Amovelar admite que comanda prefeitura e que filho é “sem experiência”
Política

Amovelar admite que comanda prefeitura e que filho é “sem experiência”

Ficha-suja, ex-prefeito petista não poderia estar a frente dos cofres do município de Coroatá

O ex-prefeito de Coroatá, Luis Mendes Ferreira, o Luis da Amovelar (PT), admitiu em entrevista à revista Época, publicada na edição desta semana, que quem de fato comanda os cofres públicos do município é ele próprio, e não o prefeito eleito pela população, Luis Mendes Ferreira Filho, o Luis da Amovelar Filho (PT), de quem é pai. “Eu fico à frente (da prefeitura) porque ele é muito jovem e sem experiência”, declarou à jornalista Amanda Almeida, que assina a reportagem.

Ficha-suja, Amovelar mandou oficialmente em Coroatá entre 2005 e 2012, até ser derrotado pelos Murad, que também tem a cidade como reduto político, e deixar a prefeitura sob uma série de processos, inclusive o que o condenou por desvio de verbas e o tornou inelegível. Por conta da condenação, ele não poderia estar no controle da administração pública municipal, como confessou possuir à revista.

No início deste mês, Amovelar Filho, prefeito de direito, e o vice-prefeito Domingos Alberto (PSB), que parece ser tão decorativo quando o prefeito-eleito, foram declarações inelegíveis por oito anos e tiveram seus mandatos cassados pela juíza Anelise Nogueira Reginato, de primeira instância, por abuso de poder econômico, político e administrativo.

Foi Amover pai, inclusive, segundo revelou o próprio à revista, quem recebeu uma preocupada ligação do Palácio dos Leões, sede do Poder Executivo estadual, quando a decisão de Reginato se tornou pública. “‘Luis, o que está acontecendo em Coroatá? Seu filho está cassado?’”, contou.

De acordo com a sentença, Amovelar Filho e Domingos Alberto teriam sido beneficiados pelos cofres do Governo do Maranhão, por meio do programa Mais Asfalto, usado de forma eleitoreira para eleger os aliados do governador Flávio Dino (PCdoB). O comunista e o seu chefe-correligionário e então secretário de Comunicação e Assuntos Políticos, Márcio Jerry Barroso, também foram declarados inelegíveis pelas próximas duas eleições, a contar de 2016, quando ocorreu o crime eleitoral.

Apesar da condenação, a dupla eleita de Coroatá segue no comando decorativo da prefeitura e Amovelar pai no comando de fato da administração, à espera do julgamento de recursos contra a sentença de Reginato — assim como Dino e Jerry, que podem concorrer nas eleições de 2018, mas sob o risco de terem os eventuais mandatos cassados, em caso de vitória nas urnas.

Sobre a condenação em primeira instância, todos alegam inocência e se dizem perseguidos politicamente pelos Sarneys.



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