Décio Sá
Caso Décio Sá: depoimentos apontam envolvimento de pessoas da construção civil
Política

Empreiteiro ouvido como testemunha conseguiu habeas corpus para acesso aos autos por receio de estar sendo investigado como autor do crime

Depoimentos tomados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, e pelo Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO), que integra a Superintendência Estadual de Investigação Criminal (Seic), da Polícia Civil, apontam para o envolvimento de pessoas da construção civil no assassinato do jornalista e blogueiro Décio Sá.

A revelação está em documentos sigilosos obtidos com exclusividade pelo ATUAL7.

Segundo a documentação, diversas pessoas já foram ouvidas no bojo de uma notícia de fato que apura o caso, dentre elas o empresário José Raimundo Chaves Júnior, o Júnior Bolinha; o policial militar Fábio Aurélio Saraiva Silva, o Fábio Capita; e um empreiteiro maranhense.

Após prestar depoimento no ano passado na sede da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), o empresário da construção civil buscou e conseguiu junto ao Tribunal de Justiça do Maranhão a concessão de habeas corpus para ter acesso à íntegra das investigações, após ser alvo de menções indiretas e nominalmente citado por outros depoentes.

A alegação utilizada foi que, embora tenha sido notificado para depor na condição de mera testemunha, ele estaria sendo investigado como possível mandante do crime.

As investigações correm no âmbito da 23ª Promotoria de Justiça Criminal, desde julho de 2017, paralela à ação penal processada no Tribunal de Justiça do Maranhão, e que já levou à condenação de dois dos 12 denunciados pelo crime.

O caso apurado pelo Gaeco e DCCO segue em segredo de Justiça, tendo os autos sido movimentados nesta semana para o 1º Tribunal do Juri de São Luís, onde tramita a ação penal.

Décio Sá foi executado com seis tiros de pistola .40, de uso exclusivo das forças armadas, na noite de 23 de abril de 2012, em um bar na orla da capital, devido a uma série de publicações em seu blog sobre a máfia da agiotagem no Maranhão.

Assassino de Décio Sá vai a julgamento nesta terça por crime de tráfico
Maranhão

Audiência ocorre mediante videoconferência, uma vez que Jhonathan continua preso em Campo Grande, MS

O pistoleiro Jhonathan de Souza Silva, já condenado como assassino confesso do jornalista e blogueiro Décio Sá, enfrenta novo julgamento, nesta terça-feira 11, a partir das 14h, no Fórum de São José de Ribamar. Desta vez ele será julgado pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo.

A audiência ocorre mediante videoconferência, uma vez que Jhonathan continua preso em Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

A presidência dos trabalhos ficará com o juiz da 2ª Vara Criminal de São José de Ribamar, Antonio Fernando dos Santos Machado.

Falsa notícia

Há quase um mês, a Assessoria de Comunicação da Corregedoria da Geral de Justiça (CGJ) informou que, diferentemente do que foi noticiado por alguns veículos locais de comunicação, Jhonathan de Sousa Silva não havia sido absolvido do crime de tráfico de drogas do qual é acusado.

A Ascom da CGJ informou ainda que desde o dia 02 de março deste ano já estava marcada a data para audiência, que deverá ocorrer amanhã.

Política

Segundo a polícia, outras quatro pessoas também foram presas na Operação “El Berite”

Ex-prefeito de Bacabal preso por suspeita de agiotagem
Divulgação/ Polícia Civil El Berite Ex-prefeito de Bacabal preso por suspeita de
agiotagem

O ex-prefeito de Bacabal, Raimundo Lisboa, foi preso na manhã desta terça-feira (19), em mais uma operação da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público (MP) Estadual no combate à agiotagem.

Raimundo Lisboa foi prefeito do município entre 2004 e 2012 e também foi ex-presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem).

Durante a Operação “El Berite” foram presos ainda outras quatro pessoas, todas ligadas à prefeitura: Manoel Moura Macedo, Ezequiel Farias e Francisco Soares e Aldo Araújo Brito, ex-presidente da comissão de licitação de Bacabal. Foi realizada, também, a prisão coercitiva de Maria do Carmo Xavier.

Todos eles serão conduzidos para a Seic.

O ex-prefeito de Bacabal mantinha negócios permanentes com o agiota Josival Cavalcante da Silva, mais conhecido no mercado financeiro paralelo como "Pacovan", a quem entregava cheques em branco da Prefeitura de Bacabal e, inclusive bens, patrimoniais, como uma fazenda no povoado São Paulo Apóstolo.

Além de Pacovan, outro agiota, Gláucio Alencar, que permanece preso como um dos mandantes do assassinato do jornalista Décio Sá, também tinha negócios na agiotagem com Raimundo Lisboa.

Agiotagem no Maranhão

As operações "El Berite", "Morta Viva", "Maharaja" e "Imperador", são desdobramentos da "Operação Detonando", realizada em 2012 após o assassinato do jornalista Décio Sá.

Na época, a polícia descobriu que o que motivou o assassinato foi uma postagem, no "Blog do Décio", referente à morte do agiota Fábio Brasil, no Piauí.

Imagem da fazenda Santa Teresinha, localizada no povoado São Paulo Apóstolo, entregue por Lisboa ao agiota Pacovan
Blog do Louremar Fernandes Nas mãos da agiotagem Imagem da fazenda Santa Teresinha, localizada no povoado São Paulo Apóstolo, entregue por Lisboa ao agiota Pacovan