Flávio Dino
Em crise, Flávio Dino recorre a Othelino Neto para salvar articulação de pré-candidatura ao Senado
Política

Na função, presidente da Alema vai tentar abrir diálogo onde ex-governador sofre forte resistência. Apelo ocorre após ruptura de Weverton Rocha e formação de frente ampla pela reeleição de Roberto Rocha

Jogado ao isolamento político desde que perdeu o poder que exercia por ser mandatário do Estado, o ex-governador Flávio Dino (PSB) recorreu ao presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Othelino Neto (PCdoB), para salvar a articulação de sua pré-candidatura ao Senado.

A decisão pelo apelo foi tomada na última quarta-feira (4), poucos dias após o anúncio de ruptura do senador Weverton Rocha (PDT), que disputará ao Palácio dos Leões contra Carlos Brandão (PSB), mas vinha afirmando que apoiaria Dino ao Senado, e de lideranças de quase dez partidos formarem uma frente ampla de apoio à reeleição do senador Roberto Rocha (PTB).

Após um mês fora do comando do Executivo, Dino foi abandonado por praticamente todos antigos aliados, recebeu quase nenhuma visita e não encontrou espaço para ele próprio pudesse criar uma agenda.

Dos poucos seguidores que ainda lhe sobraram, a maioria, como o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), preferiu não se arriscar a ficar sem mandato e está se dedicando exclusivamente à própria campanha eleitoral ou, no máximo, também a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, mas isso de olho nos votos do petista.

A repulsa provocada nas classes política e empresarial pelo tesoureiro do PSB no Maranhão, o ainda secretário de Comunicação Ricardo Cappelli, aumentou ainda mais a crise e fechou portas para o ex-governador.

Para retomar uma agenda positiva, a saída foi recorrer a Othelino Neto.

Diferentemente de Dino, o presidente da Alema é reconhecido por desenvolver boa política e sempre manteve uma relação civilizada e respeitosa com todos os setores de poder. Na função, pode facilitar a abertura de diálogo onde o ex-governador sofre forte resistência, a começar com prefeitos do interior do Maranhão e deputados estaduais.

Além de reforço ao acordo para eventual 5º mandato consecutivo de presidente da Assembleia Legislativa do Estado, e de ter a esposa, Ana Paula Lobato (PSB), indicada para a vaga de primeira suplente de Dino ao Senado, em troca da difícil a missão, o deputado acertou apoio do Palácio dos Leões para a irmã, Flávia Alves Maciel (PCdoB), na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Até o momento, porém, nenhuma resistência a Flávio Dino conseguiu ser quebrada.

Carlos Brandão acerta com Flávio Dino saída honrosa para Ricardo Cappelli
Política

Secretário de Comunicação do Maranhão ficará no cargo até o próximo mês. Exoneração combinada ocorre após ele provocar a formação de uma frente ampla contra o ex-governador

Integrantes de primeiro escalão do Palácio dos Leões afirmam que Carlos Brandão e Flávio Dino acertaram uma saída honrosa para Ricardo Cappelli, que será posto para fora do Governo do Estado até o próximo mês.

Pressionado pela própria base após nova incontinência logorreica do secretário de Comunicação provocar a formação de uma frente ampla de libertação em torno da reeleição de Roberto Rocha (PTB) ao Senado, Brandão aproveitou o momento para lograr o desejo dos irmãos, Zé Henrique e Marcos Brandão, que nunca quiseram Cappelli no Executivo.

Pelo acordo, o ainda chefe da Secom fica no cargo até junho.

Para tentar contornar o desgaste com a queda da eminência parda pouco mais de dois meses após mudança de comando no governo, foi montado um plano para que Ricardo Cappelli assuma a articulação de campanha do PSB, partido que abriga o atual e o ex-mandatário do Maranhão, onde já responde como tesoureiro em nível estadual.

Governo do MA pagou quase R$ 1 bilhão a alvo da Sermão aos Peixes nos últimos sete anos
Política

Inquérito da Polícia Federal apura envolvimento do Instituto Vida e Saúde, o Invisa, com prática de crime de peculato. SES mantém contratos e fez aditivos mesmo após Carlos Lula tomar conhecimento das investigações

O Governo do Maranhão tem feito pagamentos milionários a uma entidade do terceiro setor alvo da Sermão aos Peixes, maior investigação contra desvios de recursos e lavagem de dinheiro público federal da história do estado.

A favorecida é o Instituto Vida e Saúde, o Invisa, entidade dita sem fins lucrativos com sede no Rio de Janeiro e filial em São Luís, que tem como diretor-geral Bruno Soares Ripardo e, como gerente administrativo e diretor-médico, respectivamente, Raimundo Silva Santos Júnior e Flávio Adérito Ferreira.

Nos últimos sete anos, o governo reservou exatos R$ 1.001.365.616,05 do Orçamento para pagamentos ao Invisa. O montante total já pago soma R$ 926.418.600,87 —em valores nominais, sem correção pela inflação, já que os desembolsos não são de períodos fixos, mas variados.

Os repasses são referentes a contratos de gestão dos hospitais estaduais de Traumatologia e Ortopedia, Dr Raimundo Alexandrino de Sousa Lima, Nina Rodrigues, CAPS III, CAPS AD, Residência Terapêutica, Dra. Laura Vasconcellos, Policlínica de Lago dos Rodrigues, além dos hospitais regionais de Viana e de Monção.

Os empenhos e pagamentos foram levantados pelo ATUAL7 em planilhas da SES (Secretaria de Estado da Saúde) referentes aos anos de 2015 a 2021, no Portal da Transparência. Para 2022, já estão reservados mais R$ 30.183.453,39. Os recursos são oriundos, principalmente, do FNS (Fundo Nacional de Saúde), segundo investigações da Sermão aos Peixes.

No período levantado, o Palácio dos Leões tinha como mandatário Flávio Dino (PSB), e a SES estava sob comando de Carlos Lula (PSB). Ambos deixaram os cargos no início de abril, para entrarem na disputa por uma cadeira no Senado e na Assembleia Legislativa do Maranhão, respectivamente. Desde o dia 2 do mês passado, o governador do Maranhão é Carlos Brandão (PSB), e o secretário de Saúde, Tiago Fernandes.

Procurados pelo ATUAL7 desde a semana passada para se posicionarem sobre o assunto, a SES e a STC (Secretaria de Estado da Transparência e Controle), que tem como finalidade institucional fomentar a prevenção e o combate à corrupção, não retornaram o contato. Também não houve resposta por Dino nem pelo Invisa.

Apenas Carlos Lula se manifestou, após insistência da reportagem, mas apenas para alegar que não poderia fazer comentários a respeito do caso.

O Invisa é alvo de investigação da Polícia Federal na Sermão aos Peixes em apuração sobre prática de crime de peculato, inclusive com pedido de quebra de sigilo de dados e telefônico.

A mais recente movimentação do processo 0025116-39.2016.4.01.3700, que tramita sob segredo de Justiça na 1ª Vara Criminal do Maranhão, ocorreu nesta quinta-feira (5), conforme registro do sistema de processos físicos do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região. Embora o acesso aos autos sejam disponibilizados apenas às partes envolvidas no inquérito policial, por não estar sob sigilo, trechos de despachos, mesmo que sem maiores detalhes do caso, são acessíveis a qualquer pessoa.

Em 16 de abril de 2019, ao conceder vista à defesa técnica do Invisa ao processo, o juiz federal Luiz Régis Bomfim Filho, relator da Sermão aos Peixes em primeira instância, também abriu acesso às provas que já haviam sido produzidas e formalmente incorporadas ao IPL 468/2015, inquérito policial instaurado pela PF no início do governo Dino, após os investigadores verificarem que o mesmo modus operandi utilizado pelo governo anterior para o desvio de verbas públicas da saúde continuava em pleno funcionamento.

Do IPL 468/2015, foram originados outras apurações pela PF, como as que resultaram na deflagrações das 4ª e 5ª fases operações da Sermão aos Peixes, respectivamente, Rêmora e Pegadores.

Também alvo da Sermão aos Peixes, o ex-secretário de Saúde Carlos Lula teve acesso ao “inquérito-mãe” que mira o Invisa, quando tentou barrar investigações contra ele, por suspeita de fraude em licitação envolvendo o IDAC (Instituto de Desenvolvimento e Apoio à Cidadania), outra dita organização social alvo da PF, tanto em inquérito específico envolvendo diretamente o ex-titular da SES, já denunciado ao TRF-1 com pedido de reparação de R$ 8,5 milhões aos cofres públicos, quanto nas investigações relacionadas às operações Rêmora e Pegadores.

Apesar de haver tomado formalmente conhecimento da investigação da Polícia Federal contra o Invisa, Carlos Lula manteve contratos e ainda formalizou aditivos com o instituto, atitude destoante da tomada e divulgada pelo Palácio dos Leões como exemplo de probidade e de proteção ao dinheiro público em relação ao IDAC, ICN (Instituto Cidadania e Natureza), Bem Viver Associação Tocantina para o Desenvolvimento da Saúde e demais entidades do terceiro setor também pegas com as mãos no jarro em apurações da PF.

Na nota enviada via assessoria ao ATUAL7, o ex-titular da SES usou o fato da investigação tramitar sob segredo de Justiça para se evadir de posicionamento a respeito da manutenção dos contratos com o Invisa. “A assessoria de Carlos Lula relembra que o processo corre em segredo de justiça e sua divulgação constitui crime. Por esta razão, não haverá manifestação acerca do assunto”, respondeu.

O Maranhão já foi alvo de sete fases da Sermão aos Peixes, que tem por escopo apurar diversos crimes que envolvem o desvio de recursos públicos federais administrados por entidades o terceiro setor que firmaram contratos de gestão e termos de parceiros com o Governo do Estado.

Segundo força-tarefa formada pela Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Ministério Público Federal e Receita Federal, os desvios já identificados ocorrem na chamada taxa de administração, por meio da subcontratação de empresas, com direcionamento de licitações, superfaturamento em contratos e saques vultosos nas contas de unidades hospitalares administradas, e também por meio de fraudes na contratação e pagamento de pessoal, apontados nas investigações como funcionários fantasmas.

Para subtrair o dinheiro público da saúde, segundo a PF, a organização criminosa utilizou diversas estratégias, como transformar uma sorveteria em empresa especializada na gestão de serviços médicos e esconder dinheiro na cueca.

Lideranças reeditam ‘solução acriana’ contra Flávio Dino e fecham apoio a Roberto Rocha ao Senado
Política

Termo foi alcunhado pelo ex-governador do Maranhão nas eleições de 2014, em alusão à união de partidos das mais variadas orientações ideológicas contra organização criminosa que comandava o estado do Acre

Lideranças de pelo menos nove partidos no Maranhão decidiram reeditar para as eleições deste ano, na disputa pelo Senado, um fato histórico ocorrido no Acre, nos anos 90, e repetido no Maranhão, mais de uma década depois.

Trata-se da chamada “solução acriana”, termo alcunhado pelo ex-governador Flávio Dino (PSB) e que agora voltou a ser adotada no estado, mas desta vez contra ele próprio.

Em 1998, no Acre, iniciou-se o principal exemplo do sucesso de uma política ampla de alianças. Naquele estado reinava uma horda selvagem que abrigava em seus quadros gente do naipe de Hildebrando Pascoal, que ficou conhecido como “o deputado da motosserra”, e chegou a ser preso por liderar um grupo de extermínio com ações assassinas até no Maranhão.

Para derrotar esse tipo de gente, forças concorrentes se uniram em nome da superação do atraso político. Partidos antagônicos, como PSDB e PT, nacionalmente adversários, estiveram no mesmo palanque e, juntos, varreram do mapa acriano o terror promovido pela organização criminosa que amassava os cofres públicos e aterrorizada a esperança da população.

Em 2014, o que ficou conhecido como “solução acriana” chegou ao Maranhão, por meio de Dino, que, disputando o Palácio dos Leões pelo PCdoB contra o antigo clã Sarney, e reuniu diversos partidos e atores políticos para, segundo defendia, colocar a democracia em prática.

Oito anos depois, em 2022, após diálogo e esforço para entendimento até entre aqueles quem têm desavenças pessoais, lideranças de partidos das mais variadas orientações ideológicas decidiram se unir em torno do senador Roberto Rocha (PTB) contra a tentativa de eleição de Flávio Dino para o Senado.

Assim como ocorreu no Acre, o Maranhão pós-Dino ainda se depara com uma realidade estigmatizante de pobreza extrema, crime organizado e de corrupção.

A frente ampla já reúne nove partidos de esquerda, centro e de direita: PTB, PDT, PL, PSC, PSD, PROS, Republicanos, Agir e PMN, e pode chegar a pelo menos 12 partidos, com a entrada iminente do Avante e do Patriotas, além do União Brasil, caso a legenda fique sob comando do deputado federal Juscelino Filho.

O Podemos, do deputado estadual Fábio Macedo, também pode aderir à frente anti-Dino, mesmo tendo afiançado apoio a Carlos Brandão em troca de espaços no Palácio dos Leões.

Ataques verbais de Ricardo Cappelli dão auxílio a Weverton Rocha para ruptura com Flávio Dino
Política

Secretário de Comunicação do Maranhão tachou pedetista de traidor, rótulo que o próprio ex-governador havia negado colocar no agora ex-aliado

A incontinência logorreica do secretário de Comunicação do Maranhão, Ricardo Cappelli, presenteou o senador Weverton Rocha (PDT) com o auxílio necessário para ruptura com ex-governador Flávio Dino (PSB).

Principal adversário de Carlos Brandão (PSB) na disputa ao Palácio dos Leões, Weverton vem sendo alvo de ataques verbais sistemáticos de Cappelli há algumas semanas, em razão de temor pelo acesso privilegiado do pedetista a integrantes do governo Jair Bolsonaro (PL), facilidade na liberação de recursos federais, intimidade com a alta cúpula dos Poderes em Brasília (DF), além de aproximação com um dos filhos do presidente da República, o também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Recentemente, Weverton foi tachado de traidor, em investida do titular da Secom nas redes sociais que, segundo aliados do pedetista, ultrapassou o limite e fomentou o rompimento com Dino.

Nesta sexta-feira, em entrevista ao podcast “Sai da Lama”, de Caxias, em resposta à radicalização de Cappelli, Weverton modulou seu discurso pela primeira vez, e afirmou que, em razão dos ataques que vem sendo alvo, decidiu com seu grupo político buscar um novo nome para o Senado para as eleições deste ano.

“Uma coisa o nosso grupo já tomou a decisão política. Nós não vamos votar no Flávio Dino. Depois de tudo que ele e a forma agressiva, dura, difícil e tudo que vocês viram e não precisa eu falar. O caminho que ele procurou percorrer que não é o nosso e não tem por que a gente estar juntos”, declarou.

Apesar da conjuntura política tornar a escolha difícil, o novo nome ao Senado do grupo político liderado por Weverton Rocha pode ser Roberto Rocha (PTB-MA). Conforme mostrou o ATUAL7, O senador bolsonarista vai tentar reeleição ao mandato em confronto direto nas urnas com Dino –este próprio abertamente contrário ao rótulo dado por Cappelli de que o pedetista seria um traidor.

Tesoureiro do PSB, partido que abriga tanto Dino quanto Brandão para a disputa eleitoral de 2022, Ricardo Cappelli segue com as rédeas da Comunicação do Estado por determinação do ex-mandatário, e vem atuando no Executivo como espécie de governador paralelo, com poder para determinar quem entra e quem sai do governo, quais contratadas pela gestão pública podem receber pagamentos por serviços prestados e como o novo inquilino do Palácio dos Leões deve se comportar administrativa e eleitoralmente, inclusive com domínio sobre formação de eventuais alianças.

Também ganhou autoridade, gerada por Dino antes de renunciar ao cargo e caninamente zelada por Brandão desde que assumiu o governo, para tratar parlamentares até mesmo da base aliada ao seu bel-prazer. Zé Henrique e Marcos Brandão, irmãos de Carlos Brandão que tentam atrair poder na gestão do parente e intentaram emplacar no controle da comunicação o jornalista Sérgio Macedo, também só se movimentam sob prestação de continência a Ricardo Cappelli.

A permanência na Secom foi possível, segundo pessoas do entorno do Palácio dos Leões, após ameaça de Flávio Dino, em forte discussão que teria atravessado a madrugada, de romper com Carlos Brandão. Devido ao desentendimento, ele foi um dos últimos anunciados no cargo.

Aliado de Jair Bolsonaro, Roberto Rocha decide disputar reeleição ao Senado
Política

Confirmação de pré-candidatura vai nacionalizar campanha eleitoral no Maranhão, que tem Flávio Dino, aliado de Lula, na disputa pela mesma vaga

O senador Roberto Rocha (PTB-MA) anunciou a pessoas próximas que decidiu tentar renovar o mandato nas eleições deste ano.

O anúncio será tornado público na próxima semana, em coletiva de imprensa marcada para a segunda-feira (2), em São Luís.

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), Rocha migrou recentemente do PSDB para o PTB, após negociação com o ex-deputado Roberto Jefferson. A confirmação da pré-candidatura vai nacionalizar a campanha eleitoral no Maranhão, já que tem o ex-governador Flávio Dino (PSB), aliado do ex-presidente e pré-candidato ao Palácio do Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na disputa pela mesma vaga ao Senado.

Segundo interlocutores de Rocha, a determinação levou em conta o fato de que há diversos candidatos da oposição ao Executivo, contra Carlos Brandão (PSB), mas contra Dino, apenas ele.

Paralela à decisão de disputar a reeleição ao Senado, Roberto Rocha tenta também articular a formação de uma chapa competitiva e que unifique opositores do Palácio dos Leões.

Contudo, apesar da abertura de diálogos com o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL) e com o senador Weverton Rocha (PDT), o primeiro não pretende se juntar a Roberto Rocha na corrida majoritária e o segundo teria de se assumir publicamente aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL) concomitante à deserção obrigatória do marketing eleitoral de que seria o maior amigo do ex-presidente Lula no Maranhão.

Dino esvaziou Casa Civil e privilegiou Segov, para onde voltou Galdino, antes de renunciar cargo
Política

Ex-mandatário do Estado remanejou mais de 20 cargos para pasta novamente comandada pelo pupilo

O ex-governador Flávio Dino (PSB) esvaziou a Casa Civil e privilegiou a Secretaria de Estado de Governo pouco antes renunciar ao cargo de chefe do Executivo para disputar o Senado nas eleições de outubro deste ano.

O esvaziamento foi promovido por meio de decreto, com remanejamento da estrutura da Casa Civil para a estrutura da Segov mais de 20 cargos em comissão, inclusive de simbologia Isolado, a mais bem remunerada da administração pública.

Embora republicado no DOE (Diário Oficial do Estado) no dia 1º de abril, quando passou a entrar em vigor, segundo a publicação, o decreto foi assinado em 9 de março, com efeitos de validade contados desde o 1º daquele mês.

Além de Dino, assina o documento o então chefe da Casa Civil, Diego Galdino, um dos novos pupilos do ex-governador maranhense.

Em acordo com o antecessor, o agora governador Carlos Brandão (PSB), que assumiu o comando minoritário e aquinhoado do Palácio dos Leões para tentar a reeleição, exonerou Galdino da Casa Civil, mas o nomeou justamente como titular da Segov –a qual ele já havia comandado entre julho de 2019 e a agosto de 2021.

A Secretaria de Governo do Maranhão é uma das pastas que, no governo compartilhado entre Dino e Brandão, segue sob controle de indicados pelo ex-governador.

Integrante do primeiro escalão do Poder Executivo, a Segov tem por finalidade assistir direta e imediatamente o governador do Estado no desempenho de suas atribuições, especialmente nos atos de gestão dos negócios públicos, no monitoramento e avaliação da ação governamental, na coordenação de programas e projetos estratégicos, cerimonial público, assessoria militar do governo e outras atribuições que lhe forem delegadas pelo mandatário do Estado.

Com a saída de Galdino da Casa Civil, o novo titular passou a ser o tucano Sebastião Madeira, ex-prefeito de Imperatriz. Embora indicado por Carlos Brandão, ele teve o nome confirmado apenas após a aceitação de Flávio Dino, que havia rejeitado outros nomes sugeridos inicialmente por Brandão.

A Casa Civil, que já foi uma das pastas mais importantes e cobiçadas do primeiro escalão, tem como finalidade a articulação com órgãos e entidades das outras esferas de governo, na coordenação da atuação dos órgãos regionais, relações com a sociedade, representação governamental, relações institucionais e políticas com os Poderes Legislativo e Judiciário do Estado, bem como o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público Estadual, além da gestão do Diário Oficial e outras atribuições que lhe forem delegadas pelo governador.

Josimar foca combate à pobreza em propaganda partidária: ‘Vamos tirar o Maranhão do vermelho’
Política

Fala do pré-candidato ao Palácio dos Leões pelo PL ataca diretamente Flávio Dino, que deixou o governo, e Carlos Brandão, atual mandatário

O deputado federal e pré-candidato ao Palácio dos Leões, Josimar Maranhãozinho, estreou a propaganda partidária gratuita do Partido Liberal.

No material, que passou a ser veiculado na semana passada, Josimar mantém foco no combate à pobreza e ataca de forma direta o governo de Flávio Dino (PSB), que findou no início deste mês, e de Carlos Brandão (PSB), continuidade da gestão.

“São realidades como essa que nos entristece profundamente. O Maranhão precisa de um olhar mais humano para com nossa gente. Nós do PL temos esse olhar. Vamos juntos tirar o Maranhão do vermelho”, diz o pré-candidato ao governo, após a inserção mostrar um família relatando a falta de emprego, de renda no estado e sobre ser vítima da fome.

A dura crítica –com o uso em duplo sentido da cor vermelha, em alusão à extrema pobreza no estado e aos partidos de esquerda– potencializa o distanciamento de Josimar Maranhãozinho do Palácio dos Leões, efeito que já havia sido reforçado no final de março, com a entrada de lideranças do Aliança pelo Brasil no PL, por orientação de Jair Bolsonaro.

O presidente se filiou ao partido em novembro, e caminha para ter Josimar como candidato próprio no Maranhão. “As cores verde e amarela [estão agora] predominando sobre o vermelho. Nós conseguimos fazer brotar o sentimento de patriotismo”​, discursou, durante o ato.

Saiba quem é Ana Paula Lobato, escolhida por Flávio Dino para 1ª suplência ao Senado
Política

Ações realizadas na prefeitura de Pinheiro e movimentação de Othelino Neto, presidente da Assembleia Legislativa e seu marido, garantiram a vaga

Ana Paulo Lobato (PSB), 37, foi escolhida pelo ex-governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), para a vaga de 1ª suplente ao Senado Federal nas eleições de 2022. O anúncio foi feito durante evento de despedida do socialista do Palácio dos Leões, na semana passada.

Enfermeira e empresária do ramo de aluguel de equipamentos e comércio de máquinas para construção, ela é vice-prefeita de Pinheiro, município localizado na Baixada Maranhense, onde viveu durante toda a sua infância e adolescência.

Aliados apontam que a indicação para a 1ª vice de Dino é resultando da soma de dois fatores:

Ações realizadas por ela na gestão municipal durante o afastamento de Luciano Genésio da prefeitura por determinação do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, no bojo da Operação Irmandade; e a movimentação do presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão e seu marido, Othelino Neto (PCdoB), que se apartou do projeto do senador Weverton Rocha (PDT) e fechou apoio à reeleição do novo governador do Estado, Carlos Brandão (PSB).

Ana Paula Lobato foi eleita vice-prefeita de Pinheiro em 2020 pelo PDT, seu antigo partido, após a terceira disputa eleitoral. As outras duas, sem vitória nas urnas, foram em 2016, também para vice-prefeita de Pinheiro, e em 2014, para deputada estadual.

Desde que Othelino assumiu o comando da Alema, em 2018, ela preside o Grupo de Esposas de Deputados do Estado do Maranhão, o Gedema, associação civil, sem fins lucrativos, fundada em 1977, com caráter essencialmente filantrópico. 

Pelo Gedema, tem implementado ações e projetos de cunho social e comunitário, visando à efetiva integração dos seus associados e dependentes, da coletividade e dos menos favorecidos na sociedade. Também garante apoio administrativo e pedagógico à Creche-Escola Sementinha, proporcionando aos alunos (filhos e netos de funcionários do Legislativo e de deputados estaduais) ensino de qualidade.

Enquanto prefeita em exercício de Pinheiro, conseguiu dar celeridade à imunização adulta e infantil contra a Covid-19, reabasteceu a rede pública municipal de saúde com medicamentos, insumos e equipamentos.

Também reajustou o piso salarial dos professores, lançou o primeiro pregão eletrônico do município, abriu dados que estavam ocultos no Portal da Transparência e entregou capacetes ao mototaxistas. Além disso, recuperou pontes e também vistoriou e entregou várias obras do programa Pró-Asfalto.

A saída do PDT e filiação ao PSB ocorreram em meio ao convite e anúncio por Dino para compor a chapa majoritária, feito no dia 31 de março.

Ana Paula Lobato é mãe de dois filhos, Guilhermina e Othelino José, frutos do casamento com Othelino Neto.

Brandão assume Governo do MA e anuncia educação como prioridade
Política

Flávio Dino renunciou ao cargo para disputar o Senado e atuará como conselheiro informal da nova gestão

Carlos Brandão (PSB), 63, assumiu o Governo do Maranhão nesse sábado (2) após renúncia de Flávio Dino (PSB) para concorrer ao Senado. Brandão é pré-candidato à reeleição ao Palácio dos Leões.

Em discurso de posse, o novo mandatário do Estado anunciou que a educação será a prioridade da gestão.

“Eu acredito muito na educação, pois considero a melhor maneira para libertar as pessoas. Portanto, a educação será uma meta prioritária do nosso governo, não desconsiderando as outras pastas”, disse.

Até o início do mês, o Secretaria de Estado da Educação era comandada por Felipe Camarão, que se filiou ao PT e será o vice na chapa de Carlos Brandão nas eleições de 2022.

A indicação de Camarão para a vaga partiu de Dino, que pode voltar a disputar o Executivo estadual daqui a quatro anos.

Segundo afirmou Brandão, o ex-governador do Maranhão atuará com espécie de conselheiro informal da nova gestão.

“Dino se colocou a disposição para continuarmos dialogando. E a nossa relação, apesar dele não ser mais o governador, continuará amigável e política. Existem muitas coisas que precisamos dar continuidade e naturalmente iremos trocar ideias para que o Maranhão continue avançando”, declarou.

“Foguete sem ré”, Weverton imita Dino e disputa 2022 de olho no Palácio dos Leões em 2026
Política

Senador trabalha para terminar outubro pelo menos como segundo colocado nas urnas. Antevendo estratégia, socialista impôs nome de Felipe Camarão na vice para caso necessite disputar ele próprio o Executivo contra o pedetista

Apesar das dezenas de baixas em sua pré-campanha desde que Flávio Dino (PSB) anunciou oficialmente Carlos Brandão (PSB) como seu sucessor no Palácio dos Leões, em novembro do ano passado, o senador Weverton Rocha (PDT) deve se manter na disputa até o fim.

“Foguete sem ré”, conforme slogan que passou a adotar, Weverton trabalha as eleições de 2022 de olho na de quatro anos depois, 2026.

Espécie de imitação dos passos de Dino, o objetivo do pedetista é terminar a eleição de outubro pelo menos na segunda colocação nas urnas, ainda que eventualmente derrotado pela força do Palácio dos Leões logo no primeiro turno, como vem se desenhando. Com a façanha, automaticamente, se tornaria o principal opositor de Brandão no Executivo –como fez Dino em 2010, estrategicamente, para vencer em 2014, então já imbatível.

Caso a força do Palácio dos Leões garanta a permanência de Carlos Brandão no comando do Estado pelos próximos quatro anos, em 2026, o sucessor de Flávio Dino terá de deixar o Executivo, provavelmente para disputar o Senado.

Exatamente por antever esse cenário, Flávio Dino impôs seu pupilo, Felipe Camarão (PT), como vice da chapa. A intenção é voltar a disputar o Palácio dos Leões, na hipótese de Camarão aparecer propenso a perder a disputa de 2026 para Weverton. Espécie de marionete do padrinho, Camarão permaneceria no governo até o fim, sem qualquer resistência.

Para o ainda governador do Maranhão, em eventual enfrentamento direto com o pedetista, ele se sairia melhor do que Camarão.

Dino deixa governo sem entregar ponte entre Central e Bequimão, atrasada há quase 1.300 dias
Política

Obra já custou os cofres públicos mais de R$ 12,5 milhões a mais do que o valor original do contrato. MP investiga crime contra ordem tributária no âmbito do consórcio responsável pela construção. Dono de empreiteira foi alvo da PF por formação de cartel e fraude em licitações no Tocantins

O governador Flávio Dino (PSB) se despede da gestão estadual sem entregar a ponte sobre o Rio Pericumã, obra que está sendo construída para ligar os municípios entre Central do Maranhão e Bequimão, nas Regiões da Baixada e Litoral Ocidental Maranhense

Uma de suas maiores promessas de campanha, tanto de eleição quanto de reeleição ao Palácio dos Leões, a obra teve início em setembro de 2016 e que deveria ter sido concluída e entregue à população, segundo o cronograma original, dois anos depois.

O contrato para a construção a ponte foi celebrado entre a Sinfra (Secretaria de Estado da Infraestrutura) e o Consórcio Epeng – Fn Sondagens, formado pela empreiteiras Epeng - Empresa Projetos de Engenharia e FN Sondagens, Fundações e Obras Especiais.

A pasta ainda é comanda por Clayton Noleto, antes correligionário de Dino no PCdoB e agora no PSB, e que também deixará a gestão estadual por conta da Lei de Inelegibilidades, para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Pelo valor original do contrato, a construção da ponte sobre o Rio Pericumã teria custo total de R$ 68.342.637,42 aos cofres públicos. Dados do Portal da Transparência, porém, mostram que, até o momento, exatos R$ 80.899.503,00 já foram repassados para o consórcio. Ao todo, R$ 12.556.865,58 a mais já foram repassados a mais para a obra.

Questionado pelo ATUAL7 sobre qual novo prazo para conclusão da obra, Noleto não retornou o contato. Também não respondeu o Governo do Maranhão.

Em publicação nas redes sociais nessa quarta-feira (30), a Sinfra divulgou fotos que mostram que somente ontem estava sendo executada a aplicação da camada asfáltica por cima da estrutura da ponte. O acesso à obra, tanto em relação às estradas que farão a ligação entre os municípios de Central do Maranhão e Bequimão quanto à cabeceira, contudo, está longe de ser concluído.

Além do atraso na conclusão e entrega da obra em mais de três anos, há ainda suspeitas de prática crimes contra a ordem tributária que teria ocorrido no âmbito do Consórcio Epeng – Fn Sondagens. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público do Maranhão, tendo Clayton Noleto como alvo.

A Epeng, empreiteira localizada na cidade maranhense de Codó e que integra o consórcio, foi alvo da Polícia Federal na Operação Ápia, deflagrada em outubro de 2016 contra esquema em obras de terraplanagem e pavimentação asfáltica no Tocantins. Francisco Antelius Sérvulo Vaz, dono da empresa, é réu no bojo da investigação.

Eduardo Nicolau, da PGJ-MA, arquiva pedido de investigação de Dino contra Wellington
Política

Deputado chamou governador de ‘impostor’ e de ‘mentiroso’ em publicação sobre aumento dos preços dos combustíveis no Maranhão. Chefe do Ministério Público não viu indício de crime e destacou imunidade parlamentar do tucano

O procurador-geral de Justiça Eduardo Nicolau determinou o arquivamento de uma representação ofertada pelo governador Flávio Dino (PSB) para que o deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) fosse investigado por injúria.

Em manifestação no último dia 10, o chefe do Ministério Público maranhense acolheu integralmente parecer da assessoria de investigação do órgão, que não viu indício de crime e destacou a imunidade parlamentar do tucano.

“Ainda que se considerasse que as declarações impliquem ofensa à dignidade do noticiante, o prosseguimento das investigações esbarra no instituto da imunidade parlamentar”, escreveu o homem forte de Nicolau no MP-MA, o promotor de Justiça Danilo Castro Ferreira, que assina a sugestão de arquivamento acolhida com seu inteiro fundamento pelo procurador-geral de Justiça.

A defesa de Wellington do Curso, responsável por levar a PGJ ao entendimento final do caso, foi feita pelo advogado Alex Ferreira Borralho.

Dino representou o principal oposicionista à sua gestão após o parlamentar haver publicado na rede social Instagram imagem em que mandatário aparece em meio a bolos de dinheiro e afirmando que ele teria “enganado a população maranhense” no que se refere à responsabilidade pelo aumento dos preços da gasolina no estado.

Na publicação, Wellington chamou o chefe do Executivo de “impostor” e de “mentiroso”, o que teria, segundo alegou Dino, ferido a sua honra subjetiva.

“Governo do Maranhão arrecadou R$ 1,8 bilhão com ICMS dos combustíveis”, diz trecho da publicação, que ao final busca a opinião dos seguidores a respeito do assunto.

Por unanimidade, STF mantém rejeição a queixa-crime e manda Dino pagar advogado de Roberto Rocha
Política

Governador tentou condenação do senador no Supremo após ser apelidado ‘governador dos motéis’ por construção de módulos de encontro íntimo para apenados em penitenciárias no Maranhão

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nessa sexta-feira (11) confirmar a decisão da ministra Rosa Weber de negar seguimento a uma queixa-crime de Flávio Dino (PSB) contra o senador Roberto Rocha (PSDB) após o tucano apelidar o mandatário de “governador dos motéis”.

Por unanimidade, os 11 ministros do Supremo concordaram com a defesa do senador, entendimento confirmado em manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República), de que não há “tipicidade penal dos fatos narrados” pelo chefe do Executivo maranhense na acusação, em razão do fato ter ocorrido sob o âmbito da proteção da imunidade parlamentar de Roberto Rocha.

O pleno do STF também manteve a condenação de Flávio Dino ao pagamento de R$ 2 mil a título de honorários ao advogado Alex Ferreira Borralho, que fez a defesa do senador.

A publicação que afetou os brios de Dino sugere que o governador estaria construído motéis para os apenados do estado em detrimento de investimentos na saúde e contra a pandemia da Covid-19.

“No auge da 2ª onda da pandemia, o Governador do Estado do Maranhão assina contrato milionário para construir ‘motel’ dentro das penitenciárias!”, escreveu o tucano.

A decisão representa a terceira derrota de Flávio Dino para Roberto Rocha em ações criminais movidas pelo socialista contra o senador no Supremo.

MP Eleitoral defende no TSE rejeição de recurso para cassar chapa de Dino e Brandão por ‘farra de capelães’
Política

Órgão entendeu que caso não caracterizou abuso de poder político e econômico

O Ministério Público Eleitoral defendeu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a rejeição de um recurso que pede a cassação do governador Flávio Dino (PSB) e do vice, Carlos Brandão (PSDB), em razão do caso que passou a ser chamado de “farra de capelães”.

No parecer, apresentado nesta terça-feira (8), o vice-procurador-geral Eleitoral, Paulo Gustavo Gonet Branco, afirma que “as circunstâncias do caso não permitem o enquadramento da conduta como abusiva do poder político ou econômico” pela chapa nas eleições de 2018.

A ação de investigação judicial eleitoral contra o sistema formulado e institucionalizado pelo Executivo, que permitia a contratação de capelães para o sistema de segurança pública maranhense sem concurso público, foi formulada pela coligação encabeçada por Roseana Sarney (MDB), derrotada por Dino em primeiro turno.

A ordem para monitoramento de adversários políticos do Palácio dos Leões pela Polícia Militar e a acusação de participação de membros da corporação em atos de campanha de Dino e Brandão também foram descartadas por Gonet como fatores que pudessem ter causado impacto na disputa eleitoral.

O caso chegou ao TSE, sob relatoria do ministro Carlos Horbach, após recurso ordinário eleitoral interposto pela coligação de Roseana contra decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão julgou improcedente o pedido para cassar a chapa e tornar o governador e o vice inelegíveis.

Flávio Dino quer o controle da Secom, Secid, Seduc e Segov no governo Carlos Brandão
Política

Desejo do ainda mandatário, que deixa o cargo no final de março, é que comando das quatro pastas de primeiro escalão seja cedido até dezembro de 2022

Mesmo após renunciar no final de março o mandato de governador do Maranhão para disputar o Senado em outubro, Flávio Dino (PSB) quer manter o controle de pelo menos quatro pastas de primeiro escalão do Poder Executivo do Estado.

Como não deve favores políticos ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que assumirá o comando do Palácio dos Leões a partir de abril, Dino tem evitado fazer o pedido diretamente ao sucessor. Contudo, tem entabulado conversas com pessoas próximas de ambos, que assumiram a responsabilidade de passar o recado.

Segundo interlocutores de Brandão ouvidos reservadamente pelo ATUAL7, o ainda mandatário deseja controlar até dezembro de 2022 a Secom (Secretaria de Estado da Comunicação Social), via permanência do atual titular, Ricardo Cappelli; a Secid (Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano), para nome a ser indicado por Márcio Jerry; Seduc (Secretaria de Estado da Educação), que passaria a ser comandada pelo PT; e a Segov (Secretaria de Estado de Governo), onde seria novamente nomeado Diego Galdino.

No caso da Seduc, a abertura para indicação pelo PT faz parte de uma articulação para que o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceite a pasta em troca do preenchimento da vaga de vice na chapa de Carlos Brandão por Felipe Camarão, com apoio integral do petismo cuja corrente é ligada ao presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado), Joaquim Washington Luiz Oliveira.

A tendência CNB (Construindo um Novo Brasil) é majoritária no PT, e tem o próprio Lula e a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, como representantes.

Ala do PT ligada a Washington Oliveira tenta viabilizar Cricielle Muniz para vice de Carlos Brandão
Política

Desconfiança de Flávio Dino é principal obstáculo para formação da chapa. Governador teme que tomada do poder pelo PT sabote seu plano de tentar retornar ao Palácio dos Leões

Um costura entre a ala do PT no Maranhão ligada ao presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado), Joaquim Washington Luiz Oliveira, tenta viabilizar a secretaria adjunta de Governo Cricielle Muniz como companheira de chapa de Carlos Brandão (PSDB) na disputa ao Palácio dos Leões em 2022.

As conversas, que já ocorrem há um certo tempo, se intensificaram após o secretário Felipe Camarão (Educação) voltar a se comprometer em cumprir acordo fechado com a corrente CNB (Construindo um Novo Brasil) para entrada no partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de concorrer à Câmara dos Deputados.

O principal obstáculo para a formação da chapa tem sido a desconfiança do governador Flávio Dino (PSB).

Brandão assumirá o governo do Estado a partir de abril, para concorrer à reeleição. Se escolhido pelo eleitor maranhense em outubro para permanecer no Executivo, o tucano teria obrigatoriamente a petista como sucessora –mesma situação experimentada atualmente por Dino, que não pode escolher outra pessoa para a vice, como planejava.

Segundo interlocutores, Dino teme que, ao tomar o Poder, o PT se movimente e sabote com candidatura própria seu plano de tentar retornar ao Palácio dos Leões, já que o partido estaria no controle dos cofres da máquina administrativa.

A última vez em que o PT ocupou a vice foi no último governo de Roseana Sarney (MDB), entre 2011 e 2014, quando o detentor era o próprio Washington Oliveira. À época, Roseana chegou a intentar concorrer ao Senado, mas para isso teria de deixar o petista no comando do Estado ao se desincompatibilizar do cargo. Para para se defender do xeque-mate de entregar o Executivo estadual para o PT, viabilizou a vaga vitalícia no TCE-MA para Macaxeira, como era popularmente conhecido o hoje conselheiro nos tempos de vida pública petista.

Embora formalmente desligado do partido e legalmente proibido de exercer ligações político-partidárias, Washington Oliveira ainda é considerado uma das lideranças petistas no estado e na CNB, tendência majoritária no PT, que tem Lula e a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, como representantes.

No Maranhão, integram a corrente o atual presidente estadual do partido, Francimar Melo e o deputado estadual Zé Inácio.