Pobreza Extrema
Agora aliado, Dino não culpa mais Sarney por MA liderar ranking de extrema pobreza
Política

Diferentemente do que aconteceu em anos anteriores, governador segue sem se manifestar publicamente sobre dados divulgados pelo IBGE. Discurso contra corrupção também deixou de ser usado

Quase duas semanas após o IBGE (Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística) divulgar estudo apontando que o Maranhão permanece como o estado do país com a maior quantidade de pessoas com rendimento abaixo da linha da pobreza e da extrema pobreza, o governador Flávio Dino (PCdoB) até o momento não se manifestou publicamente sobre o assunto.

De acordo com os dados do SIS (Síntese de Indicadores Sociais) referentes ao ano passado, 20% da população maranhense está vivendo em situação de extrema pobreza, com rendimento domiciliar de apenas R$ 145 por mês, e 53,0% da população abaixo da linha da pobreza, com renda mensal per capta de R$ 420.

A linha é definida pelo Banco Mundial —que é a métrica adotada pelo IBGE—, que considera em pobreza extrema aqueles que vivem com até US$ 1,90 por dia, ou seja, o equivalente a R$ 145 por mês. Por outro lado, são considerados pobres aqueles que tem o PPC (paridade do poder de compra) menor que US$ 5,50 por dia, o que equivale a R$ 420 por mês.

Procurado pelo ATUAL7 desde o último dia 7 para se posicionar sobre a proporção de pessoas vivendo em condição de pobreza e extrema pobreza no estado, o Gabinete de Flávio Dino ainda não respondeu o contato. A mesma solicitação foi feita à comunicação do Governo do Maranhão, que também não retornou.

Embora não se possa afirmar categoricamente, o silêncio pode estar relacionado ao novo momento político vivido pelo comunista.

Diferentemente do que aconteceu em anos anteriores, quando ainda era oposição e durante todo o primeiro mandato à frente do Palácio dos Leões, Dino não pode mais utilizar o batido discurso de meio século de herança maldita e nem culpar o ex-presidente José Sarney (MDB) pela miséria no estado. Por iniciativa do próprio governador, que precisa da benção do emedebista para se manter no jogo político e disputar a eleição presidencial contra Jair Bolsonaro (PSL) em 2022, ele agora é aliado do ex-desafeto.

Com a aliança, divulgada pelo próprio Flávio Dino nas redes sociais, em vez de continuar sendo eternamente culpado pela pobreza e extrema pobreza no Maranhão, Sarney se tornou “liderança política importante”, com “larga experiência” e que pode “proteger a Constituição e a democracia”.

O discurso de que a miséria no estado ocorre em razão da alta corrupção dos agentes do Poder também não cairia bem. No Palácio dos Leões desde 2015, tendo inclusive criado a STC (Secretaria de Estado da Transparência e Controle) exatamente para combater essa praga, agora é a própria gestão comunista quem se vê na mira de força-tarefa formada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, CGU (Controladoria-Geral da União) e Receita Federal, sob acusação de fraude e desvio de dinheiro público.

Flávio Dino, como se percebe, não está ignorando a realidade do Maranhão sob sua gestão, já que até deve ter o que dizer sobre os dados do IBGE relativos à pobreza e extrema pobreza no estado. Contudo, parece não poder responder.

Sob Dino, Maranhão segue liderando ranking de pobreza e extrema pobreza
Economia

Levantamento do IBGE aponta que 20% dos maranhenses vivem com menos de R$ 145 por mês, e 53,0% com até R$ 420

Levantamento divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística) aponta que o Maranhão, sob o governo de Flávio Dino (PCdoB) desde janeiro de 2015, segue como o estado do país com a maior quantidade de pessoas com rendimento abaixo da linha da pobreza e da extrema pobreza.

Os dados são SIS (Síntese de Indicadores Sociais), referentes ao ano de 2018, divulgados nesta quarta-feira 6.

Segundo os números, no ano passado, o país ainda tinha 13,5 milhões de pessoas em extrema pobreza, com o Maranhão permanecendo na liderança do ranking. O estudo aponta, ainda, que a pobreza atinge sobretudo a população preta ou parda.

No estado, diz o IBGE, o rendimento domiciliar de 20% da população maranhense é de apenas R$ 145 por mês, e 53,0% da população possui renda mensal per capta de R$ 420.

A linha é definida pelo Banco Mundial —que é a métrica adotada pelo IBGE—, que considera em pobreza extrema aqueles que vivem com até US$ 1,90 por dia, ou seja, o equivalente a R$ 145 por mês. Por outro lado, são considerados pobres aqueles que tem o PPC (paridade do poder de compra) menor que US$ 5,50 por dia, o que equivale a R$ 420 por mês.

Na campanha eleitoral de 2018, durante entrevista à TV Mirante, o governador Flávio Dino foi questionado sobre a situação calamitosa vivida pelos maranhenses, completamente contrária ao prometido por ele ainda na primeira disputa pelo Palácio dos Leões, quando derrotou a família Sarney apresentando-se ao eleitorado como uma mudança na política e na forma de governar.

Como resposta, porém, Dino afirmou que jamais garantiu que tiraria o Maranhão da pobreza extrema. “Eu não prometi esse absurdo, que seria obviamente algo inviável, algo inalcançável”, disse.

Primeiro governo Dino termina com MA liderando ranking de pobreza extrema
Política

Levantamento do IBGE aponta que, apenas em 2016, mais de 312 mil famílias maranhenses voltaram à condição de miseráveis

A realidade do Maranhão passou longe dos discursos em palanques e das declarações dadas pelo governador Flávio Dino (PCdoB), durante os horários da propaganda eleitoral de 2014. O primeiro governo do comunista foi também diferente daquele prometido da sacada do Palácio dos Leões para uma multidão esperançosa em 1º de janeiro de 2015, no dia da posse.

Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) referentes ao ano passado, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística (IBGE) neste mês, o Maranhão possui o maior número de famílias vivendo em situação de pobreza extrema, permanecendo na liderança do ranking nacional. Os dados referentes a 2018 serão divulgados no próximo ano.

De acordo com o levantamento mais recente, 54,1% das famílias maranhenses vivem com menos de R$ 406 por mês, valor baseado na referência internacional do Banco Mundial, que considera como situação de pobreza extrema a linha de 5,5 dólares por dia. Além disso, mais de 81% dos maranhenses não possui saneamento básico adequado; e em 29,2% dos domicílios não há abastecimento de água por rede, apesar dos anunciados programas Mais IDH e Água para Todos.

Longe de ser um fato isolado, dados do IBGE referentes aos anos anteriores da gestão do único governador comunista do país mostram que a situação do maranhense é cada vez pior.

Segundo pesquisa do SIS referente a 2016, por exemplo, quando o rendimento mensal representava o valor de R$ 387,15 por pessoa, 312 mil maranhenses voltaram à condição de miseráveis. O Maranhão, inclusive, foi o único estado a atingir naquele levantamento mais da metade da população nas condições de extrema pobreza de acordo com o índice do Banco Mundial.

Durante a campanha eleitoral de 2018, quando conseguiu se reeleger para o cargo no primeiro turno, Flávio Dino chegou a ser questionado, em entrevista à TV Mirante, sobre a situação calamitosa vivida pelos maranhenses, completamente contrária ao prometido por ele na primeira disputa pelo governo, quando apresentou-se ao eleitorado como uma mudança na política e na forma de governar.

Como resposta, Dino afirmou que jamais garantiu que tiraria o Maranhão da pobreza extrema. “Eu não prometi esse absurdo, que seria obviamente algo inviável, algo inalcançável”, disse.