Dia das Mães
Mãe de autista cria grupo de apoio para mães
Maranhão

Após descobrir que filho era autista, Luise Winkler constatou falta de informações e tratamentos em São Luís e se uniu a outras mães para buscar apoio

Por Adriano Martins Costa/O Estado

Quando Luise Winkler Mattos, hoje com 38 anos, descobriu, há cerca de cinco anos, que o filho, Robert Yudi, então com 2 anos de idade, tinha problemas de relacionamento e fala, sentiu como se o chão dela sumisse. O garoto foi diagnosticado dentro do espectro autista, síndrome que afeta o sistema nervoso e pode ocasionar diversos problemas, entre os mais comuns a dificuldade de comunicação e de interação social, o comportamento repetitivo e o interesse obsessivo por certas ações ou objetos. “Eu não sabia se o meu filho iria ser um gênio ou alguém que iria se tornar completamente dependente de mim”, relata Luise.

Luíse é casada. Além do Yudi, teve mais uma filha, a Vivian, hoje com cinco anos e que não é autista, mas que participa das terapias junto com o irmão e o ajuda no crescimento e na aprendizagem, principalmente no significado de compartilhar. Além disso, é empresária. “Os filhos são espelhos daquilo que a gente é capaz de fazer. E hoje eu sou uma pessoa mais paciente, criativa, sensível”.

Apoio

A maior dificuldade dela veio depois que foi lhe dado o diagnóstico, já que não existiam profissionais especializados na doença em São Luís, ou seja, ela não tinha como ajudar o filho com os recursos existentes na cidade. O autismo não tem cura, e somente o diagnóstico precoce, bem como terapias comportamentais, educacionais e familiares, podem reduzir os sintomas e fornecer base para o desenvolvimento e o aprendizado. Daí, dá para se perceber o desespero de uma mãe que não tinha perspectivas de ver um filho crescer saudável.

Ela simplesmente não se aquietou. O instinto materno falou mais alto e a empresária embarcou de vez no mundo do autismo. Estudou, pesquisou, encontrou profissionais em outros estados, levou o filho para se consultar, trouxe profissionais de fora. Ela simplesmente não aceitou que seu filho deveria ficar como era. “Eu não conseguia ter outra vida além daquilo, eu era uma pessoa que antes vivia para o trabalho e diversão e de repente eu vi uma pessoa completamente dependente daquilo que eu tinha que aprender”, argumenta.

E esse aprendizado lhe rendeu uma mudança completa de vida. Inclusive em seu serviço, que ela passou a fazer em apenas metade do tempo que dispunha antes. Ou ainda no trato com os outros familiares.

Preconceito

Com as dificuldades encontradas para cuidar do filho, Luise acabou por se relacionar com outras mães que passavam pelos mesmos problemas, daí que elas resolveram fundar um grupo para se ajudar e auxiliar outras pessoas: o Ilha Azul.

Além de orientações sobre profissionais e dicas para o tratamento, uma das principais funções do grupo é dizer para as mães que elas podem ter uma vida normal e seus filhos podem realizar ações e participar de qualquer coisa que uma criança sem a síndrome faria. “As mães não podem ter vergonha de sair com os filhos e eles terem uma crise. Se você perder a oportunidade de trabalhar com seus filhos nessas situações, ele pode ficar cada vez pior”, explica Luise.

E olha que de crise e preconceito ela entende. Foram várias as situações em que o Yudi teve crises disruptivas e ela foi alvo de olhares e críticas preconceituosas, como se fosse uma “mãe ruim”. Uma vez, por exemplo, eles estavam em um shopping center e o menino passou a querer subir e descer as escadas rolantes repetidamente. Num certo ponto, ela já não aguentava mais o pique da criança, e disse a ele que deveria parar. Yudi começou a chorar e a gritar. Luise iniciou o procedimento correto para acalmá-lo. Nisso, uma mulher, que ela não conhecia, chegou perto e começou a brigar com ela. Dizia que Luise estava maltratando o filho, e que ela não sabia como cuidar dele. Apesar dos argumentos contrários, a desconhecida não se conteve e seguiu em sua torrente de palavras acusatórias.

“O mais triste para mãe é o preconceito que ela sofre, a discriminação e o julgamento. As pessoas julgam a sua vida sem nem saber o que você passa diariamente”, lamenta.

Ilha Azul

O Grupo Ilha Azul surgiu em 2012 e agora em maio vai realizar sua 3ª Jornada Internacional de Autismo, que vai trazer especialistas nacionais e internacionais para atualizar os profissionais locais e discutir mais sobre a doença. O nome Ilha Azul faz uma referência a São Luís e ao fato do autista buscar o isolamento por não entender as relações sociais. Azul é porque a incidência da doença é quatro vezes maior em menino que em menina.

Protesto contra a “Maternidade da Morte” marca véspera do Dia das Mães em Caxias
Política

Quase 200 crianças morreram na Maternidade Carmosina Coutinho, em Caxias, só em 2014. Outras 20 nasceram, mas ficaram cegas

Dezenas de cruzes espalhadas pela Praça da Matriz, no município de Caxias, foi a maneira encontrada pelas mães de quase 200 crianças mortas em 2014 na Maternidade Carmosina Coutinho, a “Maternidade da Morte”, como forma de protesto contra um dos piores casos de descasos com a saúde pública no Maranhão.

Latinhas de leite com cruzes são expostas em memória dos bebês mortos na "Maternidade da Morte"
Amadeus Jr/Facebook Dor e Revolta Latinhas de leite com cruzes são expostas em memória dos bebês mortos na "Maternidade da Morte"

Além das cruzes, que foram fixadas em latas de leite vazias, o protesto foi acompanhado de faixas que carregavam a dor de uma frase chocante: "Quase 200 mães não poderão comemorar o seu dia".

Pertencente à oligarquia Coutinho, a "Maternidade da Morte" passou a abocanhar toda a verba pública para o setor após uma manobra do ex-prefeito da cidade, Humberto Coutinho, do PDT, hoje presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão e tio do atual prefeito, Leonardo Barroso Coutinho, o Léo, PSB.

Apesar de reportagens nacionais da Band e da Record noticiarem em rede nacional e internacional que, além das mortes de quase 200 bebês, outras 20 que conseguiram nascer ficaram cegas, as autoridades locais tem permanecido em silêncio, como forma de não se indispor com o presidente da AL, acusado pelo Ministério Público de ser um dos responsáveis diretos pelas mortes dos bebês: R$ 523.479,19 enviados pelo SUS para a aquisição de equipamentos para implantação de uma UTI Pediátrica na maternidade da cidade foram escamoteados por ele. Na época do desvio, houve 234 óbitos na maternidade, sendo 145 nenonatal, 87 fetal e dois materno.

Do total de 42 deputados estaduais abrigados no Palácio Manuel Beckman, apenas três (Wellington do Curso, Andrea Murad e Zé Inácio) se manifestaram, até então, sobre o matadouro de crianças em Caxias, e prometeram voltar ao assunto após uma visita in loco.

Na Câmara Federal, a falta de sensibilidade e de responsabilidade com a dignidade humana é ainda maior: nenhum dos 18 parlamentares insinuou qualquer discurso ou reação.

Já no governo estadual, comandado pelo comunista Flávio Dino, do PCdoB, diante do discurso de mudança e de libertação que o levou ao comando do Palácio dos Leões, o silêncio sepulcral chega a causar ânsia e vergonha.

Afilhado político histórico de Humberto Coutinho, a quem define como copiloto de seu governo, Dino engoliu uma dor semelhante e recente a sofrida pelas mães de Caxias e escondeu o coração e os dedos. Usuário ativo das redes sociais para criticar os descasos provocados pelo clã Sarney e seus aliados, o comunista tem feito de conta que nada aconteceu, que em Caxias crianças não morreram, não morrem, e que o prefeito Léo Coutinho é um dos melhores do país.

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