Jair Bolsonaro
7 de Setembro: Bolsonaro, Mourão e ministros cantam hino nacional
Política

Peça foi exibida pela EBC e publicada nas redes sociais do Governo Federal. Primeira-dama aparece traduzindo trechos do hino para a linguagem de libras

Neste 7 de Setembro, data de comemoração da Independência do Brasil, um vídeo de quase 3 minutos e meio exibido pela EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) e publicado nas redes sociais do Governo Federal mostra o presidente Jair Bolsonaro (PSL), o vice Hamilton Mourão (PRTB) e os 22 ministros cantando trechos do hino nacional.

Famílias negras e brancas, crianças, jovens e um indígena também revezam nas imagens. A maioria veste verde-amarelo ou segura a bandeira do Brasil. Nenhum representante da comunidade LGBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) aparece no vídeo.

Bolsonaro aparece duas vezes na gravação, numa delas entoando o verso “verás que o filho teu não foge à luta”. Na primeira vez, é seguido de Mourão, que entoa o trecho “de um povo heroico o brado retumbante”.

No trecho que diz “se ergues da Justiça a clava forte”, aparece o ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública).

Último ministro a aparecer, Paulo Guedes (Economia) apenas declama e não cantar o verso “não teme quem te adora, a própria morte”.

A primeira-dama Michelle Bolsonaro também aparece no vídeo, encerrando a gravação não cantando, mas traduzindo as palavras do hino para a linguagem de libras.

Confira:

Flávio Dino se oferece para ser conselheiro de Jair Bolsonaro
Política

Governador do Maranhão diz que declarações do presidente da República atrapalham os investimentos no país

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), se ofereceu para dar conselhos ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Segundo Dino, as declarações de Bolsonaro atrapalham os investimentos no país, o que faz com que ele precise de um conselheiro.

“Espero que o presidente da República tenha algum amigo sincero por perto dele, se não tiver, posso ser eu, me ofereço para ir lá. Pois realmente não é uma coisa correta todos os dias produzir incidentes internacionais e nacionais. Não é algo que ajuda o Brasil”, disse.

A declaração foi feita nessa quinta-feira 5, durante conferência Agenda do Brasil para Crescimento Econômico e Desenvolvimento, promovida pela COA (Council of the Americas), em Brasília.

O comunista disse, ainda, que “torce para que haja uma reflexão permanente de todos os que têm papel relevante” no governo Bolsonaro. “Ele é o principal líder do país e, portanto, tem grandes responsabilidades como disse o filósofo Peter Parker, mais conhecido como Homem-Aranha”, brincou, referindo-se ao super-herói.

Sobre a própria gestão no Palácio dos Leões, Dino afirmou a uma plateia repleta de empresários que o Estado mantém um “ambiente institucional amigável” para os investimentos, com respeito às leis. “La garantia soy yo (a garantia sou eu)”, brincou novamente.

Sem citar a construção do porto no Cajueiro, onde recentemente dezenas de famílias foram retiradas sob repressão policial, o governador do Maranhão destacou que o estado tem importância estratégica na distribuição de produtos no Brasil. “Quem pensa em logística para Norte, Nordeste e Centro-Oeste, pensa neste complexo portuário”, disse, completando: “Temos em São Luís o complexo portuário. Tem o porto público, de Itaqui, e dois privados, um da Vale, e outro da Alcoa”.

Bolsonaro cria pensão vitalícia para crianças com microcefalia que recebem o BPC
Cotidiano

Para não perder validade, medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso. Presidente pediu que texto não seja alterado

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou, nessa quarta-feira 4, em cerimônia no Palácio do Planalto, medida provisória que torna vitalícia a pensão para crianças vítimas de microcefalia causadas pelo vírus Zika e contempladas pelo BPC (Benefício de Prestação Continuada). O valor de um salário mínimo será concedido a quem nasceu de 2015 a 2018. Segundo o ministério da Cidadania, existem no Brasil atualmente 3.112 crianças nesta situação.

Para não perder a validade, deputados e senadores ainda precisam aprovar a medida. Na assinatura, o presidente da República pediu que o texto não seja alterado pelo Congresso.

Em discurso, Bolsonaro disse que o Brasil merece um futuro diferente daquele vivido pelo país. “Peço a Deus mais que sabedoria, a coragem para não ceder a tentações, que são muitas. O Brasil merece um futuro bem diferente do que nos apresentava até o final do ano passado. Vamos juntos mudar o destino do Brasil”, disse.

Ingrid Graciliano, presidente da Frente Nacional na Luta pelos Direitos da Pessoa com Síndrome Congênita do Zika Vírus, participou da solenidade no Palácio do Planalto representando as mães de crianças com microcefalia. Ela contou que a pequena Nicole Graciliano, atualmente com 3 anos e 8 meses sempre demandou uma atenção especial, o que a levou a deixar a empresa que tinha em parceria com o ex-marido, passando a receber o BPC.

Ingrid disse que agora poderá voltar ao mercado de trabalho, já que a medida provisória substitui o benefício pela pensão vitalícia. “Eu vou poder trabalhar formalmente, retomar a minha carreira, que eu sou tecnóloga em radiologia, e estou fazendo o sétimo período de nutrição”, disse. “Eu quero concluir a minha faculdade e trabalhar na minha profissão sem que isso interfira no benefício da minha filha”, completou.

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que preside o Conselho Pátria Voluntária, lembrou que em viagem a Campina Grande (PB), ouviu o relato de muitas mães com medo de perder o BPC caso conseguissem uma fonte de renda. Receio que agora, segundo ela, deixa de existir.

“A Medida Provisória assinada hoje responde a essa demanda transformando a angústia que existia em segurança. Agora essas crianças terão direito a pensão especial e as mães e os pais poderão trabalhar sem medo de perder o benefício para os seus filhos”, ressaltou.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, afirmou que os governos anteriores não tiveram coragem de avançar nessa questão e reforçou que a pensão vitalícia é um passo muito importante na área social, ao assegurar tranquilidade a essas mães, que poderão buscar por outras fontes de renda sem perder a pensão. “Estamos vivendo um momento em que o Estado manifesta a sua capacidade de ajudar aqueles que mais precisam”.

Requerimento

O requerimento da pensão deve ser feito perante o INSS que irá realizar um exame pericial para constatar a relação entre a microcefalia e a contaminação pelo vírus Zika.

O recebimento da pensão não poderá ser cumulada com outra indenização decorrente do mesmo fato ou com o recebimento de Benefício de Prestação Continuada. Ou seja, para optarem pela pensão vitalícia para as crianças, as famílias terão que abdicar do BPC, já que não podem acumular os dois benefícios.

O BPC é pago para famílias pobres com renda por pessoa de até 25% do valor do salário mínimo e que tenham idosos ou pessoas com deficiência grave que as incapacite para o trabalho. O valor é de um salário mínimo, mas se a renda familiar aumenta, o BPC é cortado pela lei.

O ministério da Saúde reconheceu a relação entre o vírus Zika e a microcefalia em 2015. A doença causa uma série de alterações corporais, prejudicando o desenvolvimento e a participação social das crianças com esta deficiência.

Se eleição fosse hoje, Haddad venceria Bolsonaro, diz Datafolha
Política

Presidente quer concorrer a reeleição em 2022, mas perdeu a vantagem após oito meses

Se o segundo turno da eleição para presidente da República fosse hoje, Fernando Haddad (PT) seria eleito com 42% dos votos, contra 36% de Jair Bolsonaro (PSL), indica pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira 2. Outros 18% votariam branco ou nulo e 4% não souberam responder. A informação é da Folha de S.Paulo.

Em 28 de outubro do ano passado, no segundo turno da disputa, Bolsonaro foi eleito presidente com 55,13% dos votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos). Haddad obteve 44,87%.

Passados oito meses de governo, o Datafolha aponta que a reprovação do presidente subiu de 33% para 38% em relação ao levantamento anterior do instituto, feito no início de julho, e diversos indicadores apontam uma deterioração de sua imagem. Foram ouvidas 2.878 pessoas com mais de 16 anos em 175 municípios.

A aprovação de Bolsonaro também caiu, dentro do limite da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos, de 33% em julho para 29% agora. A avaliação do governo como regular ficou estável, passando de 31% para 30%.

Entre quem declarou preferência por Bolsonaro no ano passado, 74% manteriam o voto se a eleição fosse hoje. Um total de 10% migraria para Haddad, e 13% votariam branco ou nulo. Já 88% dos eleitores do petista manteriam seu voto hoje. Somam 4% os que mudariam o voto para Bolsonaro e 6% os que votariam nulo ou branco.

O presidente Bolsonaro já deixou claro que pretende concorrer à reeleição em 2022. Durante a campanha eleitoral, ele disse que trabalharia pelo fim da reeleição presidencial.

Em julho passado, o discurso foi outro: "Pegamos um país quebrado moral, ética e economicamente, mas se Deus quiser nós conseguiremos entregá-lo muito melhor para quem nos suceder em 2026".

De olho na reeleição, Bolsonaro tem adotado estratégias como manter inflada a polarização vista no ano passado e atacar possíveis adversários da centro-direita, como o governador João Doria (PSDB) e o apresentador Luciano Huck.

O PT, por sua vez, continua a reboque do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso em Curitiba pela operação Lava Jato desde abril de 2018. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) é considerado o principal líder da sigla e provável presidenciável em 2022, como alternativa a Lula.

Caso o segundo turno ocorresse agora, o petista abre vantagem em diferentes segmentos da sociedade.

Considerando os desempregados que buscam emprego, hoje 52% votariam em Haddad contra 26% em Bolsonaro —19% votariam nulo ou branco. Entre os empresários, a vantagem se inverte: 61% quereriam Bolsonaro eleito e 26% escolheriam Haddad.

Os aposentados elegeriam Bolsonaro por 43% a 33%. Já os estudantes preferem Haddad, por 50% a 32%. O petista também vence entre assalariados sem registro, funcionários públicos e pessoas que fazem bico.

Se a eleição fosse hoje, Haddad venceria entre pardos (43% a 36%), pretos (53% a 26%), amarelos (44% a 30%) e indígenas (40% a 34%). Porém perderia entre os brancos (36% a 43%).

Mulheres também preferem o petista por 44% a 32%. Outras 20% votariam branco ou nulo. Bolsonaro e Haddad empatam tecnicamente entre os homens.

Entre os evangélicos, 47% votariam em Bolsonaro e 32% em Haddad. O petista tem maioria entre os católicos, 46% a 33%.

O presidente manteria a dianteira, se a eleição fosse hoje, em todas as regiões do Brasil, com exceção do Nordeste, que elegeria Haddad por 57% a 23%. A maior vantagem de Bolsonaro é no Sul: 43% a 32%.

Em relação a faixa etária, Haddad teria maior vantagem entre os mais jovens, chegando a 51% contra 31% entre os que têm de 16 a 24 anos. O petista perderia entre os maiores de 60 anos por 34% a 41%.

Se a eleição fosse hoje, aqueles com ensino fundamental e médio elegeriam Haddad, por 45% a 33% e 42% a 37%, respectivamente. Para quem tem ensino superior, há empate dentro da margem de erro, com 40% de Bolsonaro e 38% de Haddad.

O presidente Bolsonaro venceria em todas as faixas de renda, com exceção daqueles que ganham até dois salários mínimos. Esses de menor renda elegeriam Haddad por 49% a 28%.

Bolsonaro abriria maior distância entre os que ganham de cinco a dez salários mínimos: venceria por 53% contra 27%.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.878 pessoas entre 29 e 30 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%.

Bolsonaro manda investigar contrato de R$ 6 milhões da gestão Dino na Embratur
Política

Segundo o presidente, recursos foram gastos com o “Brazil Quest”, game mobile desenvolvido para promover no exterior as cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou, nessa quinta-feira 15, durante live semanal no Facebook, que mandou investigar um contrato que custou R$ 6 milhões aos cofres da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) para a criação e promoção do “Brazil Quest”, um game mobile desenvolvido para promover no exterior as cidades-sedes da Copa do Mundo de Futebol de 2014, realizada no Brasil. O jogo foi lançado durante evento na Times Square, em Nova York.

Bolsonaro não chegou a citar o nome de Flávio Dino (PCdoB), mas deixou claro que se referia ao comunista ao dizer que o contrato foi fechado em 2012, e que o presidente da Embratur à época “está na política ainda”.

“Estamos investigando, tinha um presidente da Embratur na época, não vou falar o nome dele aqui. Pelo que parece, ele está na política ainda. Vamos investigar isso aqui e qualquer irregularidade nós vamos acionar quem de direito para cobrar os prejuízos causados aos nosso cofres públicos”, declarou.

Atual governador do Maranhão e um dos principais opositores do presidente da República, Dino comandou a Embratur de junho de 2011 a março de 2014, quando deixou a autarquia para disputar novamente o Palácio dos Leões, desta vez, sendo eleito.

Bolsonaro determina suspensão de uso de radares móveis em rodovias federais
Cotidiano

Medida foi publicada no Diário Oficial desta quinta 15

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) suspendeu, nesta quinta-feira 15, o uso de radares móveis em rodovias federais.

A decisão consta em despacho publicado na edição de hoje do DOU (Diário Oficial da União). Segundo o documento, a ordem foi dada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, chefiado por Sergio Moro, responsável pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

A suspensão se aplica aos radares estáticos, móveis e portáteis. Não há no despacho presidencial determinação sobre os radares fixos, que ficam instalados em locais definidos e de forma permanente, nem qualquer indicação sobre quando a medida entrará em vigor.

No início desta semana, em evento no Rio Grande do Sul, Bolsonaro já havia anunciado que acabaria com os radares móveis no país.

“Estou com uma briga juntamente com o Tarcísio [de Freitas, ministro da Infraestrutura] na Justiça para acabarmos com os pardais no Brasil, essa máfia de multas, que vai para o bolso de alguns poucos nessa nação. É uma roubalheira. Anuncio para vocês que a partir da semana que vem não teremos mais radares móveis no Brasil”, disse o presidente da República na ocasião.

Governistas rejeitam título a Allan Garcês; medalha a Glenn Greenwald avança
Política

Tratamento diferenciado aponta que Assembleia Legislativa do Maranhão passará a ser utilizada na guerra de Flávio Dino contra Jair Bolsonaro

O confronto aberto pelo governador Flávio Dino (PCdoB) contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL) chegou à Assembleia Legislativa do Maranhão.

Na sessão desta terça-feira 6, aliados do comunista na Casa fizeram valer a maioria e rejeitaram um projeto de resolução legislativa do então deputado estadual Edilázio Júnior (PSD), atualmente na Câmara Federal, para conceder título de cidadão maranhense ao médico e professor universitário Allan Quadros Garcês, atual diretor do Departamento de Articulação Interfederativa da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.

Morador da capital há 15 anos – inclusive, já honrando com um Título de Cidadão Ludovicense –, ele é natural do Pará, e um dos postulantes a prefeitura de São Luís nas eleições de 2020 pelo PSL, partido de Bolsonaro.

Apenas sete parlamentares – César Pires (PV), Adriano Sarney (PV), Arnaldo Melo (MDB), Wellington do Curso (PSDB), Roberto Costa (MDB), Mical Damasceno (PTB) e Helena Duailibe (SD) – foram favoráveis à homenagem, sendo todos os demais contrários.

No mesmo tratamento ideológico de agrado a Dino e contraponto a Bolsonaro, um projeto de resolução legislativa que concede a medalha Manuel Beckman, a maior honraria do Poder Legislativo estadual, ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald avança na Casa.

Proposta pelo deputado Zé Inácio (PT), a honraria recebeu parecer favorável da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Alema no mês passado, e aguarda agora, com a retomada dos trabalhos após o recesso parlamentar, pela inclusão na ordem do dia para ser votada e aprovada.

Fundador do The Intercept, responsável pela série de reportagens intitulada Vaza Jato, sobre a troca de mensagens atribuídas a procuradores da Lava Jato e ao então juiz Sérgio Moro, Glenn Greenwald e as reportagens de seu site têm sido utilizadas pela oposição ao presidente da República para pedir a queda do ministro de Justiça e Segurança Pública, na tentativa de provocar desgaste ao governo de Jair Bolsonaro.

“Tenho preconceito com governador ladrão”, diz Jair Bolsonaro
Política

Presidente voltou a garantir que não vai negar recursos aos estados do Nordeste

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a garantir, nesta segunda-feira 5, que não vai negar recursos aos estados do Nordeste. Fez a ressalva, porém, que a destinação passará a ser diretamente para as prefeituras municipais, caso os governadores escondam da população que origem do dinheiro para obras e serviços são de sua gestão no Palácio do Planalto.

“O que eu quero desses respectivos governadores: não vou negar nada para esses estados, mas se eles quiserem realmente que isso tudo seja atendido, eles vão ter que falar que estão trabalhando com o presidente Jair Bolsonaro. Caso contrário, eu não vou ter conversas com eles, vamos divulgar obras junto a prefeituras”, disse, após a inauguração de uma usina de energia que usa painéis solares instalados sobre as águas do Rio São Francisco, em Sobradinho (BA).

Bolsonaro comentou também sobre a polêmica da baixa liberação de empréstimos ao Nordeste. Segundo o presidente, a região tem recebido recursos abundantes, e que ele não tem preconceito com os estados, mas, sim, com “governador ladrão”.

“Não estou aqui com colegas nordestinos para fazer média. Não existe essa história de preconceito. Agora, eu tenho preconceito com governador ladrão que não faz nada para o seu estado”, disse.

Há duas semanas, ao justificar o uso do termo “paraíba” numa fala de bastidor com o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Bolsonaro apontou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), como um dos governadores do Nordeste que, embora críticos ferrenhos de sua gestão, vêm recebendo recursos do governo federal, mas omitido a origem, se apropriando das obras.

“Vivem me esculhambando. Obras federais vão para lá. Dizem que é deles. Não são deles, é do povo”, declarou.

“Há um olhar muito especial ao Maranhão”, diz Roberto Rocha sobre Bolsonaro
Política

Declaração foi dada na última sexta 2, durante solenidade de entrega de 1.570 títulos de terra pelo Incra

Em contraponto ao que vem sendo disseminado pelo Palácio dos Leões e seu entorno, o senador Roberto Rocha (PSDB-MA) declarou que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) vem mantendo uma boa relação com o Maranhão.

“Eu não poderia deixar de dar esse testemunho do trabalho do governo federal que vejo em Brasília, do empenho e da boa vontade de fazer esse país acertar. E, dentro desse contexto, há um olhar muito especial ao Maranhão. O presidente Jair Bolsonaro determinou esse olhar especial”, destacou.

A defesa do tucano foi feita durante solenidade de entrega de 1.570 títulos de terra pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), na última sexta-feira 2, em São Luís.

No estado e no Congresso, o senador maranhense tem sido um dos principais aliados de Jair Bolsonaro, e tem angariado reconhecimento do próprio presidente pelo posicionamento assumido.

Na semana passada, por exemplo, durante transmissão ao vivo em sua conta no Facebook, Bolsonaro teceu elogios e destacou a importância de Roberto Rocha para a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) entre Brasil e Estados Unidos.

“Na nossa primeira viagem aos Estados Unidos, assinamos o acordo. Estava presente o senador do Maranhão, Roberto Rocha, uma pessoa maravilhosa, excepcional, para que nós pudéssemos desenvolver todo o projeto tratando do lançamento de satélites na nossa base de Alcântara”, disse.

Roberto Rocha é adversário de Flávio Dino (PCdoB), embora tenham sido eleitos na mesma chapa, em 2014. O comunista é uma das principais vozes de oposição a Bolsonaro no país.

Concessão de trechos da Norte-Sul, assinada por Jair Bolsonaro, é comemorada pelo governo Flávio Dino
Economia

Secretário de Indústria, Comércio e Energia da gestão comunista destacou que celebração de contrato pelo presidente consolida escoamento da produção e logística do Maranhão

Diferentemente do que tenta emplacar o governador Flávio Dino (PCdoB) com base numa declaração de bastidor do presidente Jair Bolsonaro (PSL), orientando o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) a restringir repasses do Governo Federal, especificamente, para a sua gestão no Maranhão, o estado não tem sofrido perseguição política e econômica, mas, sim, sido beneficiado pelo governo do capitão reformado do Exército.

A constatação pode ser observada numa publicação feita no site institucional do próprio governo maranhense, na quinta-feira 1º, em que o secretário de Indústria, Comércio e Energia de Dino, Simplício Araújo, comemora a assinatura do contrato de concessão de trecho da Ferrovia Norte-Sul, conhecida como espinha dorsal do sistema ferroviário brasileiro, feita por Bolsonaro no final do mês de julho, em Anápolis (GO), após décadas de muita discussão e promessas de governos anteriores.

Segundo Simplício Araújo, com o ato, o Maranhão passa a ter consolidado seu escoamento da produção e logística.

“Este novo trecho contribuirá para o vetor Norte de exportação de grãos e a ligação entre o Porto de Santos e o Itaqui. Vários negócios e expansões que contribuem para o desenvolvimento do Maranhão precisam dessa integração ferroviária, sem falar no custo logístico, o que vai consolidar certamente o escoamento de produção e transporte de diversas cargas pelo Maranhão”, celebrou.

No Maranhão, o trecho entre São Luís-Açailândia, interligado pela ferrovia Carajás e Açailândia-Porto Nacional (TO), está em total operação. Com a expansão da ferrovia nos tramos central e sul, entre os trechos do Porto Nacional (TO) e Estrela d’Oeste (SP), a tendência é de aumento da busca pela saída pelo Porto de Itaqui e demais portos já instalados ou se instalando, como é o caso do Porto São Luis.

Além de desmontar a versão de perseguição ao Maranhão fabricada por Flávio Dino, a comemoração do secretário de Indústria, Comércio e Energia da gestão comunista sugere ainda que, para o titular da Seinc, merece mais crédito os compromissos assumidos pelo presidente da República do que o diz governador do Estado.

Pelo Twitter, logo após a orientação de Jair Bolsonaro a Onyx Lorenzoni ser tornada pública, Flávio Dino escreveu que, “independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação”. “Seja o Maranhão ou a Paraíba ou qualquer outro Estado. ‘Não tem que ter nada para esse cara’ é uma orientação administrativa gravemente ilegal”, argumentou.

Já Bolsonaro, também no Twitter, postou dias antes de assinar o contrato de concessão de trechos da Norte-Sul: “Em 2 anos o porto de Itaqui, no Maranhão, estará ligado, por ferrovia, ao porto de Santos. Em 4 anos faremos muito pelo Brasil e o até então esquecido Nordeste, apesar da mídia e alguns governadores”.

Bolsonaro lança Médicos pelo Brasil e amplia vagas em áreas mais carentes
Cotidiano

Programa deverá pagar entre R$ 12 mil a até R$ 31 mil. Mais da metade dos profissionais atenderá Norte e Nordeste

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) lançou, nesta quinta-feira 1º, o Médicos pelo Brasil, que define novos critérios para realocação dos profissionais considerando locais com maior dificuldade de acesso, transporte ou permanência dos servidores, além do quesito de alta vulnerabilidade.

Lançado por medida provisória, o programa vai coexistir com o Mais Médicos – estratégia criada em 2013, na gestão de Dilma Rousseff (PT), para levar profissionais de medicina ao interior do país – até o fim dos contratos que estão vigentes.

A MP entra em vigor assim que publicada no DOU (Diário Oficial da União). Para se tornar lei, o texto precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional em até 120 dias.

Segundo o Ministério da Saúde, com o Médicos pelo Brasil, o governo federal vai ampliar em pouco mais de 7,3 mil o número de médicos nas áreas mais carentes do país, sendo que 55% dos profissionais serão contratados para atender as regiões Norte e Nordeste.

Ao todo, serão 18 mil vagas.

A participação será restrita a médicos brasileiros ou estrangeiros com diploma revalidado.

O valor pago aos médicos deverá variar de R$ 12 mil a R$ 31 mil, conforme a etapa de atuação, local onde o profissional estará inserido e progressão na carreira, a qual deverá ocorrer a cada três anos.

A nova proposta ainda prevê formação de médicos especialistas em medicina da família e comunidade.

Em novo contraponto a Bolsonaro, Dino vai homenagear presidente da OAB
Política

É a terceira vez que o governador do Maranhão utilizará personalidades e os cofres do Estado em ato de oposição ao presidente da República

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), vai utilizar os cofres públicos do Estado, pela terceira vez, em ato de contraponto ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo divulgado pelo próprio comunista em seu perfil no Facebook, ele vai homenagear o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, com a medalha do Mérito de Timbiras, grau Grã-Cruz. Dino não informa na publicação a justificativa para a honraria, que é concedida àqueles que expressaram por meio de ações e gestos, iniciativas para a evolução da terra e do povo maranhense.

A solenidade para entrega pessoal da medalha está prevista para o mês de setembro próximo, e ocorre em meio a declarações de Bolsonaro, dadas na Porta do Palácio do Alvorada, sobre o pai do presidente da OAB, Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em fevereiro de 1974, após ter sido preso por agentes do DOI-Codi, órgão de repressão da ditadura militar, no Rio de Janeiro.

“Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele.”

Em junho, segunda vez em que usou uma personalidade e o Poder Executivo estadual em confronto direto com Jair Bolsonaro, Flávio Dino reconheceu o educador Paulo Freire como um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia. No ato, ele também concedeu a Freire (in memoriam) a medalha na Ordem dos Timbiras, no grau de Grã-Cruz. A honraria foi recebida por Ana Maria Freire, viúva do educador.

Um mês antes da homenagem, Paulo Freire havia entrado na mira do presidente da República, dos filhos de Bolsonaro e do mentor intelectual da família, o ideólogo de direita Olavo de Carvalho. O objetivo era mudar o patrono da Educação brasileira, título concedido por lei em 2012 a Paulo Freire, que dedicou parte de sua vida à alfabetização e à educação da população pobre.

Em março, quando o confronto com Bolsonaro às custas do erário estadual teve início, Flávio Dino assinou projeto de lei que concede pensão especial ao líder camponês Manoel da Conceição, lesionado por ação policial também no período da ditadura militar.

O benefício, concedido ao som da música “Oração Latina”, e em conjunto com outros atos a maranhenses que tiverem direitos violados pelo regime militar, ocorreu logo após o presidente da República haver determinado que fossem feitas comemorações em unidades militares em referência a 31 de março de 1964, data que marca o golpe de que início à ditadura militar no Brasil.

Jerry e outros 10 acionam Bolsonaro no MPF por fala sobre ‘governadores de paraíba’
Política

Deputados e senadores de oposição alegam que presidente da República feriu princípios da impessoalidade e incorreu em racismo

O vice-presidente do PCdoB na Câmara dos Deputados, Márcio Jerry (MA), e outros 10 parlamentares do Congresso que fazem oposição a Jair Bolsonaro (PSL) protocolaram representação no MPF (Ministério Público Federal) contra o presidente, por suposta improbidade administrativa e dano moral coletivo, com base na gravação em que ele referiu-se a governadores do Nordeste como “paraíbas”.

“Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, afirmou o presidente ao ministro Onyx Lorenzoni, no último dia 19, sem perceber que estava sendo gravado.

Formado por deputados e senadores, o grupo alega que Bolsonaro feriu os princípios da impessoalidade na administração pública, ao recomendar a restrição de relações com o governador do Maranhão, Flávio Dino, também do PCdoB, e que também incorreu em atos de racismo.

Após a divulgação da fala capturada pelos microfones da TV Brasil, que transmitia ao vivo uma edição do café da manhã do presidente da República com a imprensa, Jair Bolsonaro negou ter chamado a todos os governadores do Nordeste de “paraíbas”. Afirmou que estava, apenas, fazendo críticas aos gestores dos dois estados: Paraíba, João Azevedo (PSB); e Maranhão, Dino — que, aparentemente, começa a incomodar Bolsonaro e surgir como possível ameaça em 2022.

Uma outra fala de Bolsonaro, dita durante live na qual perguntou ao ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) se ele tinha algum parente “pau de arara”, também consta na representação protocolada na MPF. Na live, o ministro respondeu ao presidente que, sim, tinha parentes no Piauí. Bolsonaro, então, concluiu: “Com essa cabeça aí, tu não nega”, caindo em seguida sozinho numa forte gargalhada.

Além de Márcio Jerry, assinam a representação contra Jair Bolsonaro os deputados federais Daniel Almeida (PCdoB-BA), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), Orlando Silva (PCdoB-SP) e Tadeu Alencar (PSB-PE). Os senadores que também assinam o documento são: Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Weverton Rocha (PDT-MA), Humberto Costa (PT-PE), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB).

Celulares de Bolsonaro também foram alvo de hackers, diz Ministério da Justiça
Política

Por questão de segurança nacional, fato foi informado pela PF à Presidência da República

Os celulares utilizados pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) também foram alvo dos mesmos hackers que invadiram o Telegram do ministro Sergio Moro. A informação foi divulgada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, em nota, nesta quinta-feira 25.

Segundo a pasta, por questão de segurança nacional, a PF (Polícia Federal) comunicou o fato à Presidência da República. A nota não informa, porém, se os hackers conseguiram obter alguma informação dos aparelhos usados pelo presidente.

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi, por questão de segurança nacional, informado pela Polícia Federal de que aparelhos celulares utilizados pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, foram alvos de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça feira (23). Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República.”

Na última terça-feira 23, a PF deflagrou a Operação Spoofing, e prendeu quatro suspeitos de hacker o celular de Moro, de um desembargador, um juiz federal e dois delegados da Polícia Federal.

Cerca de 1 mil pessoas, de acordo com a PF, foram alvo dos supostos hackers. Os investigadores afirmam ainda que, durante a operação, foi encontrado com um dos detidos uma conta no Telegram do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Mera coincidência – a oposição encena a sua Guerra de Secessão*
Artigo

Por Abdon Marinho

CORRIA o ano de 1998. Um dia o então deputado estadual Aderson Lago – com quem trabalhava na campanha a governo do senador Cafeteira –, tendo chegado um pouco mais tarde que de costume, indaguei-lhe o motivo. Ele, então, me disse que ficara acordado até bem mais tarde e – além da insônia –, assistira uma comédia muito boa, que me recomendava: “Mera Coincidência”. Com precisão de engenheiro – e de bom contador de causos –, contou-me o enredo quase todo.

O filme estrelado por monstros do cinema, como Dustin Hoffman, Robert De Niro, Denis Leary, Michael Belson e grande elenco, dirigido por Barry Levinson, tem a seguinte sinopse: O presidente dos Estados Unidos (Michael Belson), a poucos dias da eleição, se vê envolvido em um escândalo sexual e, diante deste quadro, não vê muita chance de ser reeleito. Assim, um dos seus assessores entra em contato com um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para que este "invente" uma guerra na Albânia, na qual o presidente poderia ajudar a terminar, além de desviar a atenção pública para outro fato bem mais apropriado para interesses eleitoreiros.

Não considerem o “spolier”, a película é muito mais que isso e, com mais de vinte anos de lançamento, ainda nos ensina muito sobre os nossos hábitos e sobre a política.

No sábado, escrevia o texto de domingo sobre a reforma da previdência (texto que publicarei ainda esta semana) quando começou a “chover” mensagens no celular, WhatsApp e outras redes sociais, sobre uma suposta declaração do presidente da República ofensiva aos nordestinos. Algumas das mensagens, inclusive, chegavam com a manifestação da autoridade com a legenda do que dizia.

Outras, com as reações e algumas com o protesto da cantora maranhense radicada no Rio de Janeiro, Alcione Nazaré, dizendo-se “indignada” com o presidente e cobrando respeito aos nordestinos.

Acabei o texto sobre a reforma da previdência e pus-me a pensar e a escrever sobre o assunto. O texto que publiquei no domingo, no lugar daquele anteriormente previsto.

Tendo aquelas informações e o vídeo recebido, expus meus pontos de vistas, compartilhados por alguns e criticados por outros, sobre a questão dos preconceitos – posição, aliás, já exposta em textos anteriores.

Recomendo a leitura de “PARAÍBA, SIM, SENHOR. PRECONCEITOS E FALSAS VÍTIMAS” e “INSINUAÇÃO DE ‘VIADAGEM’ AFLORA PRECONCEITOS ATÉ NO SUPREMO”.

Embora entendendo e justificando não tratar-se de preconceito do presidente – pelas razões que expus nos textos acima referidos –, dei crédito de verdade ao material que chegaram a mão, transcrevendo literalmente as legendas atribuídas.

Pesou nesta conduta o meu próprio “preconceito” em relação ao presidente pela enxurrada de enormidades que diz e também o fato dele ou alguém com sua senha de rede social ter confirmado aquilo que ele não disse.

Apenas no final do domingo alguém me alertou e fui atrás do link com a fala completa do presidente no polêmico café da manhã, em que, supostamente, teria desencadeado toda a confusão.

Encontrei o vídeo na Tv Uol e, contrariando a exploração da oposição e a própria rede social do presidente, lá não tem nada do que quase culminou a “guerra da secessão” encenado pela oposição.

Apesar do áudio ser ruim e do presidente falar mal, pude “pescar” que ele disse para o ministro Onyx Lorenzoni: “este governador ‘de’ Paraíba é pior que o “de” Maranhão”. Aí o presidente diz outra coisa e o ministro diz algo, que entendi como “Benjamin” e o presidente retruca: “Não tem que ter nada com esse cara”.

Devemos considerar, agora sem preconceitos, que o presidente tem vícios de linguagem graves, cortando indevidamente palavras. Mas, o conteúdo, pelo que pude perceber, é o transcrito acima. Ou seja, o governador do Maranhão é apenas “prata” no ranking de piores do presidente e não teve uma referência aos nordestinos como “paraíbas”, embora este seja um regionalismo dicionarizado desde meados do século passado no Rio de Janeiro.

Recomendo que procurem o link com o áudio real – até para saberem se estou certo.

Foi aí que lembrei o filme “Mera Coincidência”, referido acima.

Aproveitando-se do “truque”, de uma edição de áudio – que as autoridades, principalmente a Polícia Federal, precisam investigar para saber quem são os responsáveis –, a oposição vestiu-se para guerra. Armou suas trincheiras em todas as frentes, ressuscitando todos os preconceitos existentes – e fomentados ao longo de anos –, do Sul e Sudeste contra o Norte e Nordeste.

Notas oficiais de deputados e senadores; manifestações individuais de parlamentares, cidadãos e dos aduladores de plantão. Todos imbuídos do vergonhoso propósito de dividir ainda mais o país, provocar protestos, repúdios, atiçar ódios.

Uma vergonha para quem prega a paz e o amor.

Reitera-se que contaram para isso, com a própria biografia do presidente e com um desastrado endosso do que “não disse” no áudio, em sua rede social.
Vivemos tempos estranhos e de coincidências mais estranhas ainda.

Não faz muito tempo o governador do Maranhão encontrou-se com o ex-presidente José Sarney, conforme tratei nos textos: “Dino Enterra os 50 Anos de Atraso” e “Sarney & Dino e o Acordo que Não Ousa Dizer o Nome”.

Desde então as coincidências se avolumam.

Outro dia me chamaram a atenção para o fato da televisão Mirante agora ser só gentilezas com o governo e o governador e, na ausência de fatos levantes, noticiar até uma singela doação de bateria musical.

Logo mais passarão para os aniversários de bonecas.

O jornal O Estado do Maranhão e blogueiros do “sistema”, compraram como absoluta verdade os queixumes do governador, como se o presidente tivesse declarado “guerra” aos maranhenses.

No domingo, como disse, recebi o vídeo da cantora Alcione Nazaré, vestida na bandeira do Maranhão, admoestando o presidente da República e cobrando respeito ao Nordeste, supostamente, pelo fato dele ter se referido aos nordestinos como “paraíba” – que o vídeo/áudio original revelam não ser verdade.

Logo ela que está radicada no Rio de Janeiro há décadas e tendo, inclusive, feito uma música intitulada “Paraíba do Norte Maranhão”. Com boa vontade dirão: — Ah, ela pode. Pode? Não é preconceito?

Mas, não foi só isso. Todos assistimos a “nossa Marrom”, devidamente “fardada”, em passeata junto com o notório ex-governador Sérgio Cabral (condenado a mais de um século de cana por “malfeitos” diversos) e do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, defendendo que os royalties do petróleo ficassem para os estados produtores, em detrimento dos pobres e miseráveis do Norte e do Nordeste pelos quais, agora, cobra respeito.

Na segunda-feira recebo um outro vídeo da “nossa Marrom”, vestida com os mesmos trajes em um animado colóquio com o ex-presidente Sarney.

Não é por nada, e perguntar não ofende:

Sarney e Alcione participaram da fake news?

Eles (Sarney e Alcione) estavam juntos quando a artista se fantasiou de bandeira maranhense e fez o vídeo admoestando o presidente ou o colóquio deu-se noutro momento?

A fake fez parte do “acordo que não ousa dizer o nome”?

A Marrom, fiel escudeira dos Sarney, entrou no “pacote”?

Sarney estaria por trás desta tentativa de desestabilizar o país?

Sarney e Dino, juntos e misturados – como sempre estiveram –, seriam os responsáveis por esta articulação?

O ex-presidente Sarney – ninguém duvida –, é o político mais astuto do país, capaz das articulações mais mirabolantes.

Neste mundo artimanhas é uma espécie de “avô” do que hoje se chama “fake news”.

Que Trump, que nada! Basta lembrar que em 1994, para desestabilizar a campanha a governador de Epitácio Cafeteira, denunciou em sua coluna semanal que o senador seria o responsável pelo “desaparecimento” do cidadão José Raimundo Reis Pacheco, sugerindo que o teria mandado matar em represália à um acidente de trânsito que vitimou o sogro, Conselheiro Hilton Rodrigues.

Dias antes, já tinham forjado a existência de um irmão por nome de Anacleto Reis Pacheco – o primeiro irmão “fake” que se tem notícia –, que, através de um advogado do Ceará, denunciou o senador da República perante o Supremo Tribunal Federal.

Cafeteira e sua equipe, dentre eles Aderson Lago, Juarez Medeiros, Benedito Terceiro e outros, só conseguiram desfazer a patranha nas vésperas da eleição, quando já não havia mais tempo para desfazer a mentira espalhada por todo o Maranhão.

Vamos reconhecer que experiência para artimanhas, sobra.

Mas, talvez, tudo seja mera coincidência, como no filme homônimo.

Até a conclusão deste texto, a equipe do presidente da República, não conseguira desfazer a mentira da “guerra da secessão” semeada pela oposição, tendo o senhor Dino como principal beneficiário, vendendo-se como vítima e se vestindo como o anti-Bolsonaro.

A edição e exploração criminosa de uma fala do presidente é algo muito grave. O país por pouco não entrou em uma convulsão.
Algo tão grave que me suscita um derradeiro questionamento:

Se ousaram editar e explorar exaustivamente uma falsa fala do presidente da República, não poderiam editar as conversas de Moro, Deltan, etc.?

Recordando uma frase emblemática do saudoso ex-governador Leonel Brizola: — Algo há!

Abdon Marinho é advogado.

** Referência à Guerra Civil Americana ocorrida entre abril de 1861 e abril de 1865, que opôs os estados do norte aos do sul.

P.S. Um atento leitor diz que o colóquio entre a Marrom e o ex-presidente que circula nas redes sociais, deu-se noutro momento. Coincidências acontecem.

Paraíba, sim, senhor. Preconceitos e falsas vítimas
Artigo

Por Abdon Marinho*

VEZ OU OUTRA me assombra uma pergunta: quando nos tornamos arrematados idiotas manipuláveis?

O fim de semana que deveria ser dedicado ao lazer foi tomado por um falso escândalo de preconceito envolvendo o presidente da República e falsas vítimas representadas pelo governadores do Nordeste.

Estes, sobretudo, o do Maranhão, valendo-se dos recursos públicos, seja diretamente ou por meio da mídia devidamente remunerada, tem aproveitado para “se vender” de vítima ao tempo em que reforça determinados preconceitos.

A falsa polêmica tem início com uma frase do presidente da República, Jair Bolsonaro, que disse para um ministro em um áudio captado durante um café da manhã: “Daqueles governadores de ‘Paraíba’ o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”.

O senhor Bolsonaro – já disse diversas vezes –, é o maior “inimigo” de seu governo, principalmente pela falta de freios na língua, que, como se dizia lá no sertão nordestino, “é o castigo do corpo”. O governo iria até bem se não fosse as colocações ou intervenções intempestivas de seu comandante.

Mas, em relação a última frase do presidente, a quem imputam xenofobia e/ou preconceitos, acredito que ambos os sentimentos revelam-se inseridos mais nas falsas vítimas do que no presidente.

Explicarei de outro modo e com um exemplo prático.

Sempre que escrevo algo que o Palácio dos Leões não gosta aparece algum xerimbabo para tentar me ofender (até senti falta de ler alguma tentativa de ofensa sobre um dos últimos textos: “Sarney & Dino e o acordo que não ousa dizer o nome”), ora me chamam de aleijado, pato manco, ora insinuando que não tive pleitos atendidos; ora que seria “viado”, etc.

Vejam que são pessoas que, direta ou indiretamente, recebem dos cofres públicos, do meu, do seu, do nosso dinheiro para “tentarem” assacar contra a honra alheia.

E digo “tentarem” porque em relação a minha pessoa nada do dizem me atinge. Não vejo demérito em ser deficiente físico, até porque sê-lo não dependeu de escolha minha; com relação a supostos pleitos não atendidos trata-se apenas de uma mentira e a insinuação de “viadagem” não me atinge porque não me acho melhor que nenhuma pessoa, tenha ela a situação sexual que tenha.

Pois bem, voltando a fala do presidente, existe algo demais em sermos chamados de “paraíbas”? A caso somos melhores que nossos irmãos paraibanos, pernambucanos, cearenses, potiguares, baianos ou os oriundos ou nativos de quaisquer outros estados da federação? O preconceito ou xenofobia é do presidente ou de quem se considera ofendido por ser chamado de “paraíba”?

Ademais há que se considerar que o termo “paraíba” encontra-se dicionarizado desde meados do século passado, servindo para designar, em suas diversas acepções, de forma coloquial o operário não qualificado da construção civil; ou, como regionalismo, fincado no Rio de Janeiro (ainda que pejorativo), para designação de quaisquer pessoas oriundas dos estados do Nordeste; ou nordestino.

Os “politicamente corretos” vão censurar os dicionários?

Assim, embora, o presidente da República tente “consertar” para dizer que fez uma crítica aos dois governadores do Nordeste (da Paraíba e do Maranhão), acredito mesmo que tenha usado do regionalismo do seu estado para se referir a todos os governadores.

Não foi ele que criou o termo ou o único a utilizar para se referir aos nordestinos em todo o Brasil, embora não fique bem a um presidente da República ser “apanhado” com este tipo de colocação – ainda que numa “conversa privada”.

O presidente é de todos os brasileiros jamais devendo referir-se às pessoas por suas origens.

Por outro lado, o preconceito, ao meu sentir, não é dele, mas sim daqueles que se acham “ofendidos” por serem referidos como habitantes de um dos estados do Nordeste de povo mais aguerrido.

Fico pensando o que passa pela cabeça de um paraibano: Quer dizer que ser chamado de “paraíba” é uma ofensa para os meus irmãos nordestinos?

Ainda me valendo das aulas de interpretação de texto do ensino primário e reconhecendo que presidente possui um vício de linguagem: fala de forma “cortada”. Ainda mais numa conversa privada, seja na versão dele, ao dizer que referia unicamente aos dois governadores (da Paraíba e do Maranhão), ou na interpretação da versão “estendida”, se referindo a todos os governadores da região Nordeste, não cabe dizer – até por uma questão de honestidade intelectual –, que houve uma referência ou “ofensa” aos milhões de irmãos nordestinos.

Em um ou noutro caso – dê-se a César o que é de César –, a referência é feita aos governadores: da Paraíba e do Maranhão – ou de todos os estados do Nordeste –, mas não ao povo nordestino.

A situação posta, com suas interpretações apaixonadas, faz muito parecer aquelas brigas infantis em que o menino fica provocando os outros maiores e quando leva um safanão corre para chorar debaixo da saia da mãe.

Os governadores do Nordeste, principalmente o do Maranhão, todo dia, o dia todo, ao invés de governar, se ocupa em tentar “aparecer” aí ao ganhar “atenção” corre para se vitimizar usando, covardemente, toda a população do estado como “escudo humano”.

Veja, embora o presidente da República tenha dito “não tem que ter nada com esse cara”, não temos notícias, nestes seis meses de governo, de nenhum ato discriminatório da parte do governo federal contra o nosso estado. Pelo contrário, o que sabemos é que o projeto do senador Roberto Rocha de implantar a Zona de Exportação do Maranhão - ZEMA, avança; sabemos, também, que depois de anos paralisado, finamente começa a deslanchar o projeto de explorar comercialmente o Centro de Lançamento de Alcântara; sabemos que se encontra em estudos um ramal ferroviário ligando Balsas à ferrovia Norte-sul e a conclusão desta até o Porto do Itaqui e, ainda se tem notícias de diversos outros projetos em andamento para o estado, como BR 308, indo de São Luís a Belém pelo litoral; a complementação da BR 402, de Barreirinhas até Parnaíba – e de lá para o restante da região.

Mas há um ditado popular – muito dito no nosso sertão –, que diz: “quem disso usa, disso cuida”, que serve muito bem para justificar todo esse escarcéu encenado pelo governador e seus aliados, nas diversas mídias e redes sociais – além, claro, do extraordinário desejo de aparecer.

Não sei dos demais estados do Nordeste, mas nós maranhenses acompanhamos como o governador e seus asseclas tratam a oposição do estado (e mesmo alguns aliados), não lhes dando qualquer “refresco”. Quem é o prefeito oposição –ou mesmo de situação –, que é bem tratado pelo governo? Que deputado de oposição tem emendas parlamentares liberadas? Quem não lembra a forma como os candidatos de oposição nos municípios foram tratados pelo governo estadual nas eleições de 2016? Quem não conhece (ou já ouviu falar) na “máquina” de destruir reputações sob orientação do governo?

Em data recente, no Congresso Nacional, dois delegados (ou ex-delegados) foram ouvidos e denunciaram investigações clandestinas contra alvos escolhidos pelo governo, fossem de oposição ou mesmo aliados.

Os delegados confirmaram o que é voz corrente no estado.

A situação da oposição no estado é tão vexatória que na Assembleia Legislativa a base governista não os deixa aprovar um requerimento de informação, um convite para um secretário ou qualquer autoridade, prestar algum esclarecimento.
Vejam que belo exemplo de democracia e republicanismo!

Mas não fica só nisso, as ações contra jornalistas e blogueiros propostas pelo governador e por seus secretários e aduladores são contadas às centenas, como forma de calar ou de coagir estes profissionais a aderirem ao governo.

Noutra quadra, não é segredo para ninguém que sua excelência, transformou o Estado do Maranhão em “bunker” contra o governo federal, em especial contra o presidente Bolsonaro, não lhe reconhecendo a vitória nas urnas, fustigando-o dia sim e no outro também, e não permitindo, sequer, que foto oficial do presidente da República cruze os umbrais do Palácio dos Leões. Queria ser tratado com flores?

Embora não me cause surpresa, o que acho em demasia é o fato do governador do estado, demonstrar-se tão valente quando se trata dos mais fracos, tentar usar, com mentiras e meias verdades, a população do estado – e do Nordeste –, como escudo humano nos seus enfrentamentos políticos.

Isso, sim, é uma vergonha!

No sábado, enquanto esta falsa polêmica atingia o seu pináculo, ouvia músicas diversas – nem pretendia escrever sobre isso –, e dentre os artistas estava Alcione Nazaré, maranhense, radicada há muito tempo no Rio de Janeiro, que também vestiu-se de ofendida com o fato do presidente da República ter se referido aos nordestinos como “paraíbas”. Lembrei-me de uma de suas músicas: “A Loba”, que numa de suas passagens diz que “chumbo trocado não dói”.

A falsa polêmica é alimentada pelos preconceitos dos falsos ofendidos que acreditam ser uma ofensa ser comparado a alguém de um estado-irmão e do próprio interesse de aparecer.

No mais, somos todos “paraíbas” e nordestinos, com muito muito orgulho! Viva o Nordeste! Viva o povo brasileiro!

*Abdon Marinho é advogado.

Bolsonaro nega crítica a nordestinos e diz que Dino é intragável
Política

Presidente diz que fala vazada foi direcionada a apenas dois governadores, do Maranhão e da Paraíba

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) negou, neste sábado 20, ao falar com jornalistas na saída do Palácio do Alvorada, que tenha utilizado o termo “paraíba” para criticar nordestinos. Segundo ele, as críticas foram direcionadas apenas a dois governadores: Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, e João Azevedo (PSB), da Paraíba, e não ao povo nordestino.

“Falaram agora que eu estou criticando o Nordeste, você viu? Dois governadores, o do Maranhão e da Paraíba que são intragáveis”, afirmou o presidente.

Ainda segundo Bolsonaro, Dino e Azevedo, embora críticos ferrenhos dele e sobre sua gestão no Palácio do Planalto, têm recebido obras do governo federal, mas se apropriado como sendo de seus respectivos governos.

“Eu fiz uma crítica ao governador do Maranhão e da Paraíba. Vivem me esculhambando. Obras federais vão para lá. Dizem que é deles. Não são deles, é do povo. A crítica foi a esses dois governadores. Nada mais além disso. Eles são unidos, eles têm uma ideologia, perderam as eleições. Tentam o tempo todo, através da desinformação, manipular eleitores nordestinos”, declarou.

Como justificativa de que a relação com o Nordeste é boa, Bolsonaro disse que sua esposa, Michelle Bolsonaro, é filha de cearense.

“A maldade está no coração de vocês. Eu tenho tanta crítica ao Nordeste que eu casei com uma filha de cearense”, ironizou.

Na sexta-feira 19, Jair Bolsonaro usou o termo “paraíba” ao orientar o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a retaliar a gestão de Flávio Dino, postulante ao Palácio do Planalto em 2022, provavelmente em relação a repasses federais para o estado. “Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”, afirmou o presidente, sem perceber que o microfone estava ligado.

Pelo Twitter, também ontem, Flávio Dino escreveu que, “independentemente de suas opiniões pessoais, o presidente da República não pode determinar perseguição contra um ente da Federação”. “Seja o Maranhão ou a Paraíba ou qualquer outro Estado. ‘Não tem que ter nada para esse cara’ é uma orientação administrativa gravemente ilegal”, argumentou.