Ponte Fantasma Pai Inácio
Governo Flávio Dino também abandona obras de construção da Ponte Pai Inácio
Política

Obras são anunciadas desde 2013 pela Prefeitura de São Luís. Estado assumiu a construção, mas também abandonou

De responsabilidade do governo Flávio Dino como forma de esconder o desvio de dinheiro público e o estelionato eleitoral cometido pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), as obras de construção da ponte sobre o Rio Gangan, a Pai Inácio, no Turu, estão paralisadas.

Depois do prefeito Edivaldo, foi o governador quem abandonou a tão sonhada obra
Deputado Wellington do Curso Aqui jazDepois do prefeito Edivaldo, foi o governador quem abandonou a tão sonhada obra

A denúncia foi feita pelo deputado estadual Wellington do Curso (PPS), da base governista, nessa terça-feira 29, quando voltou a cobrar da Prefeitura de São Luís informações sobre o dinheiro que havia destinado desde 2013 para a obra.

Durante o pronunciamento, o parlamentar questionou sobre os motivos que levaram à recente paralisação da construção da ponte, já que teve seu lançamento anunciado duas vezes e não se concretizou. Quanto à transparência, o deputado afirmou não entender o motivo pelo qual não há placa de identificação da obra e da empresa contratada no local, tampouco informações sobre o valor e prazo, e destacou a necessidade de se investigar a regulamentação ambiental das obras, já que houve desmatamento das matas ciliares às margens do rio.

“Há mais de 20 dias, trouxemos à tribuna da Assembleia o descaso com o dinheiro público, caracterizado pelo lançamento da construção, anunciado duas vezes, da ponte do Rio Gangan pela Prefeitura de São Luís. Como se o disparate da paralisação repentina das obras, a falta de transparência e, ainda, o destino incerto de quase 8 milhões de reais não fosse o suficiente, nos deparamos agora com a possibilidade de crimes ambientais. Ora, nós somos a favor da construção da ponte e reconhecemos a importância da obra. Estamos ao lado do povo e é por isso que aqui trazemos os questionamentos da população. Queremos, sim, a ponte, mas não podemos admitir o constante descaso com o dinheiro público, a falta de transparência e informações e, tampouco, a prática de crimes ambientais. Por isso, solicito informações, não apenas para atender aos meus questionamentos, mas para conceder respostas àqueles que estão sendo, diariamente, prejudicados com a recente paralisação das obras de construção da ponte sem motivo aparente: o cidadão maranhense” pontuou.

Entenda o descaso e cobrança

Populares espalharam placas no local cobrando a retomada da obra
Deputado Wellington do Curso Enganados novamente Populares espalharam placas no local cobrando a retomada da obra

A construção da Ponte do Rio Gangan, que ligaria os bairros Parque Vitória e Turu, é uma obra que já teve seu lançamento anunciado duas vezes: uma em 2013, outra no dia 24 de agosto de 2015. As obras, que foram retomadas no segundo semestre de 2015, agora estão inertes.

Além da súbita suspensão das obras, há a falta de transparência quanto à aplicação dos recursos, já que não há nenhuma placa informando o valor total ou o prazo; tem-se ainda o incerto destino de quase 8 milhões de reais que, a princípio, seriam destinados à revitalização e à canalização do Rio Gangan, obras essas que não foram realizadas. Como se tais irregularidades não fossem o suficiente, há ainda a possibilidade de prática de crimes ambientais por parte da gestão municipal durante a realização das obras, já que houve o desmatamento das matas ciliares às margens do rio.

Partindo de tal possibilidade, o deputado Wellington do Curso solicitou, mais uma vez, informações quanto à aplicação dos recursos e, dessa vez, solicitou investigação quanto à regularidade ambiental das obras. Além disso, Wellington solicitou que a prefeitura disponibilizasse cópia do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e/ou Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Os ofícios foram protocolados na tarde de ontem e foram encaminhados à Promotoria do Meio Ambiente, ao IBAMA, à Delegacia de Meio Ambiente e ao Município de São Luís.

Eliziane Gama solicita a Kassab informações sobre repasses federais para São Luís
Política

Ponte fantasma sobre o Rio Gangan chega à Câmara Federal. Denúncia foi feita pelo deputado Wellington do Curso, na Assembleia Legislativa

A deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA) solicitou no início desta semana, por meio de ofício da Câmara dos Deputados endereçado ao ministro das Cidades, Gilberto Kassab, informações a respeito dos repasses feitos pelo governo federal à Prefeitura de São Luís nos últimos sete anos.

Eliziane Gama quer saber quanto e como Prefeitura de São Luís vem administrado recursos federais nos últimos sete anos
Atual7 Rolo compressor Eliziane Gama quer saber quanto e como Prefeitura de São Luís vem administrado recursos federais nos últimos sete anos

De acordo com o documento, as informações solicitados dizem a respeito do montante de recursos repassados por meio de convênios, quais projetos receberam estes recursos e em que estágio se encontram as obras que receberam dinheiro público federal durante esse período.

O requerimento, segundo a parlamentar, tem por base denúncias feitas pelo deputado estadual Wellington do Curso (PPS) há uma semana, sobre a suspeita de que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) tenha surrupiado a verba enviada pelo Ministério das Cidades para obras no canal do Rio Gangan, no Turu. Prometida há quase dois anos por Edivaldo, inclusive com a fixação de placa de construção, uma ponte, conhecida na região como Pai Inácio, já deveria ter sido construída e entregue pelo prefeito desde o início de 2014, mas nunca existiu.

É amparado nestes dados oficiais, divulgados pela própria administração municipal no ano de 2013, que Wellington tem cobrado da Prefeitura de São Luís, bem como do Tribunal de Contas da União (TCU) e do próprio Ministério das Cidades, informações acerca do destino do dinheiro enviado ou empenhado para a obra. Nessa quarta-feira 2, em embate sobre a suspeita do escamoteio com o vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), Wellington do Curso chegou a indagar se o prefeito roubou a verba ou se cometeu estelionato eleitoral. Diante do questionamento, o parlamentar comunista escalado para defender Edivaldo silenciou.

Agora, além da repercussão da ponte fantasma de Edivaldo ter alcançado a Câmara Federal, como as informações solicitadas pela deputada dizem respeito aos últimos sete anos, Eliziane Gama terá em mãos também toda a movimentação feita pelo ex-prefeito João Castelo (PSDB) com o dinheiro público enviado pelo governo federal.

Réu e condenado por gatunagem, Othelino Neto tenta esconder ponte fantasma
Política

Prefeito de São Luís anunciou e colocou placa de construção da obra em outubro de 2013. Verba informada na placa sumiu

O deputado estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Othelino Neto (PCdoB), resolveu dar alguns pitacos, nesta quarta-feira 2, sobre a ponte fantasma sobre o Rio Gangan, a Pai Inácio, que deveria existir no Turu, e cujo o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), anunciou em mídia oficial como obra federal, colocou uma placa de que a obra era municipal, mas passados quase dois anos não construiu a tal ponte e ainda por cima não consegue explicar onde foi parar o dinheiro público.

Prefeito de São Luís precisa explicar quem embolsou o dinheiro informado na placa para a construção da ponte Pai Inácio. Agora cúmplice, Othelino também
Hilton Franco Cadê o dinheiro que estava aqui? Prefeito de São Luís precisa explicar quem embolsou o dinheiro informado na placa para a construção da ponte Pai Inácio. Agora cúmplice, Othelino também

Segundo Othelino, Edivaldo é um político de bem, correto, probo, e que, apesar de ter anunciado a construção da ponte em outubro de 2013, na época não era possível dar andamento aos serviços, iniciados somente agora, com recursos estaduais. Ainda de acordo com o deputado comunista, os quase 8 milhões de reais enviados pelo governo federal não contemplavam a construção da Pai Inácio, e teve como destino apenas a construção de um sistema de drenagem e recuperação de mananciais de águas pluviais do Gangan.

Além da defesa equídea confessar que houve crime de estelionato eleitoral por parte de Edivaldo, já que o prefeito de São Luís não apenas declarou, mas também colocou no local uma placa de construção da ponte, informando que havia recursos oriundos do município para obra, de resto, quem é Othelino Neto?

Uma rápida pesquisa no sistema de consultas processuais do Tribunal de Justiça do Maranhão, o JurisConsult, responde facilmente a pergunta.

De peripécias conhecidas pelo Ministério Público desde o ano de 2007, o deputado que tenta abafar o caso da ponte fantasma responde a nada menos que 22 processos na Justiça, sendo a sua maioria de origem criminal, por malversação de dinheiro público, mais conhecido popularmente por roubo, corrupção, gatunagem, tendo conseguido escapar das grades apenas por força de habeas corpus preventivo, que trancou a maioria dos inquéritos policiais e das ações penais movidas pelo MP estadual.

É o caso de um dos processos, o de n.º 0039842014, onde Othelino Neto responde por formação de quadrilha ou bando; falsidade ideológica; corrupção passiva qualificada; inserção de dados falsos no sistema de informação; condescendência criminosa, omissão penalmente relevante e por crimes contra a administração ambiental. Pela extensão das provas, só este processo possui 561 folhas, 03 volumes e 03 apensos.

Investigações da Polícia Civil apontam Othelino Neto como cabeça do maior esquema de desvio de recursos e liberação de licenças ambientais da história do Maranhão
JurisConsult/TJMA Ele entende de mutretagem Investigações da Polícia Civil apontam Othelino Neto como cabeça do maior esquema de desvio de recursos e liberação de licenças ambientais da história do Maranhão

Nele, quem acusa o escondedor de ponte fantasma de ilícitos é a extinta Comissão de Investigação de Crimes contra o Erário Público (CICCEE), criada em 2009 pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, para investigar a conduta de ex-secretários estaduais - atualmente plagiada pelo atual governo com o nome de Secretaria de Transparência e Controle.

Em outro, onde chegou a ter recursos negados recentemente pelo Judiciário Maranhense, Othelino Neto foi condenado por improbidade administrativa ambiental, concessão de licença sem cumprimento de formalidades legais e omissão do dever de fiscalização. Explicando em detalhes, a outra parte condenada pela Justiça por corrupção, a empresa Limp Fort, havia sido multada pela Secretaria de Meio Ambiente, então ocupada por Othelino, mas conseguiu uma redução dada pelo comunista de 90%, bem como a compensação de 10% restante do valor da multa.

O vice-presidente da Assembleia Legislativa também conseguiu escapar das grades mesmo após uma longa investigação da Polícia Civil apontá-lo como "chefe de uma organização criminosa que desviou pelo menos R$ 100 milhões" por meio da comercialização ilegal de autorizações para desmatamento por meio de “créditos virtuais”, inseridos de maneira fraudulenta em um sistema de controle (Ceprof/Sisflora).

Como se percebe, quando subiu a tribuna para tentar defender o prefeito de São Luís e esconder a ponte fantasma e o escamoteio de recursos públicos, Othelino Neto falava de algo que conhece com propriedade, e ainda complicou mais ainda a difícil situação de Edivaldo Júnior, pois como bem questionou o deputado Wellington do Curso em resposta que enquadrou Othelino sobre o destino da verba para a construção da ponte Pai Inácio: o prefeito cometeu estelionato ou ladroagem?

Cobranças sobre ponte fantasma colocam Edivaldo no dilema: roubo ou estelionato?
Política

Prefeito afirma que não havia verba, mas fez lançamento de obra e ainda colocou placa de construção

As cobranças feitas pelo deputado estadual Wellington do Curso (PPS) sobre a falta de transparência e o destino de recursos públicos para a construção da ponte fantasma sobre o Rio Gangan, a Pai Inácio, mostram que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) entrou num dilema que deve custar o seu projeto de reeleição: Edivaldo roubou dinheiro público ou cometeu estelionato eleitoral?

Placa colocada por Edivaldo Holanda Júnior em 2013 mostra que havia, sim, recursos para a construção da ponte Pai Inácio
Hilton Franco Cadê o dinheiro que estava aqui? Placa colocada por Edivaldo Holanda Júnior em 2013 mostra que havia, sim, recursos para a construção da ponte Pai Inácio

A situação do prefeito de São Luís, que deve agora responder para a população qual das duas ações praticou, ficou mais complicada nessa terça-feira 1, quando Wellington, único dos 42 parlamentares da Casa que tem se atentado para o caso, solicitou ao Executivo municipal informações da obra sobre a obra fantasma, anunciada em parceria com o governo estadual no dia 24 passado. O entendimento preciso do parlamentar é simples: se Edivaldo Júnior afirmou que os quase oito milhões destinados pelo Ministério das Cidades para a revitalização do Rio Gangan não contemplavam a construção da ponte, e não havia verba municipal para a obra, o pedetista precisa explicar então porque colocou uma placa no local e afirmou que as obras já estavam sendo encaminhadas.

“Na semana passada, demos entrada em três requerimentos, solicitando informações ao Ministério das Cidades, Tribunal de Contas da União e Prefeitura de São Luís que solicitava informações sobre a aplicação do crédito de R$ 7.981.898, 60. Após tal solicitação, na tentativa de justificar o descaso para com o bem público municipal, a prefeitura afirmou que os quase oito milhões destinados pelo governo federal para a revitalização do Rio Gangan não contemplavam a construção da ponte. Ora, se o crédito não ‘contemplava’ a obra, por que realizou-se o hipotético lançamento de construção da Ponte?  Se o recurso não era para a Ponte por que que, no dia 14 de outubro de 2013, realizou-se o lançamento da construção da obra?", indagou o parlamentar.

Placa da ponte fantasma de Edivaldo Holanda Júnior, já no chão. Já o dinheiro que a própria placa informa ser do tesouro municipal, ninguém sabe onde caiu
Hilton Franco Cadê o dinheiro que estava aqui? Placa da ponte fantasma de Edivaldo Holanda Júnior, já no chão. Já o dinheiro que a própria placa informa ser do tesouro municipal, ninguém sabe onde caiu

Embora faça parte da base do governador Flávio Dino (PCdoB) na Assembleia, ao se pronunciar sobre novos pedidos de informações públicas, Wellington questionou também sobre os processos licitatórios e verbas para a construção da ponte sobre o Rio Gangan, que já se iniciou, mesmo sem ter havido processos legais obrigatórios, como o ambiental e de licitação.

"Se não havia recurso para a construção, por que divulgar o lançamento da referida ponte? Embora os fatos venham a convergir para a possibilidade de estelionato eleitoral, eu insisto em solicitar informações. Por isso, protocolamos mais dois requerimentos na manhã de hoje: um para a Caixa Econômica Federal e outro para a Prefeitura. Se não havia recurso, como a gestão municipal alegou, como explicar o fato do prefeito de São Luís ir, no último dia 24, lançar a ponte novamente? Ante isso, eu pergunto: a obra foi iniciada agora, em agosto, com qual verba? Com qual processo licitatório? Onde está o procedimento de licitação da obra cuja ordem de serviço foi lançada no dia 24? Qual o valor total dessa obra? E os projetos? Sabe-se que, para licitar uma obra, é necessário, no mínimo, um projeto básico. Cadê o projeto básico? Qual origem dos recursos para pagamento desse contrato?", questionou.

Diante dos questionamentos de Wellington do Curso, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior precisa explicar para a população - antes mesmo de ter de se explicar para a polícia: afinal, se havia dinheiro e a ponte não foi construída, esse dinheiro foi desviado? Ou, se não havia destinação de verba, e mesmo assim ele prometeu em outubro de 2013 a construção da ponte Pai Inácio e ainda colocou placa de construção no local, ele admite que enganou a população e cometeu estelionato eleitoral?

Com a palavra, se resolver falar a verdade, o prefeito.

Vídeo da própria Prefeitura de São Luís mostra que ponte fantasma fazia parte de obra federal
Política

Ex-titular da Semosp confirma que Ponte Pai Inácio seria construída em conjunto com a obra de canalização e retenção do Rio Gangan. Vídeo é de 2013

O vídeo abrigado acima, publicado em outubro de 2013 em um canal oficial da própria Prefeitura de São Luís, confirma que a canalização e retenção do canal do Rio Gangan, no trecho da Avenida Eurípides Bezerra, e a construção da Ponte Pai Inácio faziam parte da mesma obra, bancada com recursos do governo federal, por meio do Ministério da Cidades.

Construção nunca existiu e o dinheiro sumiu</strong>
<figcaption itemprop='caption'>Edivaldo Holanda Júnior em outubro de 2013, anunciando para a população, no próprio local, a construção da Ponte Pai Inácio Prefeitura de São Luís/Divulgação Construção nunca existiu e o dinheiro sumiu Edivaldo Holanda Júnior em outubro de 2013, anunciando para a população, no próprio local, a construção da Ponte Pai Inácio

Nas imagens, após mostrar que os serviços de canalização já estavam concluídos, é informado que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior iria dar continuidade à obra e construir a ponte sobre o Rio Gangan, além de urbanizar a área, ligando os bairros do Parque Vitória e Turu Velho, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2.

Aos 1 minuto e 30 segundos do vídeo, o ex-titular da Secretaria de Obras e Serviços Público de São Luís (Semosp), José Vieira, que caiu do cargo pouco tempo depois por corrupção, informa que já iriam ser iniciados os serviços de terraplanagem, a construção da ponte, edificação do canal no trecho da Pai Inácio e, por fim, a ligação do canal, que seria da Rua Nossa Senhora da Vitória, no Parque Vitória, até o trecho que fica entre a Avenida Eurípides Bezerra e a Avenida São Luís Rei de França.

No destaque em amarelo, trecho em que a própria Prefeitura de São Luís diz que a construção da Ponte Pai Inácio faz parte do PAC
Prefeitura de São Luís/Youtube Obra federal No destaque em amarelo, trecho em que a própria Prefeitura de São Luís diz que a construção da Ponte Pai Inácio faz parte do PAC

Na publicação feita pela Comunicação do Executivo municipal, é possível ainda observar que a até mesmo na própria descrição do vídeo, a Prefeitura de São Luís confirma que a construção da ponte fazia parte da obra federal.

Como os vereadores da Câmara Municipal de São Luís são subservientes ao Poder Executivo municipal - com exceção do peemedebista Fábio Câmara, na Assembleia Legislativa do Maranhão, o caso está sendo acompanhado pelo deputado Wellington do Curso, que cobrou esclarecimentos à prefeitura, ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério das Cidades. Por envolver verba federal, a deputada Eliziane Gama (PPS-MA) promete levar a suspeita de desvio de verba à Câmara dos Deputados.

Recurso federal

De acordo com dados da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Portal da Transparência do governo federal, o valor do investimento feito no Rio Gangan foi de R$ 7.831.491,22, sendo o valor financiado de R$ 7.380.369,19, e a contrapartida da prefeitura de R$ 427.284,53.

A tela de acompanhamento das obras da CEF e do Transparência informa ainda que os serviços já estão concluídos, e que o valor liberado para a Prefeitura de São Luís é de R$ 7.143.325,39, tendo como última data de liberação o dia 5 de maio de 2015, no valor de R$ 143.662,72, o que indica que a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior continuou e continuará recebendo o restante do dinheiro, embora a data da última medição tenha sido feita deste o dia 23 de fevereiro deste ano.

Recurso municipal

Placa da ponte fantasma de Edivaldo Holanda Júnior, que não resistiu ao descaso e a espera do dinheiro público começar a ser empregado na obra
Hilton Franco Cadê o dinheiro que estava aqui? Placa da ponte fantasma de Edivaldo Holanda Júnior, que não resistiu ao descaso e a espera do dinheiro público começar a ser empregado na obra

Um outro fato que também chama atenção sobre a ponte fantasma Pai Inácio está na falta de explicação por parte de Edivaldo Holanda Júnior para a placa colocada pela Semosp no local ainda no ano de 2013.

Segundo a placa, que violava a obrigação legal de informar o valor, a empresa responsável e o período da obra, a construção da Ponte Pai Inácio seria feito com recursos da própria Prefeitura de São Luís.

Passados quase dois anos, a placa, que chegou a ser derrubada e abandonada por meses no local, como mostra a imagem ao lado, foi levada por funcionários da Semosp, mas a construção da ponte nunca foi iniciada, nem foi informado onde foi parar os tais recursos do município.

Recurso estadual

No início desta semana, foi a vez do governador e patrono de Edivaldo Júnior, Flávio Dino (PCdoB), dar provas de que pretende fazer de tudo para que o seu afilhado e protótipo do discurso da mudança se reeleja em 2016.

Para abafar o caso de suspeita de desvio de dinheiro público federal e municipal, Dino tratou de incluir a construção da ponte fantasma no programa estadual interbairros, e reinaugurou o início da obra pela segunda vez, quase dois anos depois da primeira inauguração. Curiosamente, a camaradagem do governador do Maranhão é tão suspeita quanto o escamoteio de Edivaldo, já que o comunista anunciou apenas a construção da ponte, porém sem informar o valor, a empresa responsável, bem como o período de construção da Ponte Pai Inácio.

Ponte fantasma: Wellington cobra do TCU e Ministério das Cidades destino de recursos
Política

Parlamentar já havia cobrado da Prefeitura de São Luís, na terça-feira 25, esclarecimentos sobre lançamento da mesma obra por duas vezes

O deputado Wellington do Curso (PPS) requereu, na manhã desta quinta-feira 27, durante seu pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, informações, em caráter de urgência, ao Ministério das Cidades, ao Tribunal de Contas da União e à Prefeitura de São Luís sobre os processos licitatórios, autuados ou em andamento, pareceres, empenhos e inscrições em restos a pagar, prestação de contas, ordens de pagamento e notas de crédito relacionados aos quase oito milhões destinados pela União à Prefeitura de São Luís para os serviços de drenagem, canalização e retificação do canal do Rio Gangan para a construção da Ponte "Pai Inácio", no ano de 2013.

Ao justificar o requerimento e fazer referência ao discurso proferido por ele na última terça-feira 25, no qual solicitou esclarecimentos sobre o motivo da demora na construção da ponte "Pai Inácio", que já foi "lançada" duas vezes pela atual gestão, o parlamentar destacou o Princípio Constitucional da Publicidade e ressaltou a Lei de Acesso à Informação, além de enfatizar o direito do cidadão à transparência.

"O lamento dos ludovicenses, dentre inúmeros outros, faz referência ao questionamento até um tanto contraditório: o lançamento da mesma obra mais de uma vez, caracterizando a 'ponte fantasma'. Fazendo referência a esses anseios, protocolamos hoje três requerimentos: um à União, endereçado ao Ministro das Cidades, Gilberto Kassab; outro ao Presidente do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz, e um outro à Prefeitura de São Luís, solicitando informações sobre os quase 8 milhões liberados no ano de 2013 pela União à Prefeitura de São Luís, destinados à construção da ponte Pai Inácio sobre o rio Gangan. Enquanto representante do povo, não poderia me esquivar de trazer à esta tribuna a dúvida que tem permeado a sociedade e, por isso, solicitamos tais informações. Bem sabemos que a Constituição Federal apregoa, em seu artigo 37, o consagrado Princípio da Publicidade que vai ao encontro da Lei de Acesso à Informação. Ressalta-se não a mera concessão de informações, mas o zelo pelo bem público e direito à transparência, àquilo que é devido a todo cidadão: o respeito", declarou.

Eliziane Gama vai cobrar na Câmara destino de verba da ponte fantasma de Edivaldo Júnior
Política

Conhecida na comunidade como Pai Inácio, a ponte sobre o Rio Gangan, no Turu, consumiu verba federal e municipal, mas nunca saiu do papel

Vai parar na Câmara Federal o desvio de dinheiro público na administração do prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), para construção de uma obra no bairro do Turu Velho, a ponte sobre o Rio Gangan, conhecida na comunidade como Pai Inácio.

A informação foi divulgada no final da noite desta terça-feira 25 pela deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA), ao repercutir em sua página pessoal no microblogging Twitter a denúncia feita hoje na Assembleia Legislativa do Maranhão pelo deputado estadual Wellington do Curso (PPS), que chegou a fazer alusão ao polêmico quadro do programa Fantástico, da Rede Globo, que investiga o roubo de dinheiro público e esquemas de corrupção.

Ponte fantasma do prefeito Edivaldo Holanda Júnior sobre o Rio Gangan, conhecido na comunidade como Pai Inácio. Após ver...

Posted by Atual7 on Terça, 25 de agosto de 2015

- Muito grave a denúncia da ponte fantasma feita pelo deputado Wellington do Curso. Verba federal. Vamos cobrar aqui na câmara - declarou Eliziane.

Mais cedo, o Atual7 já havia revelado o escamoteio de dinheiro federal e municipal pela gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, que conta agora com a mãozinha do padrinho e governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), para esconder a obra que consumiu a verba, mas nunca existiu.

Recordar é viver

Em outubro de 2013,  apesar dos trabalhos de construção da ponte sobre o Rio Gangan estarem incluídos nos R$ 7.687.626,11 enviados pelo governo federal para a Prefeitura de São Luís, acompanhado pelo deputado federal Weverton Rocha (PDT) e pelos vereadores Pedro Lucas (PTB) e Ivaldo Rodrigues (PDT), Edivaldo Júnior visitou o trecho onde a ponte já deveria estar construída e entregue a população, e afirmou que destinaria recursos da própria prefeitura para a construção da ponte que ligaria a  avenida Nossa Senhora da Vitória, no Parque Vitória, à avenida General Arthur Carvalho, no Turu Velho.

No local, porém, nenhuma obra foi feita até hoje. Apenas a placa da prefeitura que foi ao chão, sem a identificação do valor da obra, da construtora e do tempo de execução dos serviços, foi colocada.

Ao lado, um vídeo feito recentemente pelo deputado Wellington mostra como está o local onde já deveria existir uma ponte.

Cadê o dinheiro, Edivaldo?

Wellington do Curso cobra destino de verba de ponte fantasma de Edivaldo Júnior
Política

Ponte sobre o Rio Gangan recebeu e consumiu recursos do governo federal e do tesouro municipal, mas nunca foi construída

O deputado estadual Wellington do Curso (PPS) utilizou a tribuna nesta terça-feira 25 para cobrar esclarecimentos do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PTC) sobre a ponte fantasma sobre o Rio Gangan, conhecido na comunidade como "Pai Inácio", que já deveria ter sido construída pelo petecista desde outubro de 2013. Mais cedo, o Atual7 já havia denunciado o desvio de dinheiro público federal com a obra inexistente.

Ponte fantasma do prefeito Edivaldo Holanda Júnior sobre o Rio Gangan, conhecido na comunidade como Pai Inácio. Após ver...

Posted by Atual7 on Terça, 25 de agosto de 2015

Iniciada em 2010 com verba do Ministério das Cidades durante a gestão do ex-prefeito João Castelo (PSDB), quando apenas as bate-estacas foram colocadas, a ponte ligaria avenida General Arthur Carvalho, no Turu Velho, e a Avenida Nossa Senhora da Vitória, no Parque Vitória. No local, porém, Edivaldo Júnior apenas colocou uma placa, informando que os recursos para a obra seriam da própria prefeitura, embora a ponte já estivesse incluída nos R$ 7.687.626,11 enviados pelo governo federal, em sua maioria, para a administração petecista.

Durante o discurso, o deputado Wellington relembrou a visita do prefeito de São Luís ao local, em outubro de 2013, época em que afirmou que concluiria a obra nos primeiros meses de 2014. Como nada foi construído até hoje, e o governador Flávio Dino (PCdoB) é quem agora vai bancar a construção da ponte para esconder o escamoteio da verba federal e municipal, o parlamentar indagou sobre o destino dos recursos já consumidos com a obra fantasma.

- A população sente-se enganada com as promessas não cumpridas. O atual prefeito fez o lançamento da obra em outubro de 2013 e ontem voltou a lançar a construção da ponte. A mesma ponte construída duas vezes? Ou a ponte fantasma agora será de fato construída? E os recursos de 2013 para a construção? Espero que essa obra possa realmente ser concluída e que não fiquemos no plano das ideias e da enganação. A população de São Luís espera uma resposta e que a ponte seja realmente construída - pontuou.

Ao final do cobrança, Wellington do Curso ainda vez alusão ao polêmico programa Fantástico, da Rede Globo, que investiga o roubo de dinheiro público e esquemas de corrupção.

- Faço alusão a um programa de rede nacional que tem um jargão que pergunta: cadê o dinheiro que estava aqui? Cadê o dinheiro que seria empregado na construção dessa ponte em 2013? - detonou.

Descaso

Um vídeo, que pode ser assistido ao lado, gravado recentemente por Wellington, mostra como está o local onde já deveria ter sido construída a Ponte Pai Inácio.

Um homem que passava pelo local de bicicleta, e presenciou uma mulher caindo enquanto tentava passar pelo local, lembrou da promessa prefeito Edivaldo Júnior logo no primeiro ano de mandato. "Esse prefeito vagabundo disse que no papel [a obra] já está feita", disse.

Flávio Dino usa interbairros para esconder ponte fantasma de R$ 1 milhão de Edivaldo
Política

Governador incluiu construção da ponte no programa Interbairros. Mesmo sem existir, obra vinha sendo paga pela prefeitura

O governador Flávio Dino (PCdoB) deu provas, nessa segunda-feira 24, de que pretende mesmo fazer tudo para que o seu afilhado e protótipo do discurso da mudança, Edivaldo Holanda Júnior (PTC), se reeleja em 2016. Até mesmo participar e esconder atos de corrupção.

Edivaldo Holanda Júnior anunciando a construção da Ponte Pai Inácio em 2013
Hilton Fraco Verba sumiu Outubro de 2013: Edivaldo Holanda Júnior anunciando a construção da Ponte Pai Inácio

É o caso da ponte fantasma sobre o Rio Gangan, no Turu Velho, conhecida na comunidade como "Pai Inácio", orçada em mais de R$ 1 milhão e que, embora já paga por Edivaldo em quase sua totalidade, nunca foi construída.

Para abafar o escamoteio de dinheiro público pelo petecista e seu secretário de Obras e Serviços, Antônio Araujo, Dino incluiu o local no programa estadual Interbairros, e mandou como seu representante para o evento de novo lançamento da obra, realizado ontem, na maior cara dura, o secretário de Infraestrutura Clayton Noleto.

O prefeito de São Luís e Araújo, claro, também se fizeram presentes ao evento.

Acima, na imagem em destaque, capturada pelas lentes do professor Hilton Franco, onde já deveria ter sido contraída a ponte, nem a placa suportou o descaso.

Cadê a ponte que deveria estar ali?

Agosto de 2015; Edivaldo Holanda Júnior anunciando, acompanhado de Clayton Noleto, a construção da Ponte Pai Inácio
A. Baeta Nova verba pra tapar buraco da outra Agosto de 2015: Edivaldo Holanda Júnior anunciando, acompanhado de Clayton Noleto, a construção da Ponte Pai Inácio

Iniciada em setembro de 2010 pela gestão do ex-prefeito João Castelo (PSDB), a obra faz parte da Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, cujo responsável pela canalização e urbanização do rio, que vai do bairro Vicente Fialho ao Turu, é a empresa Geotec Construções e Projetos Ltda.

Apesar dos trabalhos estarem incluídos nos R$ 7.687.626,11 enviados pelo governo federal para a Prefeitura de São Luís, em outubro de 2013, acompanhado pelo deputado federal Weverton Rocha (PDT) e pelos vereadores Pedro Lucas (PTB) e Ivaldo Rodrigues (PDT), Edivaldo Júnior visitou o trecho da terceira travessa da Rua General Artur Carvalho, no Turu Velho, e afirmou que destinaria recursos da própria prefeitura para a construção da ponte que ligaria a  avenida Nossa Senhora da Vitória (Parque Vitória) à avenida General Arthur Carvalho (Turu).

No local, porém, nenhuma obra foi feita até hoje. Apenas a placa da prefeitura que foi ao chão, sem a identificação do valor da obra, da construtora e do tempo de execução dos serviços, foi colocada.

Quase dois anos depois, o prefeito de São Luís finalmente voltou ao local, mas apenas para prometer mais uma vez o início das obras, desta com uma terceira fonte de recursos: o Estado.

Diante da mãozinha de Flávio Dino para ajudar o afilhado nas eleições de 2016, fica o seguinte questionamento: cadê a ponte e dinheiro da prefeitura que foi gasto ali, Edivaldo?

A ponte de Edivaldo Holanda, que consumiu dinheiro federal e do tesouro municipal
A. Baeta Prefeito honesto A ponte de Edivaldo Holanda, que consumiu dinheiro federal e do tesouro municipal - e agora estadual
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