Maranhão
Para volta às aulas, Seduc inicia processo para compra de termômetros
Cotidiano

Aferição de temperatura será feita em alunos e servidores da rede pública estadual de ensino

Todos os alunos e servidores da rede pública estadual de ensino terão a temperatura medida antes de entrar nas escolas. A medida foi anunciada no Twitter, nesta quarta-feira 3, pelo titular da Seduc (Secretaria de Estado da Educação), Felipe Camarão.

Segundo ele, o protocolo faz parte parte do plano de medidas sanitárias e de distanciamento para evitar o contágio pelo novo coronavírus dentro das unidades.

“Planejamento para volta às aulas! A rede estadual do Maranhão iniciou processo para aquisição de 1.500 termômetros como estes da imagem para aferição de temperatura da nossa comunidade escolar quando as aulas presenciais começarem a voltar”, publicou, indicando a imagem abaixo:

Segundo decreto do governador Flávio Dino (PCdoB), editado no final de maio, a previsão da retomada das aulas presenciais, na rede pública e privada, de forma gradual, está marcada para começar a partir do próximo dia 15.

Na falta de estudos científicos para embasar a previsão e devido ao avanço da pandemia em todas as regiões do estado, no próprio documento, o comunista ressalta que o cronograma pode ser alterado, caso a situação epidemiológica do momento não permita a reabertura das escolas.

Ao ATUAL7, Camarão disse que outras medidas também já estão sendo tomadas, como a aquisição de sabão e álcool gel. Ele garantiu que, por precaução, a autorização efetiva para volta às aulas presenciais ocorrerá somente após estudos científicos e pareceres técnicos, produzidos por especialistas diretamente ligadas ao enfrentado à pandemia, garantirem segurança a todos dentro do ambiente escolar.

São Luís e Imperatriz têm mais de 90% dos leitos públicos de UTI para Covid-19 ocupados
Cotidiano

Situação das demais regiões também é delicada, com taxa de ocupação acima dos 80%

Cidades mais populosas do Maranhão, São Luís e Imperatriz estão com mais de 90% de ocupação dos leitos de UTI reservados pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) a casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus.

Segundo o boletim epidemiológico da pasta, até às 20h dessa segunda-feira 1º, dos 240 leitos de UTI exclusivos para Covid-19 na capital, apenas 6 estavam vagos, o que representa uma taxa de ocupação de 97,50%.

Em Imperatriz, embora a taxa de ocupação seja de 90,74%, a situação é pior, pois a quantidade de leitos reservados para tratamento de pacientes com a doença é bem menor. Na cidade, apenas 5, dos 54 leitos de UTI para Covid-19 estão desocupados.

Apesar da situação delicada, o governo de Flávio Dino (PCdoB) não tem acendido o sinal de alerta. Ao contrário, ignorando o avanço da pandemia, ampliou a liberação para reabertura do comércio e serviço não essencial, e autorizou, ainda que de forma gradual, o retorno das aulas nas escolas da rede pública e privada no estado, a partir do próximo dia 15.

Em meio à anticiência na gestão estadual, que abandou o isolamento social como principal medida contra o avanço do novo coronavírus e passou a adotar a imunização de rebanho, as UTIs para Covid-19 nas demais regiões do estado também começam a beirar o colapso.

De acordo com a própria SES, a lotação no interior do estado é de 84,40%. Isto é, dos 149 leitos de UTI da rede pública estadual de saúde reservadas para pacientes com sintomas da doença, 119 já estão ocupados, permanecendo livres apenas 22.

Seis bebês de até 1 ano já morreram de Covid-19 no Maranhão
Cotidiano

A maioria era do interior do estado. Vítima mais jovem do novo coronavírus tinha apenas dois meses

Seis bebês de até 1 ano de idade morreram no Maranhão em decorrência da Covid-19, de acordo com dados da SES (Secretaria de Estado do Maranhão), levantados pelo ATUAL7 com base nos boletins epidemiológicos. A maioria era do interior maranhense.

O primeiro bebê a morrer no estado vítima da doença provocada pelo novo coronavírus era de São Luís, do sexo masculino e tinha quatro meses. O óbito ocorreu no dia 29 de abril.

Quadro dias depois, em 3 de maio, morreu o segundo bebê. Também residente de São Luís, era do sexo feminino e tinha 10 meses.

O terceiro óbito ocorreu no dia 8 de maio. Vítima mais jovem do novo coronavírus no Maranhão, tinha apenas dois meses, era do sexo feminino e residente de Coroatá.

O quarto bebê a morrer de Covid-19 no estado era de Maracaçumé, tinha quatro meses e era do sexo feminino. O óbito ocorreu no dia 11.

Na semana passada, mais dois bebês, ambos de apenas 1 ano e do sexo masculino, também morreram em decorrência da doença. Um era Lago da Pedra e o outro de Bacabal. Os óbitos ocorreram nos dias 27 e 28, respectivamente.

Transporte coletivo em São Luís será principal desafio contra propagação do coronavírus
Cotidiano

Ampliação da reabertura do comércio e serviço não essenciais deve provocar aglomeração de passageiros em pontos de ônibus. Governo Dino parece apostar na imunidade de rebanho

Com a decisão do governador Flávio Dino (PCdoB) de, em meio ao aumento do número de infectados e óbitos por Covid-19, ampliar a reabertura do comércio e serviço não essenciais em todo o Maranhão, a capital do estado passa a ter o transporte coletivo como principal desafio contra a propagação do novo coronavírus.

Pelas regras estabelecidas pelo Palácio dos Leões, a tendência é de aumento da aglomeração de passageiros em pontos de ônibus, o que pode provocar novas contaminações e mortes pela doença, que já infectou 8.882 pessoas e matou 521 em São Luís.

É o que se prevê pela portaria baixada pelo secretário-chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares.

Aparentemente elaborada por quem não conhece a realidade de quem precisa pegar ônibus para trabalhar e voltar para casa, o documento até recomenda medidas de segurança e cuidados gerais, como uso obrigatório de máscaras, abertura de janelas, limitação à capacidade oficial de passageiros sentados e desinfecção dos veículos.

Contudo, devido à proximidade entre os horários determinados para início de funcionamento dos estabelecimentos, o distanciamento social, principal medida contra o avanço da pandemia, pode ser prejudicado, já que para chegar ao trabalho os passageiros terão de se aglomerar nos pontos de ônibus nos horários de pico da manhã. Entre o final da tarde e início da noite, no retorno para casa, como não foi estabelecido pela Casa Civil horário para o fechamento do comércio, a aglomeração tende a ser ainda maior, com todo os passageiros ao mesmo tempo.

Quem precisa ou já precisou pegar ônibus em São Luís para retornar para casa em horário de pico, em dias normais, principalmente nos terminais do sistema de integração, conhece a mega aglomeração diariamente registrada nos pontos de ônibus.

Imunidade de rebanho

Pela forma como está conduzido o enfrentamento ao novo coronavírus no Maranhão, autorizando a reabertura do comércio e serviços não essenciais em meio à escalada de novos infectados e óbitos por Covid-19, é possível que Flávio Dino esteja experimentando a chamada imunidade de rebanho como método de combate à doença. Deixar que todos se contaminem, alguns sejam sacrificados e a comunidade se imunizasse como consequência vem sendo defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde o início da pandemia.

Ocorre que, para essa estratégia funcionar, conforme especialistas, o índice de imunizados tem que ser muito alto. Do contrário, alguns podem ser contaminados pelo novo coronavírus e se recuperarem. Outros, porém, em número incerto, morrerão em decorrência da doença.

Abaixo, os horários determinados pelo governo para a reabertura do comércio e serviço:

Começam entre 5 e 7 horas
Postos de combustíveis;
Panificadoras.

Começam entre 6 e 8 horas
Área de saúde, como serviços ambulatoriais em hospitais, clínicas, laboratórios etc;
Indústrias alimentícias;
Indústrias farmacêuticas/medicamentos;
Construção civil;
Supermercados.

Começam entre 7 e 9 horas
Vigilantes, zeladores e porteiros;
Farmácias e drogarias;
Oficinas mecânicas e borracharias;
Lojas de produtos agropecuários e veterinários;
Hospitais e clínicas veterinárias;
Agências lotéricas.

Começam entre 9 e 11 horas
Bancos;
Revendas/concessionárias de veículos;
Barbearias e salões de beleza;
Comércios de rua que estejam autorizados a funcionar.

Dino libera reabertura de escolas e joga responsabilidade sobre coronavírus para diretores e alunos
Cotidiano

A partir de 15 de junho, instituições que quiserem poderão retomar as atividades. Estudantes deverão atuar como fiscalizadores do cumprimento de normas sanitárias no ambiente escolar

Apesar da baixa testagem, da alta taxa de contágio de Covid-19 e da ocupação dos leitos de UTI na capital e em Imperatriz estar acima de 90% e nas demais regiões acima de 75%, o governador Flávio Dino (PCdoB) editou novo decreto, nesta sexta-feira 29, autorizando a reabertura das escolas das redes pública e privada do estado a partir de 15 de junho.

O retorno estabelece que a reabertura será feita de forma gradual, iniciando pelos cursos de graduação e pós-graduação; depois escolares de ensino médio; seguindo por escolares de ensino fundamental; educação infantil; até chegar a instituições educacionais de idiomas e similares, bem como de educação complementar.

Além de não apresentar qualquer estudo ou critério técnico-científico para a autorizar a retomada das atividades escolares presenciais, o governador decidiu jogar a responsabilidade sobre a propagação da doença causada pelo novo coronavírus para diretores e alunos.

De acordo com o decreto, caberá à direção das instituições, mesmo sem a divulgação de projeções pelo Palácio dos Leões sobre contaminação e óbitos por Covid-19 nas próximas semanas, decidir sobre a retomada das atividades pedagógicas presenciais.

Ainda segundo o decreto, os estudantes deverão atuar como fiscalizadores do cumprimento de normas sanitárias de enfrentamento da pandemia.

“Em cada estabelecimento educacional, a respectiva direção deve buscar a formação de coordenações de saúde entre os estudantes, de modo a que estes atuem como protagonistas para persuadir seus colegas a cumprir as normas sanitárias estabelecidas pelas autoridades de saúde e afixadas nas salas de aulas e nos demais espaços do ambiente escolar”, diz trecho do documento.

Com a liberação, nos moldes do decreto, Dino parece estar adotando no Maranhão a chamada imunidade de rebanho, termo usado para expressar um cenário no qual a porcentagem de pessoas que já foram infectadas e se curaram seria elevada o suficiente para que essas pessoas sirvam de escudo para as que ainda não tiveram a doença.

Desde o início da pandemia no país, a estratégia de que 70% dos brasileiros devem pegar a Covid-19 tem sido defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), como forma de contrapor medidas restritivas de isolamento social.

Contudo, enquanto o presidente da República fica apenas no discurso contra as medidas de prevenção e distanciamento, Dino, apesar de se dizer defensor da ciência, efetiva.

Wellington quer transparência na distribuição de testes para Covid-19 aos municípios
Cotidiano

Deputado solicitou a Flávio Dino que passe a divulgar, publicamente, a relação completa das prefeituras contempladas e a data de entrega

O deputado estadual Wellington do Curso (PSDB) oficiou o governador Flávio Dino (PCdoB), nesta quinta-feira 28, por meio da Assembleia Legislativa do Maranhão, para que passe a divulgar publicamente a relação completa dos municípios maranhenses contemplados e os respectivos números de testes para Covid-19 já enviados, para cada, bem como a data de entrega.

Segundo o parlamentar, o pedido tem por base o princípio constitucional da publicidade, que vem sendo descumprido pela gestão comunista, embora a Administração Pública tenha a obrigação de divulgar as informações de interesse público, principalmente as envolvendo recursos, de maneira clara e precisa.

Dados do painel de insumos Ministério da Saúde, atualizados nesta semana, apontam o Maranhão como 4° estado do Nordeste que mais recebeu do Governo Federal testes para detecção do novo coronavírus, o total de 308.572. Boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado da Saúde), porém, informa que, até dessa quarta-feira 27, apenas 37.462 testes foram realizados na rede pública de saúde.

“Ocorre que, aqui, não sabemos exatamente o destino desses testes. Inicialmente, nem testes em massa eram realizados. Os números só cresceram após nossa representação na Polícia Federal e Ministério Público Federal. Agora, solicitamos que divulguem o número de testes por município. Uma solicitação simples, básica, mas que muito contribui para que tenhamos o real controle sobre a forma como a pandemia tem sido enfrentada no Maranhão”, destacou o parlamentar.

Modelo usado pela Casa Branca projeta 3.600 mortes por Covid-19 no MA até agosto
Cotidiano

Previsão do IHME é que pico aconteça no dia 30 de junho, com 42 óbitos causados pela doença em 24 horas

O número de mortes por Covid-19 no Maranhão deve passar de 3.600 no começo de agosto próximo, de acordo com uma previsão do Instituto para Métricas de Saúde e Avaliação (IHME, na sigla em inglês), ligado à Universidade de Washington, nos Estados Unidos. O modelo é um dos principais utilizados pela Casa Branca para monitorar números sobre o novo coronavírus.

Pela previsão, atualizada nessa terça-feira 26, serão 3.625 mortes causada pela doença até o dia 4 de agosto.

A projeção mostra que o pico de mortes diárias no Maranhão deve acontecer no dia 30 de junho, com 42 óbitos por Covid-19 em apenas 24 horas.

A partir de 26 de julho, segundo a projeção do IHME, a curva de mortes diárias começa a descer no estado, mas ainda na faixa de 41 óbitos por dia, a cada 24 horas.

OMS suspende testes com cloroquina e hidroxicloroquina contra a Covid-19
Cotidiano

Sem respaldo científico, medicamentos foram adotados em novo protocolo da SES para tratamento de pacientes com sintomas leves da doença

A OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou, nesta segunda-feira 25, que suspendeu temporariamente testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina para tratar a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

A decisão, anunciada por Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, foi tomada depois de um estudo publicado, na sexta 22, na revista científica The Lancet. Feita com 96 mil pessoas, a pesquisa apontou que não houve eficácia das substâncias —sozinhas ou combinadas com macrolídeos (grupo de antibióticos dentre os quais se destaca a azitromicina)— contra a Covid-19, e detectou risco de arritmia cardíaca nos pacientes que as utilizaram.

“O grupo executivo implementou uma pausa temporária do braço da hidroxicloroquina no ensaio Solidariedade, enquanto os dados de segurança são revisados pelo conselho de monitoramento de segurança dos dados. Os outros braços do ensaio continuam”, disse Tedros, na introdução da entrevista online coletiva de hoje. A decisão resultou da deliberação do grupo executivo da Solidariedade, que testa possíveis terapias contra a Covid-19.

No Maranhão, sem respaldo científico e contra parecer-técnico da comissão de especialistas da Virion Infectologia, terceirada da Emserh (Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares) responsável pela elaboração de protocolos para enfrentamento da pandemia no estado, o governo de Flávio Dino (PCdoB) decidiu produzir e distribuir kits de medicamentos com cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento de pacientes com sintomas leves de Covid-19.

Apesar das críticas negativas, as mesmas feitas por ele próprio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que defende o uso dos medicamentos no tratamento precoce da doença, Dino manteve o novo protocolo da SES, e tentou atribuir aos médicos a decisão tomada pela sua gestão.

Procurados pelo ATUAL7 desde a semana passada, o Palácio dos Leões e o titular da SES, Carlos Lula, não retornaram o contato explicando porque não seguiram o parecer-técnico dos infectologistas e qual estudo foi utilizado para decisão anticiência.

MA inicia reabertura gradual do comércio não essencial; conheça as regras
Economia

Medida econômica editada pelo governador Flávio Dino prevê prisão para o consumidor que descumprir o uso obrigatório de máscaras de proteção em ambiente público

O Maranhão inicia, a partir desta segunda-feira 25, a reabertura gradual do comércio não essencial. A medida econômica foi autorizada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), em decreto editado na última quarta-feira 20, sem apresentação de qualquer estudo científico para a retomada das atividades em meio ao avanço da pandemia.

Segundo o decreto, a reabertura será feita por etapas e dividida por setores, que vão seguir protocolos sanitários e de segurança que serão aprovados pela Casa Civil —e não pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) em conjunto com o Comitê Científico de Prevenção e Combate ao Coronavírus no Maranhão, como esperado para esse tipo de situação.

Com a flexibilização do isolamento social, a partir de hoje, além dos supermercados, farmácias, mercados, óticas e home centers, também poderão funcionar estabelecimentos comerciais familiares de pequeno porte, onde somente trabalhavam, antes da pandemia, o proprietário e o grupo familiar (cônjuge, pais, irmãos, filhos ou enteados).

No dia 1º de junho, gradualmente, começará a retomada por setor econômico, até a reabertura total do comércio e serviço não essenciais, em até 45 dias. Neste período, semanalmente, a situação epidemiológica será reavaliada, podendo haver modificação ou revogação da portaria. Os estabelecimentos irão funcionar com horários alternados, para diminuir a concentração do fluxo no transporte coletivo.

Seguem obrigatórias medidas sanitárias gerais, como uso de máscaras de proteção em ambiente público, vedação de qualquer aglomeração de pessoas e manutenção do distanciamento social.

As empresas deverão adotar escala de revezamento de funcionários, bem como a distância mínima de dois metros entre o funcionário e o cliente, e entre cada cliente. Além disso, sempre que possível, o trabalho de serviços administrativos deve realizado de forma remota. Reuniões e atividades que exijam encontro de funcionários deverão ocorrer de forma virtual.

Empregados e prestadores de serviço que pertençam a grupo de riscos devem ser dispensados das atividades presenciais até 15 de junho, sem qualquer tipo de punição, suspensão de salário ou demissão.

Restaurantes, lanchonetes, bares e similares continuarão com serviço de entrega ou retirada no próprio, sendo vedada a disponibilização de áreas para consumo.

Os estabelecimentos destinados à venda de peças de vestuário, caso permitam a prova e a troca de roupas e similares, deverão adotar medidas para que a mercadoria seja higienizada antes de ser fornecida a outros clientes.

Em caso de recusa por parte do consumidor de adotar o uso de máscara, proprietário e funcionários podem acionar a Polícia Militar, que poderá efetuar a prisão do consumidor, conforme previsto no artigo 268 do Código Penal. A pena é detenção, de um mês a um ano, e multa.

Os estabelecimentos que não cumprirem as medidas dispostas, podem sofrer sanções administrativas (advertência, multa e interdição) e encaminhamento de ação ao Ministério Público do Maranhão e MPT (Ministério Público do Trabalho).

Também a partir do dia 1º de junho próximo, fica autorizada a retomada progressiva do funcionamento dos órgãos e entidades vinculados ao Poder Executivo, com uso de máscaras obrigatório, revezamento de servidores, afastamento de funcionários no grupo risco até o dia 15 de junho e suspensão de atendimento ao público externo até o dia 7 de junho.

Apesar da flexibilização no isolamento social garantida pelo decreto estadual, conforme decisão recente do STF (Supremo Tribunal Federal), com base nos indicadores epidemiológicos e na oferta dos serviços de saúde dos respectivos municípios, os prefeitos poderão decretar medidas mais rígidas, inclusive o chamado lockdown, que é a restrição mais rígida para o funcionamento das atividades econômicas locais e para a circulação de pessoas.

Para que as regras do decreto estadual sejam cumpridas, o governo conta com o auxílio da população maranhense, não apenas na questão de conscientização, mas de denúncia. Agora, qualquer cidadão pode apresentar pedido de fiscalização, se possível acompanhado de registros fotográficos e gravações em vídeo, por meio dos seguintes números de WhatsApp: (98) 99162-8274, (98) 98356-0374 e (98) 99970-0608.

Maranhão passa de 1 mil mortes por Covid-19 e tem mais de 23 mil casos positivos
Cotidiano

Levantamento feito pelo ATUAL7 em boletins epidemiológicos das prefeituras mostra 4.458 infectados e 282 de óbitos a mais que os registrados pela SES

Pouco mais de dois meses após o primeiro caso confirmado, o Maranhão ultrapassou a marca simbólica de 1 mil mortos por Covid-19 e mais de 23 mil registros da doença causada pelo novo coronavírus.

O levantamento foi feito pelo ATUAL7, com base nos boletins epidemiológicos das prefeituras municipais, em dados registrados até esse sexta-feira 22. Foram 23.225 casos registrados e 1.004 óbitos.

Em comparação com o balanço divulgado pela SES (Secretaria de Estado da Saúde), na mesma data, a diferença é de 4.458 casos positivos e 282 de óbitos a mais que o divulgado pela pasta. No boletim de ontem, a SES registrou apenas 722 mortes por Covid-19 e 18.767 pessoas diagnosticadas com a doença no estado.

Procurados, a SES e o titular da pasta, Carlos Lula, não retornaram o contato para comentar a discrepância dos dados.

Segundo o levantamento do ATUAL7, na Região Tocantina, o município de Açailândia, que ganhou um hospital de campanha exclusivo para Covid-19 montado pela Vale, já registra 15 óbitos e 381 casos positivos, 23 e 193, respectivamente, a mais do que o registrado no boletim estadual, de apenas 3 óbitos e 188 registros do novo coronavírus até ontem.

Outra discrepância ocorre em Bacabal, município localizado no Médio Mearim. Enquanto no boletim da prefeitura há o registro, até ontem, de 14 óbitos e 229 pessoas diagnósticas com Covid-19, o balanço da SES mostra apenas 1 óbito e 177 casos confirmados.

Barra do Corda, administrada pelo prefeito Eric Costa (PCdoB), aliado e correligionário do governador Flávio Dino (PCdoB), também apresenta diferença significante. No boletim epidemiológico da prefeitura, há o registro de 12 óbitos por Covid-19 e 354 casos da doença, até ontem.

A SES, porém, no boletim da mesma data, registra apenas 6 mortes provadas pelo novo coronavírus e 258 casos positivos da doença.

Em meio a reabertura do comércio, MA regista 1,5 mil novos casos de Covid-19
Cotidiano

Estado tem 18.767 casos confirmados e 722 óbitos no total, em decorrência do novo coronavírus

Em meio a decisão do governador Flávio Dino (PCdoB) de autorizar, sem apresentar qualquer estudo ou indicador científico, a reabertura gradual do comércio em todo o estado, o Maranhão bateu o maior recorde de novos casos confirmados de Covid-19 em apenas 24 horas.

Segundo boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado da Saúde), até as 21 horas dessa sexta-feira 22, foram registrados 1.556 novos casos em apenas um dia. O recorde anterior era de 1.153, da quinta-feira 21.

Com o aumento, o total de pessoas diagnosticadas com a doença no estado subiu para 18.767. Destes, 14.156 ainda permanecem em tratamento, sendo 12.646 em isolamento domiciliar, 1.060 internados em leito de enfermaria e 450 em UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) —maior parte na rede pública estadual de saúde.

O Maranhão é o sétimo estado com mais casos de Covid-19 no Brasil.

De acordo com a pasta, houve registro de 29 novos óbitos, contabilizado o total de 722 mortes em decorrência da doença.

Contudo, nenhum dos novos óbitos registrados no boletim mais recente da SES ocorreu nas últimas 24 horas, apesar do registro somente agora, mas em dias posteriores.

Do total de infectados, 3.889 pessoas foram declaradas recuperadas.

Coronavírus se espalha pelo interior e atinge 39 novas cidades do MA em 10 dias
Cotidiano

Salto mostra que a pandemia tem ganhado território de maneira acelerada pelo interior maranhense

Análise do ATUAL7 no avanço do novo coronavírus no Maranhão mostra que a pandemia chegou a 39 novas cidades em apenas 10 dias. O levantamento foi feito com base no boletim epidemiológico da SES (Secretaria de Estado da Saúde), entre os dias 11 e 21 de maio.

Segundo os dados, no último dia 11, incluindo a Aglomeração Urbana de São Luís, o Maranhão registrava 163 municípios com casos confirmados de Covid-19. Até as 21 horas de ontem, porém, esse número subiu para 202 municípios afetados.

Em número de casos e de óbitos durante o período, contabilizando apenas os registrados nos municípios do interior, subiu de 3.123 pessoas diagnosticas e 64 mortes em decorrência da doença, para 9.597 e 168, respectivamente.

O salto mostra que o novo coronavírus tem ganhado território de maneira acelerada pelo interior maranhense. Em algumas cidades o aumento do número de casos confirmados de Covid-19 ultrapassou 100% no período, e surgiram os primeiros óbitos, o que sugere que elas próprias já viraram foco de contaminação.

É o caso de Açailândia, que em 10 dias viu a quantidade de pessoas infectadas saltar de 76 para 187, e registrou duas mortes em decorrência da doença.

No município, em parceria com o Estado e a prefeitura, a Vale abriu um hospital de campanha para atendimento exclusivo de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Ao todo, são 60 leitos, sendo 53 clínicos e sete de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). A estrutura dará apoio aos municípios da Região Tocantina. A empresa também disponibilizou duas ambulâncias de plantão, ambas equipadas com estrutura de UTI.

Outro município que também passou a ser mais afetado pela pandemia, segundo o período do levantamento, foi Chapadinha. Até o dia 11, a cidade registrava 178 casos positivos. Segundo o monitoramento da SES divulgado ontem, a quantidade de pessoas contaminados aumentou para 521, com nenhum óbito registrado até o momento.

Bacabal, possivelmente, também já se tornou foco de contaminação. No dia 11, a cidade registrava 67 casos positivos e 1 óbito, segundo a SES. Ontem, dados da Secretaria de Saúde do Maranhão apontam que subiu a quantidade de pessoas infectadas, para 177.

Apesar da rápida propagação do vírus pelo interior e da queda no índice de isolamento social, na última quarta-feira 20, o governador Flávio Dino (PCdoB) editou decreto, com vigência a partir da próxima semana, autorizando a reabertura experimental do comércio e serviço não essencial em todo o estado. A retomada será gradual, com previsão de liberação total em até 45 dias, inclusive de escolas.

Como a realidade da rede pública de saúde dos municípios maranhenses não suporta ser submetida a experiências, com base em decisão recente do STF (Supremo Tribunal Federal), o próprio decreto estadual prevê que os prefeitos poderão editar medidas restritivas mais rígidas para a respectiva localidade. A Famem (Federação dos Municípios do Estado do Maranhão) tem orientado os gestores a respeito.

Prefeitos poderão adotar medidas mais rígidas que Dino, orienta Famem
Economia

Novo decreto editado pelo governador do Maranhão ressalta autoridade dos gestores municipais no combate ao novo coronavírus, conforme decisão do STF

Editado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) na última quarta-feira 20, com vigência a partir da próxima semana, o decreto estadual que autorizou a reabertura do comércio e serviço não essencial em todo o estado não tira dos prefeitos maranhenses a autoridade para, dependendo dos indicadores epidemiológicos e da oferta de serviços de saúde local, determinar medidas restritivas mais duras nos respectivos municípios.

A orientação é da Famem (Federação dos Municípios do Estado do Maranhão).

Segundo o decretado estadual, conforme decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), os gestores municipais poderão, inclusive, editar em decreto próprio até mesmo o chamado lockdown (bloqueio total das atividades econômicas não essenciais e restrição de circulação de pessoas), se for necessário para o enfrentamento à pandemia.

“Cabe também aos prefeitos autorizar o funcionamento de atividades comerciais e de serviços, desde que observadas as exigências do uso obrigatório de máscaras em locais públicos ou privados; distanciamento social; escala de revezamento de funcionários entre outras medidas já previstas pelo Decreto 35.746, de 20 de abril de 2020”, destaca a entidade.

A Famem orienta, ainda, que os gestores dos municípios poderão adotar barreiras sanitárias e restringir a circulação de veículos em rodovias estaduais, sendo neste caso exigido a comunicação por escrito à Casa Civil do Governo do Maranhão. O prefeito poderá solicitar apoio da SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) para assegurar o cumprimento das medidas.

O decreto estadual prevê também que as prefeituras poderão pedir a análise técnica dos dados da sua cidade dispostos por infectologistas da SES (Secretaria de Estado da Saúde), bem como apoio dos membros da Fesma (Força Estadual de Saúde do Maranhão), se assim for necessário no caso de haver suspeitos de contaminação por Covid-19.

“No caso de saturação dos serviços municipais ou regionais de saúde no âmbito da responsabilidade do estado, poderão haver medidas restritivas adicionais nos municípios ou região de planejamento”, ressalta a Famem.

Othelino descarta retorno das atividades presenciais na Alema: ‘Ainda sem data’
Política

Mesmo com a flexibilização do isolamento social autorizada por Flávio Dino, por prevenção, deputados ainda permanecerão realizando sessões virtuais

O presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Othelino Neto (PCdoB), descartou, na manhã desta quinta-feira 21, que as atividades da Casa possam se normalizar mesmo após a flexibilização do isolamento social em todo o estado, a partir da próxima segunda-feira 25, com a retomada gradual das atividades econômicas e sociais por autorização do governador Flávio Dino (PCdoB).

Desde o final de março, os trabalhos presenciais da Alema estão suspensos, como medida de prevenção contra o novo coronavírus, que já infectou mais de 16 mil e matou mais de 600 pessoas no Maranhão, principalmente em São Luís, epicentro da pandemia no estado. Apenas os serviços considerados essenciais, com regimes de rodízio e redução de expediente, permanecem funcionando presencialmente. As sessões legislativas e votações têm sido realizadas remotamente, pela internet.

“Estamos planejando como faremos a volta. Mas ainda sem data. Vou esperar até o dia 30.05 para decidir”, disse o parlamentar ao ATUAL7, em conversa pelo WhatsApp.

Segundo Othelino, por precaução, já está decidido que o retorno presencial será gradual, com várias restrições, tanto para deputados quanto para servidores da Casa.

“Os deputados do grupo de risco terão as presenças liberadas. Ou seja, caso não participem, não pegarão falta. [Continua] valendo a suspensão do expediente presencial. Grupo de risco em casa e frequentam a AL apenas os servidores cuja atividade seja imprescindível e em sistema de rodízio”, assegurou.

“A Assembleia está reunindo remotamente. Ou seja, no essencial, está cumprindo seu papel de legislar. Mas precisa deixar claro que a regra é o máximo distanciamento social possível, tal qual recomendam a OMS e a SES. Nós estamos nos organizando para voltar. Mas no cenário de pandemia, a observância de cada dia é fundamental para a tomada de decisões”, completou o deputado.

Sobre a decisão de Flávio Dino, de editar novo decreto autorizando a reabertura do comércio mesmo com o aumento de casos de Covid-19 e queda no isolamento social, Othelino Neto considerou que, embora seja uma situação delicada, o governador acertou na medida.

“As decisões quanto à liberação do comércio são difíceis. Não há uma fórmula ótima. Mas considero que a decisão do Executivo está correta, por liberar de forma gradual, levando em conta o tipo de atividade, e com rigorosas exigências sanitárias”, argumentou o presidente da Alema.

Dino ignora avanço do coronavírus e anuncia reabertura do comércio no Maranhão
Economia

Decreto estabelece retorno gradual de seguimentos econômicos e sociais não essenciais em todo o estado, a partir do próximo dia 25

Apesar do bom marketing no uso das palavras, sem apontar qualquer estudo científico que respalde seu direcionamento, o governador Flávio Dino (PCdoB) decidiu ignorar o avanço da pandemia do novo coronavírus no Maranhão e anunciou, nesta quarta-feira 20, a reabertura do comércio e serviços não essenciais em todo estado.

Segundo o novo decreto, anunciado por Dino sem a presença da imprensa, para evitar questionamentos, o retorno será gradual, a partir da próxima segunda 25. Até lá, permanecem valendo as regras flexíveis, já flexíveis para parte das atividades econômicas.

“Nós teremos manutenção das regras vigentes até o próximo domingo. A partir do dia 25 de maio, nós vamos iniciar um processo gradual, com segurança, com a observância de normas sanitárias, de liberação das atividades econômicas”, declarou o governador.

Embora, como mostrou mais cedo o ATUAL7, o índice de isolamento social no Maranhão esteja consideravelmente despencando desde o início desta semana, a previsão do comunista é que a reabertura gradual da economia se estenda por até 45 dias, quando todos os serviços não essenciais estariam em funcionamento pleno.

De acordo com as regras do novo decreto, a partir da próxima semana, poderão ser reabertas, exclusivamente, pequenas empresas familiares em qualquer cidade maranhense, ou seja, locais em que trabalham somente o proprietário e pessoas do seu grupo familiar, com exceção daquelas em shoppings.

Os comerciantes deverão seguir os protocolos de sanitárias e de higiene já adotados em todo o mundo por orientação da OMS (Organização Mundial de Saúde), como uso obrigatório de máscaras, limpeza com álcool gel 70% e distanciamento social.

Outros seguimentos econômicos e sociais, ainda não definidos, deverão ser liberados para reabertura já a partir de 1º de junho próximo.

Isolamento social despenca no Maranhão em meio a decreto pela reabertura do comércio
Cotidiano

Queda vem ocorrendo desde o fim do lockdown. Esta terça-feira 19 teve o pior índice desde o registrado no dia 2

O isolamento social vem despencando no Maranhão em meio ao anúncio do governador Flávio Dino (PCdoB) de edição de novo decreto, a ser assinado ainda nesta quarta-feira 20, pela reabertura do comércio e de serviços não essenciais —apesar do aumento da curva de casos e de óbitos por Covid-19 em todo estado.

É o que apontam dados da empresa InLoco.

Com tecnologia 30 vezes mais precisa que a do GPS, o índice foi utilizado pelo próprio governo Dino —segundo informou no Twitter o secretário estadual de Saúde, Carlos Lula, ao jornalista Gilberto Léda— para medir o percentual da população que estava respeitando o decreto de lockdown e do rodízio na Aglomeração Urbana de São Luís, ocorrido entre os dias 4 e 17 de maio.

De acordo com o mapa de isolamento da InLoco, desde o término da restrição na capital e outros três municípios da Região da Ilha do Maranhão, quando voltaram a valer medidas menos brandas da gestão estadual, com flexibilização a diversos setores do comércio após forte lobby de empresários, a população voltou às ruas.

Em comparação entre o 1º dia de maio até esta terça-feira 19, ontem foi registrado o segundo pior índice de isolamento social, de 42,3%. A maior queda, neste período, foi registrada no dia 2, quando apenas 42,9% da população permaneceu em isolamento, segundo os dados da InLoco.

Segundo o monitoramento da empresa de tecnologia, o maior índice de isolamento social ocorreu no domingo 17, último dia do lockdown, com taxa de 53,6%. Na segunda 18, porém, caiu para 44,2%, dia em que foi registrada e compartilhada nas redes sociais a foto em destaque, na Rua Grande, principal centro comercial da capital.

Nas redes sociais e em coletivas de imprensa, Dino tem declarado, unicamente, se basear na taxa de letalidade (percentual de pacientes com Covid-19 que evoluem para óbito em decorrência da doença) para tomada de decisões sobre as medidas restritivas de enfrentamento ao novo coronavírus.

Contudo, conforme vem mostrando o ATUAL7, além de não possuir respaldo científico, aparentemente, as decisões do governador do Maranhão ignoram diversas outras variáveis importantes no enfrentamento à pandemia, como a taxa de mortalidade (chance de uma pessoa sem a doença vir a tê-la e, em seguida, morrer); a quantidade de pessoas dos grupos de risco que moram nos municípios maranhenses já afetadas pelo novo coronavírus; e o índice de isolamento social.

Mesmo com comitê, Dino contrata comissão científica e ignora parecer-técnico sobre Covid-19
Cotidiano

Governo está dispensando recursos públicos com equipe privada de especialistas que a própria SES não segue a orientação

Apesar do aumento descontrolado de casos positivos e de óbitos por Covid-19 na Aglomeração Urbana de São Luís e no interior do Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem anunciado que deve editar, nesta quarta-feira 20, decreto autorizando a reabertura do comércio e serviços não essenciais na próxima semana, a partir do dia 25.

Além da já marcante falta de transparência e do achismo em vez da ciência na tomada de decisões para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, agora há também indícios de malversação de recursos públicos.

Embora tenha montado o Comitê Científico de Prevenção e Combate ao Coronavírus no Maranhão para auxílio na tomada de decisões para o achatamento da curva de contaminação pela doença, a gestão estadual contratou emergencialmente a empresa Guri Serviços Médicos Ltda., de São Luís, conhecida no mercado como Virion Infectologia, para realização do mesmo tipo de serviço.

Foram dois contratos, um de R$ 300 mil e outro de R$ 60 mil, ambos fechados no mês passado, por dispensa de licitação, pela Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (Emserh), que atua como braço da SES (Secretaria de Estado da Saúde) no gerenciamento das unidades pertencentes à rede pública estadual de saúde. A vigência vai até outubro próximo.

Além do dispêndio na prestação de serviço já existente na administração pública —pelo menos em tese, já que não houve a publicização de qualquer estudo produzido pelo próprio comitê científico, desde o início da pandemia—, o governo Dino está pagando por orientação científica que ele próprio decide não seguir.

Conforme mostrou o ATUAL7, na última segunda-feira 18, um dia depois da SES haver tornado público que mudou o protocolo de atendimento para passar distribuir um kit com cloroquina e hidroxicloroquina para pacientes com sintomas leves da Covid-19, seis especialistas da Virion Infectologia apresentaram um parecer-técnico com orientações contrárias à essa nova diretriz.

“A indicação indiscriminada de CQ/HCQ para todos os casos de Covid-19, acarretaria uso massivo da droga na população. Ao incluir todos os casos leves, considerando que a grande maioria não evolui para gravidade, os riscos da droga podem sobrepujar os já incertos benefícios. Por não ser inócua, salienta-se os riscos (em especial, arritmia grave) que podem ocorrer em uma população com perfil de riscos distinto daquelas que são tratadas com a mesma droga para outras condições – idade avançada, doenças cardiovasculares e uso concomitante de outras drogas que aumentam intervalo QT (p.ex. azitromicina) e estado grave/crítico. Portanto, não se pode extrapolar a experiência de uso limitada a determinadas condições patológicas para a nova população. Além disso, uma eventual indicação precoce de CQ/HCQ enseja uma ainda maior necessidade de realização de testes confirmatórios. De outro modo, haverá prescrição irracional para condições outras que não Covid-19, dada a inespecificidade de muitos dos sintomas, expondo populações a efeitos colaterais sem indicação”, diz trecho do documento.

Respaldada em estudos científicos, após alertar sobre a ineficácia da droga no tratamento da Covid-19, a terceirizada posicionou-se contra o kit com cloroquina e hidroxicloroquina e enfatizou a necessidade das medidas restritivas de distanciamento social —contrariando a decisão de Flávio Dino pela liberação do comércio e serviços não essenciais em meio ao crescimento da curva de contaminação, mesmo após o decreto de lockdown a mando da Justiça em São Luís e outros três municípios da Região da Ilha do Maranhão.

“Nos posicionamos contra a elaboração de ‘kits’ de tratamento para Covid-19, sob pena de causar a impressão para médicos e usuários de que há um tratamento de eficácia comprovada, ou mesmo uma cura, desencadeando uma corrida às unidades de saúde”, ressaltam os especialistas em infectologia, em um dos trechos do parecer técnico apresentado à SES.

No final da tarde dessa terça-feira 19, o ATUAL7 entrou em contato com um dos responsáveis pela Virion Infectologia, Eudes Simões. Ele confirmou os serviços de consultoria científica no enfrentamento ao Covid-19, e que o novo protocolo adotado pela SES não partiu de estudos da empresa.

“Fizemos uma revisão sistemática da literatura, sobre as recomendações que existem das entidades nacionais e internacionais, e fizemos um parecer técnico, em nossa consultoria ao Estado. São seis infectologistas, ajudando o Estado a tomar decisões e organizar as atividades. Muitos dos protocolos [adotados pela SES] são do nosso grupo de Infectologia, mas esse [protocolo de distribuição de cloroquina/hidroxicloroquina para casos leves] não foi nosso”, disse.

Eudes Simões afirmou ainda que, até aquele momento, não havia recebido qualquer retorno sobre o parecer-técnico emitido pelos especialistas da Virion, e que foi surpreendido com a adoção do kit sem respaldo científico adotado pelo Governo do Maranhão.

“Só ficamos sabendo também nesse dia”, disse, referido-se ao domingo 17, data em que a agência de notícias do governo informou oficialmente sobre a distribuição do kit ter sido iniciada desde o dia 12.

Procurado, também ontem, para se posicionar sobre o parecer-técnico da equipe de especialistas que assessora a SES no combate ao novo coronavírus, o governo Flávio Dino não retornou o contato até o momento.

Integram Comitê Científico de Prevenção e Combate ao Coronavírus no Maranhão, segundo o governo estadual, os médicos Rodrigo Lopes (oncologista), Giselle Boumann (infectologista), Conceição Pedroso (infectologista), Edilson Medeiros (intensivista) e Marcos Pacheco (sanitarista). A coordenação é feita pelo secretário estadual de Saúde, Carlos Lula (advogado eleitoral), e a subsecretária estadual de Saúde, Karla Trindade (enfermeira).

A Virion Infectologia tem como sócios, segundo a Receita Federal, Raquel Melo Vieira Simões, Eudes Alves Simões Neto e Matheus Melo Lima. Os especialistas da empresa que assessoram a SES sobre a Covid-19 são: Ana Cristina Rodrigues Saldanha, Bernardo Bastos Wittlin, Elza Carolina Cruz Sousa Barros, Eudes Alves Simões Neto, Mônica Elinor Alves Gama e Conceição de Maria Pedrozo e Silva de Azevedo. Apenas esta última também integra o Comitê Científico do Estado.