Márcio Jerry
“Eles” continuam os mesmos
Artigo

Por Abdon Marinho

O ASSUNTO incontornável – pelo menos para a política local –, foi a declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em entrevista para os aduladores de sempre para as redes sociais declarou “de raspão” sobre o quadro político no Maranhão: “Nós defendemos a candidatura do Flávio Dino. Agora, o companheiro Flávio Dino tem um candidato, dele, que é o vice, que é do PSDB. Ele sabe que é difícil a gente apoiar o PSDB. Nós temos a candidatura do Weverton, então eles vão ter que se acertar lá para facilitar a nossa vida”.

Após a declaração de Lula a classe política local não falou mais de outra coisa, inclusive com muitos já apontando como sugestão ao candidato/vice-governador uma mudança partidária para o PSB, partido atual do governador, como forma de incluir a sucessão estadual no “balcão de negócios” entre os partidos.

A declaração do ex-presidente muito embora seja inusitada não chega ser surpreendente.

Não surpreende porque o Partido dos Trabalhadores - PT, Lula à frente, sempre fizeram seus cálculos políticos pensando neles e nos seus interesses pessoais e projetos de poder, os interesses do povo brasileiro (ou maranhense), podem até convergir em algum momento, mas esse não é o objetivo principal.

Foi assim que o PT preferiu negar o apoio a Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, no início de 1985, para eles pouco importava se o candidato da ditadura militar vencesse e adiasse o fim do regime; foi assim que se opuseram a Constituição de 1988; ao Plano Real, e a tantas outras coisas que fizeram o país avançar, pelo simples fato de não terem sido propostas por eles.

Logo, não me surpreende que continuem olhando para o próprio umbigo em detrimento dos interesses do país.
Para eles, se não existir a possibilidade de vencerem as eleições presidenciais que se aproximam, preferem que o país continue a ser “desgovernado” pelo Bolsonaro e pelo centrão.

Imaginem que surgisse uma “terceira via” que estivesse em condições eleitorais bem melhores que o candidato do PT e sem o estigma que representa essa divisão do país, alguém apostaria um centavo na possibilidade do Lula e do PT desistirem da sua candidatura e apoiar essa terceira via? Os que apostassem perderiam o centavo.

Na verdade, eles são os responsáveis e o principal “cabo eleitoral” do bolsonarismo.

Entretanto, a declaração do ex-presidente me parece inusitada, senão vejamos: o Lula quando elegeu-se em 2002 foi através de uma aliança com o Partido Liberal - PL, de Waldemar da Costa Neto, segundo dizem tal negociação envolveu alguns milhões de motivos; o mesmo PL que abriga o atual presidente é que estará com o próximo, seja ele quem for; o mesmo PL que junto com o PT e os demais partidos do centrão protagonizaram todos os escândalos de corrupção que ocorreram no país nos últimos vinte anos e, antes disso, nos governos do PSDB.

Quando o ex-presidente assumiu em 1º de janeiro de 2003, logo após, receber a faixa presidencial de Fernando Henrique Cardoso e fazer o famoso discurso contra a corrupção, com o capitão José Dirceu à frente, foram “negociar” a República com o próprio PL, com Partido Progressita - PP, de Ciro Nogueira; com o Partido Trabalhista Brasileiro - PTB, de Roberto Jefferson, e até mesmo com PMDB, de Sarney, Renan, Barbalho, etc.

Em 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão o pacto de poder continuou o mesmo, apenas aumentando os nacos de participação de cada um no “butim republicano”, voltando os interesses para a roubalheira na Petrobras, no viria a ser conhecido como escândalo do petrolão.

Na sucessão de Lula, em 2010, o pacto de poder privilegiou o PMDB, com cessão da vice-presidência ao então presidente da agremiação, ex-presidente da Câmara dos Deputados Michel Temer, que viria a suceder Dilma Rousseff após o impeachment em 2016.

Todos estes partidos, incluindo o MDB, caso o Lula vença as eleições deste ano, estarão no governo em 2023, o próprio Lula já faz gestões e irá buscar todos eles para lhe dar sustentação e continuarem com as farras que promoveram nos governos petistas de 2003 a 2016.

Mas o senhor Lula, na sua declaração para a política local, diz ser “difícil” para eles apoiarem o PSDB. O que teria o PSDB?

Vejam que o ex-presidente nem se refere o vice-governador pelo nome – mostrando que a restrição não é ao nome, poderia ser o João, a Maria, o Pedro, qualquer um –, preferindo dizer que é do PSDB e que é difícil apoiar alguém do PSDB.

A ninguém da plateia amestrada socorre perguntar qual o verdadeiro motivo da dificuldade para quem esteve com todas as legendas já referidas acima e que estarão juntos novamente, conforme os círculos da política.

Qual a verdadeira razão de ser “difícil” apoiar alguém do PSDB quando o próprio presidente de honra deste partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, já até declarou voto em Lula na eventualidade de, no segundo turno, restarem ele e o atual presidente?

Ora, que moral teria o Lula – e o PT –, para impor qualquer restrição ao PSDB depois de terem se “prostituídos” com todas as legendas do espectro político brasileiro, com especial voracidade em avançar sobre os cofres públicos e da Petrobras, em particular?

A restrição ao PSDB, certamente não é pelo fato deste partido possuir um candidato a presidente pois na mesma sentença em que disse ser “difícil” apoiar o PSDB, referiu-se a candidatura do senador Weverton como “nós temos”, esquecendo-se que o seu partido, PDT, tem candidatura própria à presidência, Ciro Gomes, até melhor posicionada que a candidatura do PSDB, João Dória, atual governador de São Paulo.

Na eventualidade da candidatura de Bolsonaro esfacelar-se ou dele vir a desistir – o que não descartado, uma vez precisará da “proteção” de um foro privilegiado a partir de 2023 para escapar da cadeia –, todas as demais candidaturas contra Lula ganharão um novo fôlego, podendo, inclusive, Ciro Gomes, PDT, vir a ser o grande adversário do ex-presidente.

Logo, quando Lula diz, “nós temos” a candidatura de Weverton – e Weverton “festeja” isso dizendo ser “amigo-raiz” dele –, estaria sugerindo que o candidato pedetista, que é líder do seu partido, “traia” a candidatura de Ciro Gomes?
Pesando todas as situações políticas e considerando a hipótese de não ter sexo no meio – em todas as situações da vida que você não conseguir explicar a partir de um raciocínio lógico, pode ter certeza que tem sexo –, soa-me bem mais inusitada a declaração do ex-presidente.

Basta olhar para a história, dos anos oitenta pra cá, que veremos que poucos políticos mantiveram uma “amizade-raiz” mais fidedigna com o ex-presidente do que o atual governador Flávio Dino e o grupo mais fiel ao seu entorno. Isso desde a adolescência, “comprando” quase todas as brigas do ex-presidente e do petismo até os dias atuais, quando permaneceu quase que sozinho nos embates contra o atual presidente, inclusive sacrificando interesses do estado que dirige.

Tudo bem que Freitas Diniz*, que viveu quase noventa anos, por mais uma dezena de vezes, me disse ter conhecido poucas pessoas com um caráter tão duvidoso quanto o ex-presidente, mas daí a ignorar a “amizade-raiz” do atual governador, sobre o qual nunca pairou dúvidas quanto a integrar a “república de Planaltina”, ultrapassa todos os limites.

Matutando sobre isso cheguei a pensar – atenção!! Não estamos impedidos de pensar –, que a “inusitada” declaração de Lula seria parte de um “combinemos” com o atual governador.

O ex-presidente alegaria “dificuldades” para apoiar alguém “do PSDB”, colocaria na mesma fala a candidatura do PDT e diria que teriam que “se acertarem”.

Dino, por sua vez, alegaria as “dificuldades” e até a desconfiança que possui em relação ao candidato pedetista.
A solução: todos desistiriam para o surgimento de um terceiro nome. Neste caso, alguém com histórico de “amizade-raiz” com o ex-presidente Lula ou um nome do PT local.

Difícil será convencer Brandão a desistir da reeleição ou o senador pedetista a colocar marcha-ré na candidatura.
Caso coloquem dificuldades no arranjo, Flávio Dino dará outra prova de “amizade-raiz” e ficará no cargo para conduzir o processo.

Em tal perspectiva Brandão seria o nome para o Senado; Márcio Jerry ou Felipe Camarão para o governo.
Tudo pela paz e pelo sucesso de um “futuro” governo petista.

Como diria aquele craque do futebol brasileiro, só falta combinar com os russos.

Abdon Marinho é advogado.

*Domingos Freitas Diniz Neto (1933 - 2021), engenheiro civil, ex-deputado federal, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores PT.

Jerry usa contrato de R$ 10,9 milhões para bancar obras particulares com dinheiro público
Política

Secid apresentou como dotação orçamentária emenda parlamentar de Yglésio Moyses, sem consentimento do deputado, originalmente destinada para obras diversas em outros municípios

O secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano do Maranhão, Márcio Jerry, está usando um contrato de R$ 10,9 milhões da pasta para custear obras em propriedades particulares em São Luís, capital do estado.

Iniciada em novembro do ano passado, a revitalização da área externa e comuns dos oito blocos do Conjunto dos Bancários, mostrou o ATUAL7, é alvo de ação na Justiça estadual por suspeita de “ato lesivo ao dinheiro do contribuinte” e falta de transparência no dispêndio.

A obra está sendo executada pela empresa Qualitech Engenharia, contratada pela Secid um mês antes, por meio de adesão a uma ata de registro de preços de R$ 21,8 milhões da Sinfra (Secretaria de Estado da Infraestrutura) homologada em janeiro de 2021.

Com endereço cadastral no bairro Sitio Grande, em Paço do Lumiar, a empreitera tem em seu quadro societário Flávio Henrique Silva Campos e Frederico de Abreu Silva Campos. O primeiro é pai do segundo, ex-vereador e candidato derrotado a prefeito do município no último pleito.

Originalmente, a homologação da ata teve como objeto a execução de serviços de manutenção preventiva e corretiva, reforma e/ou adequações, sob demanda, de prédios e logradouros públicos, localizados nos municípios da regional de Santa Inês. Na adesão feita pela pasta comandada por Jerry, houve a ampliação da execução dos serviços em prédios e logradouros públicos localizados em todos os municípios maranhenses, nada envolvendo execução de obras em propriedades particulares.

Além disso, segundo documentação relacionada à contratação, para aprovar e autorizar a despesa referente ao exercício do ano passado, a Secid informou como dotação orçamentária dois pré-empenhos de emendas do deputado estadual Yglésio Moysés (PROS), no valor de R$ 1,5 milhão, sem o consentimento do parlamentar, que é da base aliada do Palácio dos Leões.

A real destinação feita pelo parlamentar para esses recursos, mostra a própria solicitação de contratação, é completamente diversa da utilizada pelo homem forte do governador Flávio Dino (PSB). Originalmente, R$ 1 milhão foi destinado para pavimentação de vias urbanas com bloquetes em logradouros públicos em Paço do Lumiar, e R$ 500 mil para posto de saúde em Amarante do Maranhão.

“Desconheço qualquer aplicação de emenda minha em obras no Condomínio dos Bancários. Ressalto, inclusive, que essa emenda para Amarante do Maranhão foi pedido cancelamento e realocação para Paço do Lumiar, para reforçar a pavimentação de vias urbanas”, disse Yglésio ao ATUAL7.

Procurados desde dezembro, Márcio Jerry e a Secid não retornaram o contato. No bastidor, o comunista tem tratado a revelação do caso como “mais uma sacanagem” deste signatário.

A informação sobre o uso do contrato celebrado com a Qualitech Engenharia na revitalização do Conjunto dos Bancários foi possível após a Secid finalmente afixar placa da obra no local. A obrigação legal, cumprida de forma capenga, pois há diversos dados importantes ainda omitidos, ocorreu em seguida à formalização de ação popular pelo aposentado Manoel Antônio Xavier, que é advogado.

A ação tramita na Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, sob responsabilidade do juiz Douglas de Melo Martins, que ignorou pedido do autor e decidiu designar audiência de conciliação entre as partes para 9 de março próximo, sob ciência do Ministério Público. Com a morosidade para o julgamento, a Secid pode continuar realizando pagamentos referentes à obra, e eventuais ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos e danos morais coletivos se tornam mais difíceis, quando não impossíveis.

Marcelo Tavares vai relatar contas de 2022 de Márcio Jerry e Clayton Noleto no TCE
Política

Ex-chefe da Casa Civil de Flávio Dino é aliado político dos secretários estaduais. Ambos devem manter controle das pastas no período eleitoral

O conselheiro Marcelo Tavares vai relatar as prestações de contas dos secretários Márcio Jerry (Cidades e Desenvolvimento Urbano) e Clayton Noleto (Infraestrutura) referentes ao ano de 2022 no TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão.

Embora haja previsão de que a dupla de auxiliares do governador Flávio Dino (PSB) deixe os cargos até abril com objetivo de concorrer à Câmara Federal, há articulações para que ambos continuem dando as cartas nas respectivas pastas no ano eleitoral, por meio de indicação direta de seus substitutos.

O orçamento de 2022 aprovado pela Assembleia Legislativa para Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano ultrapassa R$ 283 milhões, e da Infraestrutura, R$ 508 milhões.

Além da análise das contas, cabe ao relator no tribunal apreciar a legalidade de contratos e dar prosseguimento à denúncias e representações. Fiscalizações e auditorias abertas pela própria corte de Contas também são de responsabilidade do relator.

Ex-deputado estadual e ex-chefe da Casa Civil de Dino, Tavares é aliado político de Jerry e Noleto. Ele foi alçado ao cargo vitalício há pouco mais de três meses, após ser favorecido por um decreto criado pela Assembleia Legislativa do Maranhão no século passado, que deu apenas a ele a garantia de ser escolhido pelos então colegas de Parlamento.

Márcio Jerry vira alvo de ação na Justiça, acusado de usar dinheiro público em obras particulares
Cotidiano

Processo envolve a revitalização do Conjunto dos Bancários, em São Luís. Também é apontada falta de transparência no dispêndio

Uma ação popular acusando o secretário estadual de Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, de usar dinheiro público em obras de propriedades particulares foi apresentada à Justiça do Maranhão no dia 25 de novembro deste ano.

A ação for formalizada pelo aposentado Manoel Antônio Xavier, que é advogado, e tramita na Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís. O processo envolve a revitalização da área externa e comuns dos prédios do Conjunto dos Bancários, localizado no bairro da Camboa, na capital maranhense, no âmbito do programa Nosso Centro.

Segundo a acusação, o uso de recursos públicos para reforma de imóveis de propriedade particular representaria “ato lesivo ao dinheiro do contribuinte”, devido à falta de previsão legal para esse tipo de gasto custeado pelo erário.

Também é apontada falta de transparência no dispêndio, já que o Governo do Maranhão não tem tornado pública qualquer informação acerca de valores, licitação, empreiteira contratada, data de início e previsão de conclusão da obras, dentre outros dados obrigatórios por lei.

Procurados pelo ATUAL7, Márcio Jerry e a Secid não retornaram o contato.

Embora na própria ação o autor tenha optado pela não realização de audiência preliminar de conciliação, no dia 26 de novembro, o juiz Douglas de Melo Martins decidiu designar audiência de conciliação entre as partes para 9 de março de 2022, e deu prazo de 72 horas para o Estado do Maranhão oferecer manifestação acerta de pedido de tutelar provisória para que os acusados se abstenham de realizar qualquer pagamento referente à obra, bem como de dar continuidade à reforma do Conjunto dos Bancários, até o decisão final do caso, com ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos e danos morais coletivos.

Intimado, em manifestação apresentada no dia 7 de dezembro, o Ministério Público limitou-se a confirmar ciência da decisão de realização de audiência de conciliação para março do ano que vem, e sugerir que os autos prossigam na forma da lei. A manifestação é assinada pelo pelo promotor José Ribamar Prazeres, de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa.

Apesar de informado pela PGE (Procuradoria Geral do Estado) do Maranhão a respeito do caso, desde 3 de dezembro, para que encaminhasse ao órgão, no prazo de 72 horas, todos os documentos e informações atinentes às obras, Márcio Jerry ignorou ofício encaminhado à Secid pelo procurador de Estado Gustavo Saboia.

O processo está parado na Vara de Interesse Difusos e Coletivos desde o dia 16, quatro dias antes do início do recesso forense, que termina em 6 de janeiro de 2022, aguardando decisão sobre pedido de dilação de prazo para manifestação do Estado do Maranhão, em razão da falta de informações solicitadas sobre o caso, mas não prestadas por Jerry à PGE maranhense.

Apesar de seguir com Flávio Dino, Márcio Jerry não deve ter espaço no governo de Carlos Brandão
Política

Desconfiança e briga paroquial travam aproximação. Presidente do PCdoB no Maranhão enfrenta ainda dificuldades na tentativa de reeleição para a Câmara

O PCdoB no Maranhão definiu nessa terça-feira (23) que o partido vai obedecer e seguir com quem o governador Flávio Dino (PSB) mandar na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022. A decisão já era esperada, e busca unicamente tentar garantir a difícil reeleição do presidente da legenda no estado, Márcio Jerry, para a Câmara dos Deputados.

Apesar do apoio, Jerry não deve ter espaço no governo de Carlos Brandão (PSDB), atual vice-governador e nome do coração de Dino para a eleição do ano que vem.

Sucessor natural do socialista, Brandão foi atrapalhado por Márcio Jerry durante a disputa pela presidência da Famem (Federação dos Municípios do Estado do Maranhão). O tucano apoiou o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), que acabou derrotado pelo prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), braço político e sócio do senador pedetista Weverton Rocha em postos de gasolinas comprados do agiota Josival Cavalcante da Silva, o Pacovan.

Há ainda uma forte desconfiança nutrida entre ambos sustentada por uma antiga briga paroquial em Colinas.

Desde 2015, quando chegaram ao poder com Dino, ambos se suportam respeitosamente em público, mas no bastidor há apenas ojeriza de um contra o outro, principalmente de Jerry, por não ter conseguido alcançar a expressão política do adversário nem própria terra natal.

Carlos Brandão receberá o apoio declarado de Flávio Dino para 2022 em reunião com lideranças partidárias marcada para o fim do mês, e assumirá o comando do governo do Estado a partir de abril, quando Dino deixará o Executivo, por força da lei, para concorrer ao Senado.

Para escapar da humilhação de ser exonerado pelo inimigo paroquial, porém, Márcio Jerry já se prepara para entregar o cargo antes.

Márcio Jerry mantém na Secid réu por organização criminosa e peculato
Política

Gaeco diz que Rommeo Amin integra esquema de desvio de emendas parlamentares da Câmara de São Luís. Nome do assessor da pasta está registrado de forma incorreta no Portal da Transparência, dificultando o controle social

O secretário de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, mantém como assessor da pasta o suplente de vereador Rommeo Amin, réu por organização criminosa e peculato, em contraposição ao discurso crítico à chamada velha política que usou para chegar ao poder.

Filiado ao PCdoB, partido comandado no Maranhão por Jerry, Amin ocupa o cargo em comissão de gestor da Unidade de Articulação Institucional da Secid desde março de 2021, com vencimento mensal de pouco mais de R$ 8,4 mil. Como a nomeação saiu apenas no final daquele mês, mas com determinação para ser considerada desde o início, o primeiro provento dobrou e chegou a quase R$ 17 mil.

No Portal da Transparência do governo do Estado, o registro está cadastrado de forma incorreta, como Ammin, dificultando o controle social, já que a busca pelo nome correto não retorna resultado.

A Secid foi procurada pelo ATUAL7 para que o titular da pasta pudesse comentar a respeito de Amin ser mantido no cargo mesmo após haver se tornado réu por organização criminosa e peculato, mas não retornou o contato.

Na pasta, ele representa Jerry em ações coordenadas pela Secid. Na quinta-feira (4), por exemplo, participou representando o chefe da certificação de 60 beneficiários de cursos profissionalizantes de confeitaria, pastelaria e auxiliar de serviços gerais, oferecidos pelo governo Flávio Dino –que também era do PCdoB, mas mudou-se para o PSB de olho em 2022.

Rommeo Amin é um dos 14 réus em uma ação penal aberta pela 1ª Vara Criminal de São Luís em agosto, com base em denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), do Ministério Público do Maranhão, contra esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares de vereadores da capital.

Iniciada em 2019, a apuração do Gaeco aponta que, na condição de secretário municipal de Desportos e Lazer, o agora assessor da pasta de Márcio Jerry autorizou repasses de recursos para entidades que usaram documentação falsa para receber o dinheiro público. Uma das entidades, apontada a investigação, era de fachada.

O Ministério Público diz que, durante oitiva a respeito do desvio de recursos pela organização criminosa, Rommeo Amin deu informações falsas sobre a atuação da pasta, ao ter afirmado que a Semdel fazia fiscalização in loco para verificar a existência das entidades, e que também havia a fiscalização da execução dos projetos.

Uma varredura do Gaeco em documentos relacionados aos pagamentos, porém, constatou que não consta qualquer fiscalização dos projetos e que no endereço de uma das entidades beneficiadas no esquema existe apenas um imóvel abandonado. Além disso, em depoimento ao Ministério Público, auxiliares de Rommeo Amin afirmaram que, na prática, não existia qualquer fiscalização nos projetos nem sobre a existência das entidades, e que a análise se limitava apenas aos documentos apresentados para o recebimento do dinheiro.

Congresso derruba veto de Bolsonaro a federações partidárias; PCdoB comemora
Política

Projeto garante a participação de pequenos partidos nas próximas eleições, que ganham sobrevida

O Congresso Nacional derrubou nesta segunda-feira (27) o veto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao projeto de lei que cria o Sistema de Federações Partidárias. Agora em vigor, a proposta garante a participação de pequenos partidos nas próximas eleições –como o PCdoB, que corria o risco de ser extinto pela cláusula de barreira, mas agora ganha sobrevida para a eleição de 2022.

A criação da lei é uma vitória ao PCdoB, ex-partido do governador Flávio Dino e que ainda compõe uma de suas bases. No Maranhão, sua maior representação é de Márcio Jerry, presidente do partido no estado e atual secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano do Dino, seguido de Rubens Pereira Júnior, deputado federal e candidato não eleito a prefeito de São Luís apoiado pelo governador em 2020.

Nas redes sociais, Jerry e Rubens comemoraram a decisão do Congresso. “Bancada pequena nada, o PCdoB é uma bancada gigante em sua capacidade e influência”, publicou o secretário. Na Câmara dos Deputados, a legenda possui oito pessoas em sua bancada –a 5ª menor, ao lado do Avante e do Novo, com direito a quatro minutos de horário de televisão.

Com a aprovação do projeto, estes partidos passam a poder se juntar com outros de afinidades semelhantes por quatro anos, sendo considerados um partido único mas, ao mesmo tempo, mantendo suas particularidades. Os argumentos desfavoráveis às federações, defendidos por governistas e, principalmente, pelo PP, é de que elas seriam similares às coligações, proibidas desde 2017.

A principal diferença entre os dois é justamente o tempo em que as legendas permanecem unidas –enquanto as federações permanecem por anos, as coligações surgem e duram apenas durante as campanhas. De acordo com Rubens Júnior, a coligação “facilita alianças fisiológicas”.

Na prática as federações partidárias ajudarão partidos pequenos, ameaçados, a eleger mais parlamentares. Juntos, seriam tratados como um só, com direito a uma estrutura de liderança na Casa. Partidos que saírem da federação antes dos quatro anos sofrerão punições.

Rubens Júnior garante que segue no PCdoB; Jerry diz não saber
Política

Rumor surgiu após comunista deixar Articulação Política para reassumir mandato na Câmara

O deputado Rubens Pereira Júnior garantiu ao ATUAL7 que segue no Partido Comunista do Brasil, o PCdoB. “Recebi 09 convites. Sigo no PCdoB. Após definição do sistema eleitoral, pode ter mudança ou não. Se reavalia.”

A resposta foi dada a questionamento sobre rumores de que deixaria a legenda, após a saída da Secretaria de Estado da Articulação Política para reassumir o mandato na Câmara.

Márcio Jerry, presidente do PCdoB no Maranhão, porém, demonstrou dúvida sobre o assunto.

Procurado para comentar se procede o rumor da saída de Rubens Júnior das hostes comunista, foi lacônico: “Não sei.”

Jerry contradiz entorno de Weverton e diz que PCdoB ainda não definiu apoio para 2022
Política

Declaração desmonta boatos de aliados do pedetista. Uma semana antes, Gleisi Hoffmann também negou que PT havia fechado com o senador para o Palácio dos Leões

O secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano do Maranhão, Márcio Jerry, negou que o PCdoB esteja articulando apoio ao senador Weverton Rocha (PDT) na disputa pelo Palácio dos Leões em 2022, conforme vem intensivamente ventilando o entorno do pedetista.

Segundo afirmou Jerry, até o momento, o partido ainda não se definiu sobre quem apoiar na sucessão do governador Flávio Dino –que está fechado com Carlos Brandão (PSDB)– nas eleições do ano que vem. Também rechaçou que a presença de Weverton em um evento do PCdoB em Barreirinhas tenha relação com eventual formação de aliança.

“Respeitamos o senador Weverton Rocha do mesmo modo que respeitamos o vice-governador Carlos Brandão. São dois legítimos postulantes a candidatura a governador ano que vêm. Debatemos com os dois igualmente. O nosso partido ainda não apontou ainda qual a sua opção para o ano que vem”, disse em entrevista ao jornal O Imparcial.

“Nos sentimos muito honrados com a presença do senador Weverton na 1ª conferência municipal organizada pelo partido em Barreirinhas, onde também estavam representantes do PT, do PL, o vice-prefeito, e representantes de outros partidos de Barreirinhas. De modo que em outros eventos de conferências municipais teremos a presença do vice-governador Carlos Brandão, como teremos a presença da senadora Eliziane Gama (Cidadania) e de tantas outras lideranças do Maranhão, a depender de qual cidade ou região se faz a conferência”, acrescentou.

Márcio Jerry também contradisse o boato de que ocupará a vaga de vice em eventual chapa majoritária, como vem aventando aliados do senador do PDT.

“Disputarei a reeleição para deputado federal”, cravou.

É a segunda vez, em uma semana, que supostos apoios a Weverton Rocha na corrida pelo Palácio dos Leões são desmentidos. Antes, ao ATUAL7, já havia negado fechamento de apoio a deputada Gleisi Hoffmann (PR), presidente do Partido do Trabalhadores.

Governador e vice na chapa de 2022, Brandão e Jerry se reúnem para tratar sobre convênios
Política

Encontro ocorre após Flávio Dino confirmar decisão ao núcleo central do Palácio dos Leões

Fechados como candidatos a governador e vice-governador na chapa em que Flávio Dino (PCdoB) concorrerá ao Senado em 2022, Carlos Brandão (PSDB) e Márcio Jerry (PCdoB) deram mostra pública que deixaram a histórica disputa paroquial de lado, e se reuniram nesta terça-feira 16.

Segundo publicação de ambos nas redes sociais, a conversa girou em torno da celebração de convênios do Governo do Maranhão com prefeituras, agenda municipalista.

O encontro, primeiro tornado público por Brandão e Jerry, ocorre após o ATUAL7 revelar que Dino confirmou ao núcleo central do Palácio dos Leões a formação da chapa majoritária de 2022. O trio articula agora para que a coalização dinista se mantenha unida no pleito do ano que vem.

Brandão retorna ao PSDB com poder de comando e reforça frente ampla contra Bolsonaro
Política

Anúncio ocorre após vice-governador ser confirmado por Flávio Dino como seu candidato ao Palácio dos Leões em 2022

O vice-governador Carlos Brandão voltou ao PSDB, partido onde estava quando se uniu a Flávio Dino (PCdoB), em uma “solução acreana”, para arrancar o Palácio dos Leões do domínio da família Sarney.

Confirmado como candidato de Dino ao governo em 2022 e já na condição de presidente estadual da legenda, Brandão retorna ao partido para tirá-lo das hostes bolsonaristas e reforçar a formação de uma frente ampla contra Jair Bolsonaro no Maranhão, com forte reflexo na política nacional.

O anúncio foi feito pela direção nacional da legenda, nessa quinta-feira 11, e saudado pelo secretário estadual de Cidades e presidente estadual do PCdoB no Maranhão, Márcio Jerry, ambos nas redes sociais.

Jerry tende a ser o vice na chapa encabeçada por Brandão no pleito do próximo ano, que terá Dino como candidato ao Senado, em nova coalização partidária e social.

A “solução acreana”, termo alcunhado por Flávio Dino nas eleições de 2014, se refere à aliança entre PT e PSDB nas eleições de 1998 no Acre. Na ocasião, as duas siglas rivais, de esquerda e direita, conseguiram eleger Jorge Viana (PT) e derrotar o grupo ligado ao ex-deputado Hildebrando Pascoal, preso por chefiar o crime organizado no Acre.

Com a ligação da família Bolsonaro com milicianos, o termo pode ser resgatado, agora nacionalmente, em 2022.

Dino confirma que disputará Senado e assume que Brandão é seu candidato ao governo
Política

Em reunião com núcleo central do Palácio dos Leões, governador deixou transparecer que Márcio Jerry pode ocupar a vaga de candidato a vice-governador na chapa

O governador Flávio Dino (PCdoB) assumiu abertamente, pela primeira vez, que o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) é seu candidato à sucessão ao Palácio dos Leões em 2022. O anúncio foi feito a integrantes do núcleo central do Palácio dos Leões, todos postulantes à Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do Maranhão, durante reunião na semana passada sobre o pleito do próximo ano.

Estiveram presentes Carlos Lula (Saúde), Rodrigo Lago (Agricultura Familiar), Felipe Camarão (Educação), Rubens Pereira Júnior (Articulação Política), Rogério Cafeteira (Esporte e Lazer), Clayton Noleto (Infraestrutura), Jefferson Portela (Segurança Pública), Márcio Jerry (Cidades e Desenvolvimento Urbano), Simplício Araújo (Indústria e Comércio), Chico Gonçalves (Direitos Humanos e Participação Popular), Júlio César Mendonça (Agerp) e Ednaldo Neves (adjunto da Articulação Política).

Marcelo Tavares (Casa Civil) também participou da reunião, mas não disputará o pleito de 2022 por já ter caminho certo para o TCE (Tribunal de Contas do Estado) na vaga do conselheiro Nonato Lago, que deixa a corte em setembro deste ano, por aposentadoria compulsória.

Segundo relatos feitos ao ATUAL7, Dino externou sobre a importância de, até o próximo semestre, a chapa majoritária e distribuição de partidos e candidatos a deputado federal e estadual já estarem montadas. E disse que voltou a conversar com Weverton Rocha (PDT) sobre a “escolha e unidade” em torno de Carlos Brandão (Republicanos) como candidato único do grupo à sucessão estadual.

Embora também faça parte do grupo de Dino e tenha colocado o nome para a disputa pelo governo em 2022, não foi tratado sobre o fator Josimar Maranhãozinho (PL).

Flávio Dino também confirmou que vai mesmo disputar o Senado Federal, e não mais tentar a Presidência da República, como havia cogitado.

Ainda segundo fontes que participaram do encontro, apesar de forma não incisiva, o governador do Maranhão deixou transparecer que Jerry pode ocupar a vaga de candidato a vice-governador na chapa, e que ele próprio pode voltar a disputar o Palácio dos Leões em 2026. Ainda esse ano, o trio já deve estar caminhado para entrada em novos partidos.

Reclamações de deputados estaduais e federais em relação a ações de secretários pré-candidatos –principalmente Rodrigo Lago, Felipe Camarão e Carlos Lula– também entrou na pauta. Dino, porém, deu aval a todos para que continuem com o “pé no acelerador”, mas com “bom senso”.

Derrotado nas urnas, Marcelo Poeta ganha cargo em pasta de Márcio Jerry
Política

Filiado ao PCdoB, ele vai ocupar a secretaria-adjunta da Secid. Partido é comandado no Maranhão pelo titular da pasta

Em novembro do ano passado, o ex-vereador Marcelo Assad dos Santos, mais conhecido como Marcelo Poeta, foi derrotado nas urnas após não conseguir votos suficientes para se reeleger para a Câmara Municipal de São Luís pelo PCdoB, ficando na primeira suplência, mesmo com a expressiva votação recebida.

Apesar da derrota, ele não ficou desamparado nem virou desocupado, e a questão partidária que o tirou do Palácio Pedro Neiva de Santana –devido ao fim das coligações na eleição proporcional (quando o partido quem recebe as vagas, não o candidato)– pode ter contribuído para seu encastelamento em outro palácio, agora o dos Leões.

Segundo publicação nas redes sociais, feita nesta quinta-feira 11, pelo secretário estadual da Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, Poeta assumirá a secretaria-adjunta da pasta. “Marcelo contribuirá muito com sua experiência política e de gestão”, escreveu o titular da Secid.

Além de chefe do camarada, Márcio Jerry é ainda presidente do PCdoB no Maranhão, partido do governador Flávio Dino.

Como o último DOE (Diário Oficial do Estado) publicado é do dia 9, embora anunciada, a nomeação ainda não foi oficializada.

Poeta, segundo afirmou em contato com o ATUAL7 cerca de 20 minutos após esta publicação, é graduado em gestão pública pela Anhanguera, desde 2015.

Sobre o novo emprego público, disse que contou a experiência adquirida em outras funções que exerceu –embora a grande maioria como assessor.

“Acredito que passa pela experiência de já ter exercido diversas funções administrativas desde 2007, quando fui chefe de gabinete da Semosp, superintendente de relação com a comunicação na Secom, chefe de gabinete na Semed, chefe de Gabinete na CCL, além de ter trabalho por quatro anos e oito meses no Japão, onde a disciplina e responsabilidade fizeram muita diferença”, disse.

Marcelo Poeta disse ainda que tem uma outra visão sobre o resultado das urnas. “Não considero derrota nas urnas alguém que teve 5.195 votos e foi o 14º candidato mais votado da cidade”.

Apesar de articulação contrária, Jerry terá de fazer campanha para Brandão em 2022
Política

Assim como Flávio Dino, secretário de Cidades depende do vice-governador para se manter na vida pública

Em xeque com Flávio Dino (PCdoB), Márcio Jerry (PCdoB) terá de participar e fazer campanha para Carlos Brandão em 2022.

Adversário paroquial de Brandão em Colinas, apesar de tentar evitar o vexame promovendo articulações pró-Weverton Rocha (PDT), assim como Dino, Jerry também precisa de Brandão para se manter na vida pública.

A partir de abril de 2022, é Brandão quem estará no comando do Palácio dos Leões.

Para disputar o Senado, Flávio Dino terá de formar chapa com o hoje vice-governador do Maranhão. E Jerry, apesar das desavenças familiares históricas, para tentar se reeleger deputado federal, obrigatoriamente, terá que seguir o mesmo caminho.

Derrotado em disputa paroquial em Colinas, Jerry dá troco em Brandão na eleição da Famem
Política

Presidente do PCdoB no Maranhão, secretário de Cidades tem dito a aliados em comum com o vice-governador que não tem controle sobre prefeitos do partido

O deputado federal licenciado e agora secretário estadual de Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry (PCdoB), tem trabalhado no bastidor contra eventual vitória do vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) na disputa pela presidência da Famem –com vistas às eleições de 2022, quando estará em jogo o comando do Palácio dos Leões.

Em vez de pedidos de votos à chapa representada pelo prefeito Fábio Gentil (Caxias), afilhado de Brandão e preferido de Flávio Dino (PCdoB) no pleito, Jerry tem atuado no bastidor a favor do prefeito Erlânio Xavier (Igarapé Grande), sombra do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Segundo pessoas próximas ao secretário ouvidas pelo ATUAL7, devido ao antagonismo paroquial entre Márcio Jerry e Carlos Brandão em Colinas, as articulações do comunista contra o vice-governador seriam uma espécie de troco.

Em Colinas, Jerry queria forçar um apoio do grupo de Brandão à eleição de sua irmã, Régia Barroso (PCdoB), para a presidência da Câmara do município. Como por lá ele não exerce qualquer autoridade, para evitar que a derrota de bastidor se tornasse pública, ela sequer lançou candidatura, e teve de votar em Dr. Lima (Republicanos), reeleito para o comando da Casa.

Principal e maior da cidade, o grupo de Brandão tem também ignorado as investidas de Jerry para que o seu irmão, João Haroldo (PCdoB), atualmente vice-prefeito, controle metade da gestão municipal de Valmira Miranda (Republicanos) e seja eleito para o comando do município nas eleições de 2024.

Como Flávio Dino saiu de férias e deixou Carlos Brandão no exercício do comando do Palácio dos Leões em meio à eleição da Famem, para não ser acusado de estar fazendo jogo duplo, quando questionado por aliados em comum, tem dito que não tem controle sobre os prefeitos do PCdoB, e que mais da metade dos gestores comunistas seguem a orientação do presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PCdoB), este abertamente em campanha a favor da eleição de Erlânio.

Dino anuncia Jerry na Secid e outras três mudanças no governo, visando 2022
Política

Movimentação faz parte da revisão de alianças prometida pelo governador, após ser traído e derrotado nas eleições municipais em São Luís

O governador Flávio Dino (PCdoB) anunciou, nesta quarta feira 30, o retorno do deputado federal e presidente do PCdoB no Maranhão, Márcio Jerry, ao Executivo estadual. Conforme antecipou o ATUAL7 há quase duas semanas, ele vai assumir a Secid (Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano), a partir de janeiro próximo.

Também foram anunciadas outras três mudanças: o deputado federal Rubens Pereira Júnior vai para a Secap (Secretaria de Estado da Comunicação Social e Assuntos Políticos –e não já para a Articulação Política, como antecipadamente divulgado pelo comunista); Rodrigo Lago assume a SAF (Secretaria de Estado da Agricultura Familiar); e Júlio Mendonça a presidência da Agerp (Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão).

Todos também são do PCdoB.

Outras mudanças estão previstas para acontecer ainda em janeiro do ano vem, a serem conduzidas pelo vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), que assumirá o controle do Palácio dos Leões, sob supervisão remota do governador, durante férias de Dino. Há previsão, inclusive, de que já ocorra uma minirreforma administrativa, com desmembramento da Comunicação da Secap, por isso a sinalização de Dino em já divulgar a pasta como Articulação Política.

Com o retorno de Márcio Jerry e Rubens Júnior ao Governo do Maranhão, na Câmara dos Deputados assumirão as vagas os suplentes Gastão Vieira (PROS) e Dr. Elizabeth Gonçalo (Republicanos) –o que, com o gesto, protege um ajuste eleitoral articulado por Brandão com o líder político e prefeito reeleito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (PMN).

A movimentação faz parte da revisão de alianças prometida por Flávio Dino no mês passado, após ser traído por quem se dizia aliado e derrotado em São Luís, visando as eleições de 2022. Ele ainda não decidiu, contudo, se vai mesmo retirar do governo o controle de pastas dos infiéis, pois precisa manter a coalização política para daqui a dois anos disputar novo cargo eletivo.

O governador deve tentar o Senado Federal, por falta de peso político e eleitoral para se aventurar na disputa pela sonhada Presidência da República. Jerry e Rubens buscarão a reeleição para a Câmara. Já Rodrigo Lago e Júlio Mendonça, vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Flávio Dino analisa colocar Márcio Jerry na Secid ou Sedes
Política

Segundo apurou o ATUAL7, oferta tem como objetivo viabilizar a reeleição do comunista à Câmara dos Deputados em 2022

O governador Flávio Dino (PCdoB) ainda não bateu o martelo, mas já analisa pelo menos duas opções para a volta do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) ao Governo do Maranhão, a partir de janeiro de 2021.

Segundo fontes próximas a Dino, a mais cotada é a Secid (Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano), atualmente já sob o PCdoB, e a segunda a Sedes (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social), ainda comandada pelo PDT.

Ao ATUAL7, Jerry negou indicação para qualquer pasta, e disse que não houve qualquer conversa entre ele e o governador sobre retorno ao Executivo estadual. “Assunto até aqui no desejo das especulações”.

Ele garantiu, contudo, que está pronto para caso Flávio Dino o chame novamente para o governo. “Tudo é possível e nada ainda é certo. Estou, como sempre, à disposição para qualquer missão que me for confiada pelo governador e nosso partido”.

O retorno de Jerry ao Governo do Maranhão, ainda segundo apurou o ATUAL7, tem como objetivo viabilizar a reeleição do presidente do PCdoB no estado à Câmara dos Deputados em 2022, por meio de extensa agenda de trabalho.

Caso a oferta para ocupar a Secid seja aceita pelo comunista, ao deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos), que, segundo rumores, poderia assumir a pasta no próximo ano, sobrará a indicação para a Sedes. Nas eleições de 2022, ele também deve disputar uma vaga na Câmara Baixa, em Brasília.

À mudança do secretariado do primeiro escalão do Palácio dos Leões, Flávio Dino somará uma revisão de alianças visando o próximo pleito, já anunciada no Twitter pelo governador, provocada pela traição de aliados –principalmente dos presidentes estaduais do PDT (Weverton Rocha), DEM (Juscelino Filho) e PTB (Pedro Lucas)– no segundo turno da disputa pela prefeitura de São Luís.