Autismo
Censos demográficos terão dados sobre pessoas com autismo
Cotidiano

Relatora do projeto na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, Eliziane Gama apresentou parecer favorável à matéria

O Senado Federal aprovou, nessa terça-feira 2, a determinação de que os censos demográficos incluam em seus levantamentos dados e informações específicos sobre pessoas com autismo. De autoria da deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC), o projeto segue para sanção do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

De acordo com o texto aprovado, a proposta altera a Lei 7.853, de 1989, para que seja obrigatório que os censos populacionais do país incluam “especificidades inerentes ao autismo”. Atualmente não existem dados oficiais sobre as pessoas com transtorno do espectro autista.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) relatou o projeto na Comissão de Assuntos Sociais com parecer favorável à matéria.

“Não podemos pensar políticas social sem efetivamente ter dados e informações. Nós tivemos em 2012 a Lei 12.764, que colocou o autismo como deficiência, e a partir daí deveriam ter políticas e ações mais robustas para essa parcela da população. Só quando tivermos esses dados vamos programar em nível federal, estadual e municipal, as ações para o atendimento dessas pessoas e de suas famílias que precisam de assistência diferenciada do Estado”, explicou Eliziane.

Autismo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição resultante de uma complexa desordem no desenvolvimento cerebral. Engloba o autismo, a Síndrome de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno generalizado do desenvolvimento não especificado. Acarretando, assim, modificações importantes na capacidade de comunicação, na interação social e no comportamento.

Estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo tenham autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil, mas até hoje nenhum levantamento foi realizado no país para identificar essa população.

Grupo Ilha Azul critica Wellington por divulgar trabalho em defesa dos autistas
Política

Instituição alega que não quer associar sua imagem a de políticos, mas promove em sua própria página ato de um vereador do PCdoB

O Grupo Ilha Azul, instituição conhecida e respeitada pela defesa de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), publicou nota em sua página oficial no Facebook em que critica fortemente o deputado estadual Wellington do Curso (PP) por divulgar ações de seu mandato em defesa da mesma causa. Na nota, o parlamentar, que é pré-candidato a prefeito de São Luís, é acusado de agir de forma eleitoreira por inserir em um informativo de seu primeiro ano de mandato uma imagem em que participa de um ato público realizado por um grupo de pais de crianças e jovens com autismo, por ocasião do Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

Para o Grupo Ilha Azul, imagem que aparece acima do nome Wellington no informativo é uso eleitoreiro da imagem da instituição
Divulgação TEA Para o Grupo Ilha Azul, imagem que aparece acima do nome Wellington no informativo é uso eleitoreiro da imagem da instituição

“O GRUPO ILHA AZUL vem a público informar que não está vinculado a qualquer partido político e que não autorizou a divulgação de imagens relacionadas à associação, como tem feito o Deputado Wellington com fins eleitoreiros”, acusa o Ilha Azul.

A denúncia acabou provocando a revolta de pais e mães de pessoas com TEA contra o deputado, pela força e respeito que a entidade conquistou desde a sua criação. Contudo, numa outra ponta, acabou também provocando a revolta e, principalmente, lamento de pais e mães de pessoas com TEA pelo deslize, má fé ou ainda suposto uso político da entidade para atingir o pré-candidato.

A suspeita foi levantada por Wellington já haver utilizado a mesma imagem ainda em 2015, quando não era sequer apontado como pré-candidato e nem se apresentava como tal, em matéria publicada na agência de notícias da Assembleia Legislativa do Maranhão, num site pessoal de divulgação de ações de seu mandato e em perfis pessoais nas redes sociais. De lá para cá, inclusive, o deputado já participou de outra etapa do evento, realizada neste ano, também tendo divulgado nos mesmos locais novas imagens de seu trabalho pela causa.

Contudo, durante todo esse período, não houve qualquer emissão de nota do Grupo Ilha Azul contra o parlamentar do PP, tendo a entidade se manifestado somente agora, depois de Wellington lançar pré-candidatura a prefeito de São Luís após pesquisas de intenções de votos o apontarem em empate técnico na primeira colocação com outros dois adversários.

Incoerência?

Ilha Azul afirma não querer associar imagem da instituição à políticos, mas divulga em sua página pessoal no Facebook uma foto de membros com um vereador do PCdoB, candidato à reeleição
Divulgação Incoerência? Ilha Azul afirma não querer associar imagem da instituição à políticos, mas divulga em sua página pessoal no Facebook uma foto de membros com um vereador do PCdoB, candidato à reeleição

Os pais e mães de pessoas com TEA, principalmente crianças, também apontaram para uma incoerência curiosa do Ilha Azul ao acusar o deputado de usar a imagem de sua participação no evento para fins eleitoreiros. Em grupos de WhatsApp, eles divulgaram uma publicação da própria entidade em sua página pessoal no Facebook, a mesma que acusa Wellington, em que membros da direção do Ilha Azul aparecem ao lado do vereador e pré-candidato a reeleição pelo PCdoB, Professor Lisboa.

“Além de contarmos com o apoio de representantes dos Poderes Executivo e Legislativo em eventos realizados por esta entidade, mas que não tem usado a nossa imagem para se promover”, diz a instituição na nota contra Wellington.

Se o Ilha Azul repudia o uso de sua imagem por partidos e políticos, acreditam os pais e mães, não deveria então ter associado sua imagem a do vereador comunista, promovendo-o.

Nas redes sociais, profissionais que trabalham com pessoas com autismo também estranharam a nota emitida pela entidade. A estranheza, segundo eles, se deu por Wellington ter o autismo como uma de suas plataformas de trabalho no Poder Legislativo estadual, tendo inclusive realizado audiências públicas, apresentado propostas e intermediado discussões com membros do Ministério Público para discutir os direitos das pessoas autistas.

Também chamou a atenção o fato de Wellington ter sido o único a ser acusado de uso eleitoreiro pelo Grupo Ilha Azul, apesar de divulgação de matérias de trabalhos em defesa do autismo em parceria com a instituição, como fez o parlamentar em seu informativo de prestação de contas de primeiro ano de mandato, também ser feita por membros da Câmara Municipal de São Luís, Prefeitura de São Luís, Seccional maranhense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e até pela faculdade particular Pitágoras.

O ATUAL7 entrou em contato com o Grupo Ilha Azul, por meio do endereço de e-mail fornecido em seu site institucional, e aguarda respostas aos questionamentos feitos sobre o caso.

Mãe de autista cria grupo de apoio para mães
Maranhão

Após descobrir que filho era autista, Luise Winkler constatou falta de informações e tratamentos em São Luís e se uniu a outras mães para buscar apoio

Por Adriano Martins Costa/O Estado

Quando Luise Winkler Mattos, hoje com 38 anos, descobriu, há cerca de cinco anos, que o filho, Robert Yudi, então com 2 anos de idade, tinha problemas de relacionamento e fala, sentiu como se o chão dela sumisse. O garoto foi diagnosticado dentro do espectro autista, síndrome que afeta o sistema nervoso e pode ocasionar diversos problemas, entre os mais comuns a dificuldade de comunicação e de interação social, o comportamento repetitivo e o interesse obsessivo por certas ações ou objetos. “Eu não sabia se o meu filho iria ser um gênio ou alguém que iria se tornar completamente dependente de mim”, relata Luise.

Luíse é casada. Além do Yudi, teve mais uma filha, a Vivian, hoje com cinco anos e que não é autista, mas que participa das terapias junto com o irmão e o ajuda no crescimento e na aprendizagem, principalmente no significado de compartilhar. Além disso, é empresária. “Os filhos são espelhos daquilo que a gente é capaz de fazer. E hoje eu sou uma pessoa mais paciente, criativa, sensível”.

Apoio

A maior dificuldade dela veio depois que foi lhe dado o diagnóstico, já que não existiam profissionais especializados na doença em São Luís, ou seja, ela não tinha como ajudar o filho com os recursos existentes na cidade. O autismo não tem cura, e somente o diagnóstico precoce, bem como terapias comportamentais, educacionais e familiares, podem reduzir os sintomas e fornecer base para o desenvolvimento e o aprendizado. Daí, dá para se perceber o desespero de uma mãe que não tinha perspectivas de ver um filho crescer saudável.

Ela simplesmente não se aquietou. O instinto materno falou mais alto e a empresária embarcou de vez no mundo do autismo. Estudou, pesquisou, encontrou profissionais em outros estados, levou o filho para se consultar, trouxe profissionais de fora. Ela simplesmente não aceitou que seu filho deveria ficar como era. “Eu não conseguia ter outra vida além daquilo, eu era uma pessoa que antes vivia para o trabalho e diversão e de repente eu vi uma pessoa completamente dependente daquilo que eu tinha que aprender”, argumenta.

E esse aprendizado lhe rendeu uma mudança completa de vida. Inclusive em seu serviço, que ela passou a fazer em apenas metade do tempo que dispunha antes. Ou ainda no trato com os outros familiares.

Preconceito

Com as dificuldades encontradas para cuidar do filho, Luise acabou por se relacionar com outras mães que passavam pelos mesmos problemas, daí que elas resolveram fundar um grupo para se ajudar e auxiliar outras pessoas: o Ilha Azul.

Além de orientações sobre profissionais e dicas para o tratamento, uma das principais funções do grupo é dizer para as mães que elas podem ter uma vida normal e seus filhos podem realizar ações e participar de qualquer coisa que uma criança sem a síndrome faria. “As mães não podem ter vergonha de sair com os filhos e eles terem uma crise. Se você perder a oportunidade de trabalhar com seus filhos nessas situações, ele pode ficar cada vez pior”, explica Luise.

E olha que de crise e preconceito ela entende. Foram várias as situações em que o Yudi teve crises disruptivas e ela foi alvo de olhares e críticas preconceituosas, como se fosse uma “mãe ruim”. Uma vez, por exemplo, eles estavam em um shopping center e o menino passou a querer subir e descer as escadas rolantes repetidamente. Num certo ponto, ela já não aguentava mais o pique da criança, e disse a ele que deveria parar. Yudi começou a chorar e a gritar. Luise iniciou o procedimento correto para acalmá-lo. Nisso, uma mulher, que ela não conhecia, chegou perto e começou a brigar com ela. Dizia que Luise estava maltratando o filho, e que ela não sabia como cuidar dele. Apesar dos argumentos contrários, a desconhecida não se conteve e seguiu em sua torrente de palavras acusatórias.

“O mais triste para mãe é o preconceito que ela sofre, a discriminação e o julgamento. As pessoas julgam a sua vida sem nem saber o que você passa diariamente”, lamenta.

Ilha Azul

O Grupo Ilha Azul surgiu em 2012 e agora em maio vai realizar sua 3ª Jornada Internacional de Autismo, que vai trazer especialistas nacionais e internacionais para atualizar os profissionais locais e discutir mais sobre a doença. O nome Ilha Azul faz uma referência a São Luís e ao fato do autista buscar o isolamento por não entender as relações sociais. Azul é porque a incidência da doença é quatro vezes maior em menino que em menina.