Eleições 2022
PF avança sobre Sarney Filho e João Alberto em investigação aberta a pedido de Weverton
Política

Inquérito apura se ex-parlamentares praticaram crimes eleitorais com veiculação de reportagem que trata sobre pedetista ter se tornado réu no STF por fraude e peculato

A Polícia Federal conseguiu prorrogar por mais 90 dias uma investigação contra o ex-deputado federal Sarney Filho (PV) e o ex-senador João Alberto Sousa (MDB), aberta a partir de representação do senador Weverton Rocha (PDT).

Instaurado em 2019, o inquérito tem como objetivo apurar fatos relacionados à suposta ocorrência de crime de desobediência que teria sido praticado pelos ex-parlamentares da alta cúpula de Brasília durante a campanha eleitoral de 2018, quando o pedetista foi eleito para o Senado.

A desobediência teria ocorrido por meio de novas exibições de uma gravação no horário eleitoral gratuito que mostra trecho de reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, em que o apresentador William Bonner informa sobre Weverton haver se tornado réu no STF (Supremo Tribunal Federal) pelos crimes de fraude a licitação e peculato, que é quando um servidor desvia recursos públicos.

Sob alegação de se tratar de fatos inverídicos e contrapropaganda, Weverton havia conseguido na Justiça Eleitoral medida liminar barrando novas exibições da filmagem.

Há também indícios de práticas de outros crimes previstos no Código Eleitoral.

As supostas trapaça licitatória e subtração do dinheiro do erário que Weverton Rocha barrou a exibição no horário eleitoral gratuito teriam ocorrido por meio da famigerada reforma do ginásio Costa Rodrigues, em São Luís, principal vidraça e fantasma do senador do PDT.

Comandante de uma arca de Noé de partidos, que mistura legendas de esquerda, centrão e da extrema-direita bolsonarista, Weverton Rocha é pré-candidato ao Palácio dos Leões em 2022. A investigação contra os ex-adversários nas urnas no pleito passado pode atrapalhar eventuais alianças com o PV e o MDB, controlados no Maranhão pela família Sarney.

O inquérito da Polícia Federal tramitava no MPF do Maranhão, mas foi declinado para a Promotoria Eleitoral do Ministério Público estadual, pelo então procurador-regional Eleitoral Juraci Guimarães Júnior. Atualmente, é conduzido pela Promotoria Eleitoral da 1ª Zona Eleitoral, sob responsabilidade do promotor José Augusto Cutrim Gomes.

Até o momento, apenas Sarney Filho prestou depoimento no bojo da investigação. Entre outras coisas, alegou não saber informar o nome da pessoa que coordenou sua campanha ao Senado naquele pleito, quando acabou derrotado nas urnas; que desconhece a gravação com trecho da reportagem que mostra que Weverton Rocha havia se tornado réu no STF; e que não tem conhecimento se o vídeo foi veiculado em sua propaganda eleitoral ou páginas de redes sociais.

O delegado federal Rodrigo Santos Correa, que atua no inquérito policial, já mandou intimar João Alberto, para que compareça à sede da Superintendência da PF no Maranhão para ser inquirido a respeito do caso.

A ação penal que apura indícios de fraude a licitação e peculato por Weverton Rocha na reforma do ginásio Costa Rodrigues, mostrou o ATUAL7, está suspensa por determinação da desembargadora Graça Duarte, do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Robusto, com 9 volumes e 11 apensos, o caso foi declinado para o Poder Judiciário maranhense em razão do pedetista não possuir foro privilegiado em relação à apuração, já que à época do ocorrido era secretário estadual de Esporte e Juventude.

Segundo o Ministério Público, Weverton atuou de forma irregular para dispensar licitação para a reforma e ampliação do ginásio poliesportivo, e beneficiar a empresa Maresia Construtora.

O prejuízo aos cofres públicos do Estado com o esquema, de acordo com a acusação, ultrapassa R$ 5,38 milhões.

Segundo o 1º promotor de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, Marcos Valentim Pinheiro Paixão, o Ministério Público apresentou provas suficientes de que Weverton cometeu os crimes apontados pela investigação.

Conhecido como linha-dura no combate à corrupção e crimes de colarinho branco, Valentim é ex-integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o Gaeco.

Eliziane contraria decisão do Cidadania no MA e insinua que vai impor apoio a Weverton
Política

Senadora gravou vídeo afirmando que é vice-presidente nacional da legenda e que segue com o pedetista. Partido é comandado no estado por seu irmão, o pastor Eliel Gama

A senadora Eliziane Gama contrariou a decisão tomada pela cúpula de seu partido no Maranhão, o Cidadania, e insinuou que pretende utilizar a força que possui na direção mais alta da legenda para impor apoio ao senador Weverton Rocha (PDT) na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022.

“Soube agora que o meu partido teria tomado uma decisão local, pontual em relação a uma outra candidatura, mas sou vice-presidente nacional do partido, nossa decisão está mantida, pré-candidatura de Weverton a todo vapor”, afirmou em vídeo divulgado por aliados em grupos de WhatsApp.

A gravação foi uma resposta rápida à decisão do Cidadania maranhense, anunciada nas redes sociais também nesta quarta-feira (1º), de acompanhar a escolha pessoal do governador Flávio Dino (PSB) em prol do vice-governador Carlos Brandão (PSDB).

Em reunião no início da semana com o colegiado de partidos que integram a base do governo, Dino oficializou sua definição pessoal por Brandão, e abriu prazo de dois meses pela “máxima unidade” dos demais aliados em torno de seu escolhido.

Embora o chefe do Executivo tenha decidido aguardar até o fim de janeiro para nova reunião com a base, a resposta de Eliziane Gama à declaração de apoio do Cidadania no Maranhão ao sucessor escolhido por Flávio Dino reforça a indicação de que as cartas já estão na mesa, e que tanto a senadora quanto seu novo líder, Weverton Rocha, vão mesmo trair o acordo firmando com o governador e o grupo.

O Cidadania no Maranhão é comandado pelo pastor Eliel Gama, que é irmão da senadora. Como ambos são evangélicos, a briga por quem o partido deve apoiar no Maranhão para o governo do Estado deve parar na igreja.

Operações têm efeito reverso e Josimar já disputa segunda colocação para o Palácio dos Leões em 2022
Política

Pré-candidato do PL ao governo do Estado caminha para terminar o ano pré-eleitoral tecnicamente empatado com Edivaldo Holanda Júnior e Carlos Brandão, segundo pesquisa Escutec

Ao contrário do que têm calculado e trabalhado adversários, a deflagração quase que sistemática de operações da Polícia Federal e do Gaeco do Ministério Público contra o deputado Josimar Maranhãozinho não abalaram a estrutura e hegemonia política e eleitoral do dono do PL e prócer dos partidos Avante e Patriota no Maranhão.

Levantamento de intenção de votos realizado pelo instituto Escutec, de maior credibilidade no estado, aponta que, em vez de desmoronamento, houve efeito reverso, e Josimar caminha para fechar o ano pré-eleitoral disputando a segunda colocação na corrida pelo Palácio dos Leões em 2022, com potencial de ir para o segundo turno.

De acordo o cenário mais próximo da realidade, isto é, com os postulantes que realmente devem ter os nomes confirmados na urna eletrônica, o parlamentar está tecnicamente empatado no segundo lugar com o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PSB), e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) –candidato agora declarado do governador Flávio Dino (PSB).

À frente, isolado na sondagem, apenas o senador Weverton Rocha (PDT), também com envolvimento em casos com indícios de corrupção, mas que já começa a desidratar.

Embora alvo de nova operação nesta quarta-feira (1º), a terceira em menos de um ano e a segunda da PF no período, Josimar Maranhãozinho é apontado no bastidor, pelos principais aliados dos adversários, como nome mais forte no pleito, por ser único que lidera um grupo próprio consolidado e que não depende da máquina administrativa do Palácio dos Leões nem do Palácio de La Ravardière, rompendo o senso comum da política maranhense de que um pretendente ao governo precisa ter o apoio de pelo menos um desses Poderes para sonhar com o Executivo do Estado.

Com a filiação de Jair Bolsonaro ao PL, a tendência é de que Josimar, se não sofrer revés que afete seu poderio, ganhe ainda mais musculatura. Também tende a ter potencial eleitoral elevado com saída natural dos bolsonaristas Roberto Rocha (PSDB) e Lahesio Bonfim (PTB) da disputa.

Cidadania abandona Weverton e decide apoiar Brandão para o governo do MA
Política

Partido da senadora Eliziane Gama acompanhou Flávio Dino, que no início da semana anunciou o vice como seu sucessor em 2022

Como antecipou o ATUAL7, a cúpula do Cidadania maranhense bateu o martelo e decidiu abandonar o senador Weverton Rocha (PDT) na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022.

Em publicação no Twitter, nesta quarta-feira (1º), a sigla anunciou que vai seguir a decisão do governador Flávio Dino (PSB) e também apoiar o vice-governador Carlos Brandão (PSDB).

“Em uma decisão colegiada, o partido Cidadania no Maranhão decidiu acompanhar a opção do governador Flávio Dino de apoio a pré-candidatura ao governo do estado do vice-governador Carlos Brandão para as eleições de 2022, anunciada na última segunda-feira (29)”, publicou.

Com a decisão do partido, Brandão reafirma possuir maior potencial eleitoral e capacidade de aglutinação de forças partidárias para a sucessão estadual, critérios estabelecidos entre Dino e aliados para que seja lançado apenas um candidato ao governo do Maranhão pelo grupo dinista na eleição de ano que vem.

Mesmo sem o apoio do chefe do Executivo e esvaziado, Weverton tem indicado que pretende trair o acordo e o líder do próprio grupo e seguir na disputa.

O Cidadania no Maranhão é comandado pelo pastor Eliel Gama. Ele é irmão da senadora Eliziane Gama, que ainda segue anilhada a Weverton Rocha em troca da garantia de eleição de seu esposo, o empresário Inácio Melo, para a Assembleia Legislativa.

Dino confirma apoio a Brandão, dá prazo final para Weverton e esvazia Camarão e Simplício
Política

Com a escolha tornada pública, mandatário passará a se engajar abertamente pela vitória do sucessor nas urnas em 2022

Durante reunião na noite dessa segunda-feira (29) com lideranças partidárias e pré-candidatos à sua sucessão, o governador Flávio Dino (PSB) confirmou que vai apoiar o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022.

Com a declaração formal de apoio, reafirmada publicamente nas redes sociais, Dino passará a se engajar abertamente pela vitória de Brandão nas urnas na eleição do ano que vem, algo que já vinha fazendo indiretamente e no bastidor.

Conforme antecipou o ATUAL7, embora tenha externado sua posição pessoal, o governador do Maranhão não fez qualquer imposição à base aliada, e aceitou o pedido da maioria, de esperar até o fim de janeiro pela “máxima unidade” do grupo em torno de Brandão.

Um dos que indicaram pela unidade do grupo foi o secretário de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry (PCdoB), evidentemente, combinado com Dino, que busca retirar de si ao final do mandato a pecha de ditador.

A decisão do mandatário em favor de seu vice imediatamente tira da disputa todos os demais postulantes do grupo à sucessão estadual.

No caso de Weverton Rocha (PDT), o senador ganhou novo prazo, mas agora final, para decidir se adere ao projeto de Flávio Dino ou se trai o líder do grupo e rompe de vez com o chefe do Executivo –como fez seu colega de bancada no Senado, Roberto Rocha (PSDB).

Já os secretários estaduais de Educação, Felipe Camarão (PT), e de Indústria e Comércio, Simplício Araújo (SD), embora tenham reafirmado nas redes sociais que mantêm as respectivas pré-candidaturas ao governo do Estado, ambos foram automaticamente esvaziados.

Como Dino é o comandante do grupo, e já declarou apoio público a Brandão, a disposição de ambos para a corrida perde o sentido, pois nenhum deles irá se lançar contra a decisão do governador. Até a reunião em janeiro, ambos devem declarar o esperado, e seguirem o líder.

Dino reúne aliados para anúncio de apoio a Brandão ao Palácio dos Leões em 2022
Política

Governador vai publicar nas redes sociais documento detalhando como o sucessor atende aos critérios de lealdade, agregação política e potencial eleitoral

O governador Flávio Dino (PSB) prepara anúncio de apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) ao Palácio dos Leões em 2022. A formalização do endosso deve ocorrer nesta segunda-feira (29), em reunião com aliados.

O ATUAL7 apurou que Dino já esboçou uma espécie de manifesto que será assinado por quem apoiar a decisão, e publicado nas redes sociais, detalhando os motivos que levaram a base dinista a seguir com Brandão na eleição do ano que vem.

No documento, é informando como o sucessor do governador atende aos critérios de fidelidade aos programas de governo, maior capacidade de agregação política e potencial eleitoral, todos estabelecidos em conjunto entre Flávio Dino e lideranças partidárias em encontro ocorrido em julho.

No fim de semana, o governador do Maranhão se reuniu com o presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (ainda no PCdoB, mas prestes a se filiar ao PDT), e com o senador Weverton Rocha (PDT). Mais uma vez, foi oferecida a vaga de vice na chapa de Brandão e a permanência de Othelino no comando do Poder Legislativo, se reeleito deputado.

Caso o PDT decida reafirmar traição ao acordo assinado com Dino e demais lideranças partidárias, e seguir com a pré-candidatura de Weverton ao governo do Estado pela oposição, a vice ficará com o PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelo partido, postulam a vaga o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, e o deputado estadual Zé Inácio.

Moro na terceira via
Artigo

Por Abdon Marinho*

LEMBRO que minhas primeiras lições de política tive-as com um senhorzinho já ido nos anos e que morava a duas casas da casa de meu pai, em Gonçalves Dias, chamado Paulo Santu, lá pelos fins dos anos setenta e começo dos oitenta, quando saindo do povoado Centro Novo, fomos habitar aquela urbe.

Seu Paulo morava em uma casa antiga simples em estilo neoclássico com janelas altas e paredes grossas. Era alfabetizado e gostava muito de política. Era, também, um “devoto” de Sarney – e digo devoto no sentido literal –, na sala principal, a de visitas”, de cimento queimado e paredes caiadas, em meio aos retratos dos santos, lá estava, emoldurado, o retrato de Sarney. Se não me falha a memória, ao lado de um Sagrado Coração de Jesus e um de Nossa Senhora. Era o retrato do Sarney acadêmico da Academia Brasileira de Letras - ABL que o mesmo confeccionara logo após a posse da ABL e mandara distribuir aos seus aliados Maranhão afora, juntamente com um suplemento com o discurso, alguma obra ou biografia.

Eram textos ou obras que o seu Paulo Santu lia com inigualável devoção. Nunca soube se chegou a conhecer o ex-presidente por quem nutria tanto apreço. Acredito que não.

Como amigo dos filhos –pois tinha uma vasta prole –, estava sempre por sua casa e vez ou outra conversava com ele.

Certa vez, falando sobre um político local, disse: —Ah, seu Paulo, agora Fulano se acabou. Ele, então me respondeu: — Que nada, meu filho, todo cachorro tem suas pulgas.

Em outra situação, também política, disse-me que nunca vira alguém jogar pedras em árvores sem frutos. Além da clássica “não se chuta cachorro morto”.

Pois bem, faço essa introdução para adentrar ao assunto principal deste texto: a viabilidade de uma terceira via política protagonizada pelo ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro em um cenário de político de guerra onde se opõem os bolsonaristas e os lulistas.

Sempre achei que o brasileiro médio não é dado a radicalização, preferindo um caminho mais ao centro.

Disse isso em 2018 e acabei “quebrando a cara” pois uma grande parcela dos cidadãos brasileiros, cansados com os desgovernos petistas, acabaram elegendo o senhor Bolsonaro.

A despeito disso, acredito que a eleição do atual presidente foi um “ponto fora da curva”, que, acredito, não se repetirá em 2022.

Acredito, ainda, que o voto de protesto das últimas eleições dará lugar a uma decisão mais comedida.

Até então, por benefício mútuo, as duas principais candidaturas postas apostavam na radicalização dos discursos.

Pois bem, a partir da filiação partidária de Moro os dois candidatos acima começaram a mesclar os discursos. Continuam apostando que a radicalização poderá os levar a repetir o segundo turno de 2018, mas, já enxergando que o “fator Moro” pode ser um complicador.

A prova disso é que se “uniram” nos ataques ao ex-juiz.

Aí lembrei das velhas lições de Paulo Santu.

Se acham que a disputa se dará entre os dois, por quais motivos, orientam as “bases” e até mesmo pessoalmente, lançam ataques uniformes a este candidato? A resposta é que já devem ter descoberto que o possível candidato do Podemos tem potencial para crescer e ameaçar a vitória de ambos.

Primeiro, derrotando um para ir para o segundo turno e, depois, derrotando o que sobrar.

Não estivessem “vendo” tal possibilidade, o comportamento dos dois principais candidatos seria outro: estimular o maior número de candidaturas da chamada “terceira via”, fragmentando o máximo que pudessem tal votação e apostarem no discursos radicais de sorte a repetirem o que ocorreu há quatro anos.

Não devemos esquecer o número recorde de abstenção, votos nulos ou brancos que tivemos naquele pleito.

Nestes poucos dias após a filiação partidária, o ex-juiz vem mostrando possuir a “liga” que pode aglutinar todos os descontentes em torno de uma terceira via.

As primeiras pesquisas atestam que já saiu na frente de Ciro Gomes, ex-candidato à presidência desde sempre e um dos quadros técnicos mais preparados da República; e muito adiante dos demais nomes postos que deverão disputar como “figurantes”.

Partidos grandes como o União Brasil (ex-DEM e PSL) e personagens importantes, como o general aposentado Santos Cruz, já se aproximam do Podemos e do ex-juiz que, como candidato, não ficou devendo muitos aos profissionais da política.

Do outro lado, embora muito fortes, temos o Lula e o Bolsonaro.

Os últimos acontecimentos revelam que o Lula e o petismo, depois de tudo, até mesmo de uma temporada como hóspedes do estado, não aprenderam nada.

Continuam “adoradores” de ditaduras asquerosas ao redor do mundo; defensores de pautas atrasadas; insultando a inteligência do povo brasileiro e incapazes de uma autocrítica.

São os mesmos Lula e PT que se opuseram a eleição no Colégio Eleitoral, em 1985, a Constituição de 1988, a Plano Real; que defenderam e participaram da destruição da Venezuela; que extraditaram atletas perseguidos para Cuba e que acham que eleições na Nicarágua com todo tipo de repressão é comparável ao processo eleitoral da Alemanha.

Por mais que tentem consertar a fala do Lula, a verdade é que ele acha que se Ângela Merkel pode ficar no poder 16 anos, o seu amigo Daniel Ortega também pode, independente do faça para isso, inclusive, prender toda a oposição. Não foi assim na defesa do chavismo quando engendravam a destruição da Venezuela?

E sobre a corrupção nos governos petistas? Insultam o povo com o discurso que nunca ocorreu, tudo foi “perseguição do Moro”.

Fingem esquecer que desde que chegaram ao poder, em 2003, se associaram as maiores quadrilhas especializadas em aliviar os cofres públicos; que o “mensalão” e depois o “petrolão” sangraram o país em bilhões e bilhões de dólares – pois corrupção que vale a pena tem que ser em dólar –, e que o Lula só está solto por conta de “inexplicáveis” artifícios jurídicos e não por ser inocente.

Outro dia li que faltavam U$ 14 bilhões de dólares para “fechar” a conta da inocência do Lula. Este é o montado recursos recuperados ou a recuperar antes que o “acordão envolvendo todo mundo” acabasse com a “Lava a Jato”.
Acredito que está conta diga respeito “apenas” aos que foram e estavam sendo recuperados pela Operação Lava Jato de Curitiba.

E o Bolsonaro? O Bolsonaro é apenas um pândego que nunca governou, nunca teve aptidão para governar e que nunca governará; o que diz durante o dia – nestes quase três anos de “desgoverno” –, foi desmentido no começo da noite, no máximo, no dia seguinte.

Compulsivo pela mentira e despreparado a não mais poder, fez disso uma estratégia para se manter no poder ainda iludindo uma massa de incautos, quando, na verdade, o governo é exercido pelo “centrão”.

Sim, o mesmo centrão que foi “sócio majoritário” das bandalhas do petismo.

O mantra do incauto Bolsonaro é dizer que é melhor ser do “centrão” do que do “esquerdão”, discurso tosco para a massa ignara.

Sem falar nas outras mazelas, como crise cambial, crise ambiental, crise sanitária, desmonte do serviço público, “rachadinhas”, “micheques”, cartão corporativo e termos virado chacota no cenário internacional, mas, apenas, na principal “plataforma” do bolsonarismo: o combate à corrupção, segundo dizem, o “bolsolão”, que nada mais é do que o velho “mensalão” dos governos petistas, já consumiu, só esse ano, mais de R$ 30 bilhões.

Isso só através das chamadas “emendas de relator”, que Bolsonaro poderia ter vetado e não fez, já levaram, “na cara dura”, do cofres da viúva.

E vejam que coisa interessante: nos tempos da “nova política” do bolsonarismo não querem nem que a patuleia saiba quem se locupletou do dinheiro público, “transparência só daqui pra frente”.

Será que esse povo não “cora” de constrangimento ao defenderem tais absurdos? Quer dizer que as excelências “levam” trinta bi do orçamento da União e os idiotas pagadores de impostos não têm nem o direito de saber. É isso mesmo? Essa é a nova política?

Neste cenário de “Mad Max”, em que o povo brasileiro se depara com a possibilidade de retorno ao desastre petista ou continuar com o governo do centrão tendo à frente um presidente que “não diz coisa com coisa”, não é fora de propósito o aparecimento de uma “terceira via” capaz de se opor a ambos.

É assim que vejo essa rápida ascensão de Moro na terceira via, sem contar que é muito engraçado assistir os lulopetistas e os bolsonaristas “unidos” contra alguma coisa.

* Abdon Marinho é advogado.

Weverton aguarda por declaração de apoio de Braide em evento em São Luís
Política

Aliados têm espalhado sobre promessa do prefeito em seguir com pedetista na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022

Pré-candidato ao Palácio dos Leões em 2022 pela oposição ao grupo liderado pelo governador Flávio Dino (PSB), o senador Weverton Rocha (PDT) aguarda pela declaração de apoio do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), em evento de pré-campanha agendado para dezembro na capital.

Segundo têm espalhado aliados do pedetista, há uma promessa, por parte de Braide, de ir com Weverton na eleição do ano que vem, como retribuição ao feito pelo grupo político do senador em 2020.

Para eles, sem o apoio de Weverton e sua trupe no pleito municipal, Braide teria sido fragorosamente derrotado por Duarte Júnior (PSB) no segundo turno.

Além desse fator, fortaleceria aliança entre o prefeito e o senador do PDT a presença de Dino na chapa de Brandão, na vaga ao Senado.

Embora próximo de Brandão, que deve ser anunciado na próxima semana como candidato único ao Palácio dos Leões pelo grupo governista, Eduardo Braide não quer qualquer aproximação com Flávio Dino, a quem não confia.

Apesar de seguir com Flávio Dino, Márcio Jerry não deve ter espaço no governo de Carlos Brandão
Política

Desconfiança e briga paroquial travam aproximação. Presidente do PCdoB no Maranhão enfrenta ainda dificuldades na tentativa de reeleição para a Câmara

O PCdoB no Maranhão definiu nessa terça-feira (23) que o partido vai obedecer e seguir com quem o governador Flávio Dino (PSB) mandar na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022. A decisão já era esperada, e busca unicamente tentar garantir a difícil reeleição do presidente da legenda no estado, Márcio Jerry, para a Câmara dos Deputados.

Apesar do apoio, Jerry não deve ter espaço no governo de Carlos Brandão (PSDB), atual vice-governador e nome do coração de Dino para a eleição do ano que vem.

Sucessor natural do socialista, Brandão foi atrapalhado por Márcio Jerry durante a disputa pela presidência da Famem (Federação dos Municípios do Estado do Maranhão). O tucano apoiou o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), que acabou derrotado pelo prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), braço político e sócio do senador pedetista Weverton Rocha em postos de gasolinas comprados do agiota Josival Cavalcante da Silva, o Pacovan.

Há ainda uma forte desconfiança nutrida entre ambos sustentada por uma antiga briga paroquial em Colinas.

Desde 2015, quando chegaram ao poder com Dino, ambos se suportam respeitosamente em público, mas no bastidor há apenas ojeriza de um contra o outro, principalmente de Jerry, por não ter conseguido alcançar a expressão política do adversário nem própria terra natal.

Carlos Brandão receberá o apoio declarado de Flávio Dino para 2022 em reunião com lideranças partidárias marcada para o fim do mês, e assumirá o comando do governo do Estado a partir de abril, quando Dino deixará o Executivo, por força da lei, para concorrer ao Senado.

Para escapar da humilhação de ser exonerado pelo inimigo paroquial, porém, Márcio Jerry já se prepara para entregar o cargo antes.

A uma semana de anunciar apoio a Brandão, Dino busca entendimento com Othelino e Eliziane
Política

Governador e aliados costuram caminho para continuarem no mesmo grupo em 2022. Weverton Rocha voltou a antecipar que pretende trair acordo

A uma semana da reunião em que anunciará apoio ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB) na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022, o governador Flávio Dino (PSB) voltou a conversar pessoalmente com o presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Othelino Neto (PCdoB), e com a senadora Eliziane Gama (Cidadania).

O trio esteve reunido nessa segunda-feira (22), buscando um caminho para entendimento e continuarem no mesmo projeto político. Além de amarrar a renovação do mandato em 2026, a senadora busca espaço para eleição do marido, Inácio Melo, para a Alema. Já o presidente do Poder Legislativo estadual trabalha para se manter no comando da Casa, se reeleito deputado, ou ocupar a vaga de vice de Brandão.

Atualmente, tanto Othelino quanto Eliziane ainda estão fechados com o senador Weverton Rocha (PDT), que voltou a antecipar que pretende descumprir o acordo firmado por Dino com lideranças partidárias em julho, de indicar apenas um candidato ao governo do Estado pelo grupo.

Dos quatro postulantes dinistas, apenas Brandão atende todos os critérios estabelecidos conjuntamente pelo chefe do Executivo e aliados, que são de lealdade ao programa de governo; maior capacidade de agregação política; e potencial eleitoral.

Carlos Brandão é ainda o candidato do coração de Flávio Dino.

Conforme mostrou o ATUAL7, sem apoio político nem mesmo dentro dos próprios partidos nem viabilidade eleitoral, os secretários de Indústria e Comércio, Simplício Araújo (SD), e de Educação, Felipe Camarão (PT), devem retirar as respectivas pré-candidaturas e, em atendimento ao primeiro critério, de lealdade, seguir com Brandão pela união do grupo e continuidade das ações consideradas exitosas do governo.

Já Weverton, embora tenha reunido em torno de seu projeto parte da classe política maranhense, perdeu forças e vem sendo esvaziado nas últimas semanas por Brandão e até mesmo por Camarão.

Também inviabiliza a escolha de seu nome a avaliação negativa de sua imagem junto à população maranhense, arranhada em razão de envolvimento em conhecidos processos que enfrentou ou ainda enfrenta na Justiça relacionados à desvio de recursos públicosenriquecimento ilícito e corrupção, além de haver feito defesa de projetos no Senado contrários às políticas públicas adotadas pelo governo dinista, o que o torna infiel ao projeto.

Traição de Weverton Rocha a acordo já era esperada por Flávio Dino
Política

Pedetista voltou a antecipar que manterá o nome na disputa pelo Palácio dos Leões mesmo que não atenda aos critérios pré-estabelecidos pelo grupo

A traição do senador Weverton Rocha (PDT) ao acordo que prevê o lançamento de apenas um candidato da base governista ao Palácio dos Leões em 2022 já era esperada por Flávio Dino (PSB).

No sábado (20), em Timon, o pedetista voltou a antecipar que manterá o nome na disputa mesmo que não atenda aos critérios pré-estabelecidos pelo grupo em julho. Ele já havia insinuado não precisar do apoio de Dino para 2022, e aberto diálogo para formação de aliança eleitoral com o senador Roberto Rocha, desafeto do governador do Maranhão.

“É um projeto construído por muitas mãos, de grupo e de sentimento. Estamos bem na pesquisa, temos o melhor grupo político e estamos preparados para enfrentar os desafios que precisamos enfrentar, que é a fome, [falta de] desenvolvimento e da geração de emprego. É um projeto que se consolidou e, obviamente, será submetido à vontade popular nas urnas no ano que vem”, respondeu ao radialista Eliézio Silva, ao ser questionado se a pré-candidatura pode ser retirada ou não.

De acordo com aliados do chefe do Executivo, pelas movimentações do pedetista e ataques de entusiastas do senador, ele já calculava que Weverton repetiria o que fez na eleição de 2020, quando provocou racha, traiu o grupo e fechou apoio com o candidato da oposição à prefeitura de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), que terminou eleito.

Marcada inicialmente para ocorrer na semana passada, a reunião entre Flávio Dino e lideranças partidárias para escolha do candidato único do grupo ao governo do Estado foi transferida para o próximo dia 29.

Para ser escolhido, o nome do grupo deve preencher três critérios: lealdade; agregação política; e potencial eleitoral.

Do total de quatro postulantes, até o momento, apenas o vice-governador Carlos Brandão (PSB), sucessor natural de Dino e que passará a comandar o governo do Maranhão a partir de abril de 2022, atende todos os fatores. Ele é ainda o candidato do coração de Dino.

Sem apoio político nem mesmo dentro dos próprios partidos nem viabilidade eleitoral, os secretários de Indústria e Comércio, Simplício Araújo (SD), e de Educação, Felipe Camarão (PT), devem retirar as respectivas pré-candidaturas e, em atendimento ao primeiro critério, de lealdade, seguir com Brandão pela união do grupo e continuidade das ações consideradas exitosas do governo.

Já Weverton, embora tenha reunido em torno de seu projeto parte da classe política maranhense, perdeu forças e vem sendo esvaziado nas últimas semanas por Brandão e até mesmo por Camarão.

Também inviabiliza a escolha de seu nome a avaliação negativa de sua imagem junto à população maranhense, arranhada em razão de envolvimento em conhecidos processos que enfrentou ou ainda enfrenta na Justiça relacionados à desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito e corrupção, além de haver feito defesa de projetos no Senado contrários às políticas públicas adotadas pelo governo dinista, o que o torna infiel ao projeto.

Cidadania pode desistir de Weverton para anunciar apoio a Brandão
Política

Sucessor natural de Flávio Dino, vice-governador vem consolidando maior potencial eleitoral e capacidade de aglutinação de forças partidárias do que adversários na disputa pelo Palácio dos Leões

O Cidadania pode desistir de apoiar o senador Weverton Rocha (PDT) para anunciar uma aliança com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) na disputa pelo Palácio dos Leões.

A mudança de posição do partido representaria um abalo para o pedetista, que além de possuir poucas lideranças partidárias em torno de seu projeto de poder, tende a ser esvaziado ainda mais até o fim do mês, quando ocorrerá a reunião em que o governador Flávio Dino (PSB) já confirmou a aliados que vai declarar apoio a Brandão para eleição do ano que vem.

O Cidadania é comandado no Maranhão pelo pastor Eliel Gama, irmão da senadora Eliziane Gama.

Por articulação de Eliziane, o partido havia fechado questão com Weverton no final do semestre passado. Contudo, há algumas semanas, Eliel, que prefere seguir aliado do Executivo, ampliou forças e já tem a maioria para uma reviravolta.

A decisão deve ser tornada pública na próxima semana, após encontro já marcado pela cúpula da legenda, que deve ocorrer antes da reunião de Dino.

Segundo apurou o ATUAL7, ciente do avanço das negociações do irmão com o Palácio dos Leões, Eliziane Gama ainda não decidiu se pretende seguir com o partido. Por sobrevivência política, ela tem declarado apoio a Weverton para 2022, visando facilidade na manutenção da própria vaga no Senado na eleição posterior, em 2026.

Sucessor natural de Flávio Dino, Carlos Brandão vem consolidando maior potencial eleitoral e, por isso, maior capacidade de aglutinação de forças partidárias do que os concorrentes ao governo do Estado. Atualmente, estão com ele: PSDB, PCdoB, PSB, PROS e PTC, e devem também reforçar o arco de alianças Cidadania e Solidariedade.

Com Weverton Rocha estão apenas quatro: PDT, PP, Republicanos e União Brasil (fusão formada entre DEM e PSL).

O deputado federal Josimar Maranhãozinho tem PL, Patriota e Avante; e o prefeito de São Pedro dos Crente Lahesio Bonfim está como o PTB.

O PT ainda ainda não se decidiu entre Brandão e Weverton, o que será definido apenas no próximo ano, tendo apenas acertado entre os petistas da alta cúpula em retirar a pré-candidatura do secretário de Educação Felipe Camarão após o anúncio de Dino a favor de Brandão. Embora a legenda esteja dividida, a tendência é de que a declaração de apoio do governador do Maranhão ao seu sucessor pese na decisão do partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Haddad diz que PT articula aliança com PDT de Weverton pelo Palácio dos Leões em 2022
Política

Declaração desmorona a pré-candidatura de Felipe Camarão e fragiliza Flávio Dino, que pretende declarar apoio a Carlos Brandão no fim do mês

O ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato a presidente pelo PT, Fernando Haddad, disse que o partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está articulando a composição de uma aliança com o PDT, do senador Weverton Rocha, pelo Palácio dos Leões em 2022.

“PT e PDT podem estar juntos em outros estados. No Maranhão, há negociações com o PDT. O senador Weverton é uma possibilidade de composição do setor progressista pela sucessão de Flávio Dino”, declarou, em entrevista ao UOL.

A declaração desmorona a pré-candidatura de fachada do secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, que se filou recentemente ao PT e tem espalhado a falsa informação de que teria o aval do partido para a disputa.

Também fragiliza o governador Flávio Dino (PSB), que tem tratado diretamente com Lula sobre o apoio do PT ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), seu sucesso natural e a quem pretende anunciar apoio durante reunião com lideranças partidárias, incluindo petistas, marcada para o fim do mês.

Sarney & Dino: a volta dos que não foram
Artigo

Por Abdon Marinho*

CONHECIDO por suas análises políticas sempre apuradas, o poeta, cronista, escritor, cineasta e ex-deputado Joaquim Nagib Haickel escreveu uma com um título despretensioso: “Sobre 2022”. Lá fez diversos prognósticos sobre os possíveis cenários. Em um deles, justamente a que causou maior burburinho, assentou: “A montagem de um cenário ainda maior, algo mais monumental, que resultasse em uma ampla coalisão, que envolvesse também o grupo Sarney, o que sacramentaria de uma vez a eleição de todos, sem que muitas forças, políticas e financeiras fossem despendidas. Neste caso a vaga ao senado ser oferecida ao grupo Sarney, cabendo a Weverton aceitar indicar o suplente de senador e o vice-governador”.

Deixando falar o cineasta, completou: “Essa arquitetura seria digna de um Oscar de melhor direção de arte”.

Pois bem, muito embora concorde com a assertiva de que tal arquitetura mereceria ganhar a estatueta do Oscar de melhor direção de arte, certamente haverão de convir, que a união Sarney & Dino, ou vice-versa, passaria longe do Oscar de melhor roteiro original.

Quantas vezes, eu mesmo, que não sou ninguém, falei sobre isso? Quantas vezes não disse que o sonho de Dino é ser o candidato a vice-presidente na chapa de Lula e que isso passaria por uma articulação com o velho morubixaba maranhense? Quantas vezes não disse que Dino poderia se “coligar” a Sarney até por bem menos que uma candidatura a vice-presidente ou qualquer outra coisa, desde que pudesse manter seu espaço de poder?

E olhem que mesmo minhas primeiras análises sobre tais possibilidades, no texto “Sarney & Dino: o acordo que não ousa dizer o nome”, não eram originais, mas, apenas fruto do que já testemunhei na política maranhense.

Lembro que em agosto/setembro de 2003, no primeiro ano do governo Lula, uma “facção” petista “inventou” e tentou levar adiante a candidatura do então juiz Flávio Dino à prefeitura de São Luís. Até então o prazo de filiação e domicílio eleitoral eram de no mínimo um ano antes do pleito. Dino, por ser juiz não possuía formalmente filiação, precisaria sair da magistratura e filiar-se a um partido, no caso o PT.

Conforme noticiou na época o saudoso jornalista Walter Rodrigues, o juiz Dino e o deputado Washington Luiz, que salvo engano, assumira como suplente, chegaram a visitar a então senadora Roseana Sarney, onde lhe disseram que não se “oporiam” caso ela se filiasse ao Partido dos Trabalhadores - PT.

Em 2002, os Sarney, que romperam com os tucanos por conta da “Operação Lunus”, apoiaram a candidatura de Lula e, em 2003, estavam mandando e desmandado nos espaços políticos do governo federal no estado e, também, no Brasil.

O PT local, embora no poder central, era como “peru novo”, ou seja, “comia na mão de Sarney”, e, pelo menos, uma das várias facções, não viam “nada demais” em fazer de Roseana Sarney uma “companheira”, ainda mais se isso servisse para pavimentar o caminho de um “quadro raiz” do petismo, momentaneamente investido na condição de juiz, no comando da prefeitura da capital.

Acredito que a divulgação da matéria no Colunão de Walter Rodrigues, com tais informações, muito provavelmente, vindas de outras “facções” petistas, acabou “melando” aquela articulação e o então juiz acabou desistindo do seu intento de virar “político de mandato” naquela ocasião.

Na semana seguinte à matéria, ao encontro e ao suposto “convite” para Roseana “virar” petista, vieram os desmentidos, da parte dos articuladores dinistas.

Como a política é “dinâmica”, dois anos depois, já em 2006, o governador José Reinaldo “encantou-se” por Dino e o fez deputado federal, num esquema oposicionista ao grupo Sarney de quem ele fora “enamorado” há, apenas, dois anos.

Anos depois, em retribuição ao fato de Zé Reinaldo lhe ter feito “nascer” para a política com mandato e toda contribuição que deu até torná-lo governador, impediu de forma cruel que encerrasse a carreira política com senador, trabalhando, incansavelmente, para a eleição de Weverton Rocha e Eliziane Gama, em 2018, dois aliados de “primeira hora”.

Faço esse registro histórico apenas para dizer que a articulação Dino & Sarney para a eleição estadual de 2022, até poderia, como pontificou o cineasta Joaquim Nagib Haickel, ganhar o Oscar de direção de arte, mas, jamais o de roteiro original, repito, conforme revelado há quase vinte anos pelo jornalista Walter Rodrigues.

E, antes mesmo de WR exercer com o brilhantismo seu mister e revelar o que os protagonistas queriam manter oculto, se voltarmos a história um pouco mais, até o ano de 1984, na campanha pelas diretas já ou pela chapa Tancredo/Sarney, lá encontraremos o “líder estudantil” Flávio Dino dividindo “palanque” com o então senador Sarney, ex-presidente do PDS, partido de sustentação da ditadura, também afeito aquela pauta.

E, muito embora isso seja apenas uma pilhéria, se voltarmos um pouco mais no tempo, lá pelos anos setenta, encontraremos o infante Flávio Dino, em alguma visita do seu pai, Sálvio Dino ou do avô, Nicolau Dino, a Sarney, dizendo com seus botões ou em voz alta: — pai/vô, quando eu crescer quero ser como o “tio” Sarney.

Mas isso é piada. Não levem a sério, por favor.

Então, ao meu sentir, essa conjectura de Haickel a respeito de uma hipotética união dos grupos Dino & Sarney, nada mais é do que “a volta dos que não foram”.

Dino não desistiu do sonho de ser o candidato a vice-presidente na chapa com Lula e para isso, muito embora o Maranhão não represente muita coisa no cenário político/eleitoral brasileiro, precisa contar com a valiosa amizade de Sarney com Lula.

Não sendo, apenas isso, suficiente, trabalha, incansavelmente, noutras duas frentes: fustigar sempre que pode – e não falta motivos para isso –, o presidente Bolsonaro, principal adversário de Lula, até agora; e atacar o ex-juiz Sérgio Moro, que filiou-se a um partido político e, certamente, disputará as próximas eleições.

Embora, unindo-se ao bolsonarismo e ao petismo nos ataques a Moro, a investida contra o ex-companheiro de toga, tem um cálculo político próprio.

Dino, Ciro, e diversos outros, que gravitam em torno de uma terceira via política para o país, sabem que o ex-juiz Moro é o nome que ameaça os seus sonhos de chegarem algum dia à Presidência da República.

Ainda que Moro não ultrapasse Bolsonaro ou Lula para ir para o segundo turno das eleições de 2022 – quando ganharia (assim como qualquer outro) de qualquer um deles –, será o nome mais forte para as eleições de 2026, quando deverá disputar com muito mais chances contra essa turma.

Esse é o o motor dos ataques de Ciro e, principalmente, de Dino contra o ex-juiz Sérgio Moro.

Não temos notícias – exceto pelo fato do pai ter sido membro de um partido –, de qualquer atividade político partidária de Moro até a recente filiação, bem diferente, do que se sabe de Dino, que antes, durante e depois da magistratura, sempre teve um, digamos, “engajamento” político e ligação próxima com partidos, tanto que, conforme divulgado, amplamente, na mídia cogitaram e “trabalharam” por sua candidatura à prefeito da capital em 2004, quando ainda era juiz. Conforme revelam as noticias da época, isso não foi feito à sua revelia, ele sabia e até participou de reuniões neste sentido.

Lembro que quando saiu o suposto desmentido sobre as articulações com Roseana Sarney, assinado por Francisco Gonçalves, um dos líderes do movimento “pró-Dino prefeito” e atual secretário de alguma coisa no governo Flávio Dino, disseram até que “era mentira que Dino teria convidado Roseana para filiar-se ao PT”, entre outras coisas.

WR, em resposta, assentou que a matéria jamais dissera tal coisa, até porque Dino não possuiria legitimidade para convidar quem quer que fosse para ingressar em um partido político.

Lembro que, inspirado como só ele, WR “destrinchou” o desmentido e até deu “aula” de redação ao missivista.

Pois é, aí quando vejo o ataque de Dino a Moro imputando-lhe crime ou comportamento incompatível com a magistratura, o que me vem à lembrança é o dito popular “macaco olha o teu rabo” ou aquela velha lição do meu saudoso pai, analfabeto por parte de pai, mãe e parteira, que ensinava: “— ah, meu filho, quem disso usa, disso cuida”.


Abdon Marinho é advogado.

Dino confirma a aliados que vai anunciar apoio a Brandão para o Palácio dos Leões
Política

Vice na chapa pode ficar com o PT ou mesmo PDT, que voltou a ter abertura para costura de aliança. Governo prepara minireforma administrativa para dezembro

O governador Flávio Dino (PSB) confirmou a aliados, em conversas reservadas no Palácio dos Leões e durante passagem por municípios maranhenses para entrega de obras e serviços, que vai declarar apoio ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB) para o governo do Estado na eleição de 2022.

O anúncio será feito na reunião com lideranças partidárias no fim do mês.

De acordo com relatos feitos por nomes de primeiro escalão ao ATUAL7, Dino tem dito que vai colocar seu posicionamento pessoal, de apoio a Brandão na disputa, e abrir para os presentes decidirem seguir ou não com ele.

Embora não interfira na movimentação, o chefe do Executivo estadual não concorda com o pedido de parte da base para que seja adiada para o ano que vem a decisão final sobre quem será o candidato único do grupo ao governo. Eventual adiamento, entende, prejudicaria todo o grupo e favoreceria apenas adversários, que não dependem da decisão para seguir em pré-campanha pelo governo: o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Júnior (PSD) e o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL).

Segundo interlocutores, Flávio Dino espera que, ao tornar pública a decisão em favor de Carlos Brandão, os demais postulantes da base ao Palácio dos Leões abram das respectivas pré-candidaturas até dezembro, quando dará início à uma minireforma administrativa em todos os escalões em ajustamento com Brandão.

Neste sentido, a vice pode ficar com o PT ou mesmo PDT, que voltou a ter abertura para costura de aliança.

Pelo PT, os cotados para a vaga são o secretário de Educação Felipe Camarão, favorito de Dino e Brandão, e o deputado Zé Inácio, preferência natural de petistas históricos e da liderança nacional do partido. Já pelo PDT, os nomes na mesa de negociação são o do prefeito de Igarapé Grande Erlânio Xavier, preposto de Weverton, do presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto, que vai deixar o PCdoB para se filiar ao partido e é o optado por Dino e Brandão, e do secretário de Desenvolvimento Social Márcio Honaiser, que seria meio termo entre ambos.

Em nome da unidade da base, o secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, deve abrir da pré-candidatura logo após a declaração de Dino em apoio a Brandão.

Filiação de Bolsonaro ao PL, de Josimar, implode pré-candidaturas de Lahesio e Rocha ao Palácio dos Leões
Política

Tendência é de que líder do Partido Liberal no Maranhão, que já possui musculatura própria, cresça na preferência do eleitorado bolsonarista no estado, inclusive entre evangélicos

A provável ida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o Partido Liberal deve mexer no tabuleiro eleitoral maranhense e implodir as pré-candidaturas de pelo menos dois bolsonaristas ao Palácio dos Leões em 2022.

São eles: o senador Roberto Rocha (PSDB) e o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PTB).

Quem manda no PL no estado é o deputado federal Josimar Maranhãozinho, que já foi da base do governador Flávio Dino (PSB), mas virou oposição no meio do ano e busca se viabilizar como terceira via na disputa pelo comando do Poder Executivo do Estado na eleição do ano que vem.

No caso de Rocha, desde que perdeu o comando do PSDB maranhense para o vice-governador Carlos Brandão, tem dito que aguarda uma definição de Bolsonaro para se filiar ao mesmo partido. Se Bolsonaro confirmar a filiação ao PL, a tendência é de que o senador siga o mesmo caminho, mas desde que entre na legenda como liderado e apoiador da pré-candidatura de Josimar, aliado do manda-chuva nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Já Lahesio, que recentemente deixou o PSL para se filiar ao PTB, tem se colocado na disputa apenas sob a expectativa de ser o escolhido de Bolsonaro no Maranhão, possibilidade que se encerrará instantaneamente caso o presidente se filie ao partido de Josimar Maranhãozinho.

Sob esse novo cenário, a tendência é de que Josimar, que já possui musculatura própria, cresça na preferência do eleitorado bolsonarista no estado, inclusive entre evangélicos.

Edivaldo se torna competitivo, mas carrega o peso de promessas não cumpridas em São Luis
Política

Compromissos de que construiria uma maternidade na Cidade Operária, viadutos no Calhau e Forquilha, corredor para sistema BRT, o Hospital Dr. Jackson Lago, 22 creche-escolas e o novo Hospital da Criança estão entre as vidraças que apontam ex-prefeito como incompetente ou estelionatário eleitoral

Três meses depois do ato de filiação ao PSD com objetivo de disputar o governo do Maranhão em 2022 contra o candidato do grupo liderado pelo governador Flávio Dino (PSB), o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, se aproxima do fim do ano pré-eleitoral com estatura de pré-candidato competitivo.

Sondagens para consumo interno do próprio grupo encastelado no Palácio dos Leões apontam que, de todos os possíveis adversários de Carlos Brandão (PSDB) na corrida, Edivaldo tende a figurar como o que pode dar maior trabalho, devido ao potencial eleitoral que pode alcançar, segundo apontam as pesquisas.

Para se manter em pé, porém, terá de fazer mais do que vestir uma camisa azul e abrir um sorriso largo quando for pressionado a prestar contas à população maranhense sobre as dezenas de promessas de campanha que assumiu, mas não cumpriu, durante os oito anos em que esteve à frente da gestão municipal.

Eventual retorno dos olhares apaixonados da esposa, Camila Holanda, golpe de marketing que garantiu crédito para Edivaldo Júnior na capital, também não terão força para afastar a ameaça de que o eleitorado descortine o ex-prefeito de São Luís como incompetente ou como um estelionatário eleitoral.

Ou mesmo como ambos, além de traidor.

Das promessas registradas no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão ou em entrevistas e debates nos pleitos de 2012 e 2016, foram deixadas no papel ou não totalmente implementadas por Edivaldo: construção do Hospital Dr. Jackson Lago, com no mínimo 350 leitos, na entrada da cidade; construção da Maternidade da Cidade Operária; construção de viadutos no Calhau e na Forquilha; valorização dos professores; construção do novo corredor para o sistema de BRT (Bus Rapid Transportation); criação do Prouni municipal; construção de um grande e moderno Hospital da Criança; ampliação do sistema de esgoto; implantação do Centro de Controle Integrado; ampliação do programa Leite na Escola; implantação de faixa exclusivas de ônibus; reforma em escolas da rede pública municipal de ensino para colocação de ar-condicionado e internet; construção de 22 creche-escolas; e elaboração e execução de programa de habitação no Centro Histórico.

Também continuaram na gaveta ou foram iniciadas apenas em parte: implantação de biblioteca comunitária na zona rural; implantação de novas UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento); criação de subprefeituras; implantação de novas unidades de urgência e emergência; realização de concursos públicos; criação do Bolsa Atleta e o Fundo do Esporte; criação do IPTU Verde; colocação de internet wifi nos ônibus; e construção de novas avenidas e asfaltamento de qualidade com drenagem e sinalização nas vias públicas de todos os bairros da cidade.

Até mesmo na questão da construção e reforma de praças, ação eleitoreira que recebeu atenção especial no fim do primeiro e do segundo mandato de Edivaldo Holanda Júnior, houve descumprimento de promessa. Na campanha pela reeleição, por exemplo, Edivaldo garantiu que ao menos 60 praças teriam acesso à internet wifi liberado para comunidade, porém a conexão disponibilizada não chegou à meia dúzia e, pior ainda, com relatos de dificuldades de acesso.

Sobre Edivaldo Júnior pesam ainda suspeita de irregularidades e ilícitos envolvendo dinheiro público, com investigações sigilosas da Polícia Federal em andamento. Há também apurações da PF em que a mira não está diretamente apontada para Edivaldo, mas que atinge o período em que o responsável pela gestão dos cofres públicos era ele, e nada ou pouco fez para evitar a sangria de recursos, principalmente os destinados para enfrentamento à Covid-19.

O senso comum da política maranhense aponta que um pretendente ao Palácio dos Leões precisa primeiro ter a capital do estado no centro de seu radar. No caso de Edivaldo, porém, é também a sua principal vidraça.