Alberto Youssef
Citada na Lava Jato, Edeconsil já recebeu R$ 141 milhões do governo Flávio Dino
Política

Planilhas foram apreendidas com o doleiro Alberto Youssef. Empresa pertence ao empresário Fernando Cavalcante, o Fernandão

Citada durante as investigações da Operação Lava Jato, a empresa Edeconsil Construções e Locações Ltda já recebeu, somente nos quase 16 meses do governo Flávio Dino, o total de R$ 141.570.460,63 (cento e quarenta e um milhões, quinhentos e setenta mil, quatrocentos e sessenta reais e sessenta e três centavos). Os recursos são fruto de pagamentos por serviços supostamente prestados à Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), por meio do Consórcio EIT/Edeconsil/PB, na interminável ampliação do sistema Italuís; e de contratos com a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra).

A empresa, que no contrato com a Sinfra aparece com o nome fantasia Edeconsil Desmatamento Construções e Sinal, pertence ao poderoso empresário Fernando Antônio Leitão Cavalcante, o Fernandão, em sociedade com o não menos poderoso, José Thomaz Cavalcante Filho.

Flávio Dino vistoria obras da nova adutora do sistema Italuís, apontado na Lava Jato como um dos braços do esquema comandado pelo doleiro Alberto Youssef
Karlos Geromy/Secap EIT/Edeconsil/PB Flávio Dino vistoria obras da nova adutora do sistema Italuís, apontado na Lava Jato como um dos braços do esquema comandado pelo doleiro Alberto Youssef

Durante a segunda fase da Operação Lava Jato, batizada de Bidone, o doleiro Alberto Youssef entregou aos investigadores da força-tarefa da Lava Jato uma planilha com diversos valores relacionados a obras supostamente negociadas por ele e, nas quais, segundo Youssef, houve o pagamento de propina. O valor,  de acordo com o doleiro, variava entre 3% e 15% do valor de cada contrato.

Pelas informações da planilha obtida com exclusividade pelo Atual7, juntamente com a EIT Construções S/A e a PB Construções Ltda, a Edeconsil teve seu nome relacionado às obras da Caema na adutora. Os documentos mostram, por exemplo, que a proposta de Youssef foi encaminhada no dia 12 de janeiro de 2012, e que a escolha do Consórcio EIT/Edeconsil/PB ocorreu na tarde do dia 24 de janeiro daquele ano, duas semanas após o envio da proposta de Alberto Youssef aos responsáveis pela empresa. As obras de substituição da tubulação da adutora começaram dez meses depois, em novembro de 2012, e até hoje não foram concluídas.

Na lista apreendida pela Polícia, o doleiro lista não somente a empresa, como também um possível representante. No documento, está o nome de José Humberto Tavares. Pelo registro telefônico da época, o número de celular apontado na planilha registra a titularidade do engenheiro Humberto Tavares, então coordenador de obras da Edeconsil. A suspeita dos policiais é que Youssef negociava vantagens junto aos governos estaduais e depois vendia essa facilidade aos donos de empreiteiras.

“Assim, é claro o envolvimento de Youssef e seu grupo com grandes empreiteiras, e, através da planilha apreendida, pode-se deduzir que o doleiro tinha interesse especial nos contratos dessas empresas, onde de alguma forma atuava na intermediação”, registram os policiais federais em documento relacionado à Lava Jato.

Mesmo diante de eventuais ilicitudes, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem mantido pagamentos sistemáticos ao Consórcio EIT/Edeconsil/PB e ainda contratou a Edeconsil, em separado, para cuidar de obras da Sinfra. De acordo com dados abertos consultados pelo Atual7 no Portal da Transparência, no ano passado, foram efetuados 13 repasses para a Edeconsil relacionados a serviços feitos na adutora e outros 30 efetuados pela Secretaria de Infraestrutura. Somente neste ano já foram 16 repasses, um relacionado aos serviços no Italuís, e o restante à obras da Sinfra, sendo que, somente neste mês de abril, os repasses já ultrapassa a cifra de R$ 6 milhões.

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PGR recebe pedido de investigação sobre atuação de Alberto Youssef no TJ-MA
Política

Sindicato quer saber se servidores ou magistrados do Poder Judiciário maranhense tiveram envolvimento no pagamento de precatórios à UTC/Constran

A Procuradoria Geral da República (PGR) recebeu pedido de investigação do Sindicato dos Servidores da Justiça (Sindjus) do Estado do Maranhão para que apure se houve atuação do doleiro e lobista Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal em São Luís na deflagração a primeira fase da Operação Lava Jato, na liberação de precatórios judiciários pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.

A iniciativa do sindicato se deve a um fato do doleiro, segundo depoimentos prestados à PF, ter sido contratado para adiantar o pagamento de precatórios (dívidas antigas) da UTC/Constran. A dívida supera R$ 110 milhões e estava na Justiça há mais de 20 anos.

Segundo consta na documentação encaminhada pelo juiz Sérgio Moro ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a Constran S/A Construções e Comércio foi vencedora de concorrência pública na década de 80 para fazer serviços de restauração e melhoramentos na rodovia federal BR-230, mas determinados trechos sequer foram executados. Com o não pagamento da "obra", a Constran entrou com ação de cobrança, que, após trânsito em julgado e iniciada a execução, chegou-se ao valor de R$ 211 milhões, apresentado pela própria construtora.

O Ministério Público do Maranhão, no entanto, apresentou ação rescisória, alegando que o valor devido era de apenas R$ 49 milhões. Em agosto de 2013, o Tribunal de Justiça excluiu, por meio de liminar, o precatório da Constran da lista de pagamentos devidos, mas uma medida liminar - deferida pelo próprio Tribunal de Justiça logo depois - deu liberdade para que a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) autorizasse o acordo extrajudicial para efetuar o pagamento que estava sustado pelo Poder Judiciário, pactuando-o em 24 parcelas de R$ 4,7 milhões.

Apesar do imbróglio ter ganhado repercussão internacional, até o momento, segundo o Sindjus-MA, o Ministério Público Federal e a Polícia Civil do Maranhão mantêm-se em absoluto silêncio quanto ao envolvimento, ou não, de magistrados ou servidores do Tribunal de Justiça do Estado nesses atos, tendo em vista que, por previsão legal, cabe ao Poder Judiciário ser o guardião da ordem legal de pagamento dos precatórios judiciais.

E será essa questão que Rodrigo Janot, como chefe da PGR, terá agora de responder.

Justiça nega pedido de perícia contábil em dívida do Governo do MA à Constran
Política

Estado defendeu que seriam consideráveis divergências entre os cálculos das duas partes, inclusive em razão da repercussão envolvendo o caso

Os desembargadores da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ) do Maranhão acataram recurso da empresa Constran e reconheceram a desnecessidade de realização de perícia contábil, em ação que executa dívida do Governo do Maranhão em favor da construtora, entendendo que a apuração do valor depende de simples cálculos aritméticos.

Empreiteira é acusada pelo doleiro Alberto Youssef de pagar propina a um funcionário da administração da ex-governadora Roseana Sarney
Reprodução Propina Empreiteira é acusada pelo doleiro Alberto Youssef de pagar propina a um funcionário da administração da ex-governadora Roseana Sarney

A empreiteira é acusada de pagar propina a um funcionário de alto escalão da administração da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) para que o governo furasse a fila cronológica dos precatórios e liberasse um pagamento de cerca de R$ 113 milhões – R$ 133,7 milhões em valores atualizados. O doleiro Alberto Youssef confessou, em delação premiada, que teria pago R$ 3 milhões a João Abreu, chefe da Casa Civil de Roseana, com essa finalidade, e que, segundo ele, a governadora sabia da transação e aceitou a manobra. Roseana sempre negou que tivesse cometido alguma irregularidade.

O recurso da 1ª Câmara Cível do TJ-MA reforma decisão da juíza Luzia Nepomuceno, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Capital, em processo que objetiva pagamento à Constran, referente à remuneração por contrato de 1985.

A juíza havia acolhido pedido do Estado, para converter em diligência e determinar a realização de perícia contábil no processo de execução, cujo valor é objeto de divergências entre as duas partes, sendo reconhecido pelo Estado como incontroverso o valor de R$ 99 milhões.

Os advogados da Constran recorreram do deferimento da perícia, alegando ausência de vícios no processo de execução, onde ficara demonstrada a desnecessidade da perícia, já que as divergências encontradas não representariam contradição que autorizasse sua realização.

Já o Estado do Maranhão defendeu que seriam consideráveis as divergências entre os cálculos das duas partes, inclusive em razão da complexidade das contas da vultosa quantia e da repercussão envolvendo o caso, isto é, o recebimento de propina por parte da ex-governadora Roseana Sarney.

Recursos

O desembargador Jorge Rachid, relator do recurso da Constran ao TJ-MA, observou que o pedido de perícia contábil já fora apreciado pelo juízo de primeiro grau, em embargos à execução, quando foi declarada sua desnecessidade. Essa decisão foi reformada em embargos de declaração ajuizados pelo Estado na 1ª Vara da Fazenda Pública, o que não seria admissível uma vez que esse tipo de recurso exigiria a demonstração de omissão, obscuridade ou contradição, o que não se verificou no caso.

O desembargador citou jurisprudências e normas legais que apontam que a realização de perícia é indispensável para elucidar fatos complexos que dependam de conhecimentos técnicos especializados, o que não seria o caso do processo, considerando que a incidência ou não do pagamento e aplicação de juros e correção são matérias unicamente de Direito, podendo ser apurados pela Contadoria Judicial. “Além disso, o valor devido é perfeitamente alcançado por cálculos aritméticos”, observou.

Jorge Rachid ressaltou, ainda, que a realização de perícia na atual fase de execução iria contra os princípios da celeridade, economia processual e da razoável duração do processo.

“Espero que a PF saiba o que está fazendo”, diz Waldir Maranhão sobre ação na casa de Collor
Política

Acusado de receber proprinas da Petrobras, parlamentar maranhense teme ser o próximo alvo da Polícia Federal na Operação Lava Jato

Um dos gatunos da Câmara dos Deputados investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no escamoteio de verbas da Petrobras, o parlamentar maranhense Waldir Maranhão (PP-MA), vice-presidente da Câmara dos Deputados, mostrou-se aterrorizado com a operação da Polícia Federal, na última terça-feira (14), na casa do senador Fernando Collor (PTB), em nova fase da Operação Lava Jato, batizada de Politeia.

O doleiro Alberto Youssef, durante depoimento na CPI da Petrobras, entregando raposismo de Waldir Maranhão
Agência Brasil O delator O doleiro Alberto Youssef, durante depoimento na CPI da Petrobras, entregando raposismo de Waldir Maranhão

Tomado por medo e perplexidade após ser informado por Collor dos bastidores da ação da PF, Maranhão foi um dos poucos que conseguiu dar declarações a respeito do acontecido na Casa da Dinda, mansão no Lago Norte de Brasília, onde Collor foi encontrado pela polícia ainda de pijama, mas por cautela economizou nas palavras:

“Espero que a PF saiba o que está fazendo. Está tudo em segredo de Justiça. Não quero falar mais”, disse Waldir Maranhão ao jornal Gazeta do Povo, um dia após a ação que amedrontou parte esmagadora do Congresso.

O medo do parlamentar maranhense tem explicação: apontado pelo doleiro Alberto Youssef como beneficiário do esquema propineiro da estatal - embolsava entre R$ 30 mil a R$ 150 mil -, ele pode ser o próximo alvo da PF, a qualquer momento.

A revelação do raposismo foi dada pelo doleiro em maio deste ano, após questionamento da deputada federal, também maranhense, Eliziane Gama (PPS-MA), que queria saber quais políticos receberam propina por contratos feitos pela estatal para construir as usinas Premium 1, no Maranhão, e Premium 2, no Ceará. Ao responder a Eliziane, Youssef delatou que parte dos R$ 1,82 bilhão - cerca de R$ 2,3 bilhões em valores atualizados - investidos pela Petrobras na implantação da Refinaria Premium I, no município de Bacabeira, foi parar no bolso do deputado do PP.

Apesar dos novos fatos contados na CPI da Petrobras, o relacionamento da raposa com o doleiro já era conhecido pela Polícia Federal desde o início da Lava Jato, após a quebra do sigilo telemático de uma das contas de e-mail usadas por Youssef.

Em uma das conversas, segundo a PF, a secretária parlamentar Priscila Barbosa de Souza, lotada à época no gabinete de Waldir Maranhão, chegou a enviar comprovantes de ordens bancárias para o doleiro - dinheiro que, se condenado, ele terá de devolver aos cofres públicos, enquanto cumpre pena na cadeia.

Lava Jato: Dinheiro desviado da Petrobras bancou orgias e prostitutas de luxo
Política

PF encontrou um comprovante de transferência no valor de R$ 6 mil para uma garota bastante conhecida no meio artístico

O dinheiro público surrupiado da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, foi usado para além de financiamento de campanhas políticas, como suspeita-se ter ocorrido com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), segundo denuncia do deputado federal Hildo Rocha (PMDB), mas serviu também para saciar os desejos de políticos e diretores da estatal em orgias.

É o que revela reportagem publicada nesta segunda-feira (13) pelo jornal Folha de S. Paulo, baseada em declarações feitas pelo doleiro Alberto Youssef, pivô da Lava Jato, e o representante dele, Rafael Angulo Lopez, ao Ministério Público e à PF, de que parte da propina foi gasta com a contratação de prostitutas de luxo, muitas delas com passagem por programas de televisão e capas de revistas.

Entre os pertences de um importante ex-diretor da Petrobras, por exemplo, foi encontrado um comprovante de transferência no valor de R$ 6 mil para uma garota bastante conhecida no meio artístico.

Segundo a própria a contabilidade interna do doleiro, só no ano de 2012, foram gastos R$ 150 mil com as primas de luxo. Na planilha, os pagamentos relacionados à contratação de mulheres eram contabilizados como “artigo 162”, referência ao número do endereço de uma cafetina chamada Jô, e “Monik”.

No documento, há lançamentos de R$ 5 mil, R$ 10 mil e R$ 20 mil.

Muitas primas, revela a planilha, iam receber diretamente no escritório de Youssef.

Verba desviada da Refinaria de Bacabeira foi parar no bolso de Waldir Maranhão
Política

Revelação é do doleiro Alberto Youssef, durante depoimento à CPI da Petrobras

Parte dos R$ 1,82 bilhão - cerca de R$ 2,3 bilhões valores atualizados - investidos pela Petrobras na implantação da Refinaria Premium I, no município de Bacabeira, foi parar no bolso do vice-presidente da Câmara Federal, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), um dos principais aliados do governador Flávio Dino (PCdoB).

O deputado Waldir Maranhão e o governador Flávio Dino, que deu parte do controle da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o aliado
Governo do MA Bigode ainda domina o estado O deputado Waldir Maranhão e o governador Flávio Dino, que deu parte do controle da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o aliado

A revelação foi feita pelo doleiro Alberto Youssef, nessa segunda-feira (11), ao responder uma pergunta feita pela deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA), que queria saber quais políticos receberam propina por contratos feitos pela estatal para construir as usinas Premium 1 e Premium 2, no Ceará.

Segundo Youssef, Maranhão é uma das raposas do PP a tê-lo como uma espécie de banqueiro. O relacionamento da dupla foi conhecido após conversas obtidas pela Polícia Federal no bojo da Operação Lava Jato, com a quebra do sigilo telemático de uma das contas de e-mail usadas pelo doleiro.

Reveladas pela Veja, as conversas mostram que a secretária parlamentar Priscila Barbosa de Souza, lotada à época no gabinete do aliado do governador do Maranhão, enviou em agosto de 2013 comprovantes de ordens bancárias para Alberto Youssef.

No corpo do e-mail, a assessora de Waldir Maranhão diz na mensagem a Youssef: "Seguem os anexos, a pedido do Dep. Waldir Maranhão". Os comprovantes anexados tratam de uma transferência de R$ 9.990,00 oriundos de uma empresas que presta serviços de consultoria tributária.

Maranhão de Todos Nós

Durante a campanha eleitoral de 2014, o PCdoB do Maranhão, chefiado pelo secretário de Articulação Política e Assuntos Federativos, Marcio Jerry Barroso, chegou a processar o editor do Atual7 por publicar que Waldir Maranhão mantinha ligações estreitas com um dos doleiros envolvidos em escamoteamento de dinheiro público (acesse o teor do processo e a decisão da Justiça Eleitoral).

Segundo o partido de Flávio Dino, tudo não passaria de "uma notícia inverídica, insubsistente e absurda".

Comando pelo secretário de Articulação Política, partido de Flávio Dino saiu em defesa de Waldir Maranhão
Atual7 Quem está mentindo, governador? Comando pelo secretário de Articulação Política, partido de Flávio Dino saiu em defesa de Waldir Maranhão

 

Lava Jato: Roseana Sarney e Edison Lobão devem depor na PF nesta terça-feira
Política

Raposas maranhenses são acusadas de propinagem no esquema de corrupção da Petrobras

A ex-governadora Roseana Sarney e o ex-ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão, ambos do PMDB, devem depor na Polícia Federal na próxima terça-feira (28).

A dupla faz parte de uma lista de raposas envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras, encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot. Ambos são acusados de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

Por meio de seus advogados, Roseana chegou a apresentar dois pedidos de arquivamento dos inquéritos no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e a acusar o Ministério Público Federal (MPF) de induzir o depoimento ex-diretor de Abastecimento da estadual, Paulo Roberto Costa. Até agora, porém, nenhum dos pedidos feitos pela peemedebista foi atendido pelo ministro Teori Zavascki, responsável pelo andamento das peças processuais no STF. Já Lobão tem resumido a sua defesa em negar que tenha recebido propina de Costa.

A situação das raposas maranhenses é complicada, por conta do escândalo dos precatórios e de propinagem da UTC/Constran.

Segundo o doleiro Alberto Youssef, Roseana Sarney teria recebimento o total de R$ 6 milhões em propina para adiantar o pagamento de um precatório devido pelo Estado ao chefe do "Clube do Bilhão", o dono da UTC/Constran, Ricardo Pessoa.

Todo o esquema teria sido montado a pedido de Lobão, que ainda é acusado de agir nos bastidores para manter Paulo Roberto Costa no cargo de diretor de Abastecimento da Petrobras.

Integrante da CPI da Petrobras é aliada de investigado por assalto aos cofres da estatal
Política

De acordo com o doleiro Alberto Youssef, Waldir Maranhão fazia parte do grupo que recebia um mensalinho que variava entre R$ 30 mil e R$ 150 mil

A deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA), integrante da CPI da Petrobras, é aliada de uma das 49 autoridades investigadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro, participação na quadrilha que fraudou contratos da estatal com empreiteiras e recebimento de propina do doleiro Alberto Youssef, o também deputado federal Waldir Maranhão (PP), vice-presidente da Câmara.

Gama foi ao aeroporto receber o aliado - e investigado - durante sua primeira visita ao Maranhão, após ser eleito para a vice-Presidência da Câmara
Divulgação Amizade de buscar no aeroporto Gama foi ao aeroporto receber o aliado - e investigado - durante sua primeira visita ao Maranhão, após ser eleito para a vice-Presidência da Câmara

De acordo com Youssef, Maranhão fazia parte do grupo de menor expressão dentro do PP, que recebia repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da "cota" da legenda no esquema de corrupção que atuava dentro da Petrobras.

Em fevereiro deste ano, a aliada de Waldir Maranhão na CPI da Petrobras foi uma das organizadoras de uma festa-recepção ao parlamentar nas dependências do Aeroporto Internacional Cunha Machado, em São Luís, durante sua primeira visita ao estado, após ter sido eleito para a vice-Presidência da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para o biênio 2015-2017.

A parceria entre a deputada que investiga os assaltos à Petrobras e o deputado acusado pelo Ministério Público Federal de assaltar a mesma Petrobras é antiga e tentou o comando do Palácio dos Leões, sede do Governo do Maranhão.

Em 2013, então pré-candidata ao governo estadual, a indicada pelo PPS para integrar a CPI que apura crimes de corrupção na petrolífera chegou a promover rodadas de encontros regionais em conjunto com Waldir Maranhão pelo interior do estado, com o objetivo de fortalecer a Via de Alternativa Popular, o VAP, projeto de poder que tinha como mote apresentar ao eleitor maranhense um discurso diferente da dicotomia Sarney x antisarney.

Dino vai responsabilizar Roseana Sarney por negociata com a UTC/Constran
Política

Ex-governadora é acusada de receber R$ 6 milhões em propina do doleiro Alberto Youssef

O governo do Maranhão vai encaminhar ao Ministério Público um relatório em que responsabiliza a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) no esquema de pagamento de precatórios à empresa Constran, investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal. A informação é de Veja.

Elaborado pela Comissão de Investigação instituída pelo governador Flavio Dino (PCdoB) no primeiro dia de trabalho, o documento trará provas de que o acordo não trouxe qualquer vantagem para o Estado. Oficialmente, o governo de Flavio Dino afirmou que as investigações ainda estão em andamento.

Segundo o doleiro Alberto Youssef, negociação de propina teria sido feita pelo ex-secretário João Abreu
Reprodução Propineiro Segundo o doleiro Alberto Youssef, negociação de propina teria sido feita pelo ex-secretário João Abreu

Por meio de escutas, os investigadores da Lava Jato descobriram que o doleiro Alberto Youssef, pivô do petrolão, negociava o pagamento de precatórios do governo do Maranhão à Constran. A dívida era de R$ 113 milhões e dizia respeito a serviços de terraplanagem e pavimentação da BR-230 contratados na década de 1980. Em um e-mail obtido pela Justiça, Walmir Pinheiro, da UTC Engenharia, comemora o pagamento da primeira parcela do precatório e resume: “Agora é torcer para que o Maranhão honre com as demais parcelas”. Meire Poza, ex-contadora de Youssef, afirmou em depoimento à PF em agosto passado que o valor negociado pelo chefe em nome de Roseana foi de R$ 6 milhões.

O nome da ex-governadora aparece no escândalo desde o início da operação policial, em março do ano passado. Além das negociações para o pagamento da dívida judicial com a Constran, Roseana Sarney foi citada como beneficiária de propina no acordo de delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Pesa ainda contra a peemedebista a informação de que o braço direito de Youssef, Rafael Ângulo Lopez, foi pelo menos três vezes ao Maranhão para entregar propina. Colou ao corpo R$ 300 mil em cada embarque.

Um dos indícios de irregularidades apontado pela comissão de Dino é uma ação rescisória proposta pelo Ministério Público do Maranhão, anterior ao acordo entre o governo estadual e a construtora. A recomendação foi desconsiderada pelo próprio MP do Estado quando a negociação foi fechada. O órgão é comandado pela procuradora-geral de Justiça Regina Rocha, irmã do atual deputado federal Hildo Rocha (PMDB), então secretário de Cidades do governo Roseana Sarney.

Quando o caso veio à tona a Procuradoria Geral do Estado do Maranhão (PGE) reagiu e, em nota oficial declarou regular a negociação dos precatórios. “O Estado do Maranhão não realizou qualquer acordo com o senhor Alberto Youssef”, dizia o documento. Na mesma época, em entrevista ao Jornal Nacional, Roseana também negou as acusações: “Nós só fizemos o que a Justiça mandou, e com a anuência do Ministério Público e do Poder Judiciário”, disse a ex-governadora. No dia seguinte à declaração, o Tribunal de Justiça do Maranhão veio a público negar que tenha determinado o pagamento da dívida.

Diante das denúncias, desde agosto do ano passado está suspenso o pagamento das parcelas da dívida, como determina liminar da juíza Luiza Madeiro Neponucena, da 1ª Vara da Fazenda Pública.

Em seu acordo de delação premiada, o doleiro Alberto Youssef disse que o precatório estava sendo negociado por R$ 40 milhões pelo então chefe da Casa Civil do Estado do Maranhão, João Abreu, e pela contadora de Youssef na época, Meire Poza. Pelo acordo, o valor do precatório seria parcelado em 24 prestações, João Abreu receberia R$ 3 milhões de comissão.

Medo de ser presa afasta Roseana Sarney de Carnaval no Maranhão
Política

Ex-governadora é acusada de receber propina do doleiro Alberto Youssef para facilitar o pagamento de precatórios à UTC/Constran

Legítima e fanática foliona, a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) está sendo obrigada a passar a festa de Carnaval fora do Maranhão - e até mesmo do país - por medo de ser presa.

Fora ou dentro do governo, Roseana Sarney sempre prestigiou o Carnaval no Maranhão
Flickr Ulalá Fora ou dentro do governo, Roseana Sarney sempre prestigiou o Carnaval no Maranhão, ladeada ou vestida de fofão

Desde dezembro de 2014, quando renunciou ao mandato, a peemedebista acompanha da Flórida, nos Estados Unidos, o desenrolar das investigações que envolvem seu nome no recebimento de R$ 4 milhões em propina do doleiro Alberto Youssef para antecipar o pagamento de um precatório de R$ 120 milhões à empreiteira UTC/Constran.

Apesar de beneficiada com a decisão do ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que enviou o caso para ser julgado pela Justiça do Maranhão, onde a corregedora-geral, Nelma Sarney, é sua tia, a ex-governadora do Maranhão teme que, ao voltar ao estado, possa parar na cadeia por todas as informações referentes às supostas irregularidades feitas pelo seu governo no caso UTC/Constran terem sido compartilhadas com o governador Flávio Dino (PCdoB), principal adversário político de sua família.

O compartilhamento das informações em que a filha do ex-senador José Sarney supostamente participa de maracutaias com dinheiro público foi adquirido por Dino por meio da Secretaria de Transparência e Controle do Estado, comandado pelo advogado Rodrigo Lago, filho de um antigo e também ferrenho opositor do Clã, o ex-deputado estadual Aderson Lago. Tanto Dino quanto Lago gozam de grande prestígio junto ao Poder Judiciário local, e podem influenciar diretamente na expedição de um mandato de prisão contra Roseana.

A ida de Roseana Sarney - e de seu cunhado, o ex-secretário de Saúde, Ricardo Murad - para a cadeia é promessa antiga do comunista, que tem afirmado nas redes sociais ter encontrados fortes indícios de irregularidades comedidas pela adversária com a verba dos cofres do estado.

UTC/Constran: Roseana Sarney será julgada pela Justiça do Maranhão
Política

Ex-governadora é suspeita de receber R$ 4 milhões em propina para que antecipasse o pagamento de precatórios à empreiteira

O ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enviou para a Justiça do Maranhão, nesta quinta-feira (5), o caso em que a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB) foi envolvida, a partir da delação do doleiro Alberto Youssef, na Operação Lava Jato. A informação é do colunista Lauro Jardim, de Veja.

De acordo com Jardim, o juiz federal Sergio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato na primeira instância da Justiça, preferia que o caso ficasse sob sua alçada, em Curitiba.

A decisão do ministro do STJ, porém, não significa que todos os casos envolvendo políticos sem foro privilegiado irão necessariamente para os estados de origem do político ou mesmo para onde o eventual crime foi cometido.

Se o STJ avaliar que exista conexão de provas entre o processo de Roseana Sarney e outros políticos com o Petrolão,  a ação continua nas mãos de Sergio Moro.

Embora a peemedebista esteja como ré no processo, ela não tem envolvimento com Petrolão, mas com suspeitas de recebimento de R$ 4 milhões em propina para que antecipasse o pagamento de precatórios à empresa UTC/Constran, no valor de R$ 120 milhões.

Youssef diz ter pago propina da UTC à João Abreu momentos antes de ser preso
Política

Doleiro diz ter levado R$ 1,4 milhão ao quarto do ex-chefe da Casa Civil do governo Roseana Sarney

O doleiro Alberto Youssef, preso em março de 2014 em um hotel de São Luís, durante as investigações da Operação Lava Jato, afirmou em delação à Polícia Federal que, no dia de sua prisão, efetuou pagamento de propina a um integrante do alto escalão do governo Roseana Sarney em nome da UTC.

Alberto Youssef, quando de sua prisão Federal no Hotel Luzeiros, em março passado
Reprodução Veio deixar propina Alberto Youssef, quando de sua prisão Federal no Hotel Luzeiros, em março passado

Segundo Youssef, a entrega do dinheiro ocorreu momentos antes da prisão, no Hotel Luzeiros. Ele afirma ter levado R$ 1,4 milhão ao quarto de Marco Ziegert, emissário do então secretário da Casa Civil de Roseana Sarney, João Abreu. Depois disso, "retornou ao quarto e ficou esperando a polícia chegar", de acordo com relato à Polícia Federal.

Além do dinheiro, ele também levou uma caixa de vinhos como presente para ser entregue a Abreu.

O juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, autorizou o compartilhamento do depoimento de Youssef e outras provas sobre o precatório com o atual governo do Maranhão, comandado pelo comunista Flávio Dino, adversário político do senador Jose Sarney (PMDB/AP), pai de Roseana.

A suposta propina de Youssef veio à tona no ano passado, após a contadora do doleiro, Meire Poza, ter revelado a negociata em depoimento à PF. Segundo ela, o governo do Maranhão recebeu R$ 6 milhões para furar a fila de pagamento de precatórios - que caracteriza, em tese, crime de responsabilidade - e antecipar um pagamento de cerca de R$ 120 milhões para a empreiteira UTC/Constran.

No depoimento à Polícia Federal, Alberto Youssef afirma ter recebido R$ 4 milhões pela operação. Ainda segundo ele, João Abreu recebeu, além dos R$ 1,4 milhão, outras duas parcelas de R$ 800 mil, por meio de emissários.

A Constran teria contratado o doleiro para receber o precatório porque não conseguia receber do governo pela pavimentação de estrada que executara nos anos 1980.

Em nota, o governo do Maranhão defendeu-se, e disse que "não houve favorecimento no pagamento da ação de indenização proposta pela Constran, há mais de 25 anos". "Foi realizado acordo judicial, com acompanhamento do Ministério Público, para negociação dessa ação, que trouxe uma economia de R$ 28,9 milhões aos cofres públicos".

Já a UTC/Constran, que nas eleições de 2014 foi uma das maiores doadoras de campanha do governador Flávio Dino, nega veementemente que tenha rompido a ordem cronológica.

"O acordo foi realizado seguindo todos os trâmites legais e respeitou todos os prazos estabelecidos pela lei. Além disso, a empresa aceitou receber o valor em 24 parcelas sem nenhuma correção ou juros. A Constran repudia qualquer tentativa de relacioná-la ao pagamento de propinas", disse a empreiteira, à época.

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