Carlos Brandão
Preferida de Brandão, Iracema Vale confirma candidatura à presidência da Assembleia Legislativa
Política

Deputada tem como adversário o atual presidente da Casa, Othelino Neto, apoiado por Flávio Dino. Em quase 200 anos de existência, Parlamento estadual maranhense jamais foi comandado por uma mulher

A eleição para o comando da Assembleia Legislativa do Maranhão ganhou nova personagem. Em entrevista ao Jornal Pequeno, publicada nesta quinta-feira (8), a deputada eleita Iracema Vale (PSB) confirmou o que já se conhecia no bastidor: é candidata à presidência da Casa.

Mais votada da história da Alema, com quase 105 mil votos, ela tem a preferência do governador Carlos Brandão (PSB) para a chefia do Poder Legislativo estadual, e também conta com o apoio do núcleo-duro e do entorno do Palácio dos Leões.

Desde a reeleição ao cargo em primeiro turno, em outubro, o mandatário do Estado vem dando sinais de que não suporta a tentativa do atual presidente do Parlamento, Othelino Neto (PCdoB), de permanecer no comando da Assembleia Legislativa. Ele é o candidato do ex-governador e senador eleito Flávio Dino (PSB).

Assim que confirmou a candidatura, Iracema passou a receber declarações públicas de apoio. Já confirmaram que votarão nela à presidência da Alema os deputados eleitos Cláudio Cunha (PL) e Florêncio Neto (PSB), e a deputada eleita Abigail (PL). Também os deputados reeleitos Rafael Leitoa (PSB), líder do governo, e Antônio Pereira (PSB), decano do Casa. Os dois últimos, até então, mantinham candidaturas de bastidor.

A eleição está marcada para acontecer no dia 1º de fevereiro de 2023, após a posse dos 42 parlamentares.

Em quase 200 anos de existência, a Assembleia Legislativa do Maranhão jamais foi presidida por uma mulher. Se conquistar o apoio das demais deputadas, como postula, Iracema pode polarizar a disputa e potencializar a vantagem, e ser a primeira mulher eleita para presidir o Parlamento estadual maranhense.

Na próxima legislatura, a bancada feminina da Casa contará com outras 11 parlamentares, ou 28,6% do total.

“As mulheres estão cada vez mais demonstrando sua força e excelência na política. As últimas eleições mostraram isso, somos 12 mulheres eleitas para a Assembleia. Um número que já aponta para uma mudança, mas que ainda precisa crescer. Podemos avançar mais, conquistar o nosso espaço e mostrar o nosso trabalho”, afirmou a candidata sobre a disputa.

Brandão poderá escolher até 4 dos 7 conselheiros do Tribunal de Contas do Estado
Política

Vagas serão abertas com aposentadoria compulsória dos atuais ocupantes. Sobrinho do mandatário do Palácio dos Leões é cotado para integrar a cúpula da corte por indicação do tio governador

Dos sete conselheiros que compõem a atual cúpula do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão, quatro se aposentarão nos próximos quatro anos, já que chegarão aos 75 anos, idade que a regra constitucional define para aposentadoria compulsória.

Dessa forma, o governador Carlos Brandão (PSB) poderá fazer escolhas que influenciarão um dos principais órgãos maranhenses.

Conforme levantamento feito pelo tribunal a pedido do ATUAL7 pela Lei de Acesso à Informação, nascido em janeiro de 1948, o conselheiro Edmar Cutrim deixará a corte no início do ano que vem. Ainda em 2023, no mês de dezembro, será a vez de Raimundo Oliveira Filho. Um ano depois, em dezembro de 2024, completa o prazo para aposentadoria compulsória o atual presidente do TCE-MA, Washington Oliveira, e em novembro de 2026, o conselheiro Jorge Pavão.

Pelo furo combinado nas regras de revezamento estabelecidas pela Constituição maranhense, a vaga de Cutrim será preenchida a partir de indicação da Assembleia Legislativa do Estado.

Tradicionalmente, no entanto, o governador sempre tem forte poder de influência na decisão das indicações, e coloca quem quer no cargo, sem dificuldades.

No início desta semana, Cutrim entrou com pedido junto ao Gabinete da Presidência requerendo a relação dos valores das contribuições previdenciárias do período laborado na corte. Dias antes, para fins de subsidiar o pedido de aposentadoria, já havia solicitado expedição de certidão de tempo de contribuição.

Segundo apurou o ATUAL7, até o momento, o mais cotado para a vaga é o do sobrinho de Brandão, Daniel Itapary. Atualmente, agraciado pelo tio governador, ele comanda a Secretaria de Estado de Monitoramento de Ações Governamentais, e ocupa o cargo de membro representante do Executivo do Estado no Conselho Consultivo do Complexo Portuário e Industrial do Porto do Itaqui, da Emap (Empresa Maranhense de Administração Portuária).

Já a vaga de Raimundo Oliveira deve ser preenchida por indicação do chefe do Estado dentre os membros do Ministério Público de Contas. As vagas de Washington e de Pavão também pelo mandatário, uma de livre escolha, avalizada pela Assembleia Legislativa, e a outra, dentre os auditores do próprio TCE-MA, respectivamente.

Apenas em relação ao conselheiro Jorge Pavão ainda não há definição se a indicação será mesmo feita por Brandão, pois a tendência é de que ele renuncie ao cargo em abril de 2026, para concorrer ao Senado. No próximo pleito, o Maranhão terá duas vagas abertas para disputa, atualmente ocupadas pela senadora Eliziane Gama (Cidadania) e pelo senador Weverton Rocha (PDT).

Até lá, caso não haja uma articulação para convencer Pavão a adiantar a aposentadoria para antes da saída de Brandão do Executivo, a previsão é de que a indicação será feita pelo vice-governador eleito, Felipe Camarão (PT) –que poderá estar no cargo de governador-tampão, disputando a reeleição.

O TCE-MA é a 3ª maior corte estadual de contas do Nordeste, e a 10ª do Brasil, por ter sob sua jurisdição 217 prefeituras municipais e a administração direta e indireta do governo do Estado. O órgão julga ainda, com poder para aprovar ou reprovar, as contas dos gestores dos poderes Legislativo e Judiciário. Após análises técnicas, pode também suspender ou liberar licitações e obras em todo o estado.

Brandão renova contratos com empreiteira em nome de laranjas de Eduardo DP
Política

Governo do Maranhão já reservou mais de R$ 241,2 milhões para pagamentos à Construservice. Empresa foi alvo da Seccor e do Gaeco por corrupção e desvios de recursos

A Secretaria da Infraestrutura do Maranhão renovou pelo menos dois contratos com uma empreiteira que, segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado, é registrada oficialmente em nome de laranjas.

Trata-se da construtora Construservice Empreendimentos e Construções, com sede em Codó, a 300 quilômetros de São Luís.

As duas renovações são referentes a contratos celebrados em 2019, e têm como objeto a execução dos serviços de melhoramento e conservação de rodovias estaduais nas regionais de Santa Inês e de Bacabal, respectivamente. A nova vigência é de 12 meses.

Assinada no dia 17 de outubro, a primeira renovação de contrato, já no sexto aditivo, foi reajustada em quase R$ 17,3 milhões, e agora ultrapassa o valor de R$ 59,2 milhões. A outra, já no sétimo aditivo e reajustada em mais de R$ 21 milhões, foi assinada no dia 21 de novembro, passando a ter o valor de quase R$ 71 milhões.

Pela Sinfra, assinou o secretário adjunto de Administração e Finanças, Marialdo Carvalho Alves, e pela Construservice, o engenheiro civil Rodrigo Gomes Casanova Júnior.

Nos registros da Receita Federal, é Rodrigo Casanova quem atualmente aparece como sócio formal da empreiteira, juntamente com Adilton da Silva Costa.

São as primeiras renovações de contratos com a Construservice pela Sinfra na gestão Carlos Brandão (PSB), que assumiu o Palácio dos Leões em abril, após renúncia de Flávio Dino (PSB). Ele foi reeleito ao governo em primeiro turno nas eleições de 2022, e Dino, eleito ao Senado.

Ambos conseguiram chegar ao Executivo do Estado sob forte discurso em defesa da probidade e se contrapondo aos escândalos de corrupção que levaram seus adversários nas disputas eleitorais à derrota nas urnas.

Entre 2015 e 2022, porém, a Construservice explodiu em verbas públicas na gestão estadual. Até agora, o governo maranhense já reservou mais de R$ 241,2 milhões do Orçamento para pagamentos à empreiteira —o valor total já quitado a ela nos últimos oito anos chega a quase R$ 235 milhões, conforme dados do Portal da Transparência atualizados até esse domingo (4).

Parte desses recursos foi custeado pela Secid (Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano), que celebra contratos com a empreiteira desde 2020. Nos últimos três anos, turbinada por emendas parlamentares, a pasta já reservou mais de R$ 90 milhões para pagamentos à empresa, tendo desembolsado cerca de R$ 68 milhões disso até agora.

Segundo inquéritos relacionados à Máfia da Agiotagem, instaurados a partir de desmembramento das apurações do assassinato do jornalista Décio Sá, em 2012, a empreiteira é controlada por Eduardo José Barros Costa, filho da ex-prefeita de Dom Pedro, Maria Arlene Barros Costa. Conhecido como Eduardo DP ou Imperador, ele é acusado de comandar uma organização criminosa envolvida em corrupção, fraudes em licitações e desvios de recursos públicos em mais de 40 municípios maranhenses.

Alvo de operações nos âmbitos estadual a federal, Eduardo DP chegou a ser preso por mais de uma vez pelo Gaeco (Grupo Especial de Combate a Organizações Criminosas), do Ministério Público, e pela Seccor (Superintendência Estadual de Combate à Corrupção), da Polícia Civil maranhense —mas segue em liberdade.

O ATUAL7 solicitou de Dino e Brandão posicionamento sobre a realidade estigmatizante de corrupção que o Maranhão ainda se depara, exatamente em razão do governo celebrar e manter contratos com empresas alvo de operações da própria Polícia Civil, como a controlada por Eduardo DP por meio de laranjas, mas não obteve resposta.

Procurada, a construtora também não retornou para se manifestar sobre os contratos celebrados com o governo maranhense.

No último dia 20 de julho, Eduardo DP foi alvo da Operação Odoacro, da Polícia Federal, em uma investigação que mira fraudes em licitações e desvios de verbas federais na estatal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), sob o governo Jair Bolsonaro (PL).

Nessa mais recente estadia no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, de forma incomum, o sócio oculto da Construservice teve a guia de recolhimento registrada quase 24 horas depois de haver sido encaminhado para a cadeia, somente após o ATUAL7 questionar a pasta estadual da Administração Penitenciária sobre possíveis regalias ao preso.

Nas investigações em âmbito estadual, tanto Rodrigo Casanova quanto Adilton Costa, registrados oficialmente, respectivamente, em maio e em dezembro de 2013, como sócios da Construservice, admitiram durante depoimento no bojo da Operação Detonando que foram procurados pelo filho da ex-prefeita de Dom Pedro para compor o quadro societário da construtora —embora não mantivessem qualquer ligação pessoal ou empresarial entre si, segundo afirmaram nas oitivas.

Antes deles, outras pessoas, também apontadas pela Polícia Civil e Ministério Público como laranjas, constaram formalmente como sócias na construtora, que até 23 de janeiro de 2009 se chamava Natluz Comércio e Serviços Elétricos, e tinha endereço cadastral no bairro do Coroadinho, na capital do estado.

Os outros laranjas foram Natalina Carvalho Ferreira, Robert Rodrigues Cantanhede, Wesley de Sousa Ferreira, Jean Pereira dos Santos e Francisco Robert Soares.

Adilton, ainda segundo as apurações, disse em depoimento que trabalha com serviços gerais para a família de Eduardo DP desde 1982, recebendo um salário mínimo, sem carteira assinada.

Além da constante mudança no quadro societário, a construtora também trocou de endereço cadastral por diversas vezes: iniciou as atividades em São Luís, depois mudou-se para Santo Antônio dos Lopes e, por último, para Codó, onde fixou sede. Desde setembro de 2017, tem também uma filial, no município maranhense de Timbiras, segundo informado à Receita Federal.

Apesar de não aparecer nos registros da Construservice, Eduardo DP representou a empreiteira em pelo menos dois atos oficiais do Governo do Maranhão relacionados a contratos celebrados com a Sinfra.

Conforme mostrou o ATUAL7, no dia 25 de novembro de 2017, o sócio oculto da empreiteira esteve, com direito à participação em palanque, na assinatura da ordem de serviço para a execução de pavimentação asfáltica do trecho coincidente MA-008/MA-119, que liga os municípios de Vitorino Freire e Paulo Ramos.

No último dia 2 de junho, cerca de um mês antes de ser preso pela PF na Operação Odoacro, acompanhou os secretários Aparício Bandeira Filho (Sinfra) e Sebastião Madeira (Casa Civil), que representavam Brandão, na comitiva do governo que assinou ordem de serviço e entregou obras nos municípios de Bacabal, Alto Alegre do Maranhão, Coroatá e Codó.

Duas semanas depois, pela oitava vez, a Sinfra aditou um contrato de 2017 com a Construservice, no valor de R$ 82,2 milhões, para execução de serviços de pavimentação e manutenção de vias urbanas nos municípios da regional de Bacabal, com novo prazo de execução e vigência por mais 12 meses.

O ATUAL7 enviou ao Governo do Maranhão questionamentos sobre as razões da celebração de contratos e aditivos com a empreiteira, mesmo após investigações da própria Polícia Civil e do Ministério Público, além da PF, apontarem tratar-se de empresa operada por Eduardo DP em esquema envolvendo laranjas, fraude em licitação, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e até agiotagem.

Até o momento, não houve qualquer resposta.

O ATUAL7 também enviou a Eduardo DP perguntas sobre a atuação dele em contratos da Construservice com a gestão estadual, mesmo ele não respondendo formalmente pela empreiteira. Também não houve manifestação.

Proximidade da aposentadoria de Edmar Cutrim abre discussão sobre sucessor no TCE
Política

Pela Constituição, vaga é da Assembleia Legislativa. Tradicionalmente, no entanto, Palácio dos Leões tem forte poder de influência na indicação. Carlos Brandão pretende emplacar o sobrinho

A proximidade da aposentadoria do conselheiro Edmar Cutrim do Tribunal de Contas do Maranhão, em janeiro, levantou discussão no meio político sobre o nome que o governador Carlos Brandão (PSB) indicará para sucedê-lo.

Segundo as regras de revezamento estabelecidas pela Constituição, a vaga deve ser preenchida a partir de indicação da Assembleia Legislativa maranhense. Tradicionalmente, no entanto, o chefe do Palácio dos Leões tem forte poder de influência na decisão da própria Alema.

Nesse sentido, a aposta é que o mandatário do Estado fará uma escolha familiar, com a indicação do sobrinho, Daniel Itapary Brandão, ainda que grupos de parlamentares tenham preferência por um nome da própria Casa.

Daniel Brandão é o filho mais velho do ex-prefeito de Colinas Zé Henrique, irmão do governador.

Embora tenha formação em Direito, com situação regular na seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Maranhão, ele não tem histórico consolidado de atuação em grandes causas na área. Pesquisa em bancos de dados abertos do poder público mostra que já exerceu cargos comissionados no Tribunal de Justiça e na própria Assembleia Legislativa estadual.

Atualmente, sob beneplácito do Ministério Público, o sobrinho de Carlos Brandão é titular da Secretaria de Estado de Monitoramento de Ações Governamentais, criada pela gestão do tio. Por indicação do governador do Maranhão, ocupa também cargo de membro representante do Executivo do Estado no Conselho Consultivo do Complexo Portuário e Industrial do Porto do Itaqui, da Emap (Empresa Maranhense de Administração Portuária).

Compulsória, a aposentadoria de Edmar Cutrim no TCE-MA ocorrerá por limite de idade. No dia 7 de janeiro do ano que vem, o conselheiro completará 75 anos de idade.

Antes de deixar o cargo, porém, Cutrim participará da votação para eleger o próximo presidente da corte de Contas. O mais cotado é o conselheiro Marcelo Tavares.

Othelino conta com imagem de equilíbrio para se manter à frente da Assembleia Legislativa do MA
Política

Segundo o governador Carlos Brandão, o Palácio dos Leões não pretende interferir na eleição para comando da Casa

O presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Othelino Neto (PCdoB), conta com sua imagem de equilíbrio entre governistas e oposicionistas para se manter à frente da Casa, na eleição marcada para fevereiro de 2023.

De perfil conciliador, ele tem o apoio do ex-governador e senador eleito Flávio Dino (PSB), além da simpatia do atual mandatário do Estado, Carlos Brandão (PSB), fatores que dificultam o surgimento de qualquer adversário competitivo na disputa.

Nesta semana, em reunião com a chapa de prefeitos que comandará a Famem a partir do ano que vem, o próprio Brandão abriu caminho para a reeleição de Othelino.

Segundo o chefe do Executivo, o Palácio dos Leões não pretende interferir na eleição para o comando da Casa, e deve abraçar o candidato de melhor se posicionar entre os próprios parlamentares.

“Independente de quem seja o candidato, nós vamos dialogar. Aquele que estiver a melhor posição, tiver mais aliados, que construir melhor, esse, sim, será o candidato que a gente vai trabalhar para a unidade”, afirmou Brandão.

Caso o compromisso seja mantido, fica praticamente selada a reeleição de Othelino em fevereiro, já que se torna bastante improvável que surja um concorrente competitivo sem o apoio do governo.

Durante a sessão desta quarta-feira (23), seguro no anúncio de Brandão, o deputado Yglésio Moysés (PSB) reafirmou apoio a Othelino Neto para a presidência da Alema.

“Eu não seria eu se não viesse a essa tribuna, neste momento, para registrar o meu apoio à recondução do deputado Othelino. Presidente, o senhor tem meu voto antecipado. Nós precisamos de pessoas que deixem os deputados serem aquilo que eles querem e podem ser para contribuir com o Maranhão”, afirmou.

“Espero que mais colegas construam esse entendimento, porque, se nós apresentarmos um consenso para o governador Brandão, ele, democrata como é, vai saber reconhecer que o Othelino vai ser um grande presidente ao lado dele para construirmos um Maranhão cada vez mais fortalecido e melhor”, concluiu.

Apesar de Brandão garantir que o Palácio dos Leões não vai interferir na eleição para a presidência da Assembleia, resta ainda a Othelino vencer as resistências de Marcus Brandão, irmão do mandatário, para confirmar o favoritismo.

Com forte influência sobre o chefe do Executivo, conforme mostrou o ATUAL7, Marcus tem maior afinidade com o deputado Arnaldo Melo (PP), ex-presidente da Casa.

Embora um forte movimento interno tenha crescido para indicá-lo para o Tribunal de Contas do Estado na vaga a ser aberta com a aposentadoria do conselheiro Edmar Serra Cutrim em janeiro de 2023, o que abriria caminho para a aclamação de Othelino, Melo não tem concordado com a costura.

Segundo relatos, ele teria dito a pessoas próximas que, por já possuir 68 anos, a oferta não seria vantajosa. Pela Constituição, conselheiros do TCE são aposentados compulsoriamente aos 75 anos de idade.

Brandão declara arrecadação de R$ 7,2 milhões e nenhuma dívida de campanha
Política

Prestação de contas final foi entregue à Justiça Eleitoral na terça-feira (1º), último dia do prazo

O governador reeleito Carlos Brandão (PSB) entregou às 12h28 da terça-feira (1º), último dia do prazo, a prestação de contas final de sua campanha. Ao todo, o mandatário declarou à Justiça Eleitoral haver arrecadado R$ 7,2 milhões na corrida pelo Palácio dos Leões, sem dívidas eleitorais.

De acordo com a documentação apresentada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as receitas foram de R$ 7.250.100,00 e as despesas, R$ 7.246.828,36 –integralmente já pagas.

A direção nacional do PSB foi a maior doadora de campanha de Brandão, com exatos R$ 5 milhões. Já a concentração de despesas foi principalmente com materiais impressos, mais de R$ 1,8 milhão, e com produção de programas de rádio, televisão ou vídeo, quase R$ 1,7 milhão.

Pelas informações prestadas, o maior gasto do governador reeleito, mais de R$ 1,5 milhão, foi com a empresa BMK Divulgações, Serviços e Representações, de São Luís, para serviços de “cessão ou locação de veículos”, “despesas com pessoal”, “publicidade por carros de som” e “serviços prestados por terceiros”.

A prestação de contas de campanha é uma exigência da lei eleitoral. A divulgação pública dos dados permite aos eleitores a fiscalização da veracidade da movimentação financeira declarada pelos candidatos.

Eleição para presidência da Assembleia Legislativa do MA envolve controle de R$ 535 milhões
Política

Othelino Neto, atual presidente da Casa, é o favorito. Arnaldo Melo também tenta o cargo, mas pode ser indicado para o Tribunal de Contas

Além do poder de colaborar para que os interesses do Palácio dos Leões avancem, comandar a pauta do plenário e influenciar nas votações dos deputados, o presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão da próxima legislatura vai controlar um Orçamento de R$ 535 milhões previsto para a Casa para 2023.

A estimativa foi encaminhada pelo governador Carlos Brandão (PSB) à Alema no início de outubro na proposta de lei orçamentária para o ano que vem, ainda não votada pelo Parlamento.

O valor é superior em mais de R$ 40 milhões ao previsto para as despesas do Poder Legislativo do Estado para este ano, de quase R$ 494 milhões.

A maior parte dos gastos projetados da Casa será com pessoal, cerca de 75%.

A proposta orçamentária será votada pela atual composição da Assembleia Legislativa maranhense, mas as despesas ocorrerão somente a partir do primeiro ano da próxima legislatura, com a Casa renovada em 59,5%.

Embora publicamente insinuem independência, nos bastidores, todos os deputados reeleitos e também os novatos decidiram aguardar a indicação de Brandão para o comando da Assembleia Legislativa, incluindo parlamentares do PL e do PDT –que na disputa eleitoral de 2022 tentaram, sem sucesso, apeá-lo do cargo para colocar na cadeira o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

O deputado Othelino Neto (PCdoB), que preside a Casa desde janeiro de 2018, é favorito para permanecer no cargo. Além do apoio do ex-governador Flávio Dino (PSB), é aliado de Brandão e conta com imagem de equilíbrio entre governistas e oposicionistas para se manter à frente do Poder Legislativo maranhense.

Para ser eleito presidente da Assembleia Legislativa em primeiro turno, o deputado precisa de 22 votos. A movimentação, porém, é para que haja aclamação em vez de disputa.

Neste sentido, também aguarda pelo posicionamento de Carlos Brandão o deputado Arnaldo Melo (PP), que já presidiu a Casa e, à época, foi o principal responsável pela derrocada do clã Sarney e do recuo de Roseana, então governadora, na candidatura ao Senado.

Conforme revelou o ATUAL7, Melo conta com o incentivo do empresário Marcus Brandão, irmão do mandatário do Estado, na empreitada. Nas últimas semanas, contudo, perdeu fôlego, e agora já articula ser o indicado pela Assembleia Legislativa para o TCE (Tribunal de Contas do Estado) no ano que vem, na vaga a ser aberta com a aposentadoria do conselheiro Edmar Serra Cutrim.

Brandão corta quase R$ 55 milhões em Orçamento do Iema para 2023
Economia

Mensagem governamental foi encaminhada para Assembleia Legislativa no início de outubro, um dia após mandatário ser reeleito

O governador Carlos Brandão (PSB) prevê um corte de quase R$ 55 milhões no Iema (Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão) na proposta de Orçamento encaminhada à Assembleia Legislativa do Maranhão para 2023.

O texto foi apresentado no início de outubro, um dia após o atual chefe do Executivo ser ser reeleito em primeiro turno.

Segundo o documento, enquanto o Orçamento de 2022 do Iema previu despesas de R$ 273,7 milhões, o do próximo ano estima apenas R$ 218,8 milhões.

Do montante, ainda segundo o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) 2023, apenas R$ 32 milhões correspondem à despesas de capital para investimentos, como a execução de obras e compra de instalações.

A retirada da verba se dará no primeiro ano de gestão de Brandão como governador reeleito, caso a proposta seja aprovada pelos deputados estaduais na íntegra, ou seja, sem modificações no texto original. É o primeiro Orçamento inteiramente elaborado por Brandão, que assumiu o Palácio dos Leões como mandatário-tampão em abril, após a renúncia de Flávio Dino (PSB) ao cargo para disputar o Senado.

Autarquia estadual vinculada à Secretaria de Educação do Maranhão, o Iema foi criado em 2015, primeiro ano de gestão do ex-governador Flávio Dino, por meio de uma canetada. No caso, houve apenas a troca da nomenclatura, antes chamada de Cetecma (Centro de Capacitação Tecnológica do Maranhão).

Segundo dados do Governo do Maranhão, atualmente, os Iemas somam 63 unidades —sendo 26 vocacionais, 34 plenos, 2 bilíngues e 1 vocacional integrado. Ofertam ensino médio técnico de tempo integral e cursos profissionalizantes, além de idiomas, música e gastronomia. A rede atende cerca de 20 mil alunos e uma média de 70 mil já passaram pelas unidades.

Irmão de Brandão quer Arnaldo Melo na presidência da Alema
Política

Othelino Neto, atual presidente da Casa, é favorito na disputa. A eleição para a Mesa Diretora da Alema está prevista para 1º de fevereiro de 2023

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Arnaldo Melo (PP), pode voltar a disputar o comando da Casa. Ele tem como padrinho o empresário Marcus Brandão, irmão do governador reeleito Carlos Brandão (PSB), a quem tenta convencer a entrar na briga.

Se Brandão topar, terá de enfrentar o favorito para o posto, deputado Othelino Neto (PCdoB), atual presidente da Assembleia, que já conquistou declarações públicas de votos de colegas para mais uma reeleição.

Também já demonstrou interesse em disputar a presidência da Alema o deputado Ariston Gonçalo, e houve um movimento pela entrada de Iracema do Vale. Ambos são do PSB de Brandão.

A eleição para a Mesa Diretora da Alema está prevista para 1º de fevereiro de 2023, após a posse dos 42 parlamentares.

Carlos Brandão é reeleito governador do Maranhão
Política

Vitória do mandatário também é um troféu para Flávio Dino, que foi eleito para o Senado e conseguiu fazer seu sucessor

Após liderar as pesquisas de intenção de votos durante toda a campanha, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), foi reeleito neste domingo (2) no primeiro turno. O vice é Felipe Camarão (PT), ex-secretário de Educação do Estado.

Brandão obteve 51,29% votos válidos, contra de 24,87% de Lahésio Bonfim (PSC) e 20,71% de Weverton Rocha (PDT).

Ele contou com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai disputar o segundo turno da disputa pela presidência contra Jair Bolsonaro (PL).

Carlos Brandão chegou ao comando do Executivo em abril, após Dino -de quem foi vice nas eleições de 2014 e 2018- renunciar para disputar o Senado.

A vitória de Brandão também é um troféu para Flávio Dino. Além de ter sido eleito senador, o ex-mandatário conseguiu ainda fazer seu sucessor no cargo.

Brandão segue à frente de Weverton e, no 2º turno, tem 51% contra 33%, aponta Ipec
Política

Governador do Maranhão tenta vencer a eleição já no 1º turno, mas intenção de votos ainda é insuficiente

Com 41% das intenções de voto no cenário geral, o governador Carlos Brandão (PSB) mantém larga vantagem sobre os adversários e lidera com folga a disputa ao Palácio dos Leões, segundo nova pesquisa Ipec no Maranhão. No mês passado, ele tinha 28%.

Em seguida, empatados tecnicamente, aparecem o senador Weverton Rocha (PDT), com 20%, e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahésio Bonfim (PSC), com 16%. Na pesquisa anterior, tinham 16% e 10%, respectivamente.

O ex-prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PSD) despencou na preferência do eleitorado, e aparece agora com 7% –metade da intenção de votos que havia registrado no levantamento de agosto, quando marcou 14%.

Cinco outros candidatos se embolam, empatados tecnicamente, no pelotão dos que têm de 1% para baixo. Uma parcela de 5% respondeu que votará nulo ou em branco (eram 9% na pesquisa anterior), e 8% dos entrevistados não sabem responder como vão se posicionar (na sondagem anterior, eram 19%).

O IPEC ouviu presencialmente 800 eleitores em 39 cidades entre os dias 17 e 19 de setembro. O nível de confiança da pesquisa, contratada pela TV Mirante e registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Maranhão sob o protocolo MA-04923/2022, é de 95%.

Nos chamados votos válidos, conta que exclui os brancos e nulos do cômputo final, utilizada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para definir o resultado da eleição, o governador do Maranhão tem 47%.

Considerando a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, significa que Carlos Brandão pode ter hoje 44% ou 50% dos votos válidos, insuficientes, em tese, para vencer a disputa e ser reeleito já na primeira etapa, como quer o mandatário do Estado.

Para ganhar no primeiro turno, é necessário que o candidato some 50% dos votos válidos mais um. A votação será em 2 de outubro, e o segundo turno, se houver, está previsto para o dia 30 do mesmo mês.

Nas últimas semanas, mostrou o ATUAL7, Brandão tem trabalhado para vencer a eleição já no primeiro turno. Para isso, adotou a estratégia de consolidar e buscar votos no interior do estado acompanhado no ex-governador Flávio Dino (PSB), candidato ao Senado, enquanto o ex-secretário de Educação Felipe Camarão (PT), vice na chapa, intensifica a campanha na capital.

Brandão aparece também à frente nas simulações de segundo turno.

Segundo o Ipec, bate em Weverton por 51% a 33% no cenário geral. Contra Lahésio, também venceria a disputa, com maior facilidade, com 56% dos votos gerais, contra 29%.

Considerando somente os votos válidos, que são os levados em conta pela Justiça Eleitoral para proclamar o resultado das eleições, Brandão tem 61% contra 39% de Weverton. No cenário contra Lahésio, tem 66%, ante 34% do ex-prefeito.

Campanha de Brandão intensifica com Camarão foco em São Luís, reduto do PDT de Weverton
Política

Objetivo é decidir a eleição já no primeiro turno. Capital é controlada há mais três décadas, direta ou indiretamente, pelo partido do principal adversário do governador do Maranhão

Vice na chapa de reeleição do governador Carlos Brandão (PSB), o ex-secretário de Educação do Estado Felipe Camarão (PT) tem atuado na reta final da campanha na conquista de eleitores em São Luís, tradicional reduto do PDT no Maranhão.

Nas últimas semanas, enquanto o mandatário se dedica à consolidação e busca por votos no interior maranhense acompanhado do ex-governador Flávio Dino (PSB), candidato ao Senado na chapa, Camarão tem intensificado o corpo a corpo em bairro a bairro da capital, maior colégio eleitoral do estado.

O objetivo é decidir a eleição já no primeiro turno ou, no pior cenário, fazer Brandão chegar ao segundo turno com larga vantagem sobre o senador pedetista Weverton Rocha, principal adversário na disputa.

A orientação e mapeamento partiu do vereador e presidente eleito da Câmara Municipal de São Luís para o próximo biênio, Paulo Victor (PCdoB), coordenador e peça-chave na campanha como fiador da articulação que garantiu a Brandão a maioria dos vereadores da capital, além do apoio em peso do setor artístico e cultural.

Mesmo em reduto pedetista, Brandão aparece confortavelmente à frente de Weverton em intenções de voto para o Executivo do Estado, segundo pesquisa IPEC divulgada em agosto. Um novo levantamento está previsto para ser divulgado nesta terça-feira (20). A expectativa é de que o governador tenha ampliado a diferença na preferência do eleitorado ludovicense em relação ao adversário.

O contato direto da campanha com o eleitor da capital de forma mais frequente nos últimos dias, via caminhadas lideradas por Camarão, segue também a estratégia de tentar diminuir a rejeição de Brandão. Embora o mandatário seja o mais rejeitado no geral, em São Luís tem rejeição menor do que a registrada por Weverton. Quando perguntado na capital em qual dos candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum, lidera o ex-prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PSD).

A capital do Maranhão é dominada pelo partido de Weverton há mais de três décadas, com o controle direto ou indireto dos cofres do município.

A hegemonia eleitoral pedetista em São Luís teve início na corrida de 1988, com Jackson Lago (já falecido) eleito prefeito. O enraizamento foi quase interrompido por João Castelo (também já falecido) nas eleições de 2008, mas que consagrou-se vitorioso na segunda etapa daquele pleito exclusivamente devido ao forte auxílio recebido de Lago. Na última eleição, em 2020, Eduardo Braide (sem partido) só chegou ao Palácio de La Ravardière no segundo turno por causa do apoio do PDT, que possui uma das militâncias mais aguerridas de todo o estado.

Contudo, apesar da vitória nas urnas em São Luís ser atribuída ao suporte que recebeu do partido de Weverton, pressionado por aliados que o apoiaram desde o primeiro turno, e que estão fechados com o candidato Lahésio Bonfim (PSC), Braide tem feito uma campanha tímida em favor do pedetista.

Brandão lidera disputa pelo governo do MA, mas é o candidato mais rejeitado
Política

Intenções de voto no mandatário diminuem conforme a gestão estadual, assumida pelo atual chefe do Executivo em abril, é avaliada

O governador do Maranhão Carlos Brandão (PSB) lidera a corrida pelo Palácio dos Leões, mas é também o candidato com maior rejeição, aponta levantamento do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) –substituto do Ibope Inteligência, aposentado desde o final de janeiro de 2021. Divulgada pela TV Mirante na semana passada, é a primeira pesquisa estimulada do instituto após o registro das candidaturas.

Brandão aparece com 28% das intenções de voto. Em seguida, tecnicamente empatados, estão Weverton (PDT), com 16%, Edivaldo (PSD), com 14%, e Lahésio Bonfim (PSC), com 10%.

Professora Joas Moras (DC) registra 2% dos eleitores entrevistados, enquanto Enilton Rodrigues (PSOL), Frankle Costa (PCB) e Simplício (SD) têm 1%, cada. O candidato do PSTU, Hertz Dias, não atinge 1% das intenções de votos.

Segundo o Ipec, 28% dos eleitores maranhenses não têm candidato. Desse grupo, 9% pretendem votar em branco ou nulo e 19% não sabem ou preferem não opinar a respeito.

Brandão lidera entre homens, mulheres e todas as faixas etárias, de renda familiar, raça/cor, religião e de escolaridade. Também entre os eleitores do interior e entre beneficiários de auxílios sociais do governo federal. Na capital, é o segundo com maior intenção de votos.

A despeito disso, também é o campeão em rejeição.

De acordo com o Ipec, 18% do eleitorado maranhense não votaria em Brandão de jeito nenhum. Em seguida aparecem na lista dos mais rejeitados Edivaldo (17%), Weverton (16%), Simplício (13%), Frankle Costa (9%), Lahesio Bonfim (8%), Enilton Rodrigues e Professor Joas Moraes têm 7%, cada, e Hertz Dias 6%.

Ainda segundo o levantamento, as intenções de voto no mandatário do Estado diminuem conforme a gestão estadual, sob comando de Brandão desde abril, é avaliada. Entre os que consideram ótima ou boa, 53% pretendem reelegê-lo ao cargo, enquanto apenas 22% entre os que avaliam como regular. Entre os eleitores que consideram atual gestão ruim ou péssima, a intenção de votos em Brandão despenca para 7%.

Registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob número MA-06254/2022, a pesquisa ouviu 800 pessoas, em 39 cidades do Maranhão, entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro máxima estimada é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança utilizado é de 95%.

De R$ 64 mil a R$ 4,6 milhões: confira o patrimônio dos candidatos ao Palácio dos Leões
Política

Apenas Frankle Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) não possuem bem cadastrado no Divulgacand

Nas convenções realizadas até o início de agosto, os partidos confirmaram nove candidatos ao Governo do Maranhão na disputa das eleições de 2022. O prazo para registro das candidaturas se encerrou nessa segunda-feira (15).

Com exceção de Frankle Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU), sem nenhum bem cadastrado no Divulgacand, o sistema de divulgações de candidaturas e contas eleitorais do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), todos os demais postulantes ao Palácio dos Leões apresentaram à Justiça Eleitoral o detalhamento do patrimônio que possuem atualmente.

O maior patrimônio declarado é de Lahésio Bonfim (PSC). O ex-prefeito de São Pedro dos Crentes informou possuir R$ 4,6 milhões em bens. Em 2008, quando tentou as urnas pela primeira vez, sem sucesso, na disputa pela prefeitura de Marcos Parente (PI), havia informado R$ 156 mil.

Weverton (PDT) declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 4,2 milhões, valor também superior aos R$ 352,5 mil declarados em 2010, quando alcançou a suplência de deputado federal.

O terceiro candidato ao Palácio dos Leões com maior patrimônio declarado é o Professor Joas Moraes, do nanico DC, de R$ 1,2 milhão. Em 2006, quando não conseguiu se eleger deputado estadual, era R$ 55 mil.

Ex-secretário da Indústria e Comércio do Maranhão Simplício Araújo (SD) declarou possuir R$ 570 mil em bens, valor um pouco superior ao patrimônio de R$ 405 mil de 2010, quando alcançou a primeira suplência para a Câmara dos Deputados de sua história eleitoral.

Carlos Brandão (PSB), que assumiu o governo do Estado em abril e disputa a reeleição, afirmou possuir R$ 478,7 mil em bens. Em 2006, quando disputou para deputado federal, declarou patrimônio de R$ 65,4 mil.

Apesar de, se comparado à maioria dos adversários no pleito, possuir um patrimônio baixo, o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Júnior (PSD) também conseguiu adquirir bens após entrar na política eleitoral. Segundo declarou à Justiça Eleitoral, tem patrimônio de R$ 192,3 mil atualmente, diferentemente de 2004, quando foi eleito vereador da capital sob nenhum bem cadastrado.

Já Enilton Rodrigues (PSOL) teve um leve aumento no patrimônio, de atualmente exatos R$ 64 mil. O declarado em 2016, quando não conseguiu ser eleito vereador por Arame, era R$ 52,3 mil.

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 2 de outubro. Eventual segundo turno, que ocorre caso um dos candidatos ao Executivo não alcance a maioria absoluta de votos, está previsto para o dia 30 do mesmo mês.

Partido de Bolsonaro, PL faz jogo duplo no Maranhão e libera apoio a Flávio Dino ao Senado
Política

Legenda é comandada por Josimar Maranhãozinho. Ele desconversa quando questionado se apoio a ex-mandatário também fortaleceria Carlos Brandão na disputa pelo Palácio dos Leões

Partido de Jair Bolsonaro, o PL faz jogo duplo no Maranhão na disputa eleitoral de 2022. Embora a legenda tenha decidido durante convenção estadual, segundo ata registrada na Justiça Eleitoral, apoiar a candidatura à reeleição do senador bolsonarista Roberto Rocha (PTB), diversas lideranças políticas do partido têm declarado publicamente apoio a Flávio Dino (PSB), ex-mandatário do Estado e desafeto do presidente da República.

A infidelidade partidária conta com a proteção do deputado Josimar Maranhãozinho, que comanda o partido no estado.

Alvo da Polícia Civil e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público, ele havia se afastado de Dino e virado oposição ao Palácio dos Leões sob alegação de que teria sido vítima de perseguição pela Operação Maranhão Nostrum, deflagrada em outubro do ano passado.

Ao ATUAL7, disse que mantém apoio à reeleição do senador bolsonarista, mas que não pode “obrigar os descontentes a seguir com ele”. “Cabe ao Roberto conquistar a todos”, declarou.

Espécie de resposta pronta, a mesma declaração já havia sido dada na semana passada ao blogueiro Werbeth Saraiva, após questionamento sobre o deputado estadual Vinícius Louro, vice-presidente do PL no Maranhão e atualmente escudeiro mais caninamente fiel a Josimar Maranhãozinho na Assembleia Legislativa, ter fechado apoio a Flávio Dino.

A liberação concedida pelo presidente do PL maranhense tem provocado suspeita de que ele próprio esteja com pé em cada canoa na corrida pelo governo do Maranhão.

No final de maio, em transmissão ao vivo nas redes sociais, ele confessou que teve conversas com o governador Carlos Brandão (PSB), que era vice de Dino e agora concorre à reeleição. Segundo afirmou, nos diálogos, houve oferecimento de espaço no Executivo do Estado em troca de apoio no pleito.

Apesar das ofertas, garantiu, ele não é político do tipo que se vende.

Na live, o deputado federal declarou apoio ao senador Weverton Rocha (PDT), principal adversário de Brandão na disputa, e indicou como vice na chapa o deputado estadual Hélio Soares, do PL de Jair Bolsonaro. Integrante dos mais antigos da tropa de choque de Josimar, ele teria dificuldades de se reeleger para a Alema em razão da prioridade que o chefe do partido planeja dar à sobrinha, Fabiana Vilar Rodrigues, também do PL, na corrida por uma vaga no Legislativo estadual.

Questionado se o apoio de lideranças do PL a Flávio Dino ao Senado também fortaleceria Carlos Brandão ao governo, Josimar Maranhãozinho desconversou.

“É diferente”, disse, embora garantindo que trabalha pela eleição de Weverton.

No período em que o Palácio dos Leões esteve sob comando de Dino, o PL foi um dos partidos que integrou o governo do Estado, com o controle de pastas em troca de apoio na aprovação de projetos de interesse do Executivo na Assembleia Legislativa, e de vista grossa para casos envolvendo irregularidade e corrupção com os cofres públicos.

Uso indevido de imagem de adolescente em propaganda de Brandão para na Justiça
Política

Gravação foi retirada das redes sociais do governador apenas após a agência de publicidade que produziu o vídeo firmar acordo com a genitora do rapaz

Sob a garantia de que pretendia apenas realizar campanha de incentivo à regularização de título eleitoral, a empresa Canal Comunicação, de Imperatriz, conseguiu gravar a imagem de um adolescente, à época próximo de completar 17 anos, e expôs o vídeo, após editado, sem autorização, em uma propaganda de cunho eleitoral a favor do governador Carlos Brandão (PSB). O caso foi parar na Justiça.

Alegando ter sido enganada, a família do rapaz, também de Imperatriz, acionou o Poder Judiciário maranhense contra a agência de publicidade e o mandatário do Estado, com pedido de indenização de R$ 10 mil, pelo uso irregular da imagem do adolescente para fins políticos.

Em respeito à neutralidade política buscada pelos membros da família na Justiça, o ATUAL7 decidiu preservar suas identidades e não divulgará o nome de nenhum deles.

Segundo os pais do adolescente, a descoberta de que a imagem do filho foi utilizada de forma indevida só foi constatada após o recebimento de uma propaganda, publicada nas redes sociais de Brandão, em que ele aparecia vinculado à campanha de apoio ao chefe do Executivo, que concorre à reeleição aos Palácio dos Leões.

De acordo com os autos, mesmo havendo pedido diretamente à página de Carlos Brandão no Instagram para que a imagem do adolescente fosse retirada do ar, os pais foram ignorados e o vídeo permaneceu nas redes sociais do governador.

O caso foi declarado extinto em junho pelo juiz Frederico Feitosa de Oliveira, da 5ª Vara Cível da Comarca de Imperatriz, com resolução do mérito, após a Canal Comunicação entrar em acordo extrajudicial pactuado com a família, em que se comprometeu a se retratar, efetuar o pagamento de R$ 3 mil reais à genitora do adolescente, autora da ação, e deletar o vídeo das redes sociais de Carlos Brandão.

A gravação já não está mais do ar.

Antes da ação ser encerrada, Brandão chegou a participar de audiência de conciliação no bojo do processo, por videoconferência, direto do leito do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Na data registrada nos autos, 27 de junho, ele ainda estava interno no hospital de elite, se recuperando de uma cirurgia para retirada de um cisto nos rins.

Em nota, a Canal afirmou que a gravação não envolveu prestação de serviços ao poder público estadual, e insistiu que a propaganda teve caráter apenas educativo sobre a regularização do título de eleitor. “A peça publicitária foi desenvolvida sem contratação, por iniciativa própria, apenas com a finalidade educativa e para o incentivo do primeiro voto de jovens maranhenses”. Procurado, Brandão não comentou o caso.

Brandão e Camarão comemoram declaração protocolar de Lula
Política

Petista também citou Roseana Sarney, agora aliada da chapa governista, e pediu apoio a Flávio Dino ao Senado. Gravação foi exibida durante convenção

O governador Carlos Brandão (PSB) e o ex-secretário de Educação Felipe Camarão (PT) comemoram nas redes sociais e aplicativos de mensagem para celular, desde a noite desse sábado (30), a divulgação de um vídeo em que o ex-presidente e candidato ao Palácio dos Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz declaração protocolar sobre a corrida pelo Palácio dos Leões, em razão de acordo nacional com PSB.

A gravação foi exibida na convenção que oficializou a candidatura de Brandão à reeleição, e Camarão, a vice.

Com duração de pouco mais de dois minutos, o vídeo foi gravado dois dias antes, após pedido insistente do ex-governador Flávio Dino, candidato ao Senado na chapa da dupla, que vinha se incomodando com a indiferença e resistência do petista. Quase metade do tempo da gravação é dedicado a Dino.

“Eu queria pedir para vocês, olha, é imprescindível e muito importante que a gente consiga eleger com muito voto o nosso querido companheiro Flávio Dino”, diz Lula –confirmando, indiretamente, a obsessão do ex-governador em tentar quebrar o recorde histórico conquistado nas eleições de 2018 pelo senador Weverton Rocha (PDT), principal adversário de Brandão na disputa e que possui formação sólida com integrantes da base do PT e relação histórica de amizade com o ex-presidente.

Por apenas duas vezes, Lula cita os nomes de Brandão e Camarão no vídeo, uma a mais que o da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), a quem se refere na gravação como “companheira”.

“Eu queria dizer para vocês que é com muito carinho, com muito, mas muita dedicação, que eu vejo, sabe, com muita felicidade, a indicação do Brandão como governador e do Felipe como vice”, destaca Lula, no trecho mais comemorado pela dupla.

A citação do líder petista à Roseana na mesma gravação em que declara apoio a Dino, diferentemente do que ocorreria oito ou até mesmo quatro anos atrás, não causa mais qualquer constrangimento político ou moral ao grupo anilhado ao ex e ao atual mandatário do Estado.

Roseana e o que sobrou da oligarquia Sarney, incluindo o sobrinho, Adriano, único do clã com mandato eletivo, fazem agora parte do arco de aliança frankenstein montada por Flávio Dino e Carlos Brandão.

A salada inclui ainda o PP, um dos partidos mais fiéis do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Congresso Nacional e líder do bloco político conhecido como centrão, que controla o chamado orçamento secreto e que, em troca do jogo duplo no Maranhão, ganhou o controle do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) e a SAF (Secretaria de Estado da Agricultura Familiar).