Abdon Murad Júnior
Justiça manda Abdon Murad Jr. entregar passaporte e usar tornozeleira eletrônica
Cotidiano

Médico também está proibido de se ausentar de São Luís

A Justiça do Maranhão proferiu decisão determinando a entrega do passaporte e uso de tornozeleira eletrônica pelo médico Abdon José Murad Junior, 38, um dos cirurgiões bariátricos mais conceituados do estado. Ele também está proibido de se ausentar de São Luís.

Proferida pelo juiz Francisco Ferreira Lima, da Central de Inquéritos, na última quarta-feira 17, a decisão atende a pedido da Polícia Civil, por intermédio da SPCC (Superintendência de Polícia Civil da Capital), no bojo do inquérito criminal que apura os crimes de estelionato e contra a economia popular.

Segundo as investigações da Delegacia Especializada de Defraudações e do 4⁰ DP do Vinhais, o médico encabeçaria suposta pirâmide financeira responsável por captar recursos milionários de terceiros sob o pretexto de investir no mercado de capitais.

A Polícia Federal e o MPF (Ministério Público Federal) também investigam o suposto esquema, que teria movimentado mais de R$ 300 milhões e prometia até 15% ao mês de lucro sobre o aporte financeiro. Como os casos correm em segredo de Justiça, os órgãos não repassaram estimativa de prejuízo, número de possíveis vítimas ou outros dados.

Além de megaempresários, a suposta fraude teria a participação de agiotas, promotores, juízes e desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão. A CGJ (Corregedoria-Geral de Justiça) também apura o caso, em relação aos magistrados de primeira instância, por meio de sindicância instaurada no final do ano passado.

Suspeitos de comandar pirâmide financeira vão depor nesta terça em sindicância
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Procedimento foi instaurado pelo corregedor-geral de Justiça, desembargador Marcelo Carvalho. Delegacia de Defraudações também investiga o caso

Está marcada para esta terça-feira 29, no Fórum Desembargador Sarney Costa, a oitiva do médico Abdon Murad Júnior, proprietário da Abdon Murad Júnior Participações e Empreendimentos Imobiliários e do fundo AMJ Participações, e Pedro Henrique Souza de Sampaio, dono da PH Participações e Serviços, em sindicância instaurada no âmbito da CGJ (Corregedoria-Geral de Justiça), há cerca de duas semanas.

Suspeitos de comandar esquema milionário de pirâmide financeira no Maranhão, eles vão responder sobre a suposta participação de juízes de primeira instância na pirâmide, também investigada em apuração já avançada na Polícia Civil, por meio da Delegacia de Defraudações.

A tomada dos depoimentos foi determinada pelo corregedor-geral de Justiça, desembargador Marcelo Carvalho, após publicação no blog do Neto Ferreira relatar que o proprietário da PH Participações e Serviços afirmou em inquérito policial que os juízes —além de promotores e desembargadores— teriam investido no suposto esquema criado por Abdon Marinho Júnior.

De acordo com a portaria de instauração da sindicância, os suspeitos serão ouvidos na sala da CGJ que fica no Fórum, a partir das 16 horas, pelo próprio Marcelo Carvalho ou pelo juiz auxiliar Raimundo Moraes Bogéa.

O presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Joaquim Figueiredo; o procurador-geral de Justiça, Luiz Gonzaga Martins Coelho; e o procurador-geral da República, Augusto Aras, foram notificados a respeito da abertura da sindicância, prevista para ser concluída até o início da segunda quinzena de dezembro deste ano.