com ela? O que fazer com essa chave? Há quem queira a chave do governo do Estado apenas para abrir o cofre. Abrir o cofre para pegar o dinheiro e aumentar o seu patrimônio pessoal. Infelizmente, acontece isso na política”, afirmou, em discurso de inauguração da primeira Policlínica dedicada ao tratamento da pessoa idosa no Maranhão.

Localizada no bairro da Liberdade, em São Luís, a inauguração do equipamento de Saúde integra as ações do Plano de Urbanização para a área do projeto PAC Rio Anil.

“Nós fazemos diferente. Nós queremos essa chave nas mãos, que Deus e o povo nos deram a honra de tê-la, para poder com ela abrir portas que significam direito, dignidade e vida”, concluiu, referindo-se ao governo liderado por ele e o vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSDB), seu sucessor no cargo a partir do próximo ano.

Embora Dino não tenha citado nomes, no bastidor, a declaração foi recebida como petardo contra o senador Weverton Rocha (PDT), único dos dois integrantes da base dinista pré-candidatos ao Palácio dos Leões que ainda tem ou teve envolvimento com casos na Justiça relacionados a enriquecimento ilícito e apropriação indébita.

Ambos foram mostrados pelo ATUAL7.

Respectivamente, o primeiro, ainda em tramitação, se refere ao período em que Weverton era assessor do gabinete do então ministro Carlos Lupi, no Ministério do Trabalho e Emprego; e o segundo, já arquivado por morosidade da Justiça, de quando era presidente da quebrada UMES (União Municipal de Estudantes Secundaristas).

Há ainda a acusação de peculato no caso Ginásio Costa Rodrigues, em São Luís, e um inquérito instaurado pela Polícia Federal recentemente, sigiloso, que investiga se Weverton Rocha se apropriou de recursos eleitorais na campanha eleitoral de 2018, quando se elegeu para o Senado.

Em entrevista no início de junho aos jornalistas Dri Dilorenzo e Renato Rovai, do Fórum Onze e Meia, Flávio Dino declarou que definiu como critérios utilizadas por ele para escolha de seu sucessor a “probidade, honestidade, seriedade e capacidade de unir o grupo”.

Sobre o último critério, na semana passada, o governador do Maranhão repercutiu uma publicação no Twitter em que Carlos Brandão critica o açodamento eleitoral de Weverton para tentar se manter em evidência na corrida pelo Palácio dos Leões em 2022. Enquanto o senador pedetista provoca rachas, Dino tem trabalhado pela construção de um consenso a partir de sua definição por Brandão.

Governo Flávio Dino terá de informar ao TCE destino de R$ 77,8 milhões da Covid-19
Política

Valor é referente aos recursos repassados pela União ao Maranhão em 2021. Ano passado, houve transparência em apenas 82,90% dos quase R$ 350 milhões recebidos

O governo Flávio Dino (PSB) terá de explicar ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão onde foi parar R$ 77,8 milhões de dinheiro federal destinado pela União em 2021 para ações de combate à pandemia do novo coronavírus no estado.

Com destino até então oculto, o valor foi levantado por técnicos do tribunal a partir de cruzamento de dados dos portais da transparência estadual e federal com informações do sistema de acompanhamento de contratações públicas da corte de Contas.

Segundo o levantamento, quase R$ 82 milhões foram repassados pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) ao Maranhão, mas apenas pouco mais de R$ 3,8 milhões em contratos foram informações ao TCE maranhense pela gestão estadual.

No ano passado, ainda de acordo com o Tribunal de Contas do Maranhão, o governo Dino informou o destino de somente 82,90% dos quase R$ 350 milhões recebidos da União.

A falta de transparência sobre despesas de combate à Covid-19, se não reparada, em tese, indica indícios de desvio e corrupção com o dinheiro público.

O prazo para corrigir falhas e omissões do destino da verba é de 15 dias, a contar da última terça-feira (22).

Em atendimento à função pedagógica inerente à atuação das instituições que exercem o Controle Externo, para evitar inconsistências e atrasos, o TCE vai realizar capacitação técnica com os gestores e servidores públicos responsáveis pela correção dos dados, incluindo municipais, amanhã. O pedido foi feito pela Federação dos Municípios do Estado do Maranhão, a Famem.

Entrada no PSB será teste de fidelidade de Flávio Dino a Carlos Brandão
Política

Partido já havia fechado com Weverton Rocha na disputa pelo Palácio dos Leões e terá agora de confirmar ou recuar de apoio

A confirmação de apoio ao nome do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) como seu candidato ao Palácio dos Leões em 2022, feita até o momento pelo governador Flávio Dino apenas no bastidor, enfrenta seu primeiro teste.

Nesta terça-feira (22), o governador do Maranhão se filiou ao PSB, partido que já havia se declarado publicamente fechado com a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao Executivo estadual no pleito do ano que vem.

Para provar fidelidade, ao ingressar no novo partido, Dino teria de já acertar com o PSB a saída da agremiação da base de apoio ao pedetista, e isso também publicamente.

Ocorre que, ao contrário, durante o ato de filiação do agora ex-comunista ao PSB, o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, saudou Weverton como governador.

Se foi apenas um ato falho, a saudação pode até provocar ciúmes em Brandão, também presente no evento, mas tem pouca relevância no debate e corrida eleitoral.

Contudo, se o PSB permanecer aliado ao projeto de poder do pedetista, restará evidente que Flávio Dino não teve qualquer conversa sobre Carlos Brandão com a cúpula do PSB, e que o vice-governador tende a ser traído.

Maranhão 2022: Dino se movimenta e incomoda muita gente
Artigo

Por Abdon Marinho*

QUASE tão previsíveis e esperadas quanto a subida e a descida das marés na baía de São Marcos, o governador Flávio Dino anunciou sua saída do Partido Comunista do Brasil - PCdoB e, em seguida, anunciou que requerera filiação ao Partido Socialista Brasileiro - PSB.

Tais acontecimentos, previstos para acontecer há muito tempo – eu mesmo, já em 2013, dizia tratar-se de um equívoco a candidatura majoritária pelo partido comunista –, não mereceria um texto se não fosse o “estranhamento” que essa “mexida” parece ter causado nos adversários e, também, nos aliados do agora ex-comunista.

Sobre as reações, ressalvadas as raras opiniões isentas, o que vimos foi cada um analisando o fato a partir de sua conveniência e interesse próprio e/ou da facção política que está pagando.

Nas próximas linhas tentaremos descortinar o que se encontra por trás desta “mexida” política do governador.

Inicialmente cumpre esclarecer que o senhor Dino não teria nenhuma necessidade de sair do PCdoB se o seu interesse fosse apenas um mandato de senador da República.

Os maranhenses votaram nele inúmeras vezes sem ligar para esse falso viés ideológico, o que significa dizer que o seu projeto não corria risco.

Aliás, arrisco dizer que no Maranhão tem mais comunista rico do que em Pequim, China.

A mudança para o PSB ocorre porque sua excelência ainda acalenta o sonho de ser o candidato a vice-presidente na chapa do ex-presidente Lula, o que seria inviável caso permanecesse no PCdoB.

Muito embora o ex-presidente busque, na verdade, alguém “de direita” para compor a chapa, ter como companheiro de chapa alguém do PSB – que é um partido de centro-esquerda, e do nordeste, bom de mídia e que se vende a um preço bem superior ao que efetivamente vale –, não é descartado.

Essa, ao nosso sentir, a primeira motivação para a mudança partidária do governador.

Aqui abro um parêntese para dizer que o PCdoB – se é que não foi tudo combinado –, não tem motivos para se sentir “enganado” ou traído pelo ex-filiado.

Caso se tire a “prova dos noves”, é muito provável que a “relação” Dino/PCdoB tenha sido bem mais “lucrativa” ao segundo, que, exceto aos partidos que deram sustentação ao sarneísmo, é o partido com mais tempo de poder no Maranhão, se contarmos os anos que integrou o governo Roseana Sarney/José Reinaldo, Jackson Lago e, com Dino – chega ser quase uma oligarquia.

A segunda motivação do senhor Dino ao pedir guarida aos socialistas é empurrar a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) para a direita bolsonarista.

Não sei se por erro de estratégia ou mesmo incompetência política, os partidos do centrão que se lambuzam com polpudas verbas públicas para apoiar o governo do senhor Bolsonaro já declararam que estão “fechados” com o senador pedetista para o governo.

Logo, não é sem razão, até pelos outros motivos que já tratamos no texto sobre a República de Planaltina, que o candidato público ou oculto do senhor Bolsonaro no Maranhão será o senador do PDT.

Favorece ainda mais tal percepção o fato do PDT comungar com uma das pautas mais caras ao bolsonarismo no momento: a questão do voto impresso.

O senhor Dino sabe que o seu adversário na política local é o senador pedetista, ao fazer essas “mexidas” ele quer delimitar o seu campo de atuação. Ou seja, o terá como adversário, mas vinculando-o ao projeto político do atual presidente da República.

Não sem razão lá atrás já havia recomendado aos aliados mais próximos que deixassem os partidos vinculados ao presidente da República no estado.

Ao sentar praça no PSB o senhor Dino – que não foi para o partido sem garantias –, retirou do palanque pedetista um partido que já estava na conta dos “garantidos”.

Como disse em outro texto, o senhor Dino fugiu do “prato-feito” do senador pedetista, que queria ser “ungido” como uma espécie de candidato único em um leque de alianças englobando do PCdoB ao DEM.

Dino refugou, desmarcou diversas reuniões com os chamados partidos da chamada base e fez o seu próprio jogo.
Primeiro articulou junto com o vice-governador, Carlos Brandão, a retomada do PSDB.

Jogou muito bem, novamente, quando colocou um dos principais “golden boys” no Partido dos Trabalhadores - PT, no caso, o Camarão.

Diferente do que um ou outro petista pensou (ou pensa) o crustáceo, não representa qualquer ameaça a eleição de algum petista à Câmara dos Deputados, pelo contrário, ele pode ajudar a eleger mais de um deputado federal pela legenda.

Essa é uma das hipóteses, a outra é que o crustáceo tenha sido colocado no PT com o propósito de vir a compor com o PSDB para o governo estadual.

Noutras palavras, menos um partido no palanque pedetista.

No jogo político gestos contam mais do que muitas ações.

Se Dino articula uma aliança PSDB/PT, até pela simbologia que isso significa no cenário nacional, se credencia como “grande” articulador político a ponto de pleitear o Jaburu.

Até para diminuir a rejeição que tem, o PT vai querer essa fotografia.

Um palpite – repito, apenas um palpite –, é que o senhor Dino sonha com a seguinte chapa: Lula, do PT (presidente), ele, Dino do PSB (vice-presidente), Brandão, do PSDB (governador), Camarão, do PT (vice-governador) e para provar que é mesmo um articulador “porreta” chama Roseana, do MDB para ser a candidata ao Senado Federal, claro se contar com a simpatia e apoio do ex-presidente Sarney advogando seu pleito no MDB e junto ao ex-presidente Lula.

Não dando certo a articulação para o Jaburu, será candidato a senador, como já programado.

Claro que posso está completamente errado, mas é assim que, no momento, estou vendo o cenário estadual.

Dando certo o plano de Dino, ao senador Weverton restará articular-se, caso queira pleitear o governo estadual – e já ouvi de quase uma dúzia de pessoas que não será, muito embora ninguém decline os motivos –, com os partidos e os políticos vinculados ao presidente da República, se compondo, além dos partidos que já lhe declararam apoio, com políticos como o senador Roberto Rocha, que precisa de um palanque forte para disputar a reeleição para o Senado Federal contra Dino ou Roseana (no caso das articulações do ex-comunista darem certo).

Caso seja mais que um boato a não candidatura do senador pedetista, não o vejo se recompondo com o governador Flávio Dino, sendo mais provável que apoie outra força política, sendo prematuro especular sobre quem seria.

Como disse em textos anteriores, o quadro político no Maranhão ainda se encontra bastante embaralhado e só agora começa a desanuviar com essas movimentações do governador Dino, que até então jogava parado.

Com as últimas articulações do governador, nem mesmo o fato de, supostamente, o PDT haver colocado a candidatura de Ciro Gomes na mesa de negociações com o PT, o fará retroceder no projeto de conduzir a sua sucessão.

Foi esse, digamos, “ativismo” que incomodou bastante a classe política local.

Uns diretamente, outros através de assessores de imprensa, vestidos de jornalistas, já não pedem licença para enxergar os defeitos do governador que antes fingiam não existir.

Sobre as outras candidaturas que se dizem postas ainda é precipitado falar.

Esta semana, tomei conhecimento que o secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, do Solidariedade, se coloca como candidato ao governo – mas fechado com Dino para o Senado.

Mas vai se compor e articular com quem?

Ainda para um partido estruturado em todo o estado é complicado sair sozinho.

Pior é a situação de outros possíveis postulantes.

O senador Roberto Rocha, por exemplo, é um exímio articulador político, entretanto, faltando pouco mais de um ano para as eleições, não sabemos, sequer, se tem partido.

O prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, que se apresenta como bolsonarista raiz e percorre o estado, será que ao menos terá legenda para disputar?

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho, do PL, tem legenda e até sustentação política – conta com o apoio de um grande grupo de prefeitos –, possuirá condições objetivas para enfrentar uma eleição majoritária de governador?

Todas essas situações nos impedem de analisar com mais profundidade a sucessão do ano que vem.

Apesar disso, continuaremos no nosso observatório político, de olho nos lances e capítulos dessa novela.

Abdon Marinho é advogado.

Por 2022, Dino trai PCdoB e faz anúncio surpresa sobre saída antecipada do partido
Política

Governador havia declarado que só consideraria deixar a legenda quando não houvesse mais chances de aprovação de federações partidárias pelo Congresso

O governador Flávio Dino pegou de surpresa a cúpula do PCdoB, que deu a ele guarida na corrida pelo Palácio dos Leões em 2014 e 2018, e anunciou nas redes sociais nesta quinta-feira (17) que pediu desfiliação do partido.

Hostil, Dino até tentou demonstrar gratidão pela mais de uma década de militância comunista, mas fez questão de tornar público, ao seu modo, que a decisão pela saída ocorre em meio a desentendimentos que passou a ter com a legenda.

“Agradeço ao PCdoB a acolhida fraterna nesses 15 anos de militância. Diferenças que hoje temos, de estratégia e tática políticas, são menos importantes do que o meu reconhecimento ao papel histórico do partido na defesa de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil”, escreveu.

Embora iminente, a saída de Flávio Dino foi antecipada e sem diálogo. Nas últimas semanas, em diversas entrevistas, ele havia declarado que só consideraria deixar o PCdoB de fato após a discussão final sobre a proposta de federações partidárias que tramita no Congresso.

Segundo apurou o ATUAL7, apesar da possibilidade de aprovação de federações partidárias, o governador do Maranhão já se articulava, com ou sem fusão dos partidos, para deixar o PCdoB e ir para o PSB, por onde pretende concorrer ao Senado –apesar de ainda nutrir o sonho de ser vice na chapa de Lula (PT) ao Palácio do Planalto. A cúpula comunista, porém, defendia e esperava dele fidelidade e reconhecimento ao partido, e que permaneceria filiado em eventual aprovação da proposta de federações partidárias.

Desabituado a conflitos, porém, o governador buscou realizar o que já havia sentenciado para sua vida pública em 2022.

Nas redes sociais, da mesma forma que Dino saiu atirando, também sutilmente, recebeu de volta.

Secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano do Governo do Maranhão, o presidente estadual do PCdoB, Márcio Jerry, disse que respeita a decisão do “amigo e companheiro de lutas há quase 4 décadas”, mas também fez questão de externar sobre "diferenças de leituras e rumos em dada conjuntura” entre o agora ex-comunista e o partido.

Também se manifestaram respondendo na mesma medida o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) e a candidata à vice-presidente na chapa de Fernando Haddad em 2018, Manuela d’Ávila (PCdoB-RS).

“Triste com a saída do PCdoB! Partido Comunista é como um trem, tem um destino”, escreveu Silva.

“Não acredito em saída individual para dilemas coletivos”, disparou Manuela, mas garantindo que estava se referindo, na verdade, à ela própria sobre a expectativa de que também deixe a sigla e migre para o PSB.