Máfia de Anajatuba
TRF-1 marca julgamento de inquérito que investiga Braide para dezembro
Política

Investigação da Polícia Federal e MPF apura suposta prática de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região marcou para o próximo mês —portanto, apenas após o término do segundo turno das eleições municipais de 2020—, o julgamento do inquérito policial 0058214-57.2016.4.01.0000, que tem entre os investigados o deputado federal Eduardo Braide (Podemos). O relator é o desembargador federal Olindo Menezes.

Segundo a movimentação processual, o procedimento foi incluído na pauta de julgamento do dia 9 de dezembro deste ano, quando será decidido se os autos devem ser remetidos ao STF (Supremo Tribunal Federal) ou para o Tribunal de Justiça do Maranhão. A discussão gira em torno de haver ou não prerrogativa de foro privilegiado do parlamentar, que é candidato a prefeito de São Luís neste pleito.

Conforme mostrou ponto a ponto o ATUAL7, Braide e quatro empresas maranhenses, a maioria de fachada, são alvo da Polícia Federal e do MPF por suspeita de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade.

A investigação teve início a partir de movimentação financeira atípica do parlamentar e demais investigados, em 2014, capturas pelo antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) —rebatizado de UIF (Unidade de Inteligência Financeira) no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). À época, ele disputava a reeleição para a Assembleia Legislativa do Maranhão.

Na campanha eleitoral de 2020, assim como fez em 2016, Eduardo Braide tentou censurar a imprensa e vem afirmando, insistentemente, que não é nem nunca foi investigado. Contudo, em setembro do ano passado, ele constituiu defesa e outorgou poderes ao escritório Cavalcante de Alencar Advogados Associados para atuar em sua defesa do processo.

Além de Eduardo Braide, também são alvo da investigação as empresas Vieira e Bezerra Ltda - ME, A.J.F Júnior Batista Vieira - ME, Escutec - Pesquisas de Mercado e de Opinião Pública Ltda e A4 Serviços e Entretenimento Ltda. O inquérito 0058214-57.2016.4.01.0000, como vem mostrando o ATUAL7, tem relação com fatos apurados em outra investigação da PF, que desbaratou a chamada Máfia de Anajatuba, e cujo investigados são essas mesmas empresas e o pai do parlamentar, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Carlos Braide.

Vidraça, Braide terá de explicar ao eleitor porque mentiu sobre ser investigado pela PF
Política

Candidato tem a chance de admitir que espalhou fake news e apresentar suas justificativas ao eleitorado de São Luís

Um dos pontos frágeis que abateram Eduardo Braide em 2016 e que podem aniquilá-lo nas urnas, agora em 2020, a investigação da Polícia Federal sobre fatos relacionados ao inquérito da chamada Máfia de Anajatuba terá de ser explicada pelo candidato do Podemos no segundo turno da disputa pela prefeitura de São Luís. Mais: Braide terá de explicar ao eleitor porque mentiu.

Nas semanas antecedentes ao primeiro turno, Eduardo Braide usou o tempo de propaganda eleitoral e redes sociais para dizer, sob a batida estratégia de apresentação de certidões de nada consta, que não é investigado.

“Meus adversários tentam enganar você dizendo que sou investigado. Essa é a mesma mentira que usaram na eleição de 2016. Reafirmo para você: não sou investigado”, garantiu.

Ocorre que, conforme mostrou ponto a ponto o ATUAL7, além das certidões não observarem inquéritos sob sigilo, Braide tem pleno conhecimento de que é alvo de investigação no inquérito 0969/2016-DPF/MA, que apura suposto desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade. Em setembro de 2019, quando o caso estava prestes a subir para o STF (Supremo Tribunal Federal) por conta de foro privilegiado, ele constituiu defesa nos autos do processo 058214-57.2016.4.01.0000, instaurado a partir de investigação iniciada em 2014 e que tramita no TRF (Tribunal Regional Federal) da 1º Região há quatro anos, sob sigilo.

Além disso, segundo a parcial mais recente de prestação de contas do candidato do Podemos, a produção da propaganda eleitoral e publicações nas redes sociais relacionadas à campanha eleitoral estão sendo bancadas com recursos públicos do fundão eleitoral —regalia custeada com recursos oriundos erário cujo aumento Braide votou contra na Câmara, mas vem recebendo e utilizando para pagar as contas de campanha.

Procurado pelo ATUAL7 por meio de sua assessoria, desde o último dia 14, para se explicar a respeito do assunto, ele não retornou o contato.

Para neutralizar a vidraça, Eduardo Braide terá de admitir que espalhou fake news, assumir que é investigado e que sabia da investigação. Terá também de apresentar ao eleitor suas justificativas sobre a mentira que produziu na primeira etapa do pleito —ao ponto de, inclusive, ter processado a imprensa por simplesmente reportar a verdade sobre o caso.

Entenda ponto a ponto o inquérito da PF que investiga Eduardo Braide desde 2014
Política

Caso trata de fatos relacionados à chamada Máfia de Anajatuba. Certidões mostradas pelo candidato no período eleitoral não incluem inquéritos sob sigilo

Um das principais vidraças do deputado federal e candidato a prefeito de São Luís Eduardo Braide (Pode), o inquérito sigiloso instaurado pela Polícia Federal que o classifica como investigado pode subir para o STF (Supremo Tribunal Federal) ou descer para o Tribunal de Justiça do Maranhão.

A discussão se arrasta no TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região desde o ano passado. A decisão se cabe ou não prerrogativa de foro privilegiado, instituto especial criado para que autoridades respondam por supostos crimes cometidos em razão do cargo e durante a vigência do mandato ou da função pública, está sob responsabilidade do desembargador federal Olindo Menezes, da Segunda Seção do TRF-1, registrado sob o número 0058214-57.2016.4.01.0000.

Segundo a PRR (Procuradoria Regional da República) da 1ª Região, o inquérito sigiloso 0969/2016-DPF/MA apura suposta “apropriação indevida de recursos públicos”. A investigação é baseada em movimentações financeiras atípicas envolvendo quatro sociedades empresárias e o parlamentar, à época deputado estadual. Por conta da vultuosa movimentação financeira das empresas estar relacionada ao dispêndio de recursos públicos de diversos municípios maranhenses, há suspeitas de lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade.

Apesar de Eduardo Braide sempre apontar a investigação como invenção de adversários criada por conta das eleições municipais, o inquérito foi instaurado pela Polícia Federal a partir de uma notícia crime de 2014, quando ele sequer era pré-candidato ao Palácio de La Ravardière.

Além disso, certidões de nada consta expedidas pela PF e pelo TRF-1, apresentadas pelo deputado candidato durante o período eleitoral e em processos cíveis e criminais que move contra a imprensa, que em nome da transparência e do interesse público divulga a informação, não servem como prova de que o inquérito não exista ou que seja de conteúdo falso. Isto ocorre porque a pesquisa nos bancos de dados para a emissão das certidões é feita apenas em relação a processos abertos, excetuando-se sigilosos para evitar embaraços às investigações.

Entenda a seguir os detalhes do inquérito, as perguntas ainda sem respostas e confira a checagem do ATUAL7 em declarações de Eduardo Braide.

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O que está sendo investigado?

A PRR-1 e a PF apuram o envolvimento de Eduardo Braide com suposta organização criminosa que teria desviado recursos públicos em diversos municípios do Maranhão, em mais de R$ 25 milhões, quando ele exercia o primeiro mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa. Uma das prefeituras, a de Anajatuba, foi alvo da Operação Attalea, deflagrada em 2014, por participação no esquema criminoso.

Diversos outros municípios são citados no bojo do inquérito por suposto envolvimento com os fatos apurados. Até o momento, porém, nenhum deles foi alvo de operação da PF relacionada ao caso.

Qual a origem da investigação?

A apuração começou em fevereiro de 2014, após o envio à PRR-1 do RIF (Relatório de Inteligência Financeira) 11595 pelo antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) —rebatizado de UIF (Unidade de Inteligência Financeira) no governo de Jair Bolsonaro (sem partido). No documento, encaminhado à procuradora da República Raquel Branquinho, constam informações sobre movimentações financeiras atípicas envolvendo, dentre outros, Eduardo Braide.

Após procedimentos iniciais, os autos chegaram oficialmente ao TRF-1, já como o inquérito policial 0969/2016-DPF/MA, em setembro de 2016.

Conforme o Memorando nº 017/2015-PJR/SR/DPF/MA, assinado pelo delegado da PF Francisco Albuquerque Parente Júnior, em 14 de maio de 2015, em resposta ofício da Notícia Crime sob protocolo 08310.002905/2014-36 encaminhado pela procuradora da República Valquíria Oliveira Quixada Nunes, a investigação tem relação com o inquérito policial nº 452/2014-SR/DPF/MA, sob presidência do delegado Ronildo Ribeiro, que investiga esquema de corrupção na Prefeitura de Anajatuba. Após a deflagração da Operação Attalea, o caso ficou conhecido no Maranhão como Máfia de Anajatuba.

Protagonista em 2014 da primeira reportagem de Eduardo Faustini para o quadro “Cadê o dinheiro que tava aqui?”, do Fantástico, Rede Globo, a corrupção em Anajatuba botou na cadeia o ex-prefeito do município e aliado de Eduardo Braide, Helder Aragão (MDB) —que em 2020 tenta retornar ao comando da prefeitura.

Quem são os investigados?

São alvos do inquérito o deputado Eduardo Braide e as empresas Vieira e Bezerra Ltda - ME, A.J.F Júnior Batista Vieira - ME, Escutec - Pesquisas de Mercado e de Opinião Pública Ltda e A4 Serviços e Entretenimento Ltda.

Embora diversas outras pessoas físicas e jurídicas sejam citadas no relatório do COAF, com base em reportagens da imprensa, a investigação foi concentrada apenas nas empresas e em Eduardo Braide, este último em razão de Matilde Sodré Coqueiro, que aparece em várias operações em espécie tituladas por essas sociedades empresarias, além de ser empregada em duas das empresas investigadas, também aparecer ocupando cargo em comissão na Assembleia Legislativa do Maranhão, por designação de Eduardo Braide. Vendedor de notas frias e um dos cabeças da Orcrim, Fabiano de Carvalho Bezerra também ocupou cargo em comissão na Alema por designação de Eduardo Braide e, anteriormente, de seu pai, o ex-presidente da Casa, Carlos Braide. Na Alema, ele embolsou mais de R$ 840 mil, entre 2008 e 2014.

Quais os possíveis crimes apontados pelos investigadores?

Desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade.

Quais perguntas ainda estão sem resposta?

1. Por qual motivo Eduardo Braide ainda não foi ouvido no bojo do inquérito, conforme diligência inicial sugerida à Superintendência Regional da PF no Maranhão, desde 17 de março de 2014, pela procuradora da República Valquíria Oliveira Quixada Nunes?
2. Qual entrave da PF, PRR-1 e TRF-1 para concluir o inquérito e denunciar supostos envolvidos ou arquivá-lo por falta de provas?
3. Na movimentação financeira atípica de Eduardo Braide, capturada pelo COAF, consta alguma transação bancária entre as empresas investigadas e Eduardo Braide?
4. Foram instaurados inquéritos paralelos para investigar as outras pessoas físicas e jurídicas citadas no RIF do COAF?
5. A investigação encontrou alguma relação com o mandato de deputado federal Eduardo Braide para justificar a permanência no inquérito no TRF-1 ou ter chegado a decidir que o remeteria ao STF?
6. O que a Polícia Federal descobriu a partir da quebra de sigilo 0017918-22.2018.4.01.0000/MA, no bojo do inquérito 0969/2016-DPF/MA?
7. Porque Eduardo Braide diz que não é investigado se ele já constituiu defesa no inquérito 0969/2016-DPF/MA?

Eduardo Braide deu declarações falsas sobre o inquérito?

Sim! Assim como no pleito de 2016, nas eleições de 2020 o candidato tem novamente exibido certidões da Polícia Federal e do Tribunal Regional da Federal da 1ª Região que mostram que nada consta contra ele, e com isso afirmado que não é nem nunca foi investigado.

“Meus adversários tentam enganar você dizendo que sou investigado. essa é a mesma mentira que usaram na eleição de 2016. Reafirmo para você: não sou investigado”, disse em recente propaganda eleitoral custeada com recursos públicos de fundo.

“A verdade está aqui nesse documento da Polícia Federal, emitido sexta-feira, 6 de novembro de 2020. Além disso, tenho aqui também a certidão do Tribunal Regional Federal, que mostra o meu nome e o ‘nada consta’. Isso quer dizer que não existe nenhuma investigação contra mim. Zero!”, acrescentou.

Ocorre que esses certidões são emitidas apenas com base em investigações que não estão sob sigilo, o que não é o caso do inquérito que apura o envolvimento de Braide e quatro empresas que atuação na Máfia de Anajatuba. Além disto, a certidão de nada consta da PF, por exemplo, trata de busca sobre casos de indiciamento, não de investigação. As figuras indiciado e investigado são distintas na esfera criminal.

O próprio Eduardo Braide, pelo menos desde o ano passado, tem conhecimento pleno de que está dando declarações falsas e que o inquérito está em conclusão para decisão/despacho do desembargador Olindo Menezes, com última movimentação registrada nesta quinta-feira 12. Isto porque, em setembro do ano passado, ele assinou uma procuração Ad Judicia em que outorga a quatro advogados do escritório Cavalcante de Alencar Advogados Associados poderes para atuar no inquérito policial 0969/2016-DPF/MA, referente ao processo 058214-57.2016.4.01.0000, que tramita no TRF-1.

Na movimentação processual no site da Corte, inclusive, por conta do sigilo, o nome de Eduardo Braide e demais investigados não é mostrado (daí o porquê das certidões de nada consta, como já explicado). Na guia Petições, porém, há o registro de entrada do dia 17 de setembro do ano passado de embargos de declaração identificados como E S B, iniciais do nome completo do deputado candidato, Eduardo Salim Braide.

Outro lado

Procurado pelo ATUAL7 por meio de sua assessoria, o deputado federal e candidato a prefeito de São Luís Eduardo Braide não retornou os e-mails, ligações e mensagens insistentemente feitas, desde o ano passado e novamente neste ano, para que explicasse as declarações de que não é nem nunca foi investigado —ditas, inclusive, em processos contra profissionais de imprensa que tramitam na Justiça do Maranhão no TRE (Tribunal Regional Eleitoral)—, se ele próprio constituiu defesa no processo 058214-57.2016.4.01.0000, relacionado ao inquérito policial 0969/2016-DPF/MA.

Por telefone, Fernando Júnior, o sócio proprietário da Escutec, que aparece no relatório financeiro do COAF e também é alvo do inquérito na PF, repetiu Braide, e disse ao ATUAL7 que a empresa “nunca foi citada, ouvida, investigada ou auditada pela Receita Federal”.

“O COAF comunicou a movimentação atípica de várias empresas, inclusive da Escutec. Só que isso não resultou no indiciamento da empresa, e não fomos citados em nenhuma investigação. A empresa tem a contabilidade dela em dia”, declarou.

Os demais investigados não foram encontrados pelo ATUAL7.

Fabiano Bezerra, da Máfia de Anajatuba, é condenado à prisão por desvio em Bom Jardim
Política

Organização criminosa fraudou licitações em mais de 60 municípios no Maranhão. Empresário é pivô em investigação sobre funcionários fantasmas de Carlos e Eduardo Braide

O empresário Fabiano de Carvalho Bezerra, um dos principais operadores da chamada Máfia de Anajatuba, organização criminosa que atuou em fraudes em licitação em mais de 60 municípios no Maranhão, foi condenado a quatro anos e três meses de reclusão por desvio de dinheiro público em Bom Jardim. A decisão foi proferida no último dia 20.

Também foram condenados a prisão a ex-prefeita Lidiane Leite (8 anos e 11 meses), o empresário Antônio Oliveira e o ex-marido da ex-gestora, Humberto Dantas dos Santos, o Beto Rocha, a oito anos e três meses, cada. Foi fixado, ainda, o pagamento de multa no valor de R$ 5 milhões pelos danos causados aos cofres públicos de Bom Jardim.

Contudo, os condenados poderão recorrer em liberdade.

A investigação do Ministério Público do Maranhão comprovou que eles forjaram licitações para reforma de 13 escolas municipais e locação de automóveis para a prefeitura, frustrando, mediante fraude, o caráter competitivo do procedimento, ao fingir uma competição, que, na verdade, não existiu.

Segundo o MP-MA, a Zabar Produções foi indicada por Beto Rocha, amigo do proprietário da empresa, Antônio Oliveira, para reformar as escolas, ao custo de quase R$ 1,4 milhão aos cofres públicos, mas fez reparos apenas em quatro unidades.

Já a A4 Entretenimento, de Fabiano Bezerra, recebeu mais de R$ 2,7 milhões do município pela locação de automóveis, mesmo sem ter vínculo com terceirizados que também alugaram veículos para a prefeitura.

A A4 é a mesma empresa usada por Fabiano Bezerra para desviar dinheiro em Anajatuba e outros municípios maranhenses.

Funcionário fantasma

Fabiano Bezerra é um dos pivôs em outro procedimento do Ministério Público, que tramita em sigilo há mais de quatro anos, por haver atuado como funcionário fantasma nos gabinetes de Carlos Braide e Eduardo Braide, pai e filho, na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Segundo apurou o ATUAL7, Fabiano Bezerra embolsou R$ 840 mil durante o período em que foi lotado, entre os anos de 2008 e 2012, no cargo em comissão de Técnico Parlamentar Especial de Carlos Braide, recebendo R$ 10 mil como salário; e 2012 a 2014, quando permaneceu na AL-MA no mesmo cargo, desta vez lotado no gabinete de Eduardo Braide, mas com o salário maior, de cerca de R$ 15 mil.

Toda a investigação contra o deputado foi anexada a um inquérito civil, com o objetivo mais amplo e também sigiloso, que apura supostas irregularidades na estrutura funcional da Alema.

Aumento de pena para crime contra honra na internet tem apoio de 12 deputados do MA
Política

Medida que triplica a punição para injúria, calúnia e difamação cometidos nas redes foi inserida e aprovada pelo Congresso no pacote anticrime

Incluído pela Câmara dos Deputados no pacote anticrime de iniciativa do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), o artigo que triplica a pena para quem comete crimes contra a honra na internet teve o apoio de pelo menos 12 dos 18 parlamentares federais do Maranhão.

Votaram a favor do projeto de lei: Dr. Gonçalo (Avante), Juscelino Filho (DEM), Marreca Filho (Patriota), Márcio Jerry (PCdoB), Gil Cutrim (PDT), Gildenemyr (PL), Eduardo Braide (Podemos), André Fufuca (PP), Gastão Vieira (PROS), Bira do Pindaré (PSB), Edilázio Júnior (PSD) e Pedro Lucas Fernandes (PTB).

Destes, pelo menos Braide já é conhecido por uso de censura, por via judicial, contra blogueiros que divulgaram, com base em documentos oficiais, a instauração de investigações no âmbito do Ministério Público do Maranhão e da Polícia Federal sobre suposto envolvimento dele em casos de corrupção —ambos procedimentos gerados a partir de investigações relacionadas à chamada Máfia de Anajatuba.

O signatário deste texto, inclusive, é um dos alvos do parlamentar, tanto na esfera cível quanto na criminal.

Durante conversa com jornalistas ao deixar o Palácio do Planalto, neste domingo 15, o presidente Jair Bolsonaro disse que vetará o artigo que trata a respeito de crimes contra a honra.

“Vou vetar aquele artigo que fala em triplicar a pena para crimes na internet, de injúria, calúnia, difamação. Internet é território livre. Eu quero a liberdade de imprensa. Ninguém mais do que eu sou atacado na internet, não é por isso que vou querer achar que tem que criminalizar”, disse.

Aprovada pelo Congresso na semana passada, a medida acrescenta um parágrafo ao artigo 141 do Código Penal, dentro do capítulo de crimes contra a honra, como injúria, calúnia, exceção da verdade e difamação. Conforme o texto, se o crime for cometido ou divulgado pelas redes sociais, a pena será aplicada em triplo.

Pela legislação atual, o crime de calúnia (imputar falsamente a alguém fato definido como crime) é punido com detenção de seis meses a dois anos e multa. A difamação (imputar fato ofensivo à reputação) tem pena de detenção de três meses a um ano, além de multa. A injúria (ofender a dignidade ou decoro) tem como punição detenção de um a seis meses, ou multa —se houver agravantes, como uso da violência ou envolver raça, religião ou etnia, a pena aumenta.

Caso Bolsonaro vete mesmo esse ponto, o Congresso ainda tem a palavra final. Ele pode derrubar o veto e restabelecer a medida por meio do voto da maioria dos 513 deputados e 81 senadores.

MP abre 12 inquéritos para investigar elo entre Máfia de Anajatuba e Zito Rolim
Política

Investigações apontam que Orcrim atuou em pelo menos 70 municípios do Maranhão. Cabeça e laranja do esquema eram fantasmas no gabinete de Eduardo Braide

O Ministério Público do Maranhão instaurou pelo menos que 12 inquéritos civis públicos para apurar o possível assalto aos cofres públicos do município de Codó, pela célebre Máfia de Anajatuba, durante a gestão do ex-prefeito da cidade, Zito Rolim (PV). A informação do Blog do Acélio Trindade.

As investigações estão ao cuidado da promotora de Justiça Linda Luz Matos Carvalho, e foram iniciadas ao longo das últimas semanas.

Operada por meio das empresas de fachada Vieira e Bezerra Ltda – Epp (atual F. C. B. Produções e Eventos) e A4 Produções e Entretenimento Ltda, a organização criminosa teria recebido soma ainda não divulgada para realizar as festividades de Carnaval, São João e de aniversário de Codó, a partir de 2009.

Todos os inquéritos abertos pelo Parquet visam apurar diversos contratos entre a administração de Zito Rolim com duas empresas, por inexibilidade ou dispensa de licitação — mesma forma de atuação da Orcrim em Anajatuba, até ser desbaratada em operação conjunta do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e da Polícia Federal.

Fantasmas

Conforme revelado em série de reportagens do ATUAL7, tanto a Vieira e Bezerra quanto a A4 Produções e Entretenimento tinham como real proprietário o empresário Fabiano de Carvalho Bezerra, então funcionário-fantasma do gabinete do deputado estadual Eduardo Braide (PMN). O parlamentar, inclusive, é alvo de investigação sobre o emprego irregular a Fabiano e outros membros da quadrilha, e por suposta lavagem de dinheiro e apropriação indevida de recursos públicos, possivelmente oriundo do esquema, segundo a PF.

Braide nega as suspeitas, e conseguiu na Justiça a censura a algumas publicações a respeito das investigações.

O proprietário do Instituto de Pesquisas Escutec, Antonio José Fernando Júnior Batista Vieira, também é apontado como integrante da organização criminosa, tendo sido preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, por decisão da Justiça estadual. Ele teve ainda decretado a indisponibilidade de seus bens. A participação de Fernando Júnior no esquema, segundo as investigações, teria sido por meio da empresa A.J.F. Júnior Batista Vieira, a Altis Comunicação, de sua propriedade, que atua nos mesmos moldes das empresas de fachada de Fabiano Bezerra.

Todos, inclusive o instituto e as empresas, também são alvos da PF na mesma investigação sobre Braide.

Esquema operou em 70 cidades

Além de Anajatuba e Codó, outras 68 cidades maranhenses também teria sido operados pela Máfia de Anajatuba, de acordo com as investigações da Polícia Federal. Algumas outras delas, como Bom Jardim, Barra do Corda, CaxiasOlho d’Água das Cunhãs, Timbiras, Parnarama, Trizidela do Vale, Tuntum, Itapecuru-Mirim, Alcântara e Mirinzal já estão também sob investigação do MP maranhense.

Mais de R$ 60 milhões teriam sido subtraído dos cofres públicos em apenas 30 desses municípios. Diversos outros empresários, prefeitos, ex-prefeitos e até deputados federais também são suspeitos de operar por meio da quadrilha.

 

PGJ anexa investigações contra Braide em inquérito contra a AL-MA
Política

Parlamentar virou alvo da Procuradoria a partir de levantamentos sobre a Máfia de Anajatuba. Investigação mais ampla apura irregularidades na estrutura funcional da Casa

A Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) decidiu anexar as investigações abertas contra o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) ao inquérito civil, com o objetivo mais amplo, que apura supostas irregularidades na estrutura funcional da Assembleia Legislativa do Maranhão. Ambos correm sob sigilo. A informação foi obtida pelo ATUAL7 por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) — baixe o documento.

Braide virou alvo de investigações a partir da descoberta da célebre Máfia de Anajatuba, organização criminosa (Orcrim) de desvio de dinheiro público que envolve ainda outros 29 municípios maranhenses, segundo o Grupo de Atuação de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão.

A apuração sobre o envolvimento de Braide com o esquema foi iniciada em novembro de 2015, mesmo ano da instauração do inquérito contra a Assembleia Legislativa. De acordo com documentos obtidos pela reportagem, telas internas do Sistema Integrado do Ministério Público (SIMP) mostra que a última movimentação nas investigações contra o deputado, antes do apensamento ao inquérito contra o Legislativo estadual, foi realizada no dia 18 de abril deste ano.

Sobre a demora na conclusão das investigações, a PGJ afirma que ocorre devido à complexidade das investigações.

“O procedimento está ativo, com sigilo decretado, esclarecendo-se que a demora na conclusão se dá em face da complexidade das investigações”, diz o parecer assinado pelo assessor especial de investigação da PGJ, Cláudio Rebelo Correia Alencar.

Censura

Em julho deste ano, o ATUAL7 foi alvo de censura por parte do Judiciário maranhense, a pedido de Eduardo Braide.

Pelo menos três, das quatro reportagens excluídas a mando da Justiça, detalhavam a existência das investigações contra o deputado, inclusive pela Polícia Federal, por ele haver empregado em seu gabinete integrantes da chamada Máfia de Anajatuba, dentre eles um dos chefes da Orcrim e dono de empresas de fachada, Fabiano de Carvalho Bezerra, e por suposta apropriação indevida de recursos públicos pelo parlamentar.

Apenas uma das matérias censuradas tratava a respeito de outro assunto, precisamente sobre a forma com que Braide, então líder do bloco governista na Assembleia Legislativa do Maranhão, conduziu a votação sobre a primeira proposta do Palácio dos Leões em aumentar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) de produtos e serviços.

Além da exclusão, a Justiça determinou ainda o pagamento de indenização de mais de R$ 50 mil ao deputado por conta das publicações, em razão da Justiça haver entendido que as revelações o difamaram.

Outro lado

Procurado pelo ATUAL7, Eduardo Braide informou por meio de sua assessoria que “não investigado” no Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do Gaeco que resultou na ação penal contra a Máfia de Anajatuba. Ele encaminhou à reportagem uma certidão de setembro de 2015 — “emitida pelo próprio Gaeco”, ressalta —, que atesta a sua defesa.

Sobre a notícia de fato instaurada pela PGJ contra ele a partir dos levantamentos contra a Orcrim, Braide alega que “desconhece a existência” dessa investigação e diz que “nunca foi citado, intimado ou recebeu qualquer outra comunicação acerca da notícia” — baixe a certidão.

MP investiga contratação da Vieira Bezerra por Rodrigo Oliveira
Política

Empresa pertence ao empresário Fabiano Bezerra. Ela é apontada pela PF e Gaeco como braço da célebre Máfia de Anajatuba

O Ministério Público do Maranhão instaurou inquérito civil para apurar suposta ilicitude na contratação da empresa Vieira Bezerra Ltda pela Prefeitura Municipal de Olho d’Água das Cunhãs, durante a primeira administração do pecuarista Rodrigo Oliveira (PDT).

Pertencente ao célebre Fabiano da Silva Bezerra, a empresa é apontada em Procedimento Investigatório Criminal (PIC) da Polícia Federal e do Grupo de Atuação de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) como um dos braços empresarias da organização criminosa (Orcrim) que ficou nacionalmente conhecida como Máfia de Anajatuba.

As investigações contra a gestão do pedetista foram abertas no mês passado e correm sob sigilo, aos cuidados da promotora de Justiça Gabriele Gadelha Barboza de Almeida.

De acordo com os autos, a contratação da Vieira Bezerra aconteceu durante o primeiro ano de mandato de Rodrigo Oliveira como prefeito de Olho d’Água das Cunhãs, em 2013, para a realização de eventos e artes culturais.

Além do município, conforme revelado pelo ATUAL7, segundo investigações da PF e do Gaeco, a Vieira Bezerra Ltda e outras três empresas da Orcrim atuaram em pelo menos outras 29 cidades maranhenses. Mais de R$ 60 milhões teriam sido desviados dos cofres públicos, segundo último levantamento feito, há cerca de dois anos. Ex-deputados estaduais e atuais deputados estaduais e federais também teriam envolvimento direto no esquema. Todos são investigados.

Justiça censura reportagens sobre Eduardo Braide e Máfia de Anajatuba
Política

Matérias tratavam sobre PIC do Gaeco e inquérito da PF. Documentos mostravam que integrantes de Orcrim eram lotados no gabinete do parlamentar

A Justiça do Maranhão, em resposta a uma ação do deputado estadual Eduardo Braide (PMN), censurou quatro reportagens produzidas pelo ATUAL7 sobre o parlamentar ser alvo de investigação do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Federal por haver empregado em seu gabinete integrantes da chamada Máfia de Anajatuba e por suposta apropriação indevida de recursos públicos.

Na sentença, há ainda uma determinação de pagamento de mais de R$ 50 mil de indenização ao deputado.

Segundo documentos mostrados nas publicações, o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do Ministério Público faz parte do calhamaço que levou o próprio Judiciário maranhense a determinar a cassação e prisão do então prefeito de Anajatuba, Hélder Aragão, no ano de 2015. Já o inquérito da PF trata sobre movimentações financeiras atípicas envolvendo empresas participantes da organização criminosa que saqueou os cofres públicos do município e o parlamentar.

Apenas uma das matérias censuradas tratava a respeito de outro assunto, precisamente sobre a forma com que Braide, então líder do bloco governista na Assembleia Legislativa, conduziu a votação sobre a proposta do Palácio dos Leões em aumentar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) de produtos e serviços.

Os conteúdos da reportagens originais foram retirados do site, logo após o ATUAL7 receber a intimação da decisão judicial.

Denúncia mostra que Máfia de Anajatuba atuou em Bom Jardim
Política

Poder Judiciário vai decidir se esquema entre Lidiane Leite, Beto Rocha, Fabiano Bezerra e outros fraudou licitações e desviou dinheiro público no município

Denúncia aceita pelo Poder Judiciário do Maranhão aponta que a célebre Máfia de Anajatuba — conhecida nacionalmente por protagonizar a estreia do quadro “Cadê o dinheiro que tava aqui?”, do Fantástico, na Rede Globo —, que operou ainda em Barra do Corda, também atuou no município de Bom Jardim.

Segundo o Ministério Público, autor da denúncia, o esquema foi montado com o objetivo fraudar licitações na prefeitura e, com isso, efetuar desvio de dinheiro público e promover lavagem do dinheiro para dar uma aparência de licitude às ações criminosas realizadas. Além da ex-prefeita Lidiane Leite, os citados na denúncia são Humberto Dantas dos Santos; o “Beto Rocha”, ex-secretário de Articulação Política de Bom Jardim; Antônio Oliveira da Silva e Karla Maria Rocha, sócios da empresa Zabar Produções; e Fabiano de Carvalho Bezerra, real proprietário da empresa A4 Produções e Eventos, Vieira e Bezerra Ltda - EPP (atual F. C. B. Produções e Eventos).

Funcionamento da Orcrim

Todo o esquema teria se iniciado com a candidatura de Lidiane Leite da Silva para prefeita de Bom Jardim, cargo alcançado em virtude das pendências com a Justiça Eleitoral que impediam Humberto Dantas dos Santos a se candidatar. Neste contexto, diz a narrativa da denúncia acatada pela Justiça, logo no início do mandato, Lidiane Leite nomeou Beto Rocha como secretário de Articulação Política. “Contudo, este passou a agir como prefeito de fato, fatos que afirma serem condizentes com os depoimentos tomados nos Procedimentos Investigatórios conduzidos pelo Ministério Público”.

O Parquet ressalta que, em relação a administração de Bom Jardim, havia uma prefeita de direito (Lidiane Leite) e um prefeito de fato (Beto Rocha), e que no exercício do mandato e do cargo teria se iniciado a execução do plano de Rocha consistente na formalização de organização criminosa voltada para o desvio de recursos públicos municipais. Descreve que o esquema criminoso, executado por ele, em concurso com Lidiane Leite, consistiu em constituição de uma comissão permanente de licitação com pessoas de sua confiança, a fim de que eles elaborassem procedimentos licitatórios de forma a favorecer seus interesses.

“Informa que Antônio Américo de Sousa Neto, nomeado presidente desta Comissão, e que nela teria trabalhado entre janeiro e maio de 2013, e que segundo declarações prestadas à Promotoria de Bom Jardim, este afirmou que esteve trabalhando nesta comissão e não teria ocorrido nenhuma licitação, o que corroboraria a tese ministerial de que apesar da suposta data de realização dos procedimentos (04/2013), estes teriam sido 'fabricados' em momento posterior, com intuito de conferir aspecto legítimo ao ilícito supostamente perpetrado”, enfatiza a denúncia.

Alega o órgão ministerial que Beto Rocha escolhia pessoas dispostas a participar do esquema, que seriam proprietárias de empresas registradas, e que apesar da aparente ausência de capacidade técnica, participavam, e eram vencedoras dos procedimentos licitatórios, disputados sem concorrência, devido à falta de publicidade conferida pelos gestores.

“(...) Afirma que os empresários que compunham a organização, e participavam das organizações fraudulentas foram Antônio Oliveira da Silva e Fabiano de Carvalho Bezerra (...) Consta na inicial, que Antônio Oliveira da Silva mantinha tratativas diretas com Humberto Dantas dos Santos (Beto Rocha), e era o proprietário da empresa Zabar Produções, e segundo declarações de Lúcia de Fátima Santos Costa, Antônio Oliveira da Silva, conhecido como Zabar, teria sido visto na prefeitura na companhia de Humberto Dantas dos Santos, em data anterior às licitações, pressionando a comissão licitante, para que seus membros elaborassem os procedimentos licitatórios de forma mais rápida”, explica o MP-MA.

Depoimentos

Conforme depoimentos, verificou-se que Beto Rocha afirmou que os procedimentos licitatórios poderiam ser realizados em um dia, bem como que Antônio Oliveira da Silva teria dito que faria um negócio muito bom para a Prefeitura de Bom Jardim, e tendo lhe oferecido alugar seu carro, e dos demais membros da comissão, com o dinheiro que ganharia quando vencesse a licitação de locação de veículos.

“Neste contexto, o Ministério Público do Estado do Maranhão conclui a existência de um vínculo entre Humberto Dantas, Lidiane Leite, Antônio Oliveira e Fabiano Bezerra, que previamente se organizariam para a fraude em procedimentos licitatórios, a exemplo dos procedimentos licitatórios com objetos de reforma de escolas e locações de veículos”.

Descreve, ainda, o Ministério Público a prática de inúmeras irregularidades e crimes realizados durante os procedimentos licitatórios, tal como a tomada de preços 01/2013, que tinha como objeto promover reformas em escolas, afirmando que em tal procedimento a ata e as certidões negativas do FGTS e de débitos trabalhistas, além do cartão do CNPJ, estariam irregulares, constando ausência de assinatura em documentos essenciais, e que alguns documentos de habilitação, teriam sido produzidos após o horário informado na ata de sessão pública.

Dinheiro público torrado

Quanto ao proveito econômico dos delitos, afirma que cada membro da organização providenciou a ocultação da origem ilícita de tais bens, sendo que Beto Rocha teria investido em suas propriedades rurais, muitas delas registradas em nome de seu pai; Karla Rocha teria utilizado em suas viagens pela Europa; Lidiane Leite, ostentando uma vida luxuosa, comprou uma SW4, que teria sido adquirida, em nome de seu pai, dois apartamentos em São Luís; e Fabiano Bezerra teria adquirido vários bens, colocando-os em nome de terceiros, o mesmo feito por Antônio Silva.

Para o juiz Raphael Leite Guedes, a inicial cumpriu a necessária individualização da conduta de cada um dos denunciados, “havendo clara e suficiente descrição dos fatos imputados segundo o contexto em que foram inseridos, com a narrativa da conduta dos agentes e dos supostos delitos com as devidas circunstâncias de tempo, lugar e modo, sem que se possa avistar qualquer prejuízo ao exercício de defesa”.

“Reitera-se que, é firme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que o ato judicial que formaliza o recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público não se qualifica nem se equipara, para os fins a que se refere o art. 93, inciso IX, da Constituição, a ato de caráter decisório”, explica Raphael.

E finaliza: “Ante o exposto, recebo a presente denúncia, haja vista que restam preenchidos os requisitos de lei (art. 41 do C.P.P.), pelo que entendo que deva ser recebida nos termos em que proposta. Citem-se os acusados para responderem à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias, podendo arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário. Ultrapassado o prazo sem apresentação de defesa por defensor constituído, encaminhem-se os autos à Defensoria Pública Estadual para a apresentação da defesa no mesmo prazo”.

Justiça alcança mais um prefeito que operou com a Máfia de Anajatuba
Política

Eric Costa, de Barra do Corda, teve decretada a indisponibilidade de seus bens. Contratação da empresa de Fernando Júnior causou prejuízos aos cofres públicos

A Justiça do Maranhão alcançou o prefeito do município de Barra do Corda, Wellryk Oliveira Costa da Silva, o Eric Costa (PCdoB), mais um operador do célebre esquema de corrupção que ficou conhecido nacionalmente como Máfia de Anajatuba — primeira cidade onde foi desbaratada a organização criminosa.

Em decisões proferidas pelo juiz Antônio Elias de Queiroga Filho, que cuida da 1ª vara da Comarca do município, o comunista teve decretada a indisponibilidade de seus bens por causar prejuízo aos cofres públicos.

Segundo o Ministério Público, autor de duas ações de improbidade administrativa contra Eric Costa, o prejuízo foi causado na contratação da empresas A.J.F. Júnior Batista Vieira, a Altis Comunicação, de propriedade do empresário Fernando Júnior; e Vieira e Bezerra Ltda (atualmente F.C.B. Produções e Eventos Ltda, a F&F Produções e Eventos), representada pelo célebre Fabiano de Carvalho Bezerra. Ambos são apontados pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) como cabeças da Orcrim que protagonizou o início do quadro “Cadê o dinheiro que tava aqui?”, do Fantástico, Rede Globo.

Ausência de documentação

Nas ações, o MP-MA aponta que Eric Costa firmou pelo menos dois contratos irregulares com as empresa de Fernando Júnior e Fabiano Bezerra, em 2013, para a realização de festividades naquele ano no município. Em ambos os contratos, foi constatado a falta de documentação necessária para a realização dos acordos.

Para o Parquet, essa irregularidade facilitou a prática de atos que causaram prejuízos ao Erário, uma vez que “acarretou a prestação de bens/serviços por preço superior ao de mercando, frustrando a licitude do processo licitatório, permitindo, assim, o enriquecimento ilícito de terceiros”.

Ao decidir sobre o pedidos, Antônio Queiroga Filho também ressaltou a gravidade das acusações que pesam contra o prefeito de Barra do Corda. Para o magistrado, a ausência de farta documentação necessária ao processo licitatório leva à conclusão de que várias etapas foram simplesmente ignoradas. Na visão do juiz, o intuito foi o de “escamotear a própria finalidade da competição entre eventuais concorrentes”.

O servidor Oilson de Araújo Lima, coordenador de Receitas e Despesas da Prefeitura Municipal de Barra do Corda, também teve decretada a indisponibilidade de seus bens.

PGJ alega sigilo e nega acesso às investigações contra Coutinho e Braide
Política

Deputados são investigados por suposto desvio de dinheiro público em conluio com as empresas da Máfia de Anajatuba

A Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) negou pedido de acesso às investigações abertas pelo órgão contra os deputados Humberto Ivar Coutinho (PDT) e Eduardo Salim Braide (PMN) — que na foto acima aparecem com a presidente da Comissão de Ética da Assembleia Legislativa, Francisca Primo (PCdoB) —, por suposto desvio de dinheiro público em esquema criminoso com as empresas fantasmas que operavam na chamada Máfia de Anajatuba.

O pedido de acesso foi feito pelo ATUAL7 no início de novembro de 2016, com base na Lei nº. 12.527/2011, a chamada Lei de Acesso à Informação, que garante o fornecimento das informações públicas, em até 30 dias. Contudo, o pedido foi respondido pela PGJ somente no final de janeiro último, já fora do prazo estabelecido pela legislação que regulamenta o direito constitucional, após insistentes tentativas da reportagem.

Na solicitação, foi relatada a correta apuração de possíveis crimes contra a Administração Pública, o interesse público e a previsão constitucional de publicidade dos processos.

Porém, em manifestação confusa e econômica assinada pelo promotor de Justiça Reginaldo Júnior Carvalho, acolhida pelo procurador-geral de Justiça, Luiz Gonzaga, a PGJ alega não ter sido informada no pedido sobre a legitimidade do propósito para a obtenção das informações; e que os autos do processos estão sob sigilo de investigação. A classificação da blindagem, obrigatória em casos de negativa de informações, não é informada no documento.

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Pelo texto da LAI, as informações de caráter sigiloso são aquelas que a divulgação possa colocar em risco a segurança da sociedade (vida, segurança, saúde da população) ou do Estado (soberania nacional, relações internacionais, atividades de inteligência). Por isso, diz a lei, apesar de serem públicas, o acesso a elas deve ser restringido por meio da classificação da autoridade competente. Conforme o risco que sua divulgação pode proporcionar à sociedade ou ao Estado, a informação pública pode ser classificada como: Ultrassecreta, com prazo de segredo de 25 anos (renovável uma única vez); Secreta, com prazo de segredo de 15 anos; ou Reservada, com prazo de segredo de 5 anos.

Ainda de acordo com a Lei de Acesso à Informação, as solicitações podem ser negadas sob a alegação de sigilo apenas quando há investigações em andamento, devido a existência do interesse público na elucidação do suposto crime. Porém, deflagrada a ação penal, isto é, uma vez iniciado o processo, todo o caso deve tornar-se público, com pleno acesso aos seus elementos e provas.

Embora não se tenha tido acesso aos autos, a negativa da PGJ ao ATUAL7 aponta que Humberto Coutinho e Eduardo Braide permanecem como investigados por suposto desvio de dinheiro público por meio das empresas fantasmas que operavam na chamada Máfia de Anajatuba.

Recentemente, o pai do parlamentar do PMN, o ex-presidente da AL-MA, Antônio Carlos Braide, apontado pelo Grupo de Atuação Especial no Combate a Organizações Criminosas (Gaeco) e pela Polícia Federal como um dos cabeças do esquema criminoso, teve denúncia contra ele rejeitada pela Justiça.

Máfia de Anajatuba: Justiça rejeita denúncia contra Carlos Braide
Política

Ex-presidente da AL-MA é apontado pelo Gaeco com um dos cabeças da Orcrim. PGJ ainda não informou se vai recorrer

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ) do Maranhão rejeitou, por unanimidade, denúncia oferecida pela Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Antônio Carlos Braide, pai do deputado estadual e candidato a prefeito derrotado em São Luís, Eduardo Braide (PMN).

Além dele, de um total de 26 denunciados, outros 11 também tiveram a denúncia rejeitada pelos desembargadores Froz Sobrinho, José Joaquim Figueiredo e Tyrone Silva, relator do caso.

Baixe o voto do relator seguido pelos demais desembargadores

Oferecida no dia 22 de julho de 2015, a denúncia diz respeito à chamada 'Máfia de Anajatuba', esquema de empresas de fachada e sócios-laranjas que, segundo o Ministério Público do Maranhão, havia sido montado para desviar dinheiro público dos cofres do município por meio de licitações direcionadas e fraudulentas. Na denúncia, Carlos Braide é acusado de corrupção ativa; lavagem de dinheiro de forma reiterada e por intermédio de organização criminosa; fraudar licitação por dez vezes, em concurso material de crimes. No Relatório do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) n.º 003/2014, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) o aponta como cabeça do 'núcleo empresarial e operacional' da Orcrim.

Até que o Poder Judiciário do Maranhão tomasse essa decisão, a denúncia passou pela mão de vários desembargadores, que evitaram julgá-la. Um deles, inclusive, o desembargador Raimundo Melo, chegou a se declarar suspeito após o vazamento de que ele havia recebido em seu gabinete, no Palácio da Justiça Clóvis Bevilacqua, o agora réu Helder Aragão, ex-prefeito de Anajatuba, e o senador João Alberto Souza (PMDB-MA).

Além do prefeito Hélder Aragão, foi aceita a denúncia apenas contra Edinilson dos Santos Dutra (vereador), Álida Maria Mendes Santos Sousa, Luís Fernando Costa Aragão, João Costa Filho, Georgina Ribeiro Machado, Francisco Marcone Freire Machado, Antonio José Fernando Junior Batista, Fabiano de Carvalho Bezerra, José Antonio Machado de Brito Filho, Franklin Bey Freitas Ferreira, Marcelo Alexandre Silva Ribeiro, Matilde Sodré Coqueiro e Natascha Alves Lesch. Parte deles, inclusive, recebeu da Assembleia Legislativa do Maranhão como funcionário fantasma do gabinete de Eduardo Braide, inclusive o empresário Fabiano Bezerra, apontado como um dos dirigentes e operadores do 'braço empresarial' da Orcrim, e sócio de Carlos Braide nas empresas de fachada.

Curiosamente, durante a campanha eleitoral, o deputado Eduardo Braide - que segue como investigado pela PGJ e pela Polícia Federal por suposta participação no mesmo esquema criminoso - antecipou que a 3ª Câmara Criminal do TJ-MA não havia recebido a denúncia contra o seu pai. Procurada pelo ATUAL7, a Corte chegou a emitir nota, explicando que a declaração dada pelo então candidato a prefeito da capital não tinha procedência.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do MP-MA, e questionou se o Parquet recorrerá da rejeição à denúncia contra os outros acusados, mas não houve reposta até a publicação da matéria.

Investigado na Máfia de Anajatuba assume o Governo do Maranhão
Política

Humberto Coutinho ficará no cargo até o próximo dia 5. Governador e vice saíram de férias pós-eleição

O presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Humberto Coutinho (PDT), tomou posse do Governo do Estado, interinamente, na manhã desta quinta-feira 3, pelo período de três dias. Ele assume seguindo a regra constitucional, em decorrência das férias pós-eleição programas do governador Flávio Dino (PCdoB) e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB).

Conforme revelado pelo ATUAL7 na terça-feira 1º, Coutinho é um dos deputados estaduais investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), por suposto envolvimento na chamada Máfia de Anajatuba. O outro parlamentar é o deputado Eduardo Braide (PMN).

O governador interino do Maranhão é suspeito de, juntamente com empresários, prefeitos, ex-prefeitos e deputados federais, desviar recursos públicos por meio de fraudes em processos licitatórios e lavagem de dinheiro, que teriam resultado em enriquecimento ilícito.

A farra, segundo o Gaeco e a Polícia Federal, que também investiga a organização criminosa (Orcrim), pode ter atuado em quase 70 prefeituras no Maranhão e desviado algo em torno de R$ 60 milhões, entre os anos de 2005 e 2015. A verba pública roubada, segundo as investigações, seria principalmente da educação, infraestrutura e saúde. O esquema teria sido operado por meio das empresas de fachada A4 Produções e Eventos, Vieira e Bezerra Ltda - EPP (atual F. C. B. Produções e Eventos), Construtora Construir Ltda-ME e M. A. Silva Ribeiro-EPP (antiga M.R. Comércio e Serviço). Todas, segundo o Gaeco, pertencem ao ex-presidente da AL-MA, Carlos Salim Braide, em sociedade oculta com os empresários Fernando Júnior e Fabiano Bezerra.

Outro lado

Em nota distribuída à imprensa ainda na terça-feira, a Assembleia Legislativa do Maranhão confirmou as investigações, porém ressaltou que Humberto Coutinho ainda não havia sido notificado formalmente sobre a instauração de inquérito policial.

Ainda segundo a AL-MA, o pedetista pretende contribuir com o fornecimento de informações a respeito das investigações, caso seja chamado por qualquer órgão de Justiça.

Máfia de Anajatuba: PGJ abre investigação contra Humberto Coutinho
Política

Gaeco apura atuação de empresas de fachada no município de Caxias, entre os anos de 2005 e 2015

A Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), chefiada pelo promotor Luiz Gonzaga Martins Coelho, abriu investigação para apurar o envolvimento do presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Humberto Ivar Araújo Coutinho (PDT), na chamada Máfia de Anajatuba.

A requisição de diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial foram solicitadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), após os promotores de Justiça Gladston Fernandes de Araújo, Marco Aurélio Cordeiro Rodrigues e Marcos Valentim Pinheiro Paixão descobrirem que, na teia da organização criminosa (Orcrim) que saqueou os cofres do município, há ainda diversos empresários, prefeitos, ex-prefeitos, deputados estaduais e até deputados federais desviando recursos públicos por meio de fraudes em processos licitatórios, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

Folha 77 do PIC-Gaeco detalha quanto que novo pedindo de investigações seriam solicitados

O Gaeco acredita que a quadrilha saqueia os cofres públicos municipais desde o ano de 2005, e pode ter roubado a verba, principalmente da educação, infraestrutura e saúde, de quase 70 prefeituras em todas as regiões do Maranhão.

Uma dessas prefeituras, que também segue como investigada, é a do município de Caxias, onde o presidente da AL-MA ainda mantém feudo eleitoral e controla a prefeitura desde 2004, quando foi eleito prefeito da cidade.

Os procuradores apuram se houve desvio de recursos públicos entre os anos de 2005 e 2015, durante a gestão de Humberto e de seu sobrinho, Léo Coutinho (PSB), por meio das empresas de fachada A4 Produções e Eventos, Vieira e Bezerra Ltda - EPP (atual F. C. B. Produções e Eventos), Construtora Construir Ltda-ME e M. A. Silva Ribeiro-EPP (antiga M.R. Comércio e Serviço). Todas, segundo o Gaeco, pertencem ao ex-presidente da AL-MA, Carlos Salim Braide, em sociedade oculta com os empresários Fernando Júnior e Fabiano Bezerra.

Documento da PGJ que pede a abertura de investigação contra o deputado estadual Humberto Coutinho

O ATUAL7 tentou contato com Humberto Coutinho, desde a última sexta-feira 28, por meio do diretor de Comunicação Social da Assembleia Legislativa, Carlos Alberto Ferreira, que ficou de enviar nota de esclarecimento, mas até a publicação desta reportagem não houve retorno.

O erro de Eduardo Braide: ele pensou que São Luís fosse Anajatuba
Política

Candidato do PMN deu de ombros para a opinião pública diante da suspeita de que lavou dinheiro e se apropriou de recursos públicos por meio da Máfia de Anajatuba

Candidato a prefeitura de São Luís pelo nanico PMN, o deputado estadual Eduardo Braide atravessou a temporada de caça ao voto fantasiado de apolítico e inimigo número 1 das raposas da política em geral, pensando que a capital do Maranhão fosse Anajatuba, onde ele também conseguiu mais do que dobrar os seus votos e com isso ser o mais votado no município, na última eleição para o Legislativa estadual.

Suspeito de lavagem de dinheiro e de apropriação indevida de recursos públicos por meio da chamada Máfia de Anajatuba, Braide sempre se comportou com tranquilidade olímpica em relação ao que pensava o ludovicense diante de sua ligação umbilical e profissional com os cabeças e demais membros da organização criminosa que saqueou os cofres daquela cidade.

Tudo miragem.

Quando Eduardo Braide se candidatou a prefeito de São Luís, faltou-lhe a percepção de que o comportamento que era assimilado na cidade coração da quadrilha que roubou quase outras 70 prefeituras não seria aceitável em São Luís. No início da semana final do pleito, quando se comprovou por meio de documentos oficiais que ele segue não somente investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), mas também pela Polícia Federal (PF) após vultuosas movimentações financeiras atípicas em sua conta-corrente, sua candidatura se tornou insustentável e virou pó.

Nas redes sociais, onde dominava desde o debate passado na TV Mirante, realizado no primeiro turno, diante do confronto com outros documentos, usuários passaram a duvidar sobre a honestidade que o candidato carregava em sua retórica e certidões negativas, já que as próprias certidões atestavam que as negativas contavam para qualquer investigação de corrupção, exceto as sob sigilo.

Mas ainda havia um luz no fim do túnel: o segundo e último debate na TV Mirante, no segundo turno, onde Eduardo Braide poderia se sobressair e massacrar o seu adversário, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Contudo, logo no início do primeiro bloco, ao confrontado por Edivaldo sobre qual sua participação na Máfia de Anajatuba, Braide acabou ficando nervoso, esqueceu a resposta que havia treinado, gaguejou por diversas vezes e não respondeu as perguntas feitas.

A relação da população ludovicense foi imediata e fraturou a candidatura de Braide, que já vinha afundando quando ele insistiu em faltar com a verdade ao dizer que nunca havia sido investigado. Apesar de seus próprios seguidores suplicarem em suas redes sociais para que se explicasse sobre as graves acusações que pesam contra ele, o candidato do PMN deu de ombros, acusou blogueiros de achaque e lidou com a opinião pública como curral, julgando que poderia trabalhar no plano eleitoral ludovicense nos mesmos moldes em que trabalhou sua reeleição para deputado estadual no município saqueado pela Orcrim. Acabou derrotado.

De mais preparado a mais corrupto: Eduardo Braide em dois debates na Mirante
Política

Comparação foi feita com base nos documentos em que os candidatos comprovaram que seu adversário é investigado por possível envolvimento ilícito com dinheiro público

Depois de dois debates na TV Mirante nestas eleições, um no primeiro e o outro no segundo turno, o candidato a prefeito de São Luís pelo PMN, deputado Eduardo Salim Braide, pulou da condição de mais preparado para a de mais corrupto.

Isso ocorre porquê, numa comparação simples entre os documentos que compravam que ele o seu adversário na disputa, o prefeito e candidato à reeleição, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), estão sendo investigados por corrupção, Braide acabou levando a pior.

Pelo documento publicado na rede social do candidato do PMN, restou comprovado que, apesar de que tenha dito no debate que é homem sério e que não é bandido, desde o dia 17 de março deste ano, pesa contra Edivaldo Júnior uma Ação População por ato de improbidade administrativa, que corre na 5ª Vara da Fazenda Pública de São Luís.

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Já no documento publicado pelo pedetista, por sua vez, ficou também comprovado que Eduardo Braide, embora ande no bolso e tenha em suas redes sociais uma calhamaço de certidões negativas de “nada consta”, é investigado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e apropriação indevida de recursos públicos, no esquema criminoso de empresas de fachada conhecido como a Máfia de Anajatuba.

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Neste sentido de troca de acusações mútuas, sobre quem seria mais corrupto que o outro, enquanto Edivaldo Holanda Júnior é alvo de uma ação de improbidade cujo entrada foi dada pelo advogado José Ribamar de Araújo e Sousa Dias e o empresário Albery Batistella, Eduardo Braide é alvo de investigação aberta pela própria Polícia Federale pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) —, após o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) encaminhar ao Ministério Público Federal a informação de que houve vultosa movimentação financeira em sua conta bancária, e dele estar umbilical e profissionalmente ligado aos cabeças e demais integrantes da organização criminosa (orcrim) que assaltou os cofres públicos daquele município.

Ainda comparando as acusações de corrupção de um contra o outro, enquanto não se tem conhecimento de que e de quanto se trata o suposto dano ao erário apenas nos cofres de São Luís por parte de Edivaldo Júnior no processo que corre na 5ª Vara da Fazenda Pública da capital, em relação a Eduardo Braide não se pode dizer o mesmo, pois é de conhecimento público e notório que a Máfia de Anajatuba operou em quase 70 prefeituras de todo o Maranhão, e delas roubou quase R$ 60 milhões da saúde e da educação — dinheiro este maior até que o envolvendo o famigerado esquema do Isec, que foi de R$ 33,2 milhões.

Talvez por saber que o que pesa contra ele é mais forte e consistente do que o que pesa contra Edivaldo, é que Eduardo Braide não tenha conseguido o esperado massacre no debate contra o prefeito, e ainda tenha se perdido em alguns momentos na fala, além de até se engasgado e de ainda, nervoso em um vídeo publicado no Facebook após o final do debate, ter chamado Edivaldo Júnior de “nosso candidato”.

Esta nova condição do candidato do PMN pode, inclusive, ser sentida diretamente nas redes sociais, devido a diminuição considerável de usuários saindo em sua defesa e de uma parte considerável do eleitorado ludovicense publicar em seus perfis que, após esse segundo debate, já pensa votar em branco ou nulo.

É como se a população que trocou o voto após assistir o primeiro debate da TV Mirante, e acabou votando nele por achá-lo o mais preparado para administrar a cidade, tivesse acordado ao saber quem é Eduardo Braide, e que, de políticos de boa retórica mas de pouca eficiência administrativa e muito envolvimento em casos de corrupção, basta Fernando Collor de Mello e José Sarney.