Ciro Gomes
Dino menospreza Manu e sugere que esquerda apoie Ciro para Presidência
Política

Governador do Maranhão defendeu ainda que PT abra mão de Lula e PSOL descarte Boulos

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), defendeu em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o seu partido, o PCdoB, que tem como presidenciável a deputada estadual Manuela d'Ávila, abra mão da pré-candidatura própria para apoio a Ciro Gomes (PDT) na eleição para a Presidência da República.

A mesma defesa de descarte foi feita ainda em relação ao PT, para que abandone a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); e ao PSOL, para que retire a pré-candidatura de Guilherme Boulos em favor do presidenciável do PDT.

Segundo o comunista, a multiplicidade de candidaturas ameaça a esquerda de perder já no primeiro turno. “Está chegando o momento de admitir uma nova agenda. Se não oferecermos uma alternativa viável, você pode perder a capacidade de atrair outros setores do centro que se guiam também pela viabilidade”, disse.

Para Dino, a união da esquerda hoje se daria em torno de Ciro, porque ele “é hoje o melhor posicionado”. Lula está inabilitado e “o PT não tem nome capaz de unir nesse momento”, apontou.

“O ponto de interrogação que está dirigido sobretudo ao PT é se nós queremos uma eleição apenas de resistência, de marcar posição, eleger deputados, ou ganhar a eleição presidencial”, disse. “Temos chance de ganhar, a eleição porque o pós-impeachment deu errado. O fracasso do Temer é o fracasso da alternativa que se gestou a nós”, ressaltou.

Sem nominar, o comunista discordou da postura de setores do PT, inclusive da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, de insistir na candidatura de Lula. “A tática de marcar posição é derrotista e não honra a importância do Lula, porque abre mão da possibilidade de haver uma virada geral na sociedade que possibilite julgamentos racionais dele”, afirmou.

PDT desbanca comunistas e oferece Ciro Gomes ao PT como “plano B” em 2018
Política

É a segunda vez que Carlos Lupi se antecipa aos planos de Flávio Dino. Governador sonha com a Presidência, mas não encontra apoio em seu próprio partido

Em crise com o partido camarada na disputa pela filiação de nomes importantes em São Paulo e no Maranhão para o pleito deste ano, o PDT saiu na frente e desbancou o PCdoB já na corrida presidencial de 2018. Enquanto a presidente nacional do Partido Comunista do Brasil, a deputada federal Luciana Santos (PE) – bem como seu ex-presidente, Renato Rabelo – não tem coragem de embarcar na insinuação desavergonhada do governador do Maranhão, Flávio Dino, o presidente nacional do PDT, o carioca Carlos Lupi, se antecipou e ofereceu o ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco e da Integração Nacional do governo Lula, Ciro Gomes, como "plano B" aos petistas.

O pulo do gato aconteceu na quinta-feita passada 21, na sede do PDT em Brasília, durante evento em que a Diretório Nacional do partido fechou questão contra o impedimento da presidente Dilma Rousseff – que tem uma relação especial com os pedetistas, já que antes de entrar no PT, ela foi filiada à legenda.

Apesar da odisseia movida por Dino, também contra o pedido de impeachment aberto contra a presidente pelo presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Dilma retribuiu o aceno do PDT e afagou o ex-ministro Ciro Gomes. "A gente não briga com uma pessoa que, ao longo do tempo, mostrou imensa lealdade e capacidade de luta. Estou à disposição".

Um dia antes, Lupi já havia afirmado que “parcela significativa” dos lideres petistas apoia o nome de Ciro para presidente em 2018.

Sem força, governador Flávio Dino pode apenas irritar-se ao Carlos Lupi lhe "usurpar" a cadeira presidencial "entregá-la" para Ciro Gomes
Divulgação/PDT Calado estava, calado ficou Sem força, governador Flávio Dino pode apenas irritar-se ao Carlos Lupi lhe "usurpar" a cadeira presidencial "entregá-la" para Ciro Gomes

Dentro dos Leões

Não é a primeira vez que o PDT, na figura de seu presidente Nacional, desmonta a estratégia do governador Flávio Dino - e de seu secretário de Comunicação e Assuntos Políticos, Márcio Jerry Barroso – de ser o candidato a sucessão da presidente Dilma.

Em dezembro do ano passado, durante ato político dentro do Palácio dos Leões, sede do governo estadual, também pela manutenção da petista no cargo, Lupi lançou Ciro Gomes como pré-candidato a presidente na frente do próprio governador do Maranhão.

Apesar de ter fechado a cara para o presidente do PDT após a audácia, Dino tratou de disfarçar e, consciente da falta de força e apoio de seu próprio partido para disputar a Presidência em 2018, foi obrigado a silenciar diante da "oportunidade eleitoral" aproveitada por Carlos Lupi.

Caso a candidatura de Ciro Gomes se confirme, será a terceira vez que o ex-ministro disputa o Palácio do Planalto. Ele foi candidato à presidente em 1998 e 2002, terminando em terceiro e quarto lugar na disputa, respectivamente.